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Travessia Cassino X Chuí

Travessia Cassino X Chuí

2 etapa da rota do faróis, realizar a travessia Cassino x Chuí conhecendo seus faróis e belezas da região.

4 x 4 Off-Roading

Travessia Cassino x Chuí:

Dia 1- Saímos de Guaíba no início da tarde de sexta-feira, rumo à Praia do Cassino, via BR 116. Levamos pouco mais de 4h de deslocamento até nosso ponto de descanso e preparação (Camping Nevesul - contato Fábio 53-98151.8955), para iniciar a travessia na manhã de sábado.

Dia 2 - Acordamos às 7h30mim para tomar café e arrumar as coisas, pois estávamos em 2 carros, mas somente 1 faria a travessia, por ser 4x4 e adequado ao tipo de terreno que iríamos encontrar. Levamos somente o necessário para nossa alimentação e hospedagem, pois estaríamos em 4 pessoas dentro de um Jimny, e tentamos ir o mais confortável possível, já que passaríamos o dia em travessia.

Saímos às 8h30min rumo ao nosso destino final, Chuí, parando para conhecer as belezas da Praia do Cassino.

Após rodar 15km, encontramos o Navio Altair (aprox. 24km dos molhes ou 15km do Cassino). É histórica a ocorrência de naufrágios na região, havendo diversos relatos desde 1525. Em 06 junho de 1976, o navio cargueiro brasileiro Altair, carregado com 3,4ton de trigo, encalhou na areia, a cerca de 250m da beira da praia, durante uma tempestade, e, até hoje, seus restos permanecem no local. O navio havia saído do Porto de San Pedro/AR, com destino a Natal/RN, e, após deixar o estuário do Rio da Prata e ingressar em mar aberto, foi atingido por um anticiclone e um ciclone extratropical. Os seus 21 tripulantes foram resgatados por pescadores. A frequência de naufrágios diminuiu com a construção dos faróis na, até então, costa às escuras. Atualmente, os naufrágios que ocorrem são de barcos de pesca, ocasionados pelo vento do sul-sudeste, que, por jogar pedaços de madeira na praia, ficou conhecido por carpinteiro da Costa.

Mais 41km de travessia, e chegamos ao Farol Sarita (aprox. 63km dos molhes ou 54km do Cassino). Construído em 1909, com 26m de altura, fica próximo à Reserva Ecológica do Taim e recebeu o nome de um navio afundado no local. Vítima de ferrugem, foi substituído em 1929. Em 1952, foi inaugurada a atual torre de alvenaria, com 37m de altura. Não foi possível subir no farol, pois a porta foi fechada com pedras e concreto.

Após outros 35 km, chegamos ao Farol Verga (aprox. 104km dos molhes ou 95km do Cassino). Construído em 1964, possui 11m de altura. Seu funcionamento é automático, sendo desabitado.

Mais 30km, e chegamos ao ponto principal e mais esperado da nossa travessia, o encantador Farol Albardão (aprox. 133km dos molhes ou 124km do Cassino). Encontramos a porteira trancada, mas, logo após nossa chegada, veio ao nosso encontro um oficial da Marinha do Brasil, o Sr. Cosme, para conversar conosco e informar que não poderíamos adentrar as dependências do farol devido à pandemia.

Ele nos pediu mil desculpas por não podermos entrar, mas não deixou de enriquecer nossa cultura e conhecimentos com as histórias do Albardão, seus piratas, naufrágios, visitantes e muitas histórias maravilhosas. Construído originalmente em 1909 e substituído em 1949, possui 44m de altura, sendo o mais alto e mais isolado dentre os 21 faróis da costa gaúcha. Localizado na faixa de areia entre a Lagoa Mangueira e o Oceano Atlântico, fica distante 70km da comunidade mais próxima, Hermegenildo. Há algumas hipóteses sobre o seu nome. Poderia ter origem na palavra árabe Albarda, que significa um tipo de sela para cavalos. Também designa o terreno de dunas com corcovas suaves. Conforme o faroleiro Cosme, seria em decorrência do nome de um pássaro que vivia na região, hoje extinto.

Até o Farol do Albardão, a beira do mar onde nos deslocamos de carro é praticamente plana e compacta, a areia parece asfalto, porém, a partir desse ponto, começamos a encontrar os conchais, aglomeração de conchas quebradas que cobrem a areia e se transformam em um atoleiro para o carro.

Além da faixa de areia diminuir de tamanho e criar um grande degrau próximo da água. O trajeto de 80 km exigiu muita atenção, estávamos controlando o horário da maré e as marcas na areia, para saber até a onde ela chegaria, pois precisávamos chegar ao nosso ponto de descanso antes da maré subir.

No trajeto, encontramos diversas espécies de pássaros, além de muitas focas, infelizmente muitas delas já mortas.

Próximo das 16h, após rodar uns 220 pela areia, chegamos à Barra do Chuí e o seu farol, o Farol da Barra do Chuí, na divisa com o Uruguai.

Caminhamos pelos molhes e conhecemos o local, e depois fomos para o camping e cabanas da Sra. Maysa, onde dormiríamos (Cabanas Estrela do Mar - contato Maysa 53-9952.5396). Cansados, porém muito realizados, descansamos para iniciar o retorno e visitar mais alguns pontos no dia seguinte.

Dia 3 - Programamos sair do Hermenegildo rumo ao Cassino em torno das 8h, porém, quando fomos nos despedir da Sra. Maysa e verificar onde era o posto de gasolina mais próximo para abastecer, ela nos informou que teríamos que ir até Sta. Vitória do Palmar, cerca de 20km dali, pois no Hermenegildo não tem posto. A Maysa e seu esposo, pescador acostumado com a região, também nos deram ótimas dicas para conseguirmos chegar aos pontos que não visitamos na travessia do dia anterior. Então lá fomos nós.

Após abastecer (gasolina bem cara, por sinal) e retornar à beira do mar, rodamos cerca de 21km para encontrar a entrada da Lagoa Mangueira (dica do esposo da Maysa: um container velho proximo às dunas bem no acesso para a lagoa, aprox. 180km do Cassino). Mais uns 3km pela areia e mangues, chegamos à beira na lagoa, linda demais, uma beleza única.

A Lagoa Mangueira faz parte do complexo lagunar das Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim, mas se diferencia delas por não ter acesso a nenhum rio nem ao oceano. Sua água, espalhada por 123km de extensão e 820km2, provém da chuva e de lençóis freáticos, fazendo com que ela tenha uma coloração verde-clara, quase transparente. Parte da lagoa fica dentro da Reserva Ecológica do Taim. É reconhecida pela Unesco como reserva natural da biosfera, povoada por diversas espécies aquáticas, de aves e também pela capivara. É também berço de uma microalga benéfica para a saúde humana, a spirulina, capaz de absorver grande quantidade de poluentes da atmosfera, graças a seu PH elevado. No Brasil, o único canteiro natural dessa alga é a Lagoa Mangueira, já que em nenhum outro lugar encontra condições ideais para se proliferar.

Rodamos mais 20km pela beira da praia e ficamos de olho nas dunas e florestas de pinheiros, pontos que sinalizam onde as ruínas do hotel estão, quase escondidas pela areia (aprox.160km do Cassino). Construído na década de 1950, na tentativa de formar um balneário urbanizado e uma rota turística, acabou sendo abandonado. Diz-se que vive ali o Sr. Ismael