AventureBoxExplore
Create your account
Travessia da Serra Fina Invertida  (Pierre - Toca do Lobo)

Travessia da Serra Fina Invertida (Pierre - Toca do Lobo)

Travessia que teve início no Sítio do Pierre e fim na Toca do Lobo . Bem mais puxada que a travessia pela rota normal.

Trekking Mountaineering Camping

Percurso: Sítio do Pierre (Itamonte/MG) - Toca do Lobo (Passa Quatro/MG)
Participantes: Keila Beckman, Daniela Ferrer, Emerson Fonseca e Ramon Quevedo
Fotos: Keila Beckman, Daniela Ferrer, Emerson Fonseca e Ramon Quevedo
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=HhENyTed1tU

PARA MAIS INFORMAÇÕES ACESSE O BLOG TROUPE DA TRIP AQUI

Fazer a travessia da Serra Fina ao contrário foi desafiador. Já tinha ouvido falar que se tratava da rota mais difícil desta travessia, e realmente constatei isso. Hoje eu tenho uma outra visão da travessia da Serra Fina pela rota normal.

Primeiro Dia: Sítio do Pierre - Acampamento base dos Três Estados

Iniciamos o primeiro dia as 8:00, no Sítio do Pierre (onde o nosso resgate nos deixou).

A trilha segue por entre a mata, no início bem aberta, mas no decorrer da subida vai sendo tomada pela vegetação até o ponto de você não enxergar onde pisa. Porém, apesar disso, o caminho é óbvio. É como se fosse uma estradinha estreita cheia de mato no meio. E o caminho segue assim até o único ponto de água do dia.

Do Pierre até o ponto de água levamos 40 minutos. Abasteci com 3,5 litros de água (1,5 L para beber nesse dia, 0,5 L para cozinhar e 1,5 L para beber no dia seguinte), porém deveria ter pego mais. Numa próxima vez levarei 4L ou 4,5L, pois no final do dia acabei ficando só com 0,5 L para o dia seguinte inteiro. Se não fosse o Ramon e o Emerson subirem com 5 litros cada, certamente eu teria passado sede. Acabei utilizando a água deles que sobrou.

Seguindo a trilha, após a bica de água, tivemos nosso primeiro encontro com os tão temidos bambus.

Ouvi muitos dizerem que o que dificultava a travessia inversa eram os bambus, que estariam virados para baixo, apontados como lanças, para quem subia. Eu particularmente não vi bambu algum virado para baixo, tampouco lanças, como dizem por aí. Eu simplesmente vi bambus no meio do caminho, da mesma forma como estão na rota normal. Só que, empurrar bambu para baixo, quando se está descendo, é muito mais fácil que empurrar bambu para cima, quando se está subindo. O esforço para subir com uma cargueira já é grande, imagina subir tendo, a todo tempo, que se livrar de algo que impede a sua passagem. Imagina ainda, conseguir se livrar dos que estão a sua frente, mas a cada passo dado um, dois, três te segurarem pela cargueira; a cada passo dado ser surpreendido com um solavanco que irradia diretamente para o teu joelho. Sem dúvida alguma isso foi bem desgastante.

Passada essa primeira etapa dos bambus, saímos numa área aberta, com capins e seguimos subindo, ora por entre áreas abertas com capim, ora por entre matas com bambus, até chegarmos a uma grande laje de pedra, que segue subindo até o Alto dos Ivos, onde chegamos as 14:00. Dalí podíamos avistar o Pico dos Três Estados, que ainda se encontrava bem longe (saindo as 15:00 no máximo, prevíamos chegar aos Três Estados por volta das 18:00)
A essa hora já estávamos exaustos. A constante subida, e a dificuldade enfrentada com os bambus, esgotou as nossas energias. Fizemos então uma pausa prolongada para almoçar e descansar, no Alto dos Ivos.

As 15:00, conforme planejado, iniciamos a descida do Alto dos Ivos rumo aos Três Estados, momento em que comecei a sentir uma dor bem forte no joelho (uma dor que aparece sempre que eu faço um esforço muito grande com muita carga)

Descemos um vale, subimos uma montanha, descemos outro vale, subimos outra montanha ainda maior, descemos novamente, ora em meio ao capim, ora em meio ao bambu, e as 17:00, já sem nenhum energia chegamos a uma área de camping (espaço para umas 4 barracas) onde resolvemos ficar, pois ainda faltava pelo menos 1 hora e meia até o cume dos Três Estados. Não dava para continuar a caminhada no estado em que estávamos, pois certamente levaríamos muito mais tempo. Continuar significaria fazer trilha no escuro e correr o risco de nos perder em meio ao capim lá de cima.

