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Hike Pico Paraná

Hike Pico Paraná

Convite de última hora não é só para velório !!

Hiking Mountaineering

Ataque ao Pico Paraná (1877 m.s.n.m)

"Convite de última hora, não é só para velório"



Visto que minha temporada de montanha fôra surpreendente e ao mesmo tempo desafiadora, com uma "senhora travessia" no currículo, nunca imaginaria fazer um ataque a uma das principais montanhas do Brasil, mesmo que fora da temporada.

Amigo de velha data, o Airton sempre me convida para uns pedais de Mountain Bike pelos "himalaias" da grande Campo Mourão. Convites esses irrecusáveis, tanto pela companhia, quanto pelos trajetos montanhosos a leste do município, onde nos desafiamos e contamos "causos" e histórias de nossas aventuras.

Num desses pedais, no início de outubro, logo ao nos encontrarmos no local combinado, em frente ao Cemitério Municipal, o cidadão já de imediato me faz o convite: "Vamos pro PP (Pico Paraná) de ataque no feriado do município ??" Sem pestanejar respondi que sim. Como poderia recusar tal convite.

Eu tinha uma grana guardada, para comprar uma nova sapatilha de Mountain Bike, mas pensei em adiar os planos e partir nessa empreitada. Pois seria um baita desafio a parte realizar esse ataque, ainda mais fora de temporada e com a onda de calor que estávamos passando.

Tudo acertado, fomos nos falando pelo Whatsapp. No ato do convite ele me falou que o Ricardo também iria. Amigo esse de longos tempos também.

O Ricardo criou um grupo no Whats pra irmos acertando os finos detalhes de nossa viagem.

No grupo estávamos eu, Airton Galinari, Ricardo Alleman, Carlos Dosciati, todos de Campo Mourão, e ainda Vinicios Santana, de Paranaguá, amigo do Airton.

Os feriados do Município seriam no Sábado (12) e na Segunda-Feira (14). Corri na Rodoviária comprar minha passagem só de ida no Sábado de manhã. Pois não sabia se eu iria retornar no Domingo ou na Segunda-Feira.

Meu ônibus saía de Campo Mourão no Sábado a noite, as 22:00h, e o ataque ao PP seria no Domingo já ao alvorecer. Portanto teria que descansar durante a viagem, no ônibus, pois passaria a noite na estrada. E é claro que eu não descansei nada, pois aquela ansiedade que precede a qualquer aventura, somada ao fato de eu dormir e perder o local combinado do meu desembarque em Curitiba (que não seria na rodoviária), fez com que eu dormisse quase nada durante a viagem. Apenas cochilos rápidos.

Desembarquei no local combinado com o Airton, no Chafariz, no início da Avenida Silva Jardim, onde no embarque comuniquei o motorista do meu local de parada. Desci do ônibus às 05:10h e de imediato liguei pro Airton. Nem 5 minutos depois o carro do Carlos encostou, já com os quatro devidamente preparados, e eu embarquei. Me perguntaram se eu iria me trocar. Respondi que já estava pronto para a trilha, que só me faltava água, mas que pegaria na Fazenda. Partimos direto pra Serra. Paramos num Posto de Combustível para tomar um café preto e comer algo. Coisa de 20 minutos já estávamos na estrada novamente.

Chegamos na Fazenda Pico Paraná as 06:30h. Só fui pegar a água e os demais foram assinando o caderno de registro de acesso ao Parque. Sim, o Pico Paraná fica em um Parque Estadual, mas o acesso é por propriedades particulares no entorno do mesmo.

Todos registrados formalmente, inclusive eu, tiramos a foto da partida, e as 07:00h em ponto botamos o pé na trilha. Grupo homogêneo, todos muito fortes, iniciamos a marcha com a adrenalina a mil. Em 50 minutos de trilha já estávamos no Morro do Getúlio. Uma bela caminhada. Apenas umas fotos para registros, logo avistamos a Represa do Capivari, com o nível de água extremamente baixo. Resultado da grande estiagem dos meses anteriores. Mais 10 minutos e chegamos no cruzo do PP com o Caratuva. Lá tiramos umas fotos e encontramos um casal, indecisos se prosseguiam ou se retornavam. Estavam sentados nas pedras onde paramos para cozinhar em 2018 (Weber e Ferty vão se lembrar).

De volta a trilha, com o mesmo ritmo, logo às 08:40h alcançamos a "janela do PP", local de onde se avista o Conjunto Ibiteruçu pela primeira vez durante a caminhada. Para os marinheiros de primeira viagem, é uma visão deslumbrante do que ainda está por vir. Na verdade, encanta a todos, mesmo já conhecedores da trilha e da montanha.

Por volta das 09:40h já tínhamos passado pelo A2 (Acampamento 2) e Casa de Pedra (Ponto de Referência e último local com água no decorrer da subida). Nesse momento eu dei uma acelerada e já não vi mais os rapazes pra trás. Mantive o ritmo e acredito que pararam para fotos, pois o visual naquela manhã estava espetacular.

