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Pico dos Marins

Pico dos Marins

Serra da Mantiqueira - 2421m

Relato de duas idas ao Pico dos Marins, em Agosto de 2014 e Agosto de 2015.

O Pico dos Marins está localizado na Serra da Mantiqueira, e podemos ter acesso ao trekking pela cidade de Piquete ou Delfim Moreira.
Após um trecho de estrada de terra chegamos no estacionamento base, onde tem um pequeno bar/restaurante, banheiro e água. Pago é claro.
Tem um outro ponto onde o pessoal estaciona o carro, mais acima do primeiro, roubando um pedaço do começo da trilha. Mas sem estrutura nenhuma.

Na minha primeira ida ao pico, em 2014, juntamos em 5 amigos, um deles com bastante conhecimento do caminho.
A previsão era de tempo aberto, e sem lua. Tudo o que a gente queria.

Eu estava em São José para um evento de família, deixei tudo preparado para ir sozinho bem cedo encontrar o pessoal. Os outros quatro sairam de Itajubá, e nos encontramos perto de Delfim Moreira

As mochilas estavam bem pesadas, principalmente pela falta de água no percurso, nos obrigando a levar tudo nas costas.

Demoramos muito para realmente começar a trilha, já tinha passado das 10h da manhã quando começamos a caminhar (a intenção era estar caminhando antes das 8h).

A trilha já começa bem díficil, muito ingrime, é uma estrada de terra bem deteriodada mas sem problemas de navegação. O Sol já estava castigando, e iria piorar.

Eu estava recém operado do ombro, fazendo um "reabilitação" na loucura haha.
Já estava sentindo o peso que seria essa trilha.

O primeiro mirante é o Morro do Careca, estava bem cheio, e tinha gente até acampando por ali mesmo. Fizemos uma pausa rápida e continuamos a trilha (dizem ter um ponto de água por ali, mas nem cheguei a procurar).

Passamos então por uma placa, indicando a altura dos picos da região, 2421m no caso do Pico dos Marins.

A vegetação fecha um pouco, e a trilha apresenta algumas bifurcações, breves desvios que levam ao mesmo lugar, não é necessária muita atenção nesse começo.

Quando chegamos no pé da pedra, a vegetação muda e o Sol pega forte mais uma vez. Pequenos amontoados de solo encontram lugar no meio de fendas na pedra aflorada, em pontos mais baixos cresce um capim alto, que pode ser bem chato.

Passamos pela Pedra do Urubu, Pedra do Golfinho, e outros marcos durante a trilha.

Nosso "guia" frequentemente sumia, em um rítimo rápido ia na frente para aproveitar paradas nos diversos boulders que tem no caminho.
Mas não tivemos problemas de navegação, apesar de terem muitas setas indicando o caminho errado. (Isso foi arrumado, em 2015 tinham setas novas indicando a direção certa). Os totens são mais confiáveis.

Apesar disso não é uma trilha simples, com uma curva errada você pode chegar a um lugar instransponível ou atravessar um caminho bem mais díficil.

Passamos pela famosa chaminé, uma escalaminhada praticamente vertical de uns 3m. Com bastante cuidado para evitar acidentes, mas sem maiores dificuldades. Voltar por aqui foi um pouco mais complicado, mas com uma pessoa em baixo guiando fica mais fácil.

A trilha chega na base do pico, da pra avistar o maciço rochoso e de longe ver o desafio a frente.

Tem um pequeno corrégo, porém muito degradado pelo grande volume de gente sem noção nas trilhas.

Perto desse ponto também temos a bifurcação para o Pico do Itaguaré.

A subiba até o cume é ingrime, exposta ao Sol e a quedas, merece muita atenção. É importante saber se locomover com a mochila pesada para evitar um desequilíbrio.

Depois de quase 6h de percurso, chegamos ao cume!
Vista 360º, realmente vale o esforço.

Mas estava muito lotado! Chegamos tarde e os melhores lugares para barraca já estavam ocupados.
Eu consegui um canto protegido, com uma barraca de duas pessoas foi fácil encaixar em um espaço entre pedras e capim alto. Mas os outros 3 que tinham uma barraca grande de 4 pessoas tiveram que escolher um lugar bem exposto.

Fez muito frio e ventava realmente forte, mas o céu estrelado e sem lua fazia valer a pena essa exposição ao tempo ruim.
Dava pra ver muitas estrelas cadentes, satélites passando, e um céu espetacular.

O tempo começou a piorar com a chegada da madrugada, vento e frio cada vez mais fortes (mas sem nenhum sinal de chuva). Preferimos entrar nas barracas.

Durante a madrugada eu ouvi um movimento vindo da barraca dos meus amigos.
O vento estava tão forte, que eles em um lugar muito exposto e com uma barraca gigante estavam sofrendo.
Contaram que as varetas batiam neles, e o tecido dava chicotada hahaha.
Tiveram que desarmar a barraca e "armar" ela em um espaço muito pequeno onde a gente cozinhava (mal cabiam 3 pessoas cozinhando).

Acordamos depois de uma noite fria mas tranquila, a barraca estava congelada por fora. Fomos até onde deveria estar o resto do grupo e não os encontramos.
Procurando melhor encontramos eles jogados na barraca e demos muita risada da situação, que apesar de ter sido incômoda não chegou a ser realmente perigosa para eles.

Fomos curtir o nascer do Sol e deixamos os três que não tinham dormido nada descansar mais um pouco.
Depois de um bom café e bate papo começamos a descida, que não apresentou nenhum problema.

Uma cerveja (não para os motoristas) e batata frita no estacionamento fecharam a trip.

___

A segunda vez que fui, em 2015, foi bem diferente.
A trilha estava bem melhor demarcada (não sei se isso é bom ou ruim) e conseguimos sair bem cedo, sendo os primeiros a chegar no cume para acampar.

A noite - que apesar da vista durante o dia - é a hora do espetáculo no Marins, e estava bem tranquila, frio moderado, e ventando fraco.
Céu aberto e todos a espera da Super Lua que era prevista pra noite.

Quando ela chegou uma surpresa, era gigangte mesmo. E vermelha!
Um vermelho forte que chegava a parecer com o nascer do Sol, uma vista privilegiada desse fenômeno.
A medida que subia ela pareceu maior, mas perdeu um pouco de sua cor. Mesmo assim continuava com uma forte cor vermelha.

O amanhecer nos trouxe uma "cachoeira de nuvens", que passava por cima da crista da serra e caía rapidamente pela encosta da montanha.
___

Duas visitas a esse pico até então, duas experiências fantásticas e distintas devido à noite.

Igor Hauch
Igor Hauch

Published on 11/17/2016 13:20

Performed from 08/01/2014 to 08/31/2015

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Igor Hauch

Igor Hauch

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Estudante de Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Itajubá. Apaixonado e praticante de Rugby, Trekking, MTB, Escalada e Skate.

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