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TREKKING CERRO LOMAS BLANCAS E PEDRO ZANNI

TREKKING CERRO LOMAS BLANCAS E PEDRO ZANNI

Primeira experiência na cordilheira dos andes

Mountaineering Trekking High Mountaineering

Apesar de ter acampado diversas vezes na infância e adolescência, por muitos anos me afastei de atividades relacionadas a natureza. Em 2014 tive o meu primeiro contato com a escalada e a partir disso meu interesse por atividades de aventura foi crescendo, assim comecei também a fazer trilhas curtas (hiking) na serra gaúcha. Diante dessa nova rotina surgiu a oportunidade de ir à Argentina, fazer um trekking na Cordilheira dos Andes. A princípio seriam fazer dois cumes, nada muito perigoso nem técnico, apenas caminhando em altitudes que iam de 2.800 à 4.150 metros do nível do mar.
Não houve muito tempo de preparação física. Com ajuda do amigo Thomas Schulze, licenciado em Ed. Física e experiente montanhista, listamos a necessidade de equipamentos e fizemos o levantamento dos valores a desembolsar. Encontramos mais dois aventureiros para nos acompanhar nessa expedição e dividir despesas - Felipe Zulian e Francesco Guizzo. Alguns equipamentos precisaram ser comprados, outros foram emprestados por amigos e decidimos sair dia 23 de dezembro de 2015 para nossa primeira expedição à Cordilheira dos Andes, isso para mim, Felipe e Francesco, para o Thomas seria sua 9ª expedição.

Dia 1 - 23/12/15
Após o expediente de trabalho nos reunimos na casa dos pais de Felipe para organizar o carro, no município de Caxias do Sul. Ao colocar as coisas no porta-malas verificamos que excedemos um pouco o limite que cada um poderia levar, o porta-malas do meu FIT tem 384 litros de capacidade, mas tivemos que colocar parte das coisas entre os passageiros sentados no banco de trás. A estratégia era revesar a direção até a cidade de Sampacho, Córdoba na Argentina, seriam cerca de 24 horas de viagem. Francesco acabou não levando a habilitação, então revesamos em três.

Dia 2 - 24/12/15
Após umas 10 horas de viagem estávamos entrando na Argentina na fronteira de Uruguaiana. Seguimos viagem até Sampacho como planejando, mais umas 12 horas de estrada. Chegando em Sapacho no dia 24, véspera de natal, encontramos o camping que iríamos acampar fechado. Verificamos algumas pousadas locais e estavam lotadas, essa cidade é muito pequena e não haviam muitas opções. Decidimos ir até Chaján, um vilarejo 10 km mais adiante, nos sugeriram procurar algo por lá pois havia um camping. Chegando em Chaján, um senhor, Tio Lacha, nos ajudou a ficar em uma sede campestre local, aonde pudemos acampar pagando apenas uma taxa ao vigia. Para retribuir a ajuda jantamos no restaurante do próprio Tio Lacha, uma verdadeira parrija argentina, se não me engano pagamos cerca de 100 pesos cada um pela janta.

Dia 3 - 25/12/15
Saímos cedo do acampamento para alcançar Mendoza e fazer algumas compras de perecíveis, itens que não são permitidos passar nas fronteiras sanitárias. Chegando em Mendoza é possível ver a Cordilheira do Andes ao fundo, momento inesquecível para quem visita o local pela primeira vez. Quanto mais nos aproximávamos mais bonita e alta a montanha se destacava para contemplarmos. Em Mendoza tivemos outra surpresa, os mercados estavam fechados por ser natal. Sem as comidas que deveríamos comprar, partimos para Valecitos em busca do Refúgio de Montanha Uncuyo aonde seria o início da nossa primeira caminhada. Na subida para a montanha achamos pequenos estabelecimentos para comprar os itens essenciais que necessitávamos. Chegando no refúgio conversamos com Pancu, que era o responsável no local, e decidimos por dormir lá, 100 pesos por pessoa para passar à noite. O refúgio é como um hostel, pegamos o quarto coletivo, o qual possui diversas camas beliche. Além disso, é possível usar a cozinha coletiva e tomar um banho quente. Após estarmos instalados, eu, Felipe e Francesco, encantados pela paisagem de montanha, fomos dar uma caminhada curta para conhecer o local. Estávamos há 2.800 metros e ao caminhar pouco já percebemos o aumento do batimento cardíaco e a respiração ofegante. Voltamos para o refúgio para comer e descansar pois estávamos com um pouco de dor de cabeça.


