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Escalada dos Nevados Charkini e Huayna Potosí - Bolívia

Escalada dos Nevados Charkini e Huayna Potosí - Bolívia

Relato da escalada dos Nevados Charkini (5.392m) e Huayna Potosí (6.088m) em julho de 2018 na Bolívia durante Curso de Gelo e Alta Montanha.

High Mountaineering Climb Mountaineering

Contextualização

As escaladas do Nevado Charkini (5.392m) e do Huayna Potosí (6.088m) se deram durante o Curso de Escalada em Gelo e Alta Montanha ministrado pela empresa brasileira Gente de Montanha, com sede em Curitiba / PR. O curso teve início no dia 3 de julho e término no dia 14 de julho.

O líder da expedição e professor foi o montanhista Maximo Kausch, recordista mundial de montanhas com mais de 6.000 metros. Junto dele estavam o guia Eduardo Tonetti que trabalha na região de Mendonza / Argentina e a montanhista Maria Tereza Ulbrich. Quando fomos para o Refúgio Base do Huayna Potosí, os guias argentinos Sebastián García e Carla Céspedes se juntaram ao time. A Carla, em especial, ministra na Argentina o curso da WFA - Wilderness First Aid (Primeiros Socorros para Áreas Remotas Naturais). Infelizmente, o montanhista e geógrafo Pedro Hauck não esteve presente no curso. Queria muito tê-lo conhecido e trocado várias ideias, principalmente agora que seu livro entitulado "Arrisque-se" foi lançado.

O time de alunos desse curso era formado por um total de 24 pessoas, todos brasileiros, dentre os quais 8 eram mulheres. Um número até bem representativo. Haviam pessoas de todas faixas etárias, dos 22 aos 50 anos; pessoas que já haviam feito alta montanha e outras que nunca haviam visto gelo ou acampado na vida; pessoas de todas as regiões do Brasil, do Rio Grande do Sul até a Bahia e Pará, mas a maioria esmagadora era de São Paulo; e também haviam aqueles que, assim como eu, já escalavam em rocha e já tinham feito muitas trilhas de longa jornada, mas nunca haviam tido uma experiência com altitude ou escalada em gelo. Como pode-se notar, era um grupo muito heterogêneo e com motivações e propósitos bem distintos.

Recomendação ao Leitor

O texto está longo, mas fiz o possível para deixar a leitura fluida, engraçada e envolvente. Em alguns momentos, tive devaneios e precisei realmente escrever o que pensava. Nesses pontos, coloquei o texto entre [colchetes] como forma de sinalização. Assim, se o leitor desejar, pode pular esses parágrafos para agilizar a leitura.

Aclimatação em La Paz

Aterrissei na Bolivia no dia 3 de julho, a data inicial do curso. Voei de Guarulhos ao aeroporto de El Alto com a companhia BoA (Boliviana de Aviación) fazendo uma rápida escala com imigração em Cochabamba. No mesmo voo, estavam mais sete pessoas do curso e já fomos conversando muito sobre as trilhas e escaladas da vida. Algumas pessoas do curso chegaram antes para passear por La Paz enquanto outras vieram de outros destinos, como o Salar de Uyuni.

O aeroporto de El Alto fica a 4.100 metros de altitude e é o aeroporto mais alto do mundo. Só de chegar ali, já bati meu recorde de altitude disparado. O máximo em que eu havia estado antes, foi a 2.800m no cume da Pedra da Mina durante a travessia da Serra Fina.

Ao chegarmos, fomos recebidos no aeroporto pelo Max e fomos levados de van até o hotel em La Paz.

Chegada ao aeroporto El Alto na Bolívia. Nevado Huayna Potosí já visível lá no fundo.
Da esquerda p/ direta: Thiago, Maximo Kausch, Fabi, Isa, Kainã, Carlos, Rafael, Henrique, eu.

Passamos quatro dias completos hospedados no hotel Sajama, um hotel três estrelas que fica na avenida Illampu, próximo ao famoso mercado das bruxas. Nesse período, ficamos nos aclimatando a uma altitude inferior a 4 mil metros, tendo aulas teóricas e também aproveitamos para alugar os equipamentos de gelo. Nesses primeiros dias, nada de atividades físicas intensas, mas era regra subir para o quarto utilizando as escadarias do hotel.

Aulas teóricas e aclimatação em La Paz.

Nesse ínterim, também aproveitamos a culinária da cidade. Em cada almoço e janta, íamos de restaurante em restaurante para apreciar diferentes pratos e tipos de comida. Tudo era muito bom, mas o restaurante da Tia Gladys era imbatível. Comida típica boliviana, gostosa e barata. O que mais gostei foram as Pechugas de Pollo a la Chorrellana.

Subida ao Chacaltaya

No quarto dia de curso, 6 de julho, fizemos a subida do Chacaltaya (5.435m) para auxiliar na aclimatação. Essa "escalada" foi parte da estratégia que é conhecida como "escalar alto y dormir bajo". Ou seja, subimos a uma altitude superior carregando mochilas ou transportando equipamentos para montar um acampamento avançado e no mesmo dia descemos para dormir onde estávamos. Essa abordagem "engana" o corpo e auxilia no processo da aclimatação.

