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Cantagalo

Cantagalo

Linda e imponente montanha, localizada nos limites entre os municípios de Petrópolis e Teresópolis.

Hiking Mountaineering

Cantagalo – 08.08.2021


No final de julho, navegando pelo Instagram, vi uma postagem de uma conhecida que esteve no Cantagalo. Como havia muito tempo desde a minha última ida, resolvi perguntar as condições da trilha. Após a confirmação que a trilha estava aberta, combinei com a Letícia uma visita nessa montanha para a semana seguinte. Aproveitei e convidei alguns amigos, mas apenas o Gilmar estava com disponibilidade para a data.

Crista do Cantagalo vista do cume da Pedra do Triunfo


Já havia estado lá outras duas vezes! A primeira foi em 2009 e foi meu último treinamento antes de partir para o Peru e encarar o circuito Huayhuash pela primeira vez. Nessa ocasião, tive que reabrir uma pequena parte da trilha. Já na segunda vez, em 2013, reabrimos toda a trilha até o cume, pois desde a tragédia das chuvas de 2011 em Petrópolis, ela havia caído em desuso. Além do tempo ter ficado feio, fomos atacados por carrapatos.
O Gilmar, conforme combinado, chegou em nossa casa as 7h. Pegamos nossas mochilas e embarcamos na viatura. Seguimos para o Vale do Cuiabá, num desvio da estrada que liga Itaipava a Teresópolis. Cerca de 500m depois, seguimos reto no trevo em direção ao condomínio “Vale do Cuiabá”, único acesso por estrada. Nos identificamos na portaria, informando que iríamos para a Tapera.
A “Tapera” é uma comunidade quilombola encravada na parte alta do vale e protegida por um cinturão de montanhas, como o Cantagalo, Tapera/Triunfo e a Pedra do Carneiro. Nessa enchente de 2011, as casas da comunidade original, em sua maioria de adobe e pau a pique foram totalmente destruídas. As famílias sobreviventes foram reassentadas em casas construídas pela prefeitura um pouco acima do local original.
Seguindo o GPS do celular e algumas placas indicativas, fomos cortando a estradinha do condomínio, repleto de casas de alto luxo. Terminado o calçamento, seguimos por pouco mais de 3kms em estrada de terra em boas condições até o quilombo, aonde retorna o calçamento. Pegamos a primeira entrada a esquerda. Fomos recebidos pelo Adílson que informou que começaram a cercar e cobrar o estacionamento por conta da bagunça que alguns grupos andaram fazendo. Pagamos o valor de R$ 20, estacionamos o carro, arrumamos nossas mochilas e logo começamos a caminhar. Eram 8h em ponto!
A trilha começa logo depois das casas numa estradinha precária. Cerca de 300m depois, cruzamos uma cerca de arame farpado e começamos a subir lentamente em direção a um bonito rio. Como estávamos com bastante água, passamos direto! Um pouco acima, começamos a passar por algumas ruínas de casas destruídas pela enchente. O tempo estava fechado, mas o calor já se pronunciava.
Aos poucos a trilha vai ficando mais inclinada e começamos a ver os estragos causados pela turma do motocross que usa esse trecho da trilha para fazer uma ligação com o bairro da Posse, em Teresópolis. A trilha que havia sido refeita, usando curvas de nível, estava lá e sempre que possível seguíamos por ela.
Com 1,5kms caminhados chegamos em um trecho que foi manejado para permitir alcançar e transpor novamente o rio. Para nossa surpresa, não havia mais rio, pois o curso foi interrompido por pedras e terra, aparentemente para permitir a passagem de motos. Não deu para ver se houve uma canalização da água. Ficou uma recordação forte de 2013, pois à época tivemos que desescalar um barranco para conseguir atravessar o rio, tamanho o estrago causado pela água.

Depois desse ponto, a trilha começa a inclinar definitivamente. Já não temos mais as curvas de nível. São retas bem inclinadas, repletas de terra parecendo um talco e cercadas por samambaias. Seguimos subindo por esse inferno por 1km. A cada pausa, inúmeros impropérios vinham a minha mente.

