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Ferrovia Abandonada Jussara - Pr

Ferrovia Abandonada Jussara - Pr

Conhecendo a linha férrea e seus viadutos abandonados, entre Cianorte e Jussara, no Paraná.

Hiking Road Trip Waterfall

Certamente, uma boa aventura vem acompanhada de um belo perrengue, como a cereja do bolo. Não me recordo de escrever algum relato em que não tenha uma ou mais situações inusitadas, que num primeiro momento causam preocupação, ou algum tipo de medo ou receio, mas que no final acabam se transformando em risadas nos causos contados para os amigos.

E como eu gosto dos dois, aventuras e perrengues, não hesitei em aceitar o convite do meu amigo Hélio Zarske, para mais essa, pequena, mas divertida expedição.

Hélio já vinha pesquisando e buscando informações sobre a linha férrea que liga os municípios de Cianorte a Maringá. Um dos poucos trechos de ferrovia desativados no Estado do Paraná. Imagens de satélite e alguns vídeos no YouTube eram as informações levantadas. O alvo era um viaduto, entre os municípios de Cianorte e Jussara, mais precisamente sobre o Rio Ligeiro. Sabia ele, que tinha um conjunto de trilhas próximas ao pontilhão, frequentadas por trilheiros, ciclistas e motociclistas.

O Hélio é um assíduo frequentador da Serra do Mar Paranaense, e aprecia boas aventuras em áreas naturais, tanto quanto eu. Então a logística da expedição foi toda dele, só fui convidado mesmo. A data decidida foi o feriado de 1° de Maio, Dia do Trabalho, que para nossa felicidade caiu num Sábado, tendo o Domingo todo para se recuperar das dores musculares.

No nosso grupo, ainda estavam mais quatro pessoas: Márcio Paggi, José Adalton, Engelbert Fuchs (Pioco), e meu filho, João Arthur (Jota).

O combinado era sair de Campo Mourão as 07:30h da manhã do Sábado, em frente a Ovídio Pneus, na saída para Araruna. Então minha esposa Elisângela nos levou, eu e Jota ao local combinado, para esperarmos o restante da galera chegar, pois íamos de carona no carro do Adalton, junto com o Hélio. No outro carro estavam Márcio e Pioco. Saímos no horário combinado, e seguimos sem pressa para o destino. Passamos por Araruna, São Lourenço, e Cianorte. Seguimos para Jussara, e logo ao chegar no trevo de acesso ao município, logo vimos a única estrada de terra à esquerda do trevo, onde logo começamos a descer, e que descida.

Logo abaixo, já na divisa entre a lavoura e a mata, tem um pequeno descampado que serve de estacionamento para quem quer acessar o local. Deixamos os dois veículos alí mesmo, e já botamos o pé na trilha, sempre descendo. Nem 100 metros percorridos, e já avistamos os trilhos, parcialmente obstruídos pela vegetação, que toma conta devido a falta de uso. Chegamos na linha férrea e já tomamos a direção da esquerda, seguindo sentido Cianorte. Uns 30 metros de trilho e lá estava ele, o grande viaduto que transpõe o vale cortado pelo Rio Ligeiro. Uma visão incrível, com o belo rio barulhento devido às suas corredeiras, contrastando com o verde da vegetação que o cerca. Certamente uns 90 metros de comprimento, e pelo menos 40 metros de altura do viaduto em relação ao rio. Trilhos intactos, bem como toda a estrutura de aço que sustenta o viaduto, porém os dormentes de madeira aos poucos estão se deteriorando, com parafusos e pinos frouxos, alguns até nem estão no lugar, deixando alguns vãos mais expostos para os intrépidos aventureiros que decidem cruzá-lo. Chegamos ao início do viaduto e já uma surpresa. O Pioco literalmente travou, e não conseguiu atravessar o viaduto. Disse que não se dá bem com altura, e resolveu esperar sentado daquele lado do trilho. Decisão tomada, nos restou continuar sem o companheiro mesmo. Atravessamos o viaduto todo, e o Adalton, Hélio e Jota já partiram na frente, sempre pelos trilhos, ficando Márcio e eu um pouco pra traz. Um emaranhado de trilhas de moto em todas as direções, e entramos em uma a direita, acreditando ser o caminho certo. Não tínhamos mais contato visual com a galera. Então chamei pelo Jota. Ele prontamente nos ouviu e veio em nossa direção, nos alertando do erro. Retornamos com ele aos trilhos e nos reencontramos com o Hélio, que nos aguardava. Perguntamos do Adalton, e o Hélio falou que ele estava mais a frente, que não tinha parado para esperar. Seguimos então pelos trilhos, eu, Márcio, Hélio e Jota.