Saindo de La Paz, começamos a subir as imensas ladeiras da cidade até pegar uma estrada de chão que leva ao altiplano boliviano. Um trecho dessa estrada estava em obras e possivelmente será pavimentado. Em certo ponto, vira-se à direita na placa que sinaliza o caminho para a represa Zongo. Ali já é possível avistar muito bem o Chacaltaya e o Huayna Potosí, bem como o Illimani na direção sudeste.

Estrada que dá acesso ao Huayna Potosí (esquerda) e ao Chacaltaya (direita).

O Chacaltaya é uma montanha que fica a aproximadamente 25km de La Paz, próximo ao Huayna Potosí. O caminho para chegar às duas montanhas é quase o mesmo. Na base da montanha existe uma estação de esquí que encontra-se desativada devido ao degelo do glaciar (aquecimento global?).

Uma curiosidade: foi no Chacaltaya que o físico brasileiro César Lattes, na década de 40, ajudou a provar a existência das partículas méson-pi, responsáveis pela atração das partículas nucleares (prótons e nêutrons).

Galera iniciando a subida do Chacaltaya, já acima da marca dos 5.000 metros.

Cume do Chacaltaya, 5.435 metros.

A subida até o cume da montanha não tem mistério algum. São menos de 300 metros de desnível em que você caminha por uma trilha pouco íngreme. Como não há gelo pelo caminho, não se faz necessário o uso de equipamentos específicos ou técnicas de escalada. É um trekking comum por uma trilha muito bem demarcada. Da base, onde os carros param, até o cume, não leva mais que 45 minutos em ritmo lento e constante.

Por esses motivos (proximidade de La Paz, altitude considerável e fácil acesso), o Chacaltaya é um excelente lugar para se aclimatar visando se preparar para montanhas maiores.

Refúgio Base e Aulas Práticas

Chegamos ao Refúgio Base do Huayna Potosí no dia 7 de julho. Ali passamos longos dias tendo aulas teóricas à noite e aulas práticas durante o dia, momento no qual treinávamos as técnicas ensinadas e discutidas na noite anterior. A 4.700 metros de altitude, as noites eram frias, com uma média de 0 °C, mas ao pé da lareira dentro do refúgio tudo ficava mais confortável.

Os dias eram agraciados com um lindo sol que acalentava a pele, mas por vezes vinha aquela brisa que gelava a espinha. Seguíamos ali, focados no objetivo, tomando muito mate de coca e chimarrão para nos aquecer, hidratar e aclimatar. E todas as tardes íamos até o glaciar fazer práticas "na vera". Um dia até nevou um pouquinho, apenas para dar um gostinho especial para a aquela experiência.

Refúgio Base do Huayna Potosí, situado a 4.700m. Nevado Huayna Potosí ao fundo.

Eu estava me aclimatando muito bem. Todas as noites era feito um check-up de frequência cardíaca e oxigenação para nos certificar de que o corpo estava se adaptando bem a altitude. Normalmente, minha F.C. ficava em torno de 100 bpm e a oxigenação em torno de 85%. Valores relativamente bons para a circunstâncias em que estava. Nos dois primeiros dias me senti muito bem, sem dores de cabeça ou náuseas, com ótimo apetite e dormindo bem. Até estava roncando, segundo meus companheiros de quarto, parecendo uma mobilete de motor 2 tempos. Hahahaha.

No terceiro e quarto dia na montanha, com as práticas mais intensas no glaciar, eu estava chegando acabado de volta no refúgio. No dia em que praticamos escalada em gelo, parecia que minha cabeça ia explodir. A pressão na cabeça era absurda. E de quebra, minha garganta começou a inflamar... Nesses dias ainda senti uma notável perca de apetite. Para comer, era preciso respirar fundo e mastigar, respirar fundo novamente e engolir.

Prática de escalada em gelo a 5.000m de altitude. Tio Max fazendo minha segurança.

Galera durante as práticas de quedas no gelo.

A escalada em gelo certamente foi prática mais legal que tivemos durante os treinamentos no glaciar. Foram montadas quatro vias bem baixas e a maior delas não passava de 10 metros. Escalei três dessas vias e curti demais! Como já escalo em rocha, parece que tudo ficou mais intuitivo. Com o auxílio dos crampons e piquetas, quase todo lugar virava agarras para as mãos e para os pés. Bastava encontrar as fissuras entre as camadas de sedimentação do gelo e mandar bala na piqueta. E é necessário ter precisão para acertar o mesmo lugar mais de uma vez. Não tive problemas com nenhuma das mãos, mas fica a dica para quem nunca bateu um prego com martelo na vida hehehehe.

Escalada do Nevado Charkini

Na quarta-feira, dia 11 de julho, escalamos o Nevado Charkini com 5.392m. Foi um dia incrível e memorável. Foi o meu primeiro 5 mil nevado aplicando as técnicas de montanhismo de altitude. Sem contar que foi na companhia dos brothers que fiz lá durante o curso, Rafael Damasceno (o Dama) e Henrique (o Japa). Valeu a parceria, pessoal! Vocês fizeram a diferença!

