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Kilimanjaro 2017

Kilimanjaro 2017

Projeto 7 Cumes - Kilimanjaro

High Mountaineering Trekking Mountaineering

A subida ao Kilimanjaro é a terceira montanha do Projeto 7 Cumes que estou realizado, projeto de forma desportiva e não comercial. Objetivo é se preparar para tentar a subida ao Everest sem ajuda dos Xerpas e se auxilio de oxigênio suplementar.

Considero o Kilimanjaro como a montanha mais fácil do projeto, mas devido as restrições do Kilimanjaro National Park é proibido a subida sem guia local e com carregadores, algo para ajudar a renda do povo local. Bem diferente das expedições que costumo a fazer, mas temos que respeitar as regras de cada lugar.

Para essa expedição havia convidado algumas pessoas, mas somente uma amiga se dispôs a encarar o desafio, fizemos toda expedição juntos, mas no último dia ela desistiu um pouco acima dos 5 mil metros, o guia acompanhou ela na descida, com isso segui ao topo sozinho para cumprir objetivo.

A viagem de Arusha para Kilimanjaro mostra um pouco da paisagem local, mais seco do que eu havia imaginado, os vilarejos no percurso mostram a desigualdade social. Depois de chegar ao Kilimanjaro Nathional Park pegamos as autorizações para a subida e iniciamos a trilha.

Iniciamos a trilha junto com um casal de suecos, eles estão fazendo a primeira alta montanha e estão um pouco preocupados com aclimatação, já no início da trilha eles começam a ficam para atrás. Nesse dia objetivo é sair de Machame Gate (1490m) e ir até Machame Camp (2980m), nessa parte da subida é em meio a floresta por uma trilha bem cuidada e sem dificuldades técnicas. Depois de quase duas horas na trilha o tempo muda e começa a chover forte e depois de quase três horas de forte chuva chegamos a Machame Camp (2980m) nosso primeiro acampamento. Durante a subida percebo que o guia não se encontra muito bem aparentemente, vejo ele muito lento já no primeiro dia na trilha.

Os carregadores que levam meus equipamentos também pegaram a chuva e a minha duffel fica em parte molhada e sinto que várias roupas minhas se encontram úmidas, até meu saco de dormir esta úmido, a noite não foi agradável com isso e me sinto desconfortável.

No segundo dia a subida vai de Machame Camp (2980m) para Shira Camp (3840m), amanhece com um lindo sol e um amanhã fria, tomo meu café da manhã e decido subir sozinho e chegar antes ao próximo acampamento, meu objetivo é chegar mais cedo e colocar meu saco dormir e outras roupas para secar ao sol.

Início a subida bem seguro das minhas condições e vou passando vários grupos durante o percurso, o que me chama atenção é a quantidade de embalagem de comprimidos que encontro pelo caminho, acho que as pessoas se preocupam mais em tomar medicamentos para dores de cabeça do que prevenir. A maior prevenção é água e nada mais, quanto mais água menos dor de cabeça. Chego ao Shira Camp muito bem e encontro somente alguns carregadores de outras expedições que começam a montar acampamento, minha amiga e o guia Agry chegam duas horas e meia depois. O sol das somente pequenas aberturas e aproveito mesmo assim as poucas aberturas para secar minhas coisas. Os suecos demoram muito para chegarem ao acampamento parecem bastante cansados e pela conversa dos guias vão sugerir a eles que descem a desistam da subida. Depois de uma longa conversa ele aceitam abandonarem a jornada na montanha, acho muito cedo mais cada um precisa tomar sua própria decisão e encontrar a melhor alternativa.

Nesse terceiro dia o trajeto sai de Shira Camp (3840m) para Barranco Camp (3950m) mas é um percurso longo que sobe primeiro até Lava Tawer 4630m e depois desce até chegar Barranco Camp (3950m) nosso próximo destino.

O tempo começa fechado desde os primeiros momentos, o terreno nessa parte da subida é bom, caminho aberto com uma subida leve mas larga até Lava Tower. Aos 4400m começa a cair os primeiros flocos de neve e parece que não teremos chuva nesse dia, melhor neve que chuva. A vantagem da neve é que ela não molha como a chuva. Chegamos bem em Lava Tower 4630m e devido à forte neve juntada com vento decidimos não ficar ali, somente tiramos algumas fotos e começamos a descer direto. Depois de algum tempo começa a vir o pior, a neve dá lugar a chuva novamente, essa chuva parece me perseguir e na parte final decido descer o restante correndo e fugir dela.

Acampamento Barranco é bem tranquilo e mais agradável que o Shira, o tempo esta chuviscando e não consigo ver qual a vista desse acampamento, a única vista que aparece é a subida que leva ao Barafu Camp o nosso próximo destino.

Quarto dia, Barranco Camp (3950m) para Barafu Camp (4600m). Acordo bem nesse quarto dia e tomo um café da manhã, aproveito para comer dois omeletes e vários pães, isso vai garantir minha principal refeição e uma quantidade de calorias necessárias para caminhar forte.

