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Torres del Paine circuito Completo (O) - Jan 2015

Torres del Paine circuito Completo (O) - Jan 2015

Hiking feito com guiamento do Freddy Duclerc em Torres Del Paine. Meu primeiro trekking internacional.

Hiking Trekking Camping

Relato do meu primeiro trekking internacional.

Nem sei como cheguei ao Freddy Duclerc, mas antes de fechar com ele soube de ótimas informações junto aos meus primos em Sampa. Então decidi seguir em frente com o projeto.

A trip era para o famoso Torres del Paine, Chile. Iriamos fazer o circuito completo ou O. No sentido anti horário.

O grupo era formado por 6 pessoas, e depois, na parte W teve a soma de mais um casal. E nenhuma baixa !

Éramos: Eu, Marcos, Raissa, Freddy, Miguel e Cris.

Assim sendo, começamos então na portaria Laguna Amarga, que faz uma aula sobre o parque e cuidados necessários no contato com a vida selvagem. Não sei se isso era padrão ou se deu depois do incêndio ocorrido por um trilheiro turista israelense ter posto fogo em grande área do parque.

O que eu sei é que os israelenses ficaram um bom tempo sem pisar na região. Houve até intervenção diplomática.

Mas enfim, partimos para o refúgio Seron, onde ficaríamos em barracas alugadas. Nesse primeiro dia o parque mostrou como é a Patagônia. Pelas fotos vc vê sol, chuva, neve e depois mais chuva. No mesmo dia.

Nesse primeiro dia também fui brindado com uma visão de uma mamãe puma ensinando a caçada a seus filhotes. Miguel e eu estávamos relativamente próximos. Tanto que pensei seriamente em derrubá-lo e entregar de oferenda para a mãe puma. Me poupando assim.... A verdade é que estavam realmente bem próximos. E vc vê que toda a palestra ministrada horas antes de nada serviria. Será que eu ficar em pé e levantar os braços seria interpretado como um animal que intimida o puma, ou o instinto materno faria com que a puma sentisse seus filhotes sendo ameaçados e partiria para cima ? Preferi não arriscar e fiquei quieto. Virado a paulista não estava no cardápio dos três pumas aquele dia. Sorte do Miguel.

Chegamos nas barracas debaixo de chuva. Ai o que valeu foi toda a minha experiencia (e do Miguel também) em barracas (SQN): abrimos a porta da barraca, tiramos a mochila, depois a bota (nessa ordem) e quando entramos tinha um lago la dentro.

Conversamos então com os Hermanos e conseguimos um lugar num domo de 4 beliches, onde só tinha duas chicas. Bem melhor que ficar chafurdando na água com Miguelito.

Dali em diante já sabíamos como seria o clima patagônico.

Do Serón fomos praticamente margeando o Rio Paine, até o refúgio Dikson, a beira do lago de mesmo nome. Hoje dormiríamos dentro do abrigo, num quarto só para a equipe. Foi ótimo para secar as meias na lareira (é meio estranho, mas muita gente faz).

Hoje foi o dia de encontrar os primeiros zorros (raposinhas) no parque. Que também não gostavam do “virado a paulista”.

Dali fomos por uma bonita floresta (“estilo” pinheiro) até o refúgio Perros.

Perros foi a pior parte, pelo menos para mim. Trata de um abrigo com pouca estrutura, estava frio a beça (ele ficava entre uma geleira e uma montanha gelada). E onde realmente dei aquela velha pensada: “o que diabos estou fazendo aqui ?”

Também foi a base para o maior desafio do hiking: Subir a montanha cheia de neve e cruzar o passo Gardner. O resto todo foi bem mais fácil (mentira !)

Ultrapassada essa montanha, lanchamos em frente ao Glaciar Gray. Linda vista.

Rolou algum estresse da minha parte (queria tirar muitas fotos e parte do grupo, inclusive o querido Freddy) queria chegar o mais rápido no próximo refúgio.