Nesse dia, procurei me alimentar e me hidratar muito bem durante a escalada para não fraquejar e não ter os sintomas dos dias anteriores. Parece que a estratégia funcionou bem, pois quando voltei para o refúgio, cheguei cansado, mas à noite já estava 100% novamente e bem atento às aulas do tio Max.

Para chegar ao Charkini, saímos do refúgio às 7h00 da manhã. Atravessamos a estrada que passa em frente ao refúgio e seguimos na direção oposta ao Huayna Potosí. A trilha começa ao lado de uma casa que tem ali do lado e logo em seguida chega ao aqueduto. Em alguns trechos do aqueduto deve-se ter atenção, pois há risco de queda de mais de 30 metros. Existem cabos de aço instalados para você se apoiar ou prender uma solteira, caso julgue necessário.

Trilha que margeia o aqueduto a caminho do Nevado Charkini.

Seguimos pelo aqueduto até chegar no vale que fica abaixo do glaciar do Charkini e então quebramos para a direita para pegar a trilha que sobe em direção à montanha. Só existe uma trilha ali e leva diretamente aos pés do glaciar. O tracklog da aproximação e escalada do Charkini está disponível e anexado a este relato.

A subida era grande, mas o segredo é sempre manter o ritmo lento e constante, evitando parar demasiadamente. Ao chegar aos pés do glaciar, eu já sentia um pouco a altitude, mas nada demais. Me equipei e entrei na cordada com o Dama e o Henrique. Começamos a subida lentamente, com calma e tentando encontrar um ritmo comum a todos. No início, eu estava me sentindo um pouco baqueado, mas logo encontrei um bom ritmo e senti uma alegria tremenda de estar ali, no meio do gelo e das montanhas praticando o que eu mais gosto. Além disso, era a realização de um sonho.

Nosso guia boliviano, Hernán, foi muito legal e paciente com todos. Deu várias dicas de técnicas e boas práticas para quando andamos encordados. Fizemos duas pausas, uma somente para beber água e outra para hidratar e comer um snack. Quando nos demos por conta, já tínhamos alcançado o colo da montanha que dá acesso aos seus dois cumes.

Íamos atacar o cume da esquerda, então contornamos por trás, passando pela direita do maciço rochoso e iniciamos a subida. Ali a neve estava bem fofa, o que dificultou um pouco a subida no final da rampa de acesso ao cume, que era bem mais íngreme. Subi forte, respirando profundamente a cada passo, mas nos últimos dois metros não conseguia achar nem chutar um degrau na neve. Dava um passo para cima e resvalava dois na neve solta. O guia Hernán fixou a corda numa pedra e me deu uma mãozinha para passar aquele lance. O Dama e Henrique vieram logo atrás. Caminhamos mais um pouquinho para a direita sobre as pedras e estávamos lá! Cume!!!!!

Cume do Nevado Charkini (5.392m) com Henrique Watanabe e Rafael Damasceno.

Nosso primeiro cume nevado aplicando as técnicas de montanhismo e já com seus 5 mil metros! Uma experiência maravilhosa! E fomos a primeira cordada a chegar ao cume. Como diria nosso guia, embora fosse boliviano: "CARALHO!!!"
Que visual! E olha o Huayna Potosí lá no fundo só nos esperando.

Já de noite, quando retornamos ao Refúgio Base, o Max nos reuniu para mais uma aula teórica e nos explicar como seria a escalada do Huayna Potosí. Segundo ele, seria pelo menos 3x mais pesado que a escalada do Charkini. É difícil colocar na balança e comparar as montanhas, mas posso garantir que para mim foi pelo menos 4x ou 5x mais exigente.

Subida ao Refúgio Alto do Huayna Potosí

No dia seguinte, pela manhã, apenas arrumamos a mochila para subir ao refúgio alto. Os porteadores que iam subir com os equipamentos, bem como os guias bolivianos auxiliares chegaram no pedaço e a movimentação era intensa; um frenesi que até me deixou ansioso. Optei por carregar todo meu equipamento até o abrigo alto, com exceção de parte do equipamento de gelo que foi porteado até o pedágio que há na metade do caminho. A partir desse ponto começava o trecho de gelo, então utilizamos bota dupla e crampons para caminhar de forma mais eficiente e segura.

[Aqui abro um parênteses para relatar que os porteadores (nativos e aclimatados por natureza) não usavam nenhum equipamento de gelo. Mochila da Osprey, bota dupla da Scarpa, crampon G12 da Grivel, jaqueta de plumas 800 fill power da TNF, óculos Julbo? Esquece... Eles carregavam os equipamentos em sacos gigantes nas costas (tipo saco de sal e ração para gado) e segurando com a mão mesmo. Alguns usavam um tecido para envolver a carga e segurar na frente do corpo. Usavam calçados normais, tipo tênis de cidade e só. E tinha umas cholitas fazendo isso também... Mano! Bizonho!]

Pois bem, agora começa a parte interessante do relato. Aqui começa o drama, a luta e a "diversão".

A subida ao refúgio alto foi até tranquila, mas nos metros finais já me senti bem exausto. O abrigo encontra-se a 5.300m, quase a mesma altitude do cume do Charkini. Escalar uma montanha dessa altura e descer após alguns minutos é uma coisa. Passar uma noite nessa altitude é outra coisa bem diferente. Então, ao chegar por volta das 18h00, tirei algumas fotos rápidas e tratei logo de entrar no abrigo para me desequipar e colocar as roupas de frio antes que a temperatura despencasse com o anoitecer. Já iria dormir com as camadas de roupa principais para atacar o cume durante a madrugada.

