AventureBoxExplore
Sign Up

Travessia Jussara - Petrópolis

Nova opção de travessia ligando os bairros de Araras e Vale das Videiras, em Petrópolis. Rota muito bonita e diversificada.

Hiking Mountaineering

Travessia Jussara – 20/06/2019

Em meados de abril, vi algumas postagens no Instagram do amigo e colega de clube Marcelo de Figueiredo, que estava conectando uma nova travessia na região de Araras, juntando duas trilhas já consolidadas e uma nova rota de saída para uma das montanhas do roteiro. Curioso, comentei com a Letícia e entramos em contato com o Marcelo para colocarmos essa trilha na programação oficial do CEP – Centro Excursionista Petropolitano, o que ele imediatamente topou. No feriado do dia 20 conseguimos fazer a travessia para avaliar as condições da travessia para a excursão do clube, marcada para o dia 29.
Letícia e eu chegamos as 7h da manhã na padaria de Araras onde, além do Figueiredo, estavam dois amigos que eu havia convidado. Um das antigas, o Marcelo Lemos, que faz trilhas comigo desde o longínquo ano de 1993. E o Rangel Celso, com quem eu já conversava bastante nas redes sociais, mas com quem nunca havia caminhado.
Apresentações feitas e abastecidos com comida e água, partimos para o início da trilha. O acesso é pelo Vale do Jaguaribe ou Estrada do Grotão (uma entrada a direita na altura do número 7558 da Estrada Bernardo Coutinho).  Subimos cerca de 1km e estacionamos ao lado das últimas casas, após conversarmos com um dos moradores.
As 7h55, com as mochilas nas costas, começamos a subida dos últimos 500m de estrada que levam até a entrada da trilha. Aos poucos o calçamento deixa de existir e a estrada passa a ser de terra. Quando lá chegamos, observamos que seria possível estacionar pelo menos dois carros no local.
Nosso primeiro objetivo era chegar ao cume do Palmares, uma montanha que eu já havia visitado algumas vezes, mas pela subida tradicional, iniciada na região do Malta. E diferentemente do que eu havia pensado, esse trecho inicial não havia sido aberto pelo Marcelo, mas era sim uma trilha pouquíssimo usada por montanhistas. Em pouco menos de 2,5kms teríamos um desnível de 600m verticais para vencer.
A trilha começa tranquila e sem muita inclinação e passamos por muitas mangueiras e pontos de captação de água para os moradores da região. É necessário algum cuidado para vencer pequenas lajes de pedra que estavam bem escorregadias. Após caminharmos cerca de 500m, passamos por um ótimo ponto de água e logo em seguida a trilha começa a aumentar sua inclinação.

A partir desse ponto, tivemos poucos trechos mais tranquilos. Ao longo dessa subida, é fácil perceber também a ação dos palmiteiros, que usam essa trilha para retirar o item das palmeiras Jussara (que dão nome à trilha). Pouco antes das 10h, fizemos uma pausa para comer alguma coisa ao lado de uma pequena gruta. Ali próximo fica o último ponto de captação de água, mas o fluxo é muito fraco.
Revigorados com o breve descanso, retomamos a subida por mais 25 minutos até sairmos da mata em um bonito colo, quando já era possível observar o Palmares bem próximo do nosso lado esquerdo e o conjunto da Serra das Antas a nossa direita.
Logo em seguida esbarramos em um paredão com cerca de 15~20m que pode ser bastante complicado de vencer se estiver molhado ou se a pessoa estiver com um calçado pouco “confiável”. Para evitar problemas, o Figueiredo subiu na frente e prendeu uma corda que foi utilizada pelos demais. Esperamos que a corda fosse recolhida e seguimos em direção ao primeiro cume. Chegamos aos 1620m do Palmares as 11h15.
O trecho seguinte seria “desescalar” as rochas do cume do Palmares e subir até o outro lado, para continuarmos nossa travessia. Esse é o outro ponto (um pouco mais) técnico dessa rota. Com todos os colegas se ajudando, não houve necessidade de colocarmos cordas e vencemos rapidamente esse trecho. Aproveitamos e fizemos uma parada maior para lanchar e nos hidratar.
As 12h voltamos a pernada. O próximo trecho era conhecido por quase todos e consistia na descida da crista do Palmares pela rota “normal” até o colo onde existe uma caixa d’água. Como “para baixo todo santo ajuda”, completamos esse trecho em aproximadamente 25 minutos. Ali temos a primeira rota de fuga da travessia. O GPS marcava a altitude de 1342m.
Como todo mundo estava bem, seguimos reto por mais 50m e pegamos uma trilha a esquerda, essa sim aberta pelo Figueiredo em abril. Nesse trecho estávamos caminhando na crista oposta a que geralmente usamos para fazer a Travessia Araras X Vale das Videiras. O Figueiredo tomou a dianteira aproveitando para fazer uma limpeza desse trecho.
Subimos por aproximadamente 1.6kms e em alguns momentos podíamos ver a crista “vizinha”. Algumas pessoas estavam fazendo a travessia e vimos inclusive os cães que sempre acompanham os caminhantes. O sol já estava a pino, diminuindo um pouco a nossa velocidade. Mas progredimos bem até encontrarmos com a junção da trilha “normal” da travessia. Ali era a segunda rota de fuga da travessia.
A partir desse ponto a trilha já era minha conhecida e diminui bastante sua inclinação, chegando a ficar plana em um trecho.  Já era possível ver o segundo cume do dia se aproximando rapidamente. Embora tivéssemos sol, já era possível observar uma grande piora no clima para os lados do centro de Petrópolis e por conta disso, não perdemos muito tempo. Depois de mais uma subida, chegamos ao cume do CEP70 as 14h15. Fizemos mais uma pausa de 20 minutos para descansar e lanchar.
Retomamos a caminhada, sabendo que a partir de agora teríamos só descidas. A turma ainda gastou um tempinho na laje de pedra abaixo do CEP70 fotografando as flores. Demos a sorte de pegar um exemplar de rabo de galo florido. A Worsleya rayneri é uma planta endêmica da região de Araras, também conhecida como Flor da Imperatriz.
Pelo avançado da hora, optamos por passar batido na entrada para o cume da Pedra da Cuca, onde já estive várias vezes. Descemos em um bom ritmo, parando uma ou outra vez para fotografar, pois a luz estava muito bonita. As 16h chegamos em um local conhecido como Mirante da Cuca, onde fizemos uma última pausa.
Dali até o final da trilha são pouco mais de 1km vencidos em cerca de 25 minutos. Descemos pela rua Som das Águas até a estrada, onde esperamos pelo ônibus vindo do centro do Vale das Videiras. Mais uma vez demos sorte, já que o ônibus não demorou nem 10 minutos. Os horários dessa linha já são escassos normalmente e ainda piores nos feriados.
Nos despedimos do Marcelo e do Rangel, que seguiram até o centro de Araras, e descemos do ônibus próximo da localidade de Santa Luzia, onde subimos novamente o Grotão para resgatar o carro. As 17h15 demos por encerrada a travessia.

