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Corona vibes na Serra da Canastra e um romance

Corona vibes na Serra da Canastra e um romance

Esse negócio de rede social fez aproximar um pernambucano destemido e mountain biker de uma mineira marrenta e mountain biker.

Mountain Bike

Eu sou daquele tipo de pessoa "Bora? Bora!". Então eu propus um rolê de bike à Patrícia onde eu ria à Minas Gerais num bate e volta. De quebra, haveria umas fotos e umas cervejas. Tudo acertado e passagens nas mãos, hora de pegar a estrada. Foram horas de carro, horas de avião e aeroportos, horas de avião e mais horas de carro. E parece que quando é para ser, é de fato.

Foto: Rodoviária de BH

O lado desagradável dessa viagem, foi a onda de pânico social espalhada pela chegada do vírus coronga. Eu não vou falar sobre ele em si e deixarei de lado as polêmicas associadas à doença, mas eu posso garantir que esse caos social de certa forma contribuiu para o acontecimento da viagem. Contudo, todo o planejamento de trilhas na Serra da Canastra foi interrompido pelo fechamento do parque nacional por conta da epidemia.

Foto: Caminho entre Tapira e São João Batista da Canastra

Restou apenas para gente ficar mais perto um do outro como crushes em potencial. Tíanhmos a disposição uma pousada, 3 fardos de cerveja comprados em Araxá, comida, duas bikes, mapas, GPS, equipamento fotográfco, a hospitalidade do povo de São João Batista da Canastra e todo o entorno da serra só pra gente, literalmente. Então bastava dar asas aos sonhos e sair por ai sem muita preocupação com horários.

Foto: Restaurante da Dona Maria (um amor de pessoa)

No sábado, decidimos ir ate a Cachoeira do Bárbaro pedalando. O tempo estava nublado e a previsão do tempo indicava uma mudança para chuva a qualquer hora. Mesmo assim a dupla "Velóis e Furióis" pegou a estrada para um bate e volta relatvamente curto com aproxmandamente 35km e 800m de elevação. Até la eu conheci um pouco do relevo ondulado mineiro, contamos histórias de pedal, fotografamos, contemplamos, e mostramos nossas prncipais habildiiades na bike. A Patrícia é competidora de XC e sobe os morros como um trator. Já eu sou endureiro, curto mais as descidas e não me importo com carga na mochila. E teve um momento engraçado quando eu estava tentando me exibir pra ela e por pouco o romance não acabou ali mesmo. Quase escapo numa curva fechada depois de peder a aderência por conta de um buraco enorme na estrada. Seria o Furióis amansado.

Foto: Dupla de 2

A chuva fina começou a cair por volta das 15h e uma névoa discreta cobria a paisagem. Já dava para ver a cachoeira ao longe e resolvemos parar e molhar a goela com água. O único barulho ali era o solado das nossas sapatilhas amassando o cascalho e dos pingos tocando no capacete. Ficamos ali abraçados olhando o relevo, que tinha uma vala gigantesca. Depois subimos pedalando um morro e começamos a descida até uma propriedade chamada Fazenda Esmeril (antiga Faz. do Bárbaro). Lá conversamos com os tios do local, abastecemos com água e seguimos em frente. A cachoeira está nessa fazenda e tem dois acessos que são passe livre, sendo um deles nesse caminho que fizemos. E o outro, pelo Parque da Canastra.

Foto: travessia do Córrego do Bárbaro

A chuva mais forte já caía, hava muita lama e empurra-bike. Atravessamos um córrego com água gelada na coxa, pedalamos até mais um morrinho e demoramos um pouco até encontrar a trilha que leva à cachoeira do Bárbaro. Para facilitar a caminhada final até lá, escondemos as bikes e fomos a pé mesmo os últimos 200m. Enfim chegamos sequência de saltos, poços e mini quedas. Demoramos pouco pois o local estava perigoso para banho por causa do risco abrupto de enchente, e também a noite ja dava sinais. Mas tempo suficiente para um banho rápido, um lanche e claro, uns beijos :)

Foto: Cachoeira do Bárbaro

Decidimos voltar pelo mesmo caminho pois seria mais seguro a ter que arriscar um caminho ermo mais perto, porém não mapeado. O céu dasabou em água e uma neblina espessa cobriu o nosso retorno. Patrícia estava sem farol, mas o meu era sufciente para iluminar com cuidado a nós dois. Ela nunca havia pedalado sob aquelas condições e estava preocupada. O ritimo era lento porém seguro para chegar bem. Eu ficava a todo momento tranquilizando ela, pois aquela situação era comum pra mim. Nesses meus 26 anos de mountain bike já enfrentei desafios muito rigorosos e aquela chuva na noite para mim era café pequeno. E para dar certeza pra ela de que a situação estava sob controle, teve uma hora que desci da bike e subimos juntos uma ladeira de mãos dadas. Esse é o papel do homem, transmitir segurança e proteger.

Só sei que depois de algumas horas pedalando no temporal, chegamos de volta à vila. Tomamos nosso merecido banho de água limpa, pusemos uma roupa quente e preparamos nosso jantar com direito a um macarrão altamente salgado com churrasco e cerveja. E voltando ao papel masculino, eu não estava ali à toa. Estava decidido a pedir a Patrícia em namoro por vários motivos que julguei que deveria ser assim. E para isso, preparei um candelabro com uma forquilha e latas de cerveja e mandei: "-Você aceita ser minha namorada?". E ela: "-Sim!".

Foto: Pousada

De repente acordo na minha casa em Pernambuco. Dormi de calça e botas, o mala-bike estava com etiquetas de aeroporto, e levanto atordoado sem entender muito o que estava se passando. Eu mando uma mensagem para a Patrícia e pergunto se tudo aquilo que vivemos foi de verdade mesmo. E assim tem sido desde então. Algo tão bom de viver que me dá a certeza de que este é o rumo certo a seguir. Sempre juntos e parceiros!

Foto: Nozes

George Araujo
George Araujo

Published on 11/18/2020 15:25

Performed from 03/18/2020 to 03/23/2020

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George Araujo

George Araujo

Pernambuco

Rox
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Professor Tirador de fotos @georgearaujo_ Ciclista bruto

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