Vista do Refúgio Alto para a represa Zongo e Refúgio Base.

No Huayna Potosí, existem vários abrigos altos, que pertencem a diferentes agências, todos localizados próximos uns dos outros. O nosso abrigo era um par de domos de metal, onde íamos dormir em colchões espalhados pelo chão e com saco de dormir. Tranquilão. Tem gente que ainda reclamou da falta de "conforto"...

O plano era o seguinte: Chegar ao Refúgio Alto, tentar comer, tentar dormir e acordar à meia-noite para se equipar novamente e sair para o ataque ao cume. Eu digo "tentar" porque nem sempre conseguimos isso na altitude. Saindo 1h00 da madrugada, a previsão de chegada no cume era por volta das 8h00 da manhã.

Sim, íamos passar sete fucking horas caminhando no gelo, subindo e subindo, sendo cinco horas no escuro sem ver nada além de alguns metros a nossa frente e as lanternas das demais cordadas seguindo aquele mesmo caminho. E ainda teria o tempo de descida, que era estimado em aproximadamente 4 horas. Parece tortura, né?, Mas é legal, eu juro! Hahahaha. Continue lendo e você verá que não estou mentindo.

Os guias nos serviram chá, Cup Noodles e uma sopa de batata frita. Sim, você leu corretamente: sopa de batata frita! Hahahaha. Eu não sou fresco com comida, mas aquilo estava nojento. As batatas fritas ficavam boiando na tigela junto com uma camada de gordura sebosa. Mas foda-se, eu já sentia notavelmente meu corpo letárgico e aceitei essa sopa por comodidade. Era importante que eu me alimentasse para o ataque ao cume e qualquer coisa ingerida seria lucro (em termos calóricos). Eu havia levado comida liofilizada, como nos foi recomendado, e não comê-la foi um grande erro.

Passados alguns minutos após a refeição, senti um enjoo repentino e quis vomitar. Mal deu tempo de levantar do colchão e dei uma gorfada a jato que saiu batata frita até pelo nariz kkkkkkkkkkkkkkkkkkk². Por sorte, consegui chegar na porta e o quimo foi projetado para a neve. Dei aquela assoada no nariz e o tio Max veio falar comigo. Perguntou se eu estava bem e logo em seguida me trouxe um remédio (o qual não lembro o nome) para ajudar com os enjoos. Também mandou eu colocar as botas duplas debaixo do colchão para a cabeça permanecer mais elevada em relação ao corpo (isso ajuda com as dores de cabeça) e tentar dormir para descansar.

Pois bem, parece que eu dormi mesmo, porque os companheiros de abrigo relataram que dessa vez não tinha uma mobilete dentro no quarto, mas sim um trator! Hahahaha. Devo ter roncado para baralho mesmo, porque eu não me lembro de absolutamente nada. Só ressuscitei quando o Max adentrou o abrigo à meia-noite convocando os bravos guerreiros para o summit attempt. Era hora de se equipar e colocar sangue nos olhos para fazer o que de fato fomos ali fazer!

Ataque ao Cume do Huayna Potosí

Sexta-feira, 13.
Siiiiiiiiiiiim. Sinal de agouro ou número cabalístico? Veremos.

Acordei zonzo e meio atordoado com a voz e lanterna do Max na minha cara. Sentei-me e peguei a garrafa térmica para beber chá. Quando levei a garrafa até a boca, parecia que ela estava pesando 10kg. Que merda era aquela??? Eram os mais puros efeitos da altitude fazendo a minha cabeça. Eu estava em slow motion, retardado mental. A correria do pessoal para se arrumar começou e eu levei muito tempo para me equipar. Colocar os crampons foi um árduo processo que terminou com meu guia tendo que apertar as fivelas para mim.

Como me enrolei muito, acabei ficando por último para saber quem seria meu parceiro de cordada. As cordadas que já estavam formadas iam partindo gradativamente. O Max me colocou com um parceiro que também estava aparentando estar mal pela altitude. Cada cordada era formada por dois clientes e um guia. Caso um dos clientes quisesse desistir, o outro cliente era transferido para uma cordada amiga e o guia descia com o desistente. Ficamos com um guia boliviano e depois de devidamente encordados, saímos para a nossa jornada. Fomos a última cordada a sair do refúgio alto, já atrasados.

No início, o guia puxou bastante o ritmo e comecei a transpirar muito. Fiquei com medo de ficar empapuçado de suor e também me desidratar. Erro meu, pois não deveria ter saído vestindo a jaqueta de plumas pesada por cima. Só as 3 camadas básicas já teriam bastado por uma boa parte do trajeto. O guia não quis parar no início, mas depois de um tempo parou. Guardei a jaqueta e seguimos num ritmo bem fraco. O meu parceiro de cordada já estava começando a sentir dificuldade e me lembro que a cada 5 passos, havia uma pausa para respirar. Eu não estava muito melhor que isso, mas tento manter meu ritmo em caminhada sempre constante, evitando ao máximo parar. Como havia dito o Hernán, guia que nos acompanhou no Charkini: "Camina como un viejo para llegar como un joven"!