Esse é um ponto interessante para ser abordado aqui: O guia de uma equipe deve não só conhecer o local, mas conseguir motivar e gerenciar esses eventuais estresses da equipe no meio do hiking. Isso acontece inúmeras vezes e é como fósforo. Se vc não pagar, vira incêndio. Rapidamente. No meu caso eu não entendia o porque de ir voando para o próximo abrigo se estávamos no verão patagônico, com dias durando até as 22h, e com uma trilha, em 90% das vezes, muito bem demarcadas. Era uma oportunidade única das fotos. E acho que prevaleceu. Pq passei a ficar mais para trás sem ser incomodado. Rs.

E não rolou estresse com o Freddy mais. Somos amigos até hoje, inclusive fiz Huayhash com ele 5 anos depois. Alias, é um grande guia e uma grande pessoa.

Passamos batidos pelos Paso e Los Guardas (acho que um é só acampamento, nem tem um refúgio propriamente dito) e partimos para o refúgio Gray, margeando o lago de mesmo nome. Foi o dia mais longo de caminhada (em media eram 6h, nesse dia foram pelo menos 11h).

Algumas vias ferratas e pontes suspensas, para dar um pouco de emoção...

Bom, chegando Gray já se notava que eram refúgios TOP. Estávamos na cereja do bolo. Digo: banho quente, cama com colchão, calefação, um restaurante top, uma cafeteria, uma área social legal.

Depois de uma noite muito tranquila e uma boa refeição, partimos para o refúgio Paine Grande, onde encontraríamos um casal que se juntaria ao grupo. Fabiano e Fernanda. Foi uma caminhada também bem suave. Acho até que a mais suave de todo o hiking. Continuamos margeando o lago Grey.

O refúgio Paine era tudo que o Gray era e ainda era mais. O mais top por ali. Parecia de fato um hotel. Além de ter uma ótima vista.

Freddy retornou para o Gray com o casal, para iniciar ali o Circuito W e depois se juntaram a nos, para continuarmos rumo ao mirador francês, na Valle Frances, e depois ao refúgio Cuernos. Esse menos estruturado, mas ainda assim, com boa estrutura e também vista lida dos “paines”. Algumas pessoas aqui sobem até o mirador britânico, mas acho que a subida regular é para somente escaladores. Aqui observamos um paredão com vários picos: Los Cuernos, La Espada, La Mascara, La Hoja e La Aleta de Tiburón. Observamos ainda a “dança das aguas”, fenômeno que acontece com os fortes ventos batendo sobre as aguas do lago Skotssberg.

No dia seguinte o objetivo era o refúgio Torres. Passamos por um hotel de alto luxo que eu havia ficado um ano antes. Quando não me imaginava andar com uma mochila nas costas e dormir em barracas...

A logística pode ser feita de 2 formas aqui: Ou vc sobe direto para o mirador das torres (o ponto mais esperado do trekking e objeto e inúmeras fotos maravilhosas, principalmente quando o sol nasce e deixa a montanha dourada) ou vc vai até o refugio Torres e depois volta esse caminho, com a mochila de ataque.

Foi essa opção que fizemos, já que o planejamento feito nos dava realmente esse dia a mais. Alias, recomendo fazer sempre esse tipo de hiking com um dia a mais pelo menos. Vários fatores contribuem para isso: desde horário de balsa ou ônibus até o clima imprevisível, ou algum percalço.

A subida é bem puxada. Mais do que o Paso Gardner. Mas com calma, vc chega lá. Não é tão exposta em termos de abismos, mas em determinado ponto não tem sombra.

Acredito que deva ser lindo fazer as fotos de manhã, mas demanda algum sacrifício. O que, depois de todo circuito, não queríamos.

Enfim, esse foi o relato, pensado e escrito 6 anos depois. Espero que tenha conseguido passar tudo o que senti naquela ocasião.