Não cumprimos, o objetivo do dia, que era acampar no cume dos Três Estados, mas agimos de forma sensata ante as condições que se apresentavam.

Foram 9 horas de caminhada pesada (contando as poucas pausas que fizemos) até este camping. Durante todo o dia só encontramos com um grupo de 3 pessoas fazendo também a travessia ao contrário, as quais nos ultrapassaram e logo sumiram das nossas vistas após o Alto dos Ivos.

A primeira coisa que fizemos quando chegamos foi sentar no chão para descansar, mas logo começamos a sentir a temperatura despencar muito rápido e, antes de armar a barraca, colocamos roupas quentes.

Enquanto montávamos acampamento avistamos várias luzes descendo o Alto dos Ivos. Outro grupo bem maior, que acabou acampando entre o Ivos e o primeiro vale. Não me lembro de nenhuma área descente para se acampar por ali.

O pôr do sol não teve o sol se escondendo dos nossos olhos, mas teve toda a beleza de suas cores no céu. Apreciamos um pouco e fomos descansar dentro da barraca. Não demorou muito já começamos a ouvir o ronco do Emerson, que já havia capotado.

Ramon então foi agilizar o jantar, para podermos dormir logo. Assim como o Emerson, estávamos todos muito cansados. Precisávamos descansar bem pois o dia seguinte seria muito mais puxado do que prevíamos, já que não cumprimos a meta do dia, que era acampar no cume dos Três Estados. Após o jantar apagamos. Ramon doido bivacou naquele frio danado, e assim fez por todos os outros 3 dias.

Foi uma noite muito gelada. Dani e Emerson passaram frio a noite toda. Ramon no bivaque também reclamou que chegou ao seu limite. Já eu no meu saco -30 dormi a noite toda como um bebê, confortavelmente.

Segundo Dia - Acampamento base dos Três Estados - Vale do Ruah

Acordei por volta das 5:00, completamente sem sono e revigorada. Peguei minha câmera e fui lá para fora fazer umas fotos.. Tudo estava congelado. A barraca, a lona que cobria as nossas mochilas, as nossas mochilas, o restinho de água do meu camelback, o saco bivaque do Ramon, enfim... Tudo branquinho.

Depois que amanheceu completamente tomamos um café , desmontamos acampamento e as 9:00 partimos rumo a Pedra da Mina. A Dani não estava muito bem, pois acabou ficando resfriada e passou a trilha inteira com o incômodo do nariz escorrendo. É claro que a gente não perdeu a oportunidade de zoar com ela e isso pode ser visto no vídeo... kkkkk

Percebemos que tomamos a decisão mais acertada em acampar onde acampamos no primeiro dia. A subida daquele primeiro pico - que desconheço o nome - antes de iniciar a subida dos Três Estados é extremamente puxada. Certamente teria sido muito sacrificante fazê-la no dia anterior, já sem energias.

Após chegarmos ao alto da primeira montanha que subimos no dia, andamos um pouco em meio ao capim elefante, em um terreno praticamente plano, e iniciamos a subida dos Três Estado, em si, bem mais leve que a primeira subida do dia. Chegamos por volta das 10:20 e fizemos uma pausa para descansar e nos alimentar.

Iniciamos a descida as 10:45, já avistando toda a linda crista que percorreríamos durante o dia.

Como estávamos atrasados por não ter acampado no cume dos Três Estados, Ramon previa que não daria para chegar ao cume da Pedra da Mina. Não apenas pelo tempo em sim, mas também porque provavelmente estaríamos esgotados ao chegar ao Vale do Ruah e subir o quarto ponto mais alto do Brasil, pelo lado mais difícil, naquelas condições certamente não seria a melhor escolha. Fora que, pelo o que tínhamos conhecimento, existia um batalhão de grupos fazendo a travessia pela rota normal, assim, certamente nem haveriam mais locais para acampamento lá. Apesar de eu ainda teimar que conseguiríamos chegar a Pedra da Mina, e tentar uma área de camping lá ou no platô logo abaixo dela, no decorrer da caminhada fui vendo que isso realmente não seria possível.

Após descermos os Três Estados, em meio ao capim elefante, chegamos a área de camping do outro lado da montanha, num bambuzal .