Após vencermos o pior trecho, o caminho passou ao lado de uma torre de alta tensão e começou a perder inclinação. Fizemos uma rápida pausa. A nossa direita, bem pertinho, estava a Pedra da Tapera (para os petropolitanos) ou Pedra do Triunfo (para os teresopolitanos), uma montanha que já havíamos visitado, subindo pelo lado de Teresópolis.
Nesse colo das torres, a trilha segue reto em direção a Teresópolis. Pegamos um acesso discreto (mas marcado) a esquerda, por um trecho de mata. Após uma curta descida, chegamos a um outro colo, onde se inicia a subida da crista que leva ao cume do Cantagalo.
Subimos sem pressa os primeiros dois terços, que são mais inclinados. Pouco a pouco, a trilha vai ficando mais plana. Como o cume da montanha é bem amplo, ainda tivemos que andar cerca de 500 metros para alcançar o ponto mais alto do dia, com 1780m. Fiz o registro no GPS e caminhamos mais 100 metros até um mirante que aponta para o lado de Petrópolis. O relógio marcava 11h20!
Para nossa felicidade, nesse momento, o tempo abriu completamente e o sol brilhava. A nossa esquerda, podíamos ver cumes da Serra dos Órgãos, como Alcobaça, Mãe D’Agua, Cone, entre outros. A nossa frente estavam o Taquaril, Taquaril Menor, Brejal e um pedacinho das Jacubas. E a nossa direita, as montanhas de Teresópolis, como o Avalanche (ou Arrieiro), Boavista, Pedra Alpina, Pessegueiros, e as montanhas do Parque Natural de Teresópolis, Tartaruga e Camelo. Mais ao fundo, a Mulher de Pedra.

Panorâmicas do cume do Cantagalo


Aproveitamos o dia bonito que se apresentou para fazer um bom lanche, tirar muitas fotos e reforçar a hidratação. Ficamos tão eufóricos com a melhora do tempo que esquecemos de procurar o livro de cume para registrar nossos nomes. Fica para uma próxima visita!
As 12h25 começamos nossa descida. Rapidamente chegamos ao colo das torres e iniciamos o famigerado trecho poeirento. Desci com o máximo cuidado, para não piorar o estado do meu joelho, que está em processo de recuperação de uma lesão! Vencido esse trecho, foi passeio no parque até chegarmos novamente ao carro, as 14h15.
Seguimos direto para Itaipava e fizemos uma parada no Rocky Garden, a melhor hamburgueria da cidade, para comemorar mais uma trilha saboreando uma IPA geladinha!
Até a próxima!

Observações:
1 – Como o início da trilha se dá pelo quilombo, não custa reforçar o pedido para manter a cordialidade e a educação. Não faça bagunça, não deixe lixo e respeite as regras criadas pela comunidade.
2 – Por conta da presença das motos, atenção redobrada na subida até o colo das torres para evitar acidentes. Em diversos pontos, a trilha é bastante estreita e não tem área de “escape”.

Fabio Fliess
Fabio Fliess

Published on 08/26/2021 20:24

Performed on 08/08/2021

2 Participants

Letícia Fliess Spot Brasil

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6 Comments
Marcelo Borges 08/26/2021 22:05

👏👏👏

Fabio Fliess 08/27/2021 08:51

Valeu meu amigo Marcelo!

Bruno Negreiros 09/03/2021 18:58

Maneiro hein!!!

Fabio Fliess 09/08/2021 06:22

Valeu Bruno!!!! 🤘🏻🤘🏻🤘🏻

Francisco 09/16/2021 15:20

Quero fazer essa heim

Fabio Fliess 09/18/2021 16:26

Salve Francisco! Vale a pena... Visual muito bonito do cume!!!

Fabio Fliess

Fabio Fliess

Petrópolis - RJ

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Montanhista desde que me conheço por gente!!! Sócio e condutor do CEP - Centro Excursionista Petropolitano. Take it easy e bora pras montanhas! Instagram: @fliess

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