Pontualmente às 10:20h cheguei ao cume do ponto culminante do Paraná e do Sul do Brasil. Minha segunda ascensão ao Pico Paraná, e com um tempo inacreditável, até pra mim. 03 horas e 20 minutos de caminhada a partir da Fazenda. Lá no alto encontrei dois guris de Curitiba, e logo depois mais quatro pessoas, três homens e uma mulher, vindos do União. Trocamos algumas palavras e eles já desceram. Nisso, 20 minutos depois de eu chegar, botam o pé no cume os outros rapazes. A dupla de Curitiba ainda ficara no cume. Fiquei lá no alto durante 01 hora e 25 minutos, tempo suficiente para almoçar meus dois "pão com queijo" e uma pequena barra de chocolate. Me hidratei com um isotônico, e ainda sobraram duas das quatro barras de cereal que vim mordiscando durante a subida.

O visual estava absolutamente fantástico. Pouco vento, algumas nuvens baixas, mas a temperatura passava de 35°C naquele dia.

O pessoal ficou encantado, eufórico, deslumbrado, com tanta beleza cênica em meio a Floresta Atlântica. Outro fato, que não foi nenhuma surpresa, é que o caderno de cume estava absolutamente cheio. Sem nenhuma meia página para qualquer registro. Assinamos nossos nomes na capa mesmo. Durante toda a trilha se ouvia as Arapongas, "martelando" seu canto que ecoava por kilômetros Serra a dentro. Época de reprodução da espécie, portanto todo esse estardalhaço. Outro destaque na imensidão verde ficou por conta da florada do Ipê-Anão-Amarelo. "Pixels" amarelos tingindo aquela grande tela verde.

As 11:45h, depois de muita contemplação e é claro, muitas fotos, decidimos iniciar a descida. Todos alimentados, hidratados e deslumbrados pela paisagem ímpar, que só observa quem sai da sua zona de conforto. As 12:20h já estávamos de volta ao A2. Paramos na Casa de Pedra para mostrar pros três que não conheciam o PP. Uma ruína de construção datada da década de 80, que serviu de abrigo de montanha contra as intempéries do clima da serra. Feita em blocos de granito, unidos por cimento, é uma curiosa construção naquela altitude.

Logo após passar pela Casa de Pedra, descendo a trilha, eu errei a pisada num lance de rochas expostas, deslizei o pé da frente e deitei na trilha. Baita tombo. Bati a bunda em outra rocha, bati o pulso direito no chão, e minha garrafa d'água ao lado da mochila voou longe. Pessoal preocupado, mas apenas um susto. Logo voltamos a marcha. Após algumas paradas táticas, para o abastecimento de água, passamos pelos quatro que encontrei retornando do cume ( os três homens e a mulher). Falando nisso, encontramos muita gente retornando do PP, por ser um Domingo. Pessoal que sobe no Sábado, acampa no cume ou A2, e retorna no Domingo. A forte presença feminina foi espantosa. Muita mulher fazendo a trilha, quase na proporção dos homens.

As 15:20h retornamos para a Fazenda, já bem cansados da forte pernada. Sentamos na área da casa do Dilson, já tirando as botas, meias, e camisas. Nisso ele nos pergunta: "Vocês gostam de pão com ovo e queijo ??" Olhamos uns para os outros e sorrindo respondemos: "Coloque então dois ovos em cada pão"... O melhor pão com ovo e queijo que já comi na vida… Rsrs.

Um descanso merecido e fomos no arroio, nos fundos da casa/lanchonete da Fazenda, para molhar os pés naquela água gelada que serpenteia a serra. Já às 16:40h embarcamos sentido Curitiba novamente.

Carlos deixou o Ricardo no endereço da irmã dele, e deixou eu, Airton e Vinicios no Apartamento do Airton. Tomamos um banho e o Airton fez um café, pra dar uma amenizada no cansaço. Eu tinha levado uma troca de roupa, que deixei no carro. Pra pelo menos voltar limpo no ônibus. Os dois iriam descer para Paranaguá naquele dia ainda. Por volta das 19:30 aproveitei a carona e literalmente pulei do carro perto da rodoviária. Aproveitando o semáforo fechado, desci correndo do carro, pois o trânsito estava tenso no momento. Sem chances de estacionar. Fui até o guichê e comprei a passagem de volta. O ônibus sairia às 21:40h. Fiquei ali, descansando e repassando as fotos que tirei durante a aventura. O ônibus chegou, embarquei e adivinhem ?? Não descansei nada na viagem de volta. Com medo de passar da cidade destino… Rsrsrs. Chegando em Peabiru, já próximo de Campo Mourão, já passava das 05:00h da manhã de Segunda-Feira. Liguei pra minha esposa que foi de carro me buscar na rodoviária. Cheguei em casa, tomei um banho e "desliguei"... Acordei para jantar, e dormi denovo. Terça-Feira tinha que trabalhar cedo.

Resumindo essa aventura apenas uma palavra: FANTÁSTICA !!

Se eu repito ?? CLARO QUE SIM !!

Grato aos companheiros de empreita, Airton, Ricardo, Carlos e Vinicios, pela companhia e paciência. Aguardando convites em cima da hora novamente… Rsrsrs

Marcelo Knieling

@marceloknieling

marceloknieling@gmail.com

Turismólogo de formação.

Montanhista de coração.

Marcelo Knieling
Marcelo Knieling

Published on 02/15/2020 21:07

Performed on 10/13/2019

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Marcelo Knieling

Marcelo Knieling

Campo Mourão - PR

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🇧🇷 CEO KN ADVENTURE 🌎 Turismólogo 🌐 Gestor do Turismo ⛺ Aventureiro 🏔 Montanhista 💪 Escalador 🚵 Ciclista Road/MTB 📸 Aspirante a Fotógrafo 💗 @elisangela.knieling

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