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O melhor pôr do sol no Caratuva

O melhor pôr do sol no Caratuva

em busca da melhor vista do Pico Paraná a partir do Caratuva, segunda maior montanha do Sul

Trekking Camping Mountaineering

Em pleno verão, não é fácil conseguir um dia de céu aberto em uma montanha na Mata Atlântica.

As chances disso acontecer no Parque Estadual Pico Paraná, então... dá para contar nos dedos!

Se você mora perto da montanha fica mais fácil aproveitar uma janela de tempo. Já pra mim, do interior, não tem jeito... é sempre contar com a sorte.

Sorte! Só isso que posso dizer. Estava de férias no litoral com a família. De lá de baixo dava pra cobiçar a silhueta das montanhas, foi um final de ano atípico de muito sol, céu aberto e nada de chuva.

Os amigos de montanha também estavam por perto, na capital. Dois palitos e combinamos a trip para o Caratuva.

Subi a serra de busão para encontrar o time na Rodô. De lá passamos num mercadinho comprar algo pra comer e partimos pra Fazenda PP.

Pisamos na trilha já passado das 11 da manhã. Tarde, sol de verão a pino, mas faceiro com o céu aberto e com a previsão de bom tempo.

O calor castigou o corpo que pediu água. Mal sorvia um gole, já vazava tudo pelos poros. Cruel.

A mochila a meia carga tava de boas. Mas foi osso rastejar por debaixo do tronco de duas árvores caídas na trilha. Sem falar na fartura de taquaras enroscando na mochila e dando aquele tranco que a gente montanhista adora!

Depois de várias pausas para hidratação, um instante pra um naco de queijo e umas fatias da volta de salame que levamos (gringo sou).

Abastecemos as garrafas no último ponto de coleta de água e encaramos o trecho mais sinistro. Ainda assim, era melhor a escalaminhada na sombra do que queimar o lombo no limpo.

Sem pressa, chegamos no topo do Caratuva. Ali em frente nos esperava o Pico Paraná, o gigante do sul.

Estava meio sem vergonha, desnudo de nuvens, empinando seu nariz a 1877 m com seu carão deitado em meio à Mata Atlântica! (já reparou como a silhueta do PP lembra o rosto de um gigante?).

Logo arriamos as cargueiras e catamos uma pedra pra acomodar o lombo cansado. Dali ficamos analisando as rugas daquele índio véio que domina o horizonte, numa tarde de céu tão limpo que dava para ver a baía de Paranaguá.

Também dava para ver as nuvens do litoral preparando o seu ataque. Subiam carregando a umidade do Atlântico e sua mata. Numa coreografia sem ritmo, lambiam pornograficamente o granito do Paraná, Ibitirati e União.

Enquanto o pôr do sol se aproximava, um vento forte insistia em soprar as nuvens pra longe e desnudar o gigante. De repente, as nuvens aquietaram sua orgia forrando o horizonte com um lençol encobrindo todo o litoral. Deixaram visível apenas o topo das montanhas - dava pra ver só a pontinha do Ciririca ali do ladinho. Que visual, véi!

Pausamos o filme para armar o acampamento, antes que o breu chegasse. Olhei para trás e o PP já tava na penumbra. Barraca pronta, fui à busca dos últimos raios de sol, na face Oste por onde chegamos ao Caratuva.

Meu, você não tem noção! Agora a cena de amor era entre o sol e as caratuvas! Um tom dourado tomou conta daquelas moças esguias que se insinuavam quando o vento arrepiava suas folhas. Ali se foi mais meia hora esperando o último fiapo de luz se apagar.

O sentimento? Gratidão! Encerrar um ano puxado, família por perto, melhores amigos dividindo a montanha e o gole de Jägermeister, com uma cena daquelas? Bah! Que presente!

Pro rango rolou um liofilizado que tinha sobrado da última expedição pros Andes. descobrimos que o purê de batata tava ranso, cheiro de velho. O estrogonofe fizemos sem paciência e erramos o ponto. Quando mastigava tinha a sensação de estar mascando pedra pomes!

Um dos amigos acho que tinha saído da prisão. Comia que dava gosto de ver! O outro, só com o cheiro perdeu o apetite. Lembrou dos 10 dias comendo liofilizados nos Andes. Eu dei umas garfadas e desisti. ataquei um saco de amendoim e mais um gole de goró. Hora do berço! Ativei o despertador para acordar às 5 e capotei.

Noite longa, nem bem dormi e já eram 5 da matina (sabe aquela história de ronco dos parceiros na barraca?). Saí pra fora agasalhado e com o saco de dormir nos ombros fui escolher minha poltrona para o próximo espetáculo. Os outros dois preguiçosos desperdiçaram o ingresso.

Tempo aberto, um crepúsculo em linha surgia entre o oceano e o céu, lá longe, detrás do Pico Paraná.

De repente o sol apareceu entre o Paraná e o Ibitirati, bem sobre o União, justamente sobre a boca do gigante. Em mais uma cena de amor a montanha beijou o sol e espalhou seu brilho por todos os lados.

Era esse brilho que eu havia ido buscar! Esse que faz lembrar o quão passageiras são as nuvens e que acima delas o sol ainda reina. Esse que serve para inspirar os dias e iluminar a sombra dos vales que temos de passar. Essa luz que nas alturas é diferente e que desce de lá com a gente.

Pra eternizar o momento sentei o dedo no botão de disparo da câmera do celular e registrei aquela luz que estava na minha retina.

Ainda mais grato, voltei pra barraca. Quando os parceiros acordaram mostrei as fotos. Mas ver com a retina foi melhor. Valeu o ingresso.

Já de manhã, passamos um café na prensa e matamos o que restou do porão do nono. Arrumamos tudo e encaramos a descida, depois de desejar um até breve ao gigante. Menos de 2:30 horas estávamos na Fazenda e dali seguimos nosso rumo.

Vez ou outra visito os retratos como agora, dois meses depois da trip. Me lembro de tudo o que vivi, do quanto eu aprendo na montanha, do quanto a montanha e a vida são parecidas.

Junior Baggio
Junior Baggio

Published on 03/02/2020 02:06

Performed from 12/26/2019 to 12/27/2019

1 Participant

Luiz Carlos Piccinin

Views

1120

2
Eduardo
Eduardo 03/02/2020 09:04

Espetáculo! Parabéns pela foto.

Junior Baggio
Junior Baggio 03/02/2020 17:42

Valeu, fera! A cena já estava lá. Só tive a sorte de enquadrar o cenário em um frame!

Junior Baggio

Junior Baggio

Pato Branco - PR

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