De repente chegamos ao "fim da linha". Um segundo viaduto, menor, mas que fôra derrubado pelas forças das águas do Ribeirão Cristalina, afluente do Ligeiro. Demos uma bela olhada, mas sem sucesso em atravessar essa precária estrutura. Toda a base do pontilhão caiu, ficando somente os trilhos metálicos, abraçados por alguns dormentes podres, com sintomas de que não durarão muito tempo pendurados por ali. E foi aí que percebemos que Adalton não tinha pegado o mesmo caminho que a gente. Uns 10 metros antes desse viaduto, entramos numa trilha de motoqueiros, à direita dos trilhos. Acreditando que Adalton tinha acessado ela, começamos a descer. Nada do companheiro. Jota sempre na frente, escutou um barulho mais alto em direção ao Ribeirão. Nisso gritou, "olha essa cachoeira pessoal". Seguimos o moleque, e nos deparamos com uma espetacular cachoeira, com uma enorme piscina logo abaixo dela. Ninguém quis entrar naquela água gelada. E ficamos um bom tempo observando e apreciando aquela beleza toda. Hélio tinha levado consigo um kit para pesca magnética, contendo um super ímã e alguns metros de paracord. Vários arremessos e nada de encontrar nenhum objeto metálico próximo da cachoeira.

Alguns minutos de contemplação, resolvemos retornar à trilha, por onde descemos. Não fomos adiante, pois nem com assobios altos o Adalton respondia. Retornamos aos trilhos próximo do pontilhão caído, e retornamos ao primeiro viaduto, o maior. Passamos pela estreita passagem que liga esses dois viadutos, escavada na rocha, onde se erguem grandes paredões verticais dos dois lados dos trilhos. Lembramos dos filmes do Indiana Jones. Visual igualmente incrível, com a vegetação tomando conta dos trilhos, alguns desmoronamentos de rochas, e alguns filetes d'água brotando das finas fendas das rochas. Chegamos novamente ao grande viaduto do Rio Ligeiro. E ainda sem notícia do Adalton. Cruzamos-o novamente, e nem sinal dele e nem do Pioco, que disse nos aguardar daquele lado. Gritos e assobios, mas nada de resposta. Subimos a trilha em direção aos carros, saindo dos trilhos, e também não estavam nos carros. "E agora, o que faremos?", perguntei aos demais. Márcio acreditava que os dois tinham tomado a direção contrária dos trilhos, sentido a Jussara, acreditando que tínhamos ido pra lá. Voltamos a descer aos trilhos, e agora fomos para a direita, sentido Jussara, gritando, chamando os dois, mas sem sucesso. Andamos um belo trecho, e a trilha acaba se separando dos trilhos, uma paralela a outra, mas sempre indo para leste, em direção a Jussara. O labirinto de trilhas de motos continuava, e de repente, próximo a dois grandes feixes de bambuzal, surge uma grande clareira, aberta por motociclistas. Mesa, bancos, churrasqueira, tudo bem montado em meio a floresta. Uma área de repouso e diversão da galera.