Seguindo a trilha, subimos por entre os bambus até chegarmos a um trecho de pedra, que levava até o alto da montanha a frente, onde tinha início a longa crista que enfrentaríamos durante todo o dia.

Após a subida andamos alguns minutos no reto, e logo em seguida iniciarmos a descida do Cupim do Boi, momento em que encontramos com o amigo Gerson Santos, que guiava um grupo na rota tradicional.

A partir de então foram subidas, subidas e mais subidas, alternadas com levíssimas descidas, ora em meio aos bambuzinhos ora em meio ao capim elefante, que dificultavam a nossa passagem, já que tínhamos que ficar constantemente empurrando-os para cima.

Chegando ao topo da última montanha, onde havia uma área para camping, finalmente avistamos por completo o Vale do Ruah. Neste momento encontrei com o Marcelo Fuzsawa, que só conhecia através da net.

Iniciamos então a descida. Nesse ponto a Dani e o Emerson foram na frente. Eu e Ramon acompanhamos os dois um pouco mais afastados. Certa hora a Dani perguntou se estávamos na trilha certa. Checamos o GPS e verificamos que tínhamos saído da trilha.

A essa hora o sol já estava indo embora. Começamos então a procurar uma saída para a trilha certa. Eu ia verificando o GPS a todo momento, dando as coordenadas para a Dani que ia à frente abrindo o mato que fechava a trilha por completo.

Fiquei meio apreensiva quando o meu GPS começou a acusar bateria fraca. Lembrei -me que havia esquecido de deixar pilhas novas a fácil alcance, assim como a lanterna. Procurá-las dentro da mochila no meio daquele capim todo fechado não foi uma opção no momento. Estávamos mais preocupados em voltar a trilha certa o mais rápido possível. A essa hora o sol já tinha ido embora, mas a lua estava lá brilhante, iluminado o nosso caminho.

Depois de muito rodar, dando sempre de cara com becos de capim sem saída a Dani decidiu varar mato, em direção a trilha correta. Nesse momento, quando ela foi pular uma moita, apoiou a mão segurando o bastão para trás, e se eu não tivesse tido o reflexo rápido que eu tive, em bater com meu braço no bastão desviando-o de mim, aquela ponta de ferro tinha varado o meu olho e eu certamente teria ficado cega naquele exato instante. Passei o resto da trilha pensando nisso, e desde então tenho trilhado prestando muita atenção nas pessoas que andam com bastões a minha frente.

Depois do susto, logo caímos na trilha que deveríamos percorrer e em poucos minutos já estávamos margeando o rio. O GPS indicava que a trilha seguia sempre bem próxima ao rio, ora nas bordas do mesmo, ora em meio ao capim.

Prosseguimos então com nossa caminhada a noite, agora na trilha certa. Porém, após algum tempo andando, sem chegar a área de camping nossa amiga Dani começou a ficar um pouco nervosa, achando que ainda estávamos perdidos. Tentei acalmá-la como eu pude, mostrando a ela que não havia com o que se preocupar, mostrando a ela que estávamos na trilha correta e que agora bastava segui-la até a área de camping. Ela se acalmou um pouco, mas pediu que eu não desgrudasse os olhos da tela do GPS. E assim ela voltou novamente a dianteira abrindo o capim a minha frente.

Como ainda não tínhamos pego água, e estávamos sem uma gota sequer, paramos para abastecer as garrafas. Nesse momento dois caras passaram por nós, dizendo que estavam indo até os Três Estados. Perguntamos sobre a área de camping e eles informaram que havia uma a 50 metros de distância de onde estávamos.... ufaaaa... No tracklog que tínhamos não havia marcação desta área, que foi a primeira que encontramos no vale do Ruah. Foi um alívio chegar lá.

Abracei a Dani, que estava meio abalada com a situação de ficar perdida a noite no meio do mato, e ela começou a chorar. Os meninos vieram logo em seguida e abraçaram a gente, num abraço coletivo. Foi muito lindo. Trabalhamos em equipe e deu tudo certo.

Logo começamos a colocar roupas quentes para não perdermos calor e armamos a barraca.

A Dani foi descansar um pouco e o Emerson e eu ficamos lá fora com Ramon, ajudando com o jantar. Enquanto esperávamos preparamos uma sopinha de caneca para cada um de nós (nesse dia podíamos nos dar ao luxo pois tínhamos água em abundância bem ali, pertinho de nós).