O parque é fantástico, paisagens magicas, muita diversidade, e um clima agradável para caminhar. Os abrigos são uma aula do que deve ser o turismo sustentável. Devia servir de exemplo para o Brasil. O único senão me parece uma certa dificuldade em fazer reservas individuais (sem um guia que saiba os esquemas todos). São duas empresas que operam o parque, dividindo suas áreas: a fantástico sur e a vértice.

São tão completos que acredito que dê para fazer o circuito W (não o O) somente com uma mochilinha de ataque. Vc pode comprar lanche nos abrigos, dormir em camas, banho quente na maioria, e por fim, jantar. Água tem a vontade no parque.

Tire um tempo para conhecer El Calafate e Puerto Natales ! Os pratos típicos na região são a truta, o cordeiro patagônico e muitas coisas a base de frutas vermelhas !

Enfim, foi um otimo hiking, que não traumatizou, ao contrario, aguçou a vontade de fazer mais. Acho que o parque é uma otima iniciação em trekking internacional, devido a sua estrutura e suas trilhas bem sinalizadas (em especial o circuito W). Quem puder ir, mesmo sendo um parque cada vez mais "cheio", vá. É imperdivel a vista e o sentimento ali.

Muitas coisas serviram de aprendizado para os trekkings futuros.

1) Não levar mochila enorme, ainda mais uma travessia que não precisaria de auto suficiência. Sério. Nem sei mais o que tinha na mochila, mas não tinha pratos, nada de cozinha, gás, talher, para que eu conseguisse encher a Deuter 60+15... Vc acaba levando muita coisa que não precisa. Hoje me parece que uma 32+5 mais que suficiente.

2) Hoje em dia eu adoto até uma politica de check list antes e depois. Para que eu possa ver, no calor do momento (e de eventuais dores nas costas/joelhos), o que realmente eu levaria ou não.

3) Procure ler alguma coisa sobre o lugar que vc vai, em especial relatos aqui ou em outros sites confiáveis. Eu, por exemplo, não teria levado tanta comida comigo. Melhor comprar nos locais ali. Para que um camelback de 3l ? Tínhamos agua gelada praticamente a trilha inteira.

4) Escolha um guia de confiança, se for sua primeira vez. Fale de suas expectativas, em especial quanto ao preparo físico, quanto ao que espera percorrer, sua experiencia. Isso tem que ficar claro para vc e para o guia, do contrário, vai trazer problemas para equipe, isso quando tiver uma área de escape.

5) Faça um treino sistemático tempos antes de um trekking tão longo.

6) Hoje em dia eu sempre carrego um gps/localizador (naquela época eu não tinha). Isso dá muita segurança não só para vc, mas para seus familiares e amigos que ficam. Dá para mandar informações periódicas e, em caso de emergência, vc solicitar um resgate. A maioria dos guias internacionais sérios usam um, também. Isso é bem importante.

7) Invista sempre em materiais de qualidade. São mais caros, mas são extremamente duráveis. Ainda tenho 95% dos produtos que levei para trilha (camisas, meias, mochila, anorak, luvas). Acho que no final hj só não tenho uma bandana vermelha e a calça, que rasgou... Estamos falando de 6 anos atrás...

Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng

Published on 12/25/2020 22:37

Performed from 01/09/2015 to 01/17/2015

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Edson Maia
Edson Maia 12/28/2020 09:18

O circuito TDP é uma experiência alucinante... Foi o gatilho para eu voltar para novas aventuras na região. Ainda tenho que voltar um dia para ver as torres, pois quando eu estive por lá dei azar com o clima ruim bem no dia de ir conhecer o icônico cartão postal do parque. p.s: foi por um detalhe de datas não nos encontramos por lá. kkk

Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng 12/28/2020 16:27

Ehehe. Sim, Edson. Aprendi que, em se tratando de Patagonia, convém sempre preparar mais uns dias... clima difícil de prever. Tive uma experiência assim em El Chalten.