Aqui faço um adendo importante: Tenho que pontuar que durante toda a subida do cume eu estava me sentindo mal, com aquela sensação de que estava adoecendo. Comecei a sentir uma dor muito forte na cervical que eu nunca havia sentido antes, mesmo quando carreguei cargas superiores a 30kg. Além disso, estava constantemente arrotando algo parecido com ovo podre. Sim, estava peidando pela boca bufas tão podres que ao sentir aquele cheiro na bandana que cobria minha boca eu queria vomitar. Alguma reação química/bacteriana/microbiana muito pesada estava acontecendo no meu estômago.

Pouco antes de chegarmos ao acampamento argentino, meu crampon direito soltou na parte da frente e o guia me xaropou um monte. Ele já estava meio chato, implicando com o ritmo e tacando todo tempo na nossa cara que estávamos lentos e aparentemente fracos. Já tinha lido relatos de que boa parte dos guias bolivianos, em montanhas grandes como o Huayna, mais te desanimam do que incentivam. Motivo? Voltarem para casa mais rápido... Afinal, fazendo cume ou não eles ganham a mesma coisa.

Por sorte, logo a frente, alcançamos uma cordada parada onde uma das pessoas queria desistir. Eles também estavam aguardando uma mulher que havia desistido mais a frente chegar até eles para que descessem juntos. Conversei rapidamente com os guias, disse que estava com muita energia e queria continuar. Então, me colocaram sozinho com o guia da outra cordada para que eu pudesse continuar.

Tocamos pra cima num ritmo muito melhor, mas quando parávamos, eu me jogava na neve como um cadáver e sentia o corpo quase apagando. Um pouco mais a frente, encontramos a cordada do Max e a cordada da Maria fazendo uma pausa. Isso me deu muita energia e força de vontade. Saber que já não estava ficando tão para trás me animou um bocado! A cabeça estava ótima, o corpo é que estava sofrendo!

Continuamos a pernada e subimos pela Pala Chica, um lance bem íngreme de aproximadamente 20~30 metros, onde a equipe do Gente de Montanha fixou cordas para nos dar mais segurança. A corda fixa não é obrigatória nesse trecho, mas serve de segurança psicológica para alguns.

Logo adiante, encontramos mais duas cordadas onde havia uma pessoa desistindo. Eu iria passar para a cordada da Carla (guia Argentina) e do Rafael Di Bernardi (gaúcho, tchê). Naquele momento, o Sol já estava nascendo lindo no horizonte e jorrando aqueles raios alaranjados por toda atmosfera. Eu mal tinha forças pra tirar uma foto, mas me recordo com avidez o quanto aquele espetáculo era bonito.

Nascer do Sol durante a subida do Huayna Potosí. Detalhe para duas cordadas subindo na trilha.
Foto: Rafael Damasceno (@damabike)

Enquanto estávamos ali parados trocando a cordada, o Maximo nos alcançou e soltou a sua máxima (com o perdão do trocadilho): "E aí, saudades do seu tio?" kkkkkk. Ter a presença dele ali com certeza me incentivava muito, mas eu não conseguia responder nada. Foi aí que me toquei que nem a luz do Sol iria me dar mais energias para continuar. Agora, mais do que nunca, era eu contra eu mesmo. O Max deu uns tapas no meu capacete e me deu aquela força para continuar. Desistir não era uma opção e em momento algum foi.

Já estávamos perto do cume e eu estava ficando cada vez mais lento. Perto de romper a barreira dos 6 mil metros, o corpo dava sinais claros e evidentes de que estava chegando ao limite. Paramos mais uma ou duas vezes para que eu pudesse descansar. O Rafa disse que nesse ponto eu já andava quase tropeçando...

Quando chegamos na base da Pala Grande, o último lance para chegar ao cume, paramos e tivemos que aguardar as pessoas que vinham descendo pela corda fixa. Haviam pessoas do nosso grupo e outros brasileiros de uma outra expedição que também mandaram cume. Todo mundo que passava dava uma força para continuarmos firmes, pois ali era a reta final!

Enquanto aguardávamos nossa vez de subir, obviamente eu me sentei e fiquei viajando, muito letárgico. O Rafa falava comigo e eu ouvia e entendia tudo, mas não queria falar uma só palavra. De repente, balbuciei algo: "Acho que vou vomitar". A Carla, num movimento muito sagaz, empurrou meus joelhos para abrir as minhas pernas e eu vomitei direto no chão (gracias, Carlita! =D). Não foi muito, mas o bastante para deixar uma arte abstrata estampada sobre o branco da neve. Achei que depois dessa iria melhorar um pouco, mas nem isso... O drama ia continuar até mais tarde e os arrotos podres também.

O Rafa queria ir mais rápido, pois estava se sentindo com sono e disse que estava quase dormindo enquanto caminhava. Sem dúvidas, eu o estava atrapalhando e dei a ideia de ele continuar com a Carla e eu passar para a cordada do Max que vinha num ritmo mais lento com a Amanda e a Marianna. Era a reta final, mais cedo ou mais tarde a gente ia chegar no cume, mesmo que engatinhando.