Dicas, recados e outros detalhes (nem sempre) importantes:

- Conforme citado no “Check List”, evite ir de bermuda e/ou camisa de manga curta para essa trilha, pois o trecho do Grotão é repleto de bambuzinhos cortantes. Proteger o pescoço também é uma boa.
- Uma alternativa para evitar a caminhada de quase 1,5kms e facilitar o resgate do(s) carro(s) é deixar um veículo no Centro de Araras. Na volta, todos podem ficar no Centro e esse carro volta com o(s) motorista(s) até o início da trilha.
- Coloquei dois tracklogs nessa aventura: o que foi gravado no dia 20/06 e o completo com a Pedra da Cuca do dia 29/06, ocasião em que repeti a travessia conduzindo um grupo pelo CEP. Se o dia estiver bonito, vale a pena gastar uns minutos para ir até o cume da Cuca.
- Possivelmente fazer a travessia no sentido inverso deve demandar menos tempo, mas a descida do Grotão continuará sendo lenta, já que o terreno é bastante truncado em alguns trechos.
- Atenção redobrada quando estiver chegando próximo ao Mirante da Cuca. No dia dessa travessia o Rangel reclamou que foi pícado por uma abelha, mas não conseguimos encontrar onde estava a colmeia. Na segunda travessia, descobrimos que um enxame de abelhas invadiu um cupinzeiro ao lado da trilha. Evite movimentos bruscos ou mexer no cupinzeiro.
- Como ninguém é de ferro, para o pós-trilha recomendo uma parada no Armazém Maria Comprida, no centro de Araras.  Empadinhas deliciosas e cerveja artesanal geladinha feita na região, além de muitas outras opções.

Fabio Fliess
Fabio Fliess

Published on 07/05/2019 13:17

Performed on 06/20/2019

1 Participant

Letícia Fliess

Views

1892

11
Pedro
Pedro 07/05/2019 14:19

quanto tempo de caminhada e a classificação da mesma como fácil, média ou pesada?

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/05/2019 14:21

Salve Pedro. Boa tarde! O lugar é bonito mesmo... Fiz duas vezes a travessia e levei cerca de 8h30 para completar o trajeto. Eu classifico como semi-pesada, tendo alguns lances mais expostos. Acredito que fazendo no sentido contrário que eu fiz, esse tempo seja menor. Abraços.

Pedro
Pedro 07/05/2019 19:25

show.

Pedro
Pedro 07/05/2019 19:26

a travessia basicamente seria do cep70 até passando abaixo da pedra da cuca.

Pedro
Pedro 07/05/2019 19:27

encontro vídeos desta trilha no you tube.

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/05/2019 19:27

Não Pedro. Essa travessia é mais ampla que a Travessia Araras X Vale das Videiras, porque inclui o Palmares no trajeto, descendo por outra rota. Depois baixa o tracklog e joga no Google Earth para você ter uma idéia. Abraços.

Suelen Nishimuta
Suelen Nishimuta 07/21/2019 19:40

Gostei! :) mais uma opção pra nós!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/22/2019 08:08

Oi Suelen. Sim, uma boa opção para uma travessia de 1 dia aqui na serrinha. Quando vier, avise!!!!

Fabio Fliess

Fabio Fliess

Petrópolis - RJ

Adventures
45
Rox
1823

Take it easy e bora pras montanhas! Instagram: @fliess

Map

2353 Contacts



Minimum Impact
Manifesto
Rox

Renan Cavichi, Ana Retore and 256 others support the Minimum Impact Manifest


Together
Inclusive Adventures
Rox

Renan Cavichi, Ana Retore and 40 others support the Together page.