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Vulcão Cerro Toco

Vulcão Cerro Toco

Subimos, subimos, subimos e não terminamos... O trekking mais tenso que eu já fiz.

Trekking Hiking Mountaineering

Em Setembro desse ano (2019) fiz a maior viagem da minha vida até então. Fiz, junto com meu tio e mais 2 amigos, uma trip de 20 dias, passando pelo deserto do Atacama, no Chile, e extendendo para o Peru, onde passamos por Cusco, Arequipa, Aguas Calientes e Huaraz. Uma viagem inesquecível, com muitas trilhas e aventuras que certemente serão relatadas aqui (a medida que a inspiração e o tempo livre for surgindo haha).


Em nosso penúltimo dia no Atacama fizemos a subida do Cerro Toco, que é um vulcão localizado na parte Leste do Deserto do Atacama. Contratamos um guia através da agência Flamingo.

O trekking para subir o Cerro Toco começa a 5.000m acima do nível do mar, chegando a 5.600m no cume, portanto são 600m de subida. Através de relatos que eu havia encontrado na internet a subida leva entre 1h30 e 2h00. Por esses dois fatos, eu estava bem convencido de que seria tranquilo, pois eu já havia feito trilhas mais longas, e nesse ponto da viagem eu já estava habituado com a altitude.

Bom, não foi o que aconteceu rsrs.

O guia nos buscou no hostel ás 9h da manhã e nos levou de carro ao local. Estava marcado para sair mais cedo, porém havia uma barreira na estrada na parte da manhã por conta de obras que estavam em andamento. Tinha nevado muito por ali nos dias anteriores, inclusive alguns pontos turísticos no Atacama estavam fechados por conta disso. O guia nos avisou que faríamos um caminho alternativo, e também mais longo, para subir o vulcão, pois também por conta da neve o caminho mais conhecido estava fechado.

Antes de chegar onde seria nosso ponto de partida, a estrada já estava tomada de neve. Em um momento o guia (não lembro o nome dele, mas era muito gente boa), chegou a parar o carro para colocar correntes no pneu, e enquanto isso, nós que nunca tinhamos visto neve na vida aproveitamos para tirar fotos e, é claro, fazer uma guerrinha de bolas de neve.

Seguimos caminho, mas não avançamos muito. Chegou um ponto onde não era mais possível seguir de carro, então ali já nos preparamos para começar a caminhar. O guia nos forneceu capacete e bastões de trilha para quem não levou, além de um pack com barrinhas, frutas e um suco. Ali já estávamos a 4.700m de altitude, e começamos a andar.



Caminhamos por uma hora e meia antes da primeira parada para descansar. Andávamos em um ritmo bem lento, afinal estávamos na altitude e grande parte do percurso estava coberto pela neve, que a princípio eu havia adorado, mas logo passou a se tornar minha inimiga.

Ali estávamos a 5.000m, no ponto de onde deveríamos ter começado. Até então estava tudo OK. Eu não sentia nenhum mal estar por conta da altitude, nem cansaço e nem frio. Comi uma barra de chocolate e seguimos caminhando.

Não demorou muito para eu começar a sentir o famoso soroche (mal de altutude), a respiracão ficava cada vez mais difícil e eu parava para descansar em intervalos de tempo cada vez mais curtos. A neve a esse ponto já era bem densa, chegando até o joelho em algumas pisadas. Tinhamos que andar com muito cuidado, principalmente em alguns pontos de escalaminhada onde tinham algumas pedras meio frouxas. Eu nunca imaginei que era tão difícil e cansativo fazer trilha na neve, antes de dar cada passo eu conferia o solo com o bastão para ver se era fundo e em alguns momentos não tinha solo "firme" para pisar, sendo obrigado a afundar a perna até o joelho na neve. Foi em um desses momentos em que eu prendi meu pé entre duas pedras escondidas sob a neve. Bateu um desespero, mas eu puxei o pé com força e ele saiu, pois é... o pé veio, mas a bota ficou... Fiquei "sasci" enquanto meu amigo tirava a bota presa entre as duas pedras. E seguimos andando.

Foi depois de 3 horas de subida que chegamos a um observatório, que possui os telescópios americanos Atacama Cosmology Telescope e POLARBEAR. Nesse ponto já estávamos muito cansados e um de nosso colegas desistiu e voltou com outro grupo que vinha descendo. Eu já sentia muita náusea por conta da altitude e considerei ir junto com ele, mas meu orgulho não permitiu e resolvi continuar com o restante do grupo. Ficamos pelo menos uns 20 minutos ali e então voltamos a andar. Segundo o guia, ainda iríamos andar mais 1h30 ou 2h para chegar ao cume mais próximo (o Cerro Toco possui 4 cumes). Minha expectativa inicial de fazer uma trilha tranquila de 1h30 tinha sido completamente quebrada pelas circuntâncias, mas eu resolvi parar de pensar nisso, na verdade, não pensar em nada, e andar. Só o cume interessava. Me concentrei somente em minha respiração e só segui em frente, e isso estava me ajudando muito.

Não deu nem 20 minutos nesse ritmo que volta outro grupo descendo, e vejo o nosso guia conversando com outro em espanhol. E então fomos informados que teríamos que voltar, pois teria outra barreira na estrada em algumas horas e nos impediria de voltar a San Pedro de Atacama caso não passássemos a tempo. É claro que na hora o meu corpo deu graças a Deus, pois eu não aguentava mais subir, mas mentalmente eu fiquei bem triste de não ter feito o percurso inteiro. Com aquela sensação de dever não cumprido.

Mas é isso, nem sempre na vida conseguimos tudo, aceitei como uma pequena vitória eu ter superado a vontade do meu corpo e não ter desistido quando tive a chance. Agora fiquei com esse desafio pendente, e um dia voltarei lá.

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Rodolfo Gomes
Rodolfo Gomes 12/28/2019 16:24

Andar em altitude não é facil hahaha! Ótimo relato!