Já encordado com o tio Max e as duas guerreiras, começamos a atacar o cume pela Pala Grande. Só me lembro de estar muito fraco, tropeçava algumas vezes e contava os passos até o cume. Quando ia passar a solteira para outra corda fixa, caía de joelhos e dava boas respiradas enquanto fazia o procedimento. E em um certo momento, enquanto caminhava, o piolet afundou com tudo na neve fofa e eu caí que nem uma jaca podre para frente. A moral, que já estava lá embaixo, só piorou.

Naquele momento, o Sol já estava bem aparente e havia quase um silêncio mórbido. Não ventava, eu não sentia frio e não me lembro muito de nada além do que meus olhos viam e meus ouvidos escutavam. Algo que me lembro muito bem era de ver o Max na ponta da cordada andando de costas num lugar íngreme e muito estreito, onde eu mal conseguia ficar de pé, puxando a corda com muito cuidado, nos incentivando, sorrindo e nos trazendo até ele. Isso de alguma forma me impressionou e trouxe ainda mais admiração pelo montanhista e pessoa que ele é.

E enfim, estávamos no CUME!!!!!!!!
Glória? Nenhuma.
Superação? Pra CA-RA-LHO!!!!

Huayna Potosí, ou Jovem Potosí, 6.088 metros acima do nível do mar. Minha segunda montanha nevada e o meu primeiro 6 mil!

Cheguei catando cavaco, finquei o piolet na neve e me joguei no chão. O cume era pequeno e já tinha uma galera lá, inclusive dois ou três guias bolivianos que iriam voltar recolhendo as cordas fixas. Logo em seguida a Amanda e a Mari chegaram. [Parabéns, meninas! Vocês foram muito fortes!!!]. Fizemos cume por volta das 9h00 da manhã, um pouco atrasados. Então, nada de comer mosca e contar com a sorte. Era só bater umas fotos, apreciar a vista 360º e iniciar a descida. Afinal, o cume é somente metade do caminho.

Lá de cima era possível ver toda a Cordilheira Real, com várias outras montanhas de 6 mil, que se estendia até sumir no horizonte. Também era possível ver de longe parte da Cordilheira Ocidental, onde encontram-se os vulcões Sajama, Acotango, Parinacota e companhia. Além disso, o lago Titicaca também estava ao alcance dos olhos. Enfim, uma vista fenomenal!

A galera foi tirar umas fotos e eu só consegui fazer um hang loose fajuto com a mão e virar meu pescoço para o lado da câmera. Eu estava praticamente dormindo... E dizem as más línguas que alguém foi lá e fez o hang loose pra mim e levantou o meu braço enquanto eu dormia, assim ia parecer vivo nas fotos kkkkkkkkkkk. Podem ver na foto, todos estão sorrindo, menos eu. Mas como a Mari me disse depois, eu estava sorrindo com o coração! E digo mais: estava sorrindo com a alma também!

Cume do Huayna Potosí, 6.088m.
Da esquerda p/ direita: Carla, Amanda, Rafael, minha carcaça, Bia Keiko, Tio Max e Marianna.

Vista da Cordilheira Real do cume do Huayna Potosí.

Do total de 24 alunos no curso, 14 fizeram cume (58%). Desses 14, foram 3 mulheres. A estatística que o Max nos disse, é que nesse curso a média de cume gira em torno dos 50%.

Então era hora de partir. Ainda consegui tirar umas fotos com a GoPro e fazer um vídeo 360º. Olhei ao redor tentando fixar toda aquela imagem na mente e toquei para baixo.

A Descida (não menos dramática)

A descida foi bem mais rápida e eu parei muito menos para descansar. Mas sempre que parava, desabava na neve e sentia muita vontade de dormir. Estava só eu e um guia boliviano que foi bastante gentil e paciente comigo. Os demais seguiram na frente, mas chegamos pouca coisa depois deles.

Durante a descida fui apreciando aquela paisagem estonteante das montanhas ao redor. Montanhas escarpadas, de rocha negra e cobertas de gelo. As gretas gigantes no glaciar, que não podiam ser vistas durante a subida noturna, também foi outra coisa impressionante! Passamos sobre várias pontes de gelo que nem tínhamos ideia. Olhei para a parede dos franceses (rota alternativa para o cume) e tive que pagar um pau para o meu brother paulista Alex Bonifácio que havia repetido aquela rota uns dois meses atrás. Que linha incrível!

Quando finalmente chegamos ao refúgio alto, eu apenas coloquei minha mochila no chão e me joguei num amontoado de colchões sem tirar nenhum equipamento. Apaguei, literalmente. De vez em quando eu ouvia alguém falando comigo, até capitava a mensagem, mas eu estava num sono muito, muito profundo. A mensagem era sempre a mesma: Acorda, porque precisamos descer até o Refúgio Base.

Depois, me contaram que eu fiquei pelo menos uns 40 minutos apagado nos colchões. Só quando a Maria me deu uma chegada mais firme foi que eu me toquei que realmente precisava fazer um esforço para descer. Pode ter parecido frescura ou encenação, mas eu estava realmente dando tudo que tinha para me movimentar. A mente e a consciência estavam ok, a cognição também, mas o corpo simplesmente não respondia.