Ramon fez uma macarronada maravilhosa. Nossa senhora... nunca comi algo tão gostoso na montanha. Ele simplesmente ia colocando dentro tudo o que ele tinha levado (pimentão, cebola, carne moída, etc... tudo desidratado). Para completar, coloquei um pedaço de queijo minas padrão que eu levei, que deu o toque final. Foi o jantar mais gostoso de todos os jantares que já tive na montanha.

No local havia uma barraca armada, mas sem ninguém dentro. Logo apareceu o dono: Bruno do Gente de Montanha (muito simpático por sinal) o qual nos disse que o Maximo Kaush estava ali bem próximo com um grupo. Os olhos brilharam..."O Máximo Kaush? Tenho que conhecer esse cara "... pensei eu. No dia seguinte certamente nos cruzaríamos pelo caminho pois se eles não passassem pelo nosso acampamento antes nós certamente passaríamos pelo o deles, já que estavam mais a frente.

Bom...depois do jantar fomos logo dormir. O corpo pedia descanso.

Apesar de estarmos no Ruah, local que dizem ser muito mais frio que os picos, não fez tanto frio assim. Foi bem tranquilo que a noite na base dos Três Estados. Todos dormiram bem, sem sentir um pingo de frio.

Terceiro Dia: Vale do Ruah - Maracanã

Acordei assim que começou a clarear e fui para fora da barraca. Nessa hora comecei a ouvir vozes e logo um grupo passou por nós em direção aos Três Estados.

Em seguida a Dani também saiu da barraca para ir ao "banheiro".

Eu estava vigiando para ela, para ver se não vinha ninguém e, de repente eu comecei a ouvir o capim se mexendo e corri para a entrada da trilha para não deixar a pessoa prosseguir. Foi nessa hora que eu dei de cara com quem? Maximo Kaush. Que situação mais engraçada de se conhecer uma pessoa... "Espera moço, vc não pode passar agora... é que minha amiga está...." aí ele olha adiante, vê a minha amiga naquela situação e abaixa a cabeça pedindo desculpas educadamente.... kkkkk

Ele tinha ido chamar o Bruno, que ainda dormia, para tomar café. Foi a única hora que eu consegui falar com o Máximo. Depois tive mais duas oportunidades, mas travei.

Depois que terminamos de tomar nosso café e estávamos arrumando as coisas para levantar acampamento o Máximo voltou para desarmar a barraca do Bruno.

Ele trocou uma ideia com o Ramon e eu, doida pra trocar umas palavras com ele também, não consegui. Sei lá o que me deu. Acho que foi a emoção de estar tão perto de um montanhista que eu admiro tanto. Tão experiente e tão humilde. Fiquei ainda mais fã dele. Pena que não consegui conversar. Queria muito ter ouvido suas histórias de montanha, mas não foi dessa vez. Quem sabe numa próxima.

Bom... mochilas arrumadas, partimos as 8:20 em direção à Pedra da Mina. No acampamento logo após o nosso encontramos com o Máximo novamente, levantando acampamento. Demos tchau e continuamos a nossa caminhada em meio ao charco, ao capim elefante e a toda aquela neblina que pairava sobre o vale, deixando a atmosfera muito sombria.

Logo começamos a topar com vários grupos pelo caminho, que estavam vindo da Pedra da Mina. Centenas de pessoas, todas dizendo para tomarmos cuidado na subida da Pedra da Mina, pois estava ventando muito. E só quando chegamos lá pudemos ver realmente do que eles estavam falando. O vento realmente estava muito forte. Rajadas nos empurravam a todo instante, nos desequilibrando. Muito me lembrou o vento da Patagônia.

Subimos a montanha devagar, tomando muito cuidado com as rajadas e sendo chicoteados no rosto , a todo tempo, pelas tiras das alças da mochila .

Chegamos ao cume da Pedra da Mina 2 horas depois, as 10:20. Não tivemos visual algum e logo iniciamos a nossa descida, rumo ao Maracanã. No final da descida da Pedra da Mina o tempo abriu um pouquinho e pudemos ver o belo mar de capim que há lá embaixo, mas o visual não durou muito. Logo voltou a ficar tudo cinzento.

Antes de iniciarmos a travessia tínhamos planejado acampar no cume do Capim Amarelo, porém o acampamento do primeiro dia, antes dos Três Estados, ferrou toda a nossa logística. Não tínhamos conseguido acampar nos Três Estados no primeiro dia, e não tínhamos conseguido acampar na Pedra da Mina no segundo dia, já que estávamos cerca de 2 horas atrasados na caminhada. Então, certamente não conseguiríamos acampar no cume do Capim Amarelo também. Motivo pelo qual o Maracanã passou a ser o nosso objetivo do dia. E acertadamente.