Dia 4 - 26/12/15
Nesse dia acordamos bem e estávamos prontos para iniciar a busca pelo primeiro objetivo. Pegamos as mochilas de ataque, com comida para o dia e água e partimos para o Cerro Lomas Blancas. Não sei ao certo o horário de saída, tempo de caminhada e horário de retorno. Mas alcançamos o cume há 3.600 metros (foto abaixo), felizes e realizados, sendo o primeiro cume meu, do Felipe e do Francesco. O lugar é incrível e a sensação de falta de ar nos acompanhou o tempo todo. Retornamos ao refúgio para descanso. Além de ser o primeiro objetivo o Cerro Lomas Blancas também nos ajudou a aclimatar para chegar ao próximo acampamento na Quebrada Matienzo.

Foto 1: Cume do Cerro Lomas Blancas - 3600 m

Dia 5 - 27/12/15
Nos deslocamos de Valecitos para Las Cuevas. No caminho passamos pela Puente Del Inca, aonde fizemos uma parada para fotos e compra de regalos, vimos também a entrada do parque Aconcágua e o Gigante ao fundo. Em Las Cuevas dormimos em uma hospedagem que saiu um pouco mais cara, 270 pesos, com café da manhã (café e pão com margarina). Ali pudemos nos organizar para a continuidade da expedição, separar comida para os dias dentro do vale e deixar o que não seria necessário para aliviar peso.

Dia 6 - 28/12/15
Acordamos cedo, mochilas prontas, e partimos para a Quebrada Matienzo, um vale que se estende por muitos quilômetros. Logo na saída uma presilha da minha mochila estourou e tivemos que improvisar com um nó provisório que posteriormente foi costurada nova presilha. Inicialmente precisamos cruzar uma ponte para adentrar ao vale. Logo após cruzar a ponte achei a mochila muito pesada, era minha primeira experiência desse tipo. Assim tive que reorganizar a mesma, pois estava pesando muito para trás e doía minhas costas. Após deixar o peso mais vertical continuamos caminhando lentamente para dentro do vale até chegarmos na base do Cerro Pedro Zanni, nosso segundo objetivo na expedição. Montamos as barracas, pegamos água no rio de degelo, tratamos e fizemos janta.

Foto 2: Acamapamento na Quebrada Matiezzo

Dia 7 - 29/12/15

Acordamos cedo para fazer o café e partir para o cume do Pedro Zanni. Às 7 horas da manhã já estávamos saíndo, eu, Felipe e Francesco. O Thomas decidiu caminhar mais para dentro do vale e não fazer o cume. Tivemos dificuldade para cruzar o rio do Degelo, não havia pontos de passagem e a água corria com muita força. Finalmente, após 1 hora, cruzamos e iniciamos a subida. Me senti meio fraco inicialmente e passei parte da minha água para Francesco, eu não iria desistir a não ser que não aguentasse mais. Seguimos caminhando em Zigue zague pois a subida era bastante íngreme. Uma hora depois eu já me sentia mais forte, acho que meu corpo demorou para digerir o café da manhã. Seguimos a subida até próximo das 12 horas quando paramos para almoçar. Levamos massas instantâneas. Após 1 hora parados continuamos e alcançamos o cume do Cerro Pedro Zanni no dia 29/12/15, sua altitude é de 4.150 metros (Foto abaixo). Lá estava ventando bastante, tiramos algumas fotos e fizemos vídeos, o local é incrível. Logo retornamos para o acampamento. A decida foi muito mais rápida, cerca de 2 horas. Num total gastamos 4 horas para subir, 1 hora de almoço e 2 horas para descer. Chegando no acampamento eu me sentia exausto, precisei entrar na barraca e descansar por 1 hora, comecei a pensar porque estava lá, poderia estar em casa descansando, que maneira de passar as férias. Posteriormente li sobre os fatores psicológicos na montanha e entendi o porque de tudo que senti. Após o descanso de 1 hora já me sentia renovado, os guris fizeram janta, comemos e logo apareceu o Thomas retornando da sua expedição solitária. Dormimos cansados mas havíamos alcançado os objetivos.

Foto 3: Cume do Cerro Pedro Zani - 4150 m

Dias 8, 9 e 10 - 30, 31/12/15 e 01/01/16

Retorno para Las Cuevas não teve novidades, mesmo caminho, mesma paisagem, mochila um pouco menos pesada. No mesmo dia pegamos o carro e fomos até Valecitos para dormir no refúgio UNCUYO novamente, mais barato e já no caminho de volta ao Brasil. No caminho de volta paramos em Chaján novamente, jantamos no Tio Lacha e dormimos no mesmo clube da viagem de ida. Por fim tocamos direto até o Brasil porém foi muito cansativo fazer isso. Sugiro na próxima parar e dormir mais.