Começamos a subir depois das 7 horas, a subida do Barranco é tranquila e um pouco lenta, passo a passo vamos ganhando altitude e deixando para trás a temida subida. No final do Barranco encontramos um pequeno platô e paramos um pouco para comer algo e se hidratar, é um lugar lindo, consigo ver parte do Kilimanjaro, o tempo piora e parece que iremos pegar chuva, estamos abaixo dos 4400m nesse momento e aqui no Kilimanjaro abaixo dessa altitude é sinal de chuva e não neve. Depois de mais de 7 horas chegamos finalmente do Barafu Camp (4600m), dali é somente ir ao topo e começar a voltar para casa.

A chegada tardia ao Barafu Camp deixa pouco tempo para descanso, e não tem muito que fazer nessa região da montanha, comer bem, hidratar, entrar no saco de dormir e aguardar chegar as 23 horas para começar a se organizar para subida ao topo do continente africano.

O jantar é novamente um espaguete, sopa, pães, pipoca, e um café africano para abrir o jantar.

Dia de ir ao topo da África, levantamos as 23 horas e começamos os preparativos para a parte final, me sinto muito bem mesmo não tendo muito tempo para dormir, o segredo agora é se alimentar e hidratar bem. Depois de tomar o café saio da barraca e já avisto luzes subindo as montanhas, vários grupos já haviam começado a subida bem cedo, antes das 23 horas.

Tudo pronto para a subida e lá vamos nós, a subida é feita pela minha amiga, nosso guia e eu, já no início da subida sinto o ritmo ser muito lento, mas estamos juntos e seguiremos dessa maneira para todos chegarem bem ao topo. Nas primeiras horas da manhã meu relógio marca temperatura de – 5 graus célsius e vai baixando de como que avançamos montanha acima. Próximo dos 5 mil metros começa a se avistar as luzes de Arusha e pequenos povoados próximos, a vista é bela a anima a subida no ritmo lento que estamos. Tento animar minha amiga e seguirmos forte, explico que o ritmo esta errado e isso faz se cansar mais, o correto é tentar subir mais rápido e com isso o organismo se aquece com mais movimento, em um ritmo lento sentimos mais frio porque o corpo produz menos calor e com isso sentimos muito mais esse fator. As vezes penso que o guia não quer ajudar ou não esta em condições de render mais e motivar, para mim não tem importância subir nesse ritmo porque para mim é questão de tempo para chegar ao topo.

Por fim um pouco acima dos 5 mil metros minha amiga decide voltar para acampamento, cada um precisa tomar suas próprias decisões, e com isso o guia desce junto com ela. Me despido do grupo e sigo meu ritmo montanha acima, em poucos minutos já não os vejo mais. Com o passar do tempo ultrapasso os grupos que haviam passado por nós e o que chama atenção dos guias é o fato de eu estar subindo sozinho, digo que o guia teve que descer e continuo subindo.

Chego no Stella Point 5.718 metros onde se finaliza a subida mais íngreme perto das 7 horas, até o tempo é uma leve inclinação que leva de 30 a 60 minutos. Muitas pessoas ficam ali mesmo e nem vão até Uhuru Peak 5895m onde é o topo do Kilimanjaro. Quando chego ao topo encontraram 2 grandes grupos tirando fotos, peço para um alemão tirar algumas fotos e fazer uma filmagem com a bandeira da Chapecoense, havia levado a bandeira para fazer uma homenagem, foi um momento emocionante porque aquela subida tinha um objetivo muito maior do que somente chegar ao topo da África.

Hélio Fenrich
Hélio Fenrich

Published on 11/15/2017 12:35

Performed from 01/06/2017 to 01/12/2017

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Hélio Fenrich
Hélio Fenrich 11/16/2017 10:15

Obrigado Renan! vamos para a próxima, abraço

Hélio Fenrich
Hélio Fenrich 11/16/2017 10:15

Valeu Antonio!

Laila
Laila 11/16/2017 16:07

Aeeee sim... demais!!!!

Eduardo Weckerle
Eduardo Weckerle 11/17/2017 20:31

Representou SC! Boa!!

Hélio Fenrich
Hélio Fenrich 11/22/2017 17:42

Obrigado Laila e Eduardo!

Flávio
Flávio 10/13/2018 17:57

Olá gostaria de saber o custo básico para escalar o Kilimanjaro,fora o custo das passagens aéreas do Brasil até lá.fico no aguardo e desde já agradeço.

Hélio Fenrich
Hélio Fenrich 10/14/2018 14:03

Olá Flávio! Kilimanjaro não tem um custo muito barato na montanha, deve gastar um torno de 1.250 (dólares).

Liliam Pereira
Liliam Pereira 03/11/2021 16:40

😍🔝👏👏👏

Hélio Fenrich

Hélio Fenrich

Jaraguá do Sul - SC

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Explorador, montanhista, corredor de montanhas e apaixonado por esportes outdoor.

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