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Cicloviagem Analândia

Cicloviagem Analândia

Cicloviagem curta até o morro do Cuscuzeiro em Analândia

Bike Trip Camping

Diários de Bicicleta
Sexta feira, tudo pronto para a ciclo viagem até Analândia, ou quase tudo...
Alforjes e tralhas presos no bagageiro, bicicleta checada e ansiedade a mil. Quase não durmo direito esperando o dia seguinte.
Uma ciclo viagem relativamente curta, em média 120 km, se não fosse pelo caminho escolhido.
Ir de Araras a Analândia pela serra de Corumbataí, um trajeto feito em 10% de asfalto e restante por estradas de terra. Ou melhor, boa parte em “areião”, principalmente no trecho da serra de Corumbataí.
No sábado, pulo da cama as 5 da manhã, tomo um belo café, checo a previsão do tempo
(de novo) e saio.
Tudo tranquilo na saída e ainda me acostumando com os 25kg de bagagem, é isso mesmo 25kg...
A ideia era fazer a viagem autossuficiente, levando além da bagagem pessoal, ferramentas, materiais para acampamento, cozinha, alimentação e água. Com exceção da água, o restante foi preparado para me suprir por 3 dias.
Já no primeiro trecho subindo o “tobogã” indo para a mata negra entre Araras e Ajapi, encontrei com alguns ciclistas que fazem esse percurso rotineiramente, além dos cordiais “bom dia”, ouço também a frase: “tá carregado hein? Haja perna...” dou aquele sorriso orgulhoso e sigo viagem no meu ritmo.
No segundo trecho, de Ajapi a Ferraz, aquela descida maravilhosa que me fez com o vento, sentir a vida pulsando dentro mim.
Dali em diante o trecho é tranquilo até Corumbataí, paisagem rural e estrada bem bucólica. Decidi não parar em Corumbataí, pois eu estava “sobrando” e fui direto para serra.
A partir daí, o trecho se tornava desconhecido por mim e logo de cara começa o calvário...
Uma subida forte interminável, e quando termina, logo vinha outra na sequência...
E aí que começa o solo arenoso, areia fofa mesmo, a frente da bicicleta se perdia debaixo de mim, nada incontrolável, mas em alguns momentos pensei que ia sentir o gosto e a textura daquela areia...
O sol já se mostrava imponente e eu subindo cada vez mais naquela estradinha de areia pensando na descida que não vinha.
De repente, tudo que sobe, desce... Voilá...
Mas não na intensidade desejada. Se já estava complicado subir, descer se tornava ainda mais perigoso. Alguns caminhões que por mim passavam, além do banho de poeira, seus motoristas faziam cara de perplexos por me verem ali com toda aquela bagagem em cima de uma bicicleta.
Após passar pela mineradora, de onde se extrai toda aquela areia. Começo a vislumbrar Analândia e com mais alguns “mais sobe do que desce” chego na entrada da cidade.
Parada para fotos e logo avisto meu destino, o morro do Cuscuzeiro, nesse momento me veio uma sensação de euforia, pois estava muito próximo do meu destino, só mais uns quilômetros e já chegaria. Salvo engano pois esses quilômetros apesar de serem em asfalto era uma outra subida interminável.
Devagar e sempre subo a estrada da serra, sendo inclusive incentivado por alguns veículos que por ali passavam. Depois de algumas paradas estratégicas, pois nessa hora o sol estava a pino, cheguei no camping Pedra Viva, aos pés do cuscuzeiro.
Ao entrar na recepção, não pensava em outra coisa a não ser uma coca bem gelada.
E assim foi...
Desci até a área de camping, e ouvi ao fundo: “olha lá o doido que a gente cruzou na estrada...”
Ha ha, e o doido chegou!
Encontrei um local bacana, armei o acampamento, alguns curiosos se aproximam fazendo perguntas e logo fui preparar meu almoço, pois estava virado de fome.
Aí veio o descanso merecido!
Passei o restante do dia meio que morgando e assimilando o feito.
Dormi cedo...
Já no domingo, acordei bem cedo também, preparei meu café olhei para cima e disse: “só o cume interessa...” rsrs Bora subir o Cuscuzeiro!
Uma trilha íngreme, mas tranquila e segura até a base onde se começa a escalada.
Algumas fotos, alguns escaladores a postos e a notícia do “cara da bicicleta” já tinha chegado lá em cima antes de mim...

Passei um tempo lá em cima contemplando a vista, desci e fui explorar o local, que é muito bonito e agradável.
Já no final da tarde, após ter preparado um belo almoço, olho e vejo um casal que estavam acampados próximo de mim, descendo a estradinha para o lago com o carro...
Logo vi que que ia dar merda, pois ali era pura areia fofa...
Dito e feito, mesmo eles tendo desistido a tempo de fazer algo pior, o carro atolou...
Depois de observar umas tentativas frustradas e em vão de sair dali, fui ajudar...
Analisamos a situação e em equipe calçamos o carro até conseguir tirá-lo de lá...
Foi prazeroso ajudar os jovens e ainda fui recompensado com duas cervas trincando...
Colhi minha lenha, já pensando na fogueira da noite e após jantar acendi a fogueira para contemplar o fogo planejando minha saída e retorno para casa.
Segunda feira, acordo cedo para não perder o costume, enquanto preparo meu café já começo organizar os alforjes e as tralhas na bicicleta, pois a volta seria tão dura quanto a ida.
Dessa vez distribui melhor o peso entre a dianteira e traseira da bicicleta, o que me deu um melhor controle sobre ela... Vivendo e aprendendo!
Tudo pronto é hora de partir...
A volta seria mais tranquila, pois a maior parte que subi na ida agora se tornaria descida, mas aquela areia da serra de Corumbataí me deixava tenso, e não por menos.
Pois se subir já estava difícil, descer iria ficar mais perigoso ainda.
Cheguei em Corumbataí, mais rápido, pois ao contrário do que pensei já estava “dominando” a areia, claro sem perder o respeito. E fui direto para Ferraz.
Ali parei para descansar e tomar a famigerada coca gelada na venda, pois em seguida vinha a subida para Ajapi. Que foi vencida de sem maiores problemas.
Chegando na mata negra, já cansado de pedalar pela manhã toda, veio aquela falsa subida interminável até o tobogã... e daí para a frente, como o nome diz... foi só soltar na ladeira.
Logo chego em Araras e consequentemente em casa, cansado, muito cansado.
Mas já pensando em qual será a próxima aventura.
Nessa viagem conheci, descobri e aprendi muita coisa...
Conheci lugares e pessoas fantásticas pelo caminho, meus limites.
Descobri que sou mais forte do que imaginava, descobri músculos que não havia sentido antes. Descobri que o melhor está no caminho e não destino e que melhor que sair, é ter para onde voltar.
E principalmente aprendi que com uma bicicleta eu posso rodar o mundo!
E vou!!!!

Marco Gabri
Marco Gabri

Published on 01/10/2020 17:20

Performed from 07/27/2019 to 07/29/2019

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Marco Gabri

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Araras

Rox
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Um Marco, Uma bicicleta e Uma vontade incontrolável de Conhecer o mundo...

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