A trilha até o Maracanã não tem subidas fortes como as dos dias anteriores, porém não tem nada de fácil, pois é uma caminhada muito longa. Se anda ora em trechos retos, ora em pequenas subidas, ora em pequenas descidas.

Quando descíamos o último vale que, pelo o que eu me lembre, foi a descida mais íngreme que pegamos, o Ramon, que ia a frente com a Dani, me gritou lá de baixo perguntando se estávamos na trilha certa. Verificamos o GPS e constatamos que a trilha correta estava paralela a que estávamos. Ô mania de não checar o GPS . Consequência: tivemos que subir tudo de novo e voltar até a bifurcação para pegar a trilha a direita.

Logo iniciamos uma longa descida. A essa hora eu não aguentava mais andar. Sentia muita dor nas minhas costas e no meu joelho. A dor era tanta que eu acabei me esvaindo em lágrimas, sozinha, lá atrás, com meus passos cada vez mais lentos. Não sei se o choro foi só pelas dores que me acometiam ou se também pela caminhada exaustiva do dia, que sugou todas as minhas forças. Como foram sofríveis aqueles últimos metros.

Um pouco antes do Maracanã encontramos uma área bem grande que dá para acampar também, mas como não queríamos atrasar a nossa caminhada do último dia, prosseguimos até o nosso objetivo, onde chegamos as 16:45. Na mesma hora, tiramos as mochilas e nos esparramamos todos no chão, acabados. Logo começamos a esfriar, então tratamos de ir colocar roupas quentes e armar a barraca.

Neste dia, apenas o Emerson ficou com Ramon fora da barraca ajudando no jantar.

Eu estava moída. Pedi para a Dani colocar um monte de Salompas nas minhas costas, coloquei outro no meu joelho e me enfiei dentro do meu saco de dormir. Fiquei lá deitada esticando as minhas costas, esperando o jantar ficar pronto. A Dani ficou comigo. Depois que jantamos fomos logo dormir.

Acordei no meio da noite tossindo muito e com o nariz trancado. Tinha pego a gripe da Dani . Coloquei uma pastilha para garganta na boca, para aliviar a tosse, mas não adiantou muito. Foi uma noite bem mal dormida.

Quarto Dia: Maracanã - Capim Amarelo - Toca do Lobo

Levantamos cedo, por volta das 5:30 e as 6:30 já estávamos iniciando a trilha.

A trilha segue até o topo da montanha que se avista do acampamento. A partir deste local já pe possível ver o o Capim Amarelo. E ele estava lindo, sendo todo iluminado pelo sol enquanto o fundo do vale permanecia no escuro. Tiramos algumas fotos e continuamos a caminhada, em meio ao capim, até entrar na mata novamente, onde se inicia a subida.

É muito importante ficar atento nessa parte. Nos distraímos demais e acabamos pegando uma outra trilha, a direita. Só depois de algum tempo percebemos que estávamos descendo muito. Nessa hora já tínhamos entrado em outras trilhas e voltar à trilha certa não foi nada fácil. Sabíamos onde ela estava, mas não conseguíamos achar a trilha por qual descemos, que levava até ela. Aquilo ali é cheio de trilhas que não levam a lugar algum. Um verdadeiro labirinto. Mais uma vez saímos da trilha por pura preguiça de verificar o GPS.

Depois de algum tempo perdidos, a Dani, nossa "vara-mato" encontrou a trilha certa e seguimos rumo ao topo do Capim Amarelo. Subida constante no meio da mata, bem íngreme, com algumas clareiras pelo caminho, até chegar ao ponto onde só há capim, por onde se segue até o cume.

Chegamos ao cume as 9:00. O tempo estava mais que perfeito. Olhamos para trás e pudemos ver toda a cadeia de montanhas que havíamos percorrido no dia anterior, e a linda Pedra da Mina toda imponente ao fundo. Foi a hora que veio a minha cabeça "nossa... andamos tudo isso... nós estivemos lá em cima... que foda"... e não, não era minha primeira vez na travessia da Serra Fina, mas a sensação era essa, de como se fosse a primeira vez. Eu posso ir a mesma montanha um milhão de vezes mas eu nunca consigo vê-la da mesma forma. Há sempre algo novo no ar, há sempre uma nova sensação, um novo olhar... isso é muito doido...

