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Cachoeira do Alto Juramento

Cachoeira do Alto Juramento

Literalmente uma aventura, com perdas e reencontros em busca de cachoeiras em uma velha e nova região em minha vida.

Trekking Waterfall

Nasci em Montes Claros, sempre gostei de cachoeira, mas nunca acreditei que por aqui poderia curtir destes atrativos. Com família de Diamantina sempre entendi que cachoeira ela para o lado de lá, mas a necessidade faz o sapo pular, não é assim que dizem. Até conheci algumas cachoeiras nas imediações do arraial das formigas, umas cristalinas devido ao calcário mas logo movimentava a água elas ficavam sujas. Outras com uma água barrenta, até então nada se comparava as cachoeiras da Serra do Espinhaço.

Com o tempo algo começou a me intrigar. A margem oeste da Serra Espinhaço inicia a cerca de 50 km de Montes Claros, não é possível que por ali não tenha cachoeiras. Volta e meia fazia algumas pesquisas no Google Earth ou no Wikiloc em buscas de informações mas não encontrava muita coisa, o que me impressionava.

Lá para fevereiro de 2020, vim a Montes Claros passar uns 30 dias, logo veio a pandemia e acabei ficando por 3 meses. Neste tempo intensifiquei minhas pesquisas, mas era impedido de executar minhas descobertas devido as restrições. Voltei para a cidade onde morava e tempos depois retornei a Montes Claros, já era dezembro do mesmo ano. No porta malas do carro, sempre estava ela, a mochila, cheia de esperança.

Mas desta vez, após 16 anos morando fora e com permanecia indefinida por estas bandas, precisei ir em busca de sanar a grande questão.

Há ou não cachoeiras nas redondezas?

Intensifiquei a pesquisa e no Wikiloc já apreciam duas rotas. Opa, já melhorou. Pelas fotos postadas, o atrativo prometia quebrar de vez com a crença.

Trilha desenhada, aplicativo (GPS) carregado, mochila pronta: o grande dia chegou.

Saímos de Moc, de carro, por volta das 8, passei por vários lugares que me lembraram o tempo de juventude. Rio Verde com as pescarias que não davam em nada, a represa do Juramento que sempre me encantou, fazenda de amigos de infância e sítios frequentados na adolescência, muitos lembranças. Num momento já me encontrava em Juramento, o máximo que já tinha ido. Dali em diante entrava para o desconhecido.

Logo iniciamos a subida da Serra do Espinhaço, visualizar os afloramentos rochosos de quartzito já me traziam grande emoção, estava apenas 50 km de Moc e já sentia os ares de montanha.

Poucos quilômetros a frente largamos o asfalto, embreando em meio aos eucaliptos. GPS ligado para não se perder o caminho que nos levaria a primeira descoberta. Cerca de 5 km a frente identificamos a entrada da trilha, guardamos o carro em uma sombra e iniciamos a descida rumo a cachoeira.

Logo a frente já nos deparamos com um visual do vale do Rio Juramento que me encheu de esperança. Aqui também é possível realizar travessias, foi o pensamento que me tomou a mente naquele momento. Vegetação típica da Serra do Espinhaço, já me sentia na montanha apesar da altitude por aqui girar em torno de 900 metros.

Iniciamos descida cheios de esperança e logo descobrimos que não seria tão fácil assim. Uma verdadeira pirambeira estava a nossa frente. Um rochedo com uma formação intrigante as margem da trilha me convidou à apreciação. Não é que, enquanto eu preparava a foto, passou um Mocó saltitante. Não consegui fotografar mas fiquei feliz pelo contato com a fauna do local.

Mais pirambeira e chegou a hora de deixar a trilha principal e seguir rumo a rio. Mesmo o GPS indicando a entrada alguns metros a frente eu decidi entrar numa trilha que estava ali a minha frente. Acesso difícil, caminho pouco batido, mas nada muito diferente do anterior. Seguimos por ele por cerca de uns 20 minutos até depararmos numa ribanceira. A cachoeira estava logo ali a nossa frente, mas seu poço encontrava uns 30 metros abaixo de nossos pés em uma descida a 90 graus, por ali era impossível.

O jeito era retornar, até tentei cortar caminho pela serra mas estava muito íngreme e fiquei com medo de topar com marimbondos, pois já tinha visto alguns pelo caminho.

Retornamos até o caminho principal com certa agilidade e logo encontramos a entrada certa, indicada com perfeição no GPS. Entramos e seguimos morro abaixo mas agora por um caminho mais batido, mais legível. Traçado íngreme, o que me pareceu ser um padrão para acessar as cachoeiras da região.

Já bem próximo de nosso destino entramos por valo de enxurrada e seguimos nele por mais uns 40 metros até chegarmos às margens do rio. Água cristalina, com pequenos poços, muito atrativo para um refrescante banho visto o calor forte que fazia.


Dali, em meio as copas das árvores, meio timada a cachoeira dava o ar da graça. Mas foram poucos passos para que ela se revelasse dando fim a dúvida. Sim, aqui existe cachoeiras. Duas quedas em sequência e um pequeno poço de água fria compunha o cenário.


Desta vez eu não pensei na temperatura da água apenas entrei cedendo por confirmar na pele que eu estava diante, dentro, de uma cachoeira a poucos quilômetros do centro da cidade. Uma delícia, só posso dizer isto.

Uma pedra do lado esquerdo da queda me permitiu ficar alguns minutos recebendo uma massagem, enquanto o corpo se refrescava. Mas de vez em quando uma gota ou outra batia na orelha parecendo uma pedra e me lembrando que em algum momento eu precisaria sair dali.

Encontramos com um desbravador que passava o dia por ali com sua família e amigos. Conversando ele foi me revelando a riqueza de cachoeiras da região, seis para esquerda umas cinco para a direita e mais de vinte para baixo. Meus olhos até brilharam.
Não ficamos muito pois queríamos conhecer uma outra queda agora para o lado oposto da rodovia.


Subimos o morro, ofegantes e aos sons de trovoadas. Quem me acompanha por aqui já conhece o ensinamento de vovô Zezinho, se chover na cabeceira saia da água. Com isto decidimos não ir na segunda queda, ficou para a próxima.

Chegamos no carro já embaixo de chuva. Depois em conversa com o caminhantes que ficou na cachoeira, ele me disse que choveu bastante, mas não impediu que curtisse seu dia por ali.
Retornei para casa cheio de esperança e já analisando se tinha algum compromisso para o próximo fim de semana, pois a esperança em desbravar a região só aumentou.

P.S.: Não sei o nome da cachoeira netão escolhi aquele que melhor representou para mim.

Felipe Meira
Felipe Meira

Published on 01/10/2021 17:20

Performed on 01/09/2021

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Juliany Braga
Juliany Braga 04/08/2021 18:49

Lugar lindo, pode me explicar melhor como ter acesso a cachoeira, em qual km entro ? Obrigada

Felipe Meira

Felipe Meira

Santo Antonio do Itambé

Rox
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Especialista prático em geoprocessamento de trilhas, certificado pelos companheiros que me acompanham e sempre retornam com um sorriso e/ou com historia para contar.

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