Acho que foi a própria Maria que colocou o resto do meu equipamento dentro da mochila e despachou com um porteador que estava lá. Eu não ia conseguir carregá-la de qualquer forma... Mas foi bizarro ver o porteador tentando se levantar do chão após ter colocado a minha mochila junto com uma saca de equipamentos naquele pano que eles usam para carregar as coisas. Fiquei ali, jogado no chão por um curto lapso olhando aquela cena até que ele conseguiu se erguer e saiu.

Enfim, consegui me levantar e começar a descida. O Max teve de carregar o meu piolet, botas de trekking e a cadeirinha. Fui lento, mas sempre progredindo. O que me incomodou foi que durante a descida o Max estava passando um rádio para os guias que já estavam no Refúgio Base. Pelo meu ritmo, iríamos demorar muito para chegar e o ônibus que nos levaria de volta a La Paz já estava lá aguardando. Então, se a última pessoa chegasse e a gente ainda estivesse longe, era para o ônibus partir e depois ele arrumaria um transporte somente para a gente.

[Olha, se tem uma coisa que eu odeio é dar trabalho para os outros e atrapalhar coisas que já estão programadas e predefinidas. Continuei caminhando, mas já sentindo aquela vergonha e peso na consciência de estar causando transtornos para a galera.]

Chegamos ao pedágio da montanha. Ali também acabava o gelo e era hora de trocar as botas duplas pelas botas de trekking. Demorei uns 10 minutos para trocar cada pé. Estava mais em slow motion do que nunca. Ao terminar, senti vontade de vomitar mais uma vez. Fui lá fora da casinha de pedras e vomitei até o que eu não tinha comido. Meu corpo dava uns espasmos e o processo foi demorado. Enquanto isso a galera me aguardava...

Quando terminei, cheguei no Max e falei: "Caramba! Estou me sentindo muito melhor!" Incrivelmente, uma energia surgiu misteriosamente em mim e eu falei que ia na frente para adiantar a descida. Comecei a andar muito rápido, como se estivesse num dia normal, e aí sim a caminhada desenvolveu muito bem. Praticamente não paramos e não gastamos mais que 35 minutos para chegar ao Refúgio Base. O Max ficou sem entender e eu, muito menos, sabia explicar como que dei aquele gás.

Felizmente, chegamos a tempo e não perdi o ônibus. Ainda fui devolver os equipamentos alugados e acertar com o porteador que havia trazido minha mochila. Mas como vi que ainda estavam acertando algumas coisas, fui para um dos quartos, puxei um colchão e capotei. O corpo só pedia um descanso.

Na hora de ir embora, carreguei minha mochila e um saco de equipamentos até o ônibus, entrei e tratei logo de desmaiar em uma poltrona lá do fundão. Acordei no meio da viagem e tinha uma cholita do meu lado hehehehe. Acho que era uma das porteadoras. Sem problemas, dormi mais um pouco e só fui acordar quando chegamos ao hotel.

Os Finalmentes... Já em La Paz

Fui para o quarto e só queria o quê? Dormir, óbvio. Mas antes fui tomar um banho quente e revigorante. Eu só havia tomado um banho no Refúgio de montanha. Todos os outros dias fiquei na base do lenço umedecido. Dormi que nem uma criança e no dia seguinte acordei cedo pra ir tomar aquele café da manhã. O Max chegou e ficou rindo muito de mim, me zoando porque no dia anterior eu estava parecendo um zumbi do The Walking Dead e agora eu já estava ali todo faceiro e conversador.

No mesmo dia, à noite, fomos para o The English Pub fazer o encerramento do curso e receber os certificados. Foi um clima muito bom de comemoração e claro que a zoeira rolou solta. Pra se ter uma ideia, após a bebedeira, oito pessoas atravessaram a rua e foram num estúdio de tatuagem. Todos eles tatuaram o Huayna Potosí com a inscrição "6088m". Hahahaha.

Encerramento do curso e entrega dos certificados com Tio Max, Edu Tonetti e Maria Ulbrich.

[Eu não sou do tipo que tenta arrumar desculpinhas para justificar os erros, dificuldades ou tropeços da vida, mas acredito fortemente que a comida me afetou. Vomitar em altitude é algo “normal”, mas arrotar ovo podre definitivamente não é. Além disso, aquela energia imediata que me deu após vomitar tudo que tinha direito também é um indicativo. Os arrotos podres permaneceram fortes e constantes por mais dois dias. Depois diminuíram, mas voltavam de leve sempre que eu comia carne vermelha. Quando retornei ao Brasil, seis dias depois do cume, manti uma dieta vegetariana durante uma semana e daí tudo se resolveu.]

A minha programação era ficar até o dia 28 de julho na Bolívia. Com isso, iria tentar fazer mais algumas trilhas ou escalar alguma montanha mais baixa pelos arredores de La Paz. Mas eu fiquei com uma sinusite forte, minhas costas estavam muito travadas na região da cervical e a ponta de todos os meus dedos das mãos estavam formigando. Reavaliei a situação e decidi adiantar meu retorno para o Brasil para o dia 19. Tem horas que a gente precisa botar o rabinho entre as pernas e sair de mansinho...