Tiramos algumas fotos, fizemos um lanche e logo iniciamos a nossa descida rumo a Toca do Lobo, as 9:20.
A Dani estava se sentindo meio mal, sem energia, provavelmente por causa da gripe forte que estava, e resolveu ir a frente, no ritmo dela, pois rende melhor nas descidas. Seguimos atrás então, Emerson, Ramon e eu.

Apesar de ser o último dia e estar fazendo um sol de rachar, não estávamos com pressa nenhuma de chegar. Fomos devagar, apreciando tudo pelo caminho. Todos os contornos daquelas montanhas, daquela crista, toda a bela paisagem que estava a nossa volta, o Marins, o Itaguaré (que se via longe), as flores branquinhas que aos montes enfeitavam a montanha, enfim, aproveitando cada coisinha, cada detalhe, daquele lugar.

Quando chegamos lá embaixo, antes de entrar na mata, olhamos pra trás e nos despedimos da linda Serra Fina, prometendo voltar em 2016.

Adentramos a mata e continuamos a descida, chegando à Toca do Lobo as 12:30 e ao ponto onde o nosso resgate estaria nos esperando as 13:00.

Estávamos moídos, mas com a alma lavada. Foram 4 dias maravilhosos e cada um deles foi especial a sua maneira. Até mesmo o dia cinzento em que subimos a Pedra da Mina. Quer mais clima de montanha que aquele? Eu amo. =D

Agradeço imensamente aos meus amigos de trilha pela parceria e por terem feito desta dura travessia um momento de contemplação entre amigos, sem qualquer correria. Porque o que importa não é passar por ali voando, com o único propósito de quebrar records, sem ver, ouvir, ou sentir nada. O que importa é aproveitar cada minutinho que estivermos lá, apreciando tudo a nossa volta e cada uma das sensações que só esses lugares mágicos conseguem nos proporcionar.

PARA MAIS INFORMAÇÕES ACESSE O BLOG TROUPE DA TRIP AQUI

Keila Beckman
Keila Beckman

Published on 08/20/2015 20:43

Performed from 06/04/2015 to 06/07/2015

Views

5776

6
Camila
Camila 08/21/2015 08:24

Demais o vídeo Keila... valeu por compartilhar as dicas!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 08/21/2015 09:46

Fantástico Keila! Quando crescer quero fazer umas edições de vídeo assim também haahaha

Keila Beckman
Keila Beckman 08/21/2015 19:34

Legal que estão gostando dos vídeos =D. Tenho vários lá no meu canal do youtube, se quiserem ver outros... ;) Vou tentar colocar tudo aqui mas vai levar um cadinho de tempo.... rsrs

Renan Cavichi
Renan Cavichi 08/21/2015 19:35

Massa, já dei uma espiada lá também! :D

Léo Lucas
Léo Lucas 01/19/2017 09:46

Olá Keila! Estou iniciando o trekking me preparando para fazer o pico dos 3 estados no final de junho/2017... minha idéia e justamente fazer o caminho invertido contado neste relato e retornar do pico no dia seguinte até o mesmo sítio do Pierre (pois só terei o fim de semana). O que aconselha? o que é imprescindível para este trecho? o ponto de água é fácil mesmo (esta no caminho)? A trilha fecha em algum momento, ao ponto de se perder facilmente? Agradeço muito e sucesso em suas aventuras!!!

Keila Beckman
Keila Beckman 01/23/2017 17:52

Olá. A trilha até o Pico dos Três Estados é complicadinha sim. Há muitos trechos fechados por capim elefante, em que você deve saber por onde seguir. É bem fácil se perder nesses trechos. Nós, mesmo usando um gps, tivemos dificuldades. Aconselho que vá com alguém que conheça o caminho ou, ao menos, possua um gps e saiba se orientar por ele. Água é fácil de achar e o único ponto que encontramos foi na estradinha. Fica à beira da estrada. Depois não tem mais água. Aconselho subir com ao menos 5 litros de água, para beber na ida, cozinha e beber na volta.

Keila Beckman

Keila Beckman

São Manuel - SP

Rox
370

Apaixonada por montanhas desde que estive pela primeira vez em uma delas, em 2011.

Adventures Map
www.troupedatrip.com

301 Following



Minimum Impact
Manifesto
Rox

Bruno Negreiros, Peter Tofte and 394 others support the Minimum Impact Manifest