Paramos por ali, nem adiantava continuar por aquela grande trama de trilhas para procurar pelos companheiros perdidos. Passamos novamente pelo bambuzal, e o Jota achou uma vara de bambu, levemente inclinada, Hélio e Márcio o ajudaram a puxar, para que ele se pendurasse. Balançou uma, duas vezes, e de repente ouve-se um "craaaack". O bambu rachou e o Jota plantou as costas no chão. Gargalhadas aos gritos. Jota ganhou um belo vergão nas costas, pois caiu sobre umas pedras soltas. Fui confortá-lo, e ele disse que estava tudo bem. Retornamos subindo a trilha em direção aos trilhos e novamente aos carros. O meu celular oscilava sinal da operadora, e numa dessas tentativas Adalton atendeu. Perguntei se estava junto com o Pioco, e ele confirmou. Aí resolvi perguntar pra que lado eles estavam, e pra nossa surpresa, ele me relatou que tinham tomado a direção de Jussara, pela mesma trilha que fomos procurá-los. E que estavam já próximos da cidade, e já tinham passado pela Pedreira, próxima da cidade. Pensei: "caramba, como esses caras andaram". Comuniquei ao grupo do ocorrido, e a galera desacreditou também. Antes de desligar, Adalton falou que estavam voltando, agora pela estrada, em direção aos carros, e que demoraria um pouco, pois estavam realmente longe de nós. Cada qual estava com as chaves do seu carro, então nem podíamos ir em direção a eles com os carros, para diminuir a distância. Ficamos por ali, na sombra, bebendo, comendo, contando causos, e aguardando os dois retornarem. Falei pro Jota: " você é o mais forte aqui, por que não sobe um pouco a estrada, pra ver mais do alto se o Adalton e o Pioco estão perto ?". Jota subiu uns 100 metros e nos deparamos com uma moto descendo a estrada em nossa direção. O piloto de capacete e o passageiro sem. Quando se aproximaram, adivinha quem era o passageiro? O Adalton.

Foram avistados por um senhor de moto, morador das redondezas, que perguntou se eles estavam perdidos. Contaram o ocorrido, e o homem se prontificou a levar um deles até os carros. Adalton veio com as duas chaves, dos dois carros. Nisso o Jota vinha descendo de volta à estrada, em nossa direção. Trocamos algumas palavras com o senhor que deu essa salvadora carona ao Adalton. Ele nos contou que o local é bastante acessado por motociclistas trilheiros, e ainda nos falou de um grande enxame de abelhas que existe no viaduto, há mais de 30 anos. Falou que tempos atrás essas abelhas atacaram um grupo de trilheiros visitantes, bem em cima do viaduto. Foi um baita perrengue, pois passou na TV, segundo aquele senhor. Logo pensamos: "mais sorte do que juízo". Pois passamos várias vezes pelo viaduto, pulando, gritando, e nem percebemos a presença das abelhas. Pegamos os carros e seguimos pela estrada em busca do último companheiro perdido. Encontramos ele, já retornando, uns 2 km de onde estavam os carros. Só gargalhadas, pois perrengues à parte, estávamos todos bem.

Relataram que seguiram a trilha de motos que segue entre os trilhos e o rio, até chegar em Jussara. Mata bem fechada, e quando se viram muito distantes, saíram da trilha, cortando o mato e chegando na estrada, logo acima, retornando assim para o local de partida.

Grupo agora reunido, resolvemos retornar a Cianorte para almoçar, pois passava das 13:30h. Seguimos na frente, no carro do Adalton, e o Pioco logo atrás. Nisso o Márcio liga pra gente, avisando que tinham parado em uma churrascaria próxima ao trevo de Jussara, já no sentido Cianorte. Retornamos até eles, que nos aguardavam na churrascaria. Hora do rango, porque aquele perrengue todo nos deixou famintos.

O retorno pra casa foi super tranquilo, com menos pressa do que da ida. Adalton deixou o Jota e eu já em casa, pra depois deixar o Hélio em sua casa também. Pioco e Márcio vieram bem atrás da gente, e não nos vimos depois da saída da churrascaria.

Depois de tudo isso, foi só tomar um belo banho e tirar aquele merecido cochilo.

Mochila desfeita, mas o pensamento já está na próxima aventura, e que venha recheada de novos perrengues, pois qual é a graça de andar no mato e voltar sem ter boas histórias pra contar ??

Marcelo Knieling
Marcelo Knieling

Published on 05/05/2021 07:19

Performed on 05/01/2021

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Marcelo Knieling

Marcelo Knieling

Campo Mourão - PR

Rox
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🌎 Turismólogo 🌐 Gestor do Turismo ⛺ Aventureiro 🏔 Montanhista 💪 Escalador 🚵 Ciclista Road/MTB 📸 Aspirante a Fotógrafo 💗 @elisangela.knieling 🇧🇷 Campo Mourão - Paraná

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