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Ecopista do Dão - Santa Comba Dão a Cana de Santa Maria
Breve descrição do caminho pedestre entre Santa Comba Dão e Cana de Santa Maria, na região central de Portugal (Distrito de Viseu).
TrekkingA Ecopista do Dão foi construída em cima de uma antiga linha de ferro no trecho que liga a cidade de Santa Comba Dão a Viseu. O trecho tem 49 quilômetros. Na caminhada de ontem (22/1/2023) eu fiz 26,29 km, o que dá pouco mais da metade. Saí de Santa Comba e segui até Canas de Santa Maria.
A pista é tranquila. O piso é muito regular, pois todo de cimento. No primeiro trecho é pintado de azul. Depois tem segmentos pintados de verde e de vermelho de acordo com a freguesia onde está.
Desta vez, porém, não sai do início da trilha. Ela começa do lado esquerdo do Rio Dão, na estação ferroviária de Vimieiro. Como eu estava na margem direita, segui por uma trilha alternativa até depois de Granjal, um vilarejo da cidade de Treixedo. Uma trilha muito bonita, de terra, mas bem conservada, que serpenteia entre propriedades abandonadas, hortas e videiras antigas.
Neste local a Ecopista cruza o rio numa ponte reformada com o piso adequado para pedestres e ciclistas. (Com algumas exceções, somente pedestres e ciclistas podem entrar na Ecopista).
O trecho agradabilíssimo. Para muita gente, o inconveniente de ontem era o vento frio. Estamos no inverno por aqui e a temperatura ao amanhecer estava em torno de 4 graus Celsius. Ao longo dia não esquentou muito porque o vento quase constante estava gélido. Mas eu não me importo tanto com o frio. Lá fui eu, de calção e camiseta, no meio dos portugueses que passavam com seus enormes jaquetões. Os ciclistas passavam com suas fatiotas completas e grossas balaclavas. Luvas também. Faz sentido: o vento que bate no rosto de um ciclista enregela qualquer um até a alma.
Ao longo da trilha vamos passando por uma parte da história de Portugal: velhas estações de trem, casas de pedra abandonadas, muros de pedra, terraços de cultivo. Nas proximidades, em Carregal do Sal, há inúmeros monumentos pré-históricos. Mas como eu já os tinha visitado semana passada, ontem eu estava dedicado apenas à caminhada até Canas de Santa de Maria. Paradas e desvios, só para alguma coisa muito próxima à pista. De qualquer forma, fica aí uma amostra de um pequeno dólmen (sim, alguns são muito grandes).
Os dólmens (e há centenas ou milhares deles em Portugal) eram essencialmente túmulos coletivos dos povos que aqui viviam por volta dos séculos VI, V, IV AC. Como não tinham ferramentas, não conheciam a roda e não tinham animais de carga, é possível imaginar o esforço enorme que despendiam para construir estes monumentos. Alguns são fechados com pedras de muitas toneladas que eram trazidas de muito longe.
Dois pontos do caminho merecem uma parada: as ruínas da estação de Treixedo e o local conhecido como Marmitas de Gigantes, em Nagosela.
A estação, de pedra, ainda guarda um ar majestático. Pode-se imaginar como era imponente há 150 anos, quando foi construída a linha de ferro.
A Marmita de Gigantes é um fenômeno que acontece no fundo do Rio Dão. Ao longo dos milênios a água furou verdadeiras cisternas nas pedras do fundo. Mas, olhando na superfície, só é possível vê-las se o rio estiver muito baixo. Mas, mesmo sem ver as marmitas, o local é bonito e ótimo ponto para piquinique.
Escolhi como fim da jornada a Matriz de Canas de Nossa Senhora. Ela marca aproximadamente a metade do caminho e dentro de mais alguns dias retomarei a Ecopista a partir dali para chegar até a antiga estação de Viseu, final deste percurso lindo.
Que legal Fernando! É possível acampar no trajeto? Em todo caso imagino que em Canas de N. Senhora deve ter pousada.