[Quando saí do hotel Sajama, no dia 15 (final da Copa do Mundo), fui para um hostel e passei mais uns três dias deitado/dormindo praticamente o dia todo. Saía apenas para comer e de vez em quando encontrar a galera do GDM que ainda estava em La Paz. Além de moído, eu estava com a moral lá embaixo! Tinha feito cume, realizado um sonho, mas tive uma ressaca moral forte. Cheguei a pensar que alta montanha realmente não era algo pra mim.]

Como estou escrevendo esse relato quase um mês depois da experiência, não posso deixar de dizer que estou MUITO curioso para saber como será a próxima vez em altitude. Que foi? Achou que eu nunca mais iria querer voltar? Hahahaha. Nós, montanhistas, sofremos de uma amnésia seletiva. Talvez esse seja o verdadeiro mal de altitude (o mal crônico, não o agudo). Passados alguns dias, só conseguimos nos lembrar das coisas boas que aconteceram e de como o contato e imersão com a montanha nos faz bem, nos transforma e nos purifica. Nas palavras do meu brother Johannes, sempre deixamos algo que não precisamos lá em cima.

Finalizo este relato com uma frase que consta no livro Mountaineering - The Freedom of the Hills (atualmente, a minha Bíblia da escalada):

"The challenge of mountaineering offers you a chance to learn about yourself by venturing beyond the confines of the modern world and to forge lifetime bonds with climb partners."

E traduzindo...

"O desafio do montanhismo oferece a você a chance de aprender sobre si mesmo, aventurando-se além dos confins do mundo moderno e forjando laços vitalícios com os parceiros de escalada."

Agradecimentos

Eu vou ousar agradecer um por um, todos aqueles que me ajudaram de alguma forma nessa empreitada, fosse planejando a aventura ou me preparando física e psicologicamente para o desafio. Espero não esquecer de ninguém, mas se eu cometer essa gafe e me lembrar posteriormente, não hesitarei em atualizar o texto.

Agradeço a minha irmã Jaqueline pelas aulas de SwaSthya Yoga e a minha querida amiga Luzia Botelho pelo acompanhamento nas sessões de RPG. Essas práticas, sem sombra de dúvidas, me ajudaram muito com as técnicas de respiração, alongamento e consciência corporal. Minha eterna admiração por vocês duas. Agradeço o meu brother Johannes pela parceria e confiança nas escaladas e por ter me colocado em vários venenos antes do curso para trabalhar o psicológico. E também meus parabéns por ter conquistado o Huayna Potosí poucos dias depois de mim! Meus agradecimentos ao brother Samuel Schwaida por ter me dado várias dicas sobre o curso, equipamentos de gelo/montanha e por ter me emprestado a jaqueta de plumas. Agradeço ao brother Alex Bonifácio, que agora está em SP, e me incentivou muito a começar em alta montanha. Valeu, monster!!! Você faz falta aqui nas escaladas do Cerrado. Também agradeço a Sociedade Vipassana de Meditação e a Alessandra Donato pelas sanghas e meditações guiadas. Essa parte contribuiu muito para conter a ansiedade e manter a paz de espírito mesmo com alguns acontecimentos chatos antes da viagem. Consequentemente, mantive o foco nos treinos! Agradeço também às minhas amigas e companheiras de canyoning Raquel, Juliana e Janine por terem gastado um tempinho durante a viagem delas na Espanha para procurarem alguns equipamentos que me faltavam. Muito obrigado pela atenção e consideração! Não posso esquecer de agradecer todos os amigos do Trekking Brasília pelo apoio e incentivo de sempre. Esse foi o grupo onde tudo começou e onde me encontrei. Tamo junto!!! E por fim, não poderia deixar de agradecer imensamente a equipe do Gente de Montanha por todo acolhimento, ensinamentos, paciência e cuidados que tiveram comigo e com todos durante o curso e escaladas. Tio Maximo Kausch, Eduardo Tonetti, Maria Tereza Ulbrich e Carla Céspedes são pessoas muito talentosas que vou guardar e levar comigo em todas montanhas daqui pra frente!

Junior (Jota Jota)
Junior (Jota Jota)

Published on 08/09/2018 18:06

Performed from 07/03/2018 to 07/14/2018

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Suane Gavinho
Suane Gavinho 09/12/2018 23:10

Muito bom!!! Parabéns! :)

Águeda  Porto
Águeda Porto 09/13/2018 11:08

Ótimo relato!!! Parabéns!

Andre Pinheiro
Andre Pinheiro 09/13/2018 11:41

Show de relato meu parceiro. Merece 10. Abraços.

Regina Gomes
Regina Gomes 09/13/2018 12:53

SeNsAcIoNal!!!! Parabéns pela [Superação pra CA-RA-LHO]!!!!

Rafael
Rafael 09/13/2018 13:32

Que relato ANIMAL!

Jose Carlos de Queiroz Ju
Jose Carlos de Queiroz Ju 09/13/2018 16:16

Gostei muito do seu relato, a aventura então, nem se fala, VALEU JJ.

Adriele Sousa Barbosa
Adriele Sousa Barbosa 09/13/2018 16:46

Adoreii

Jone Rodrigues
Jone Rodrigues 02/13/2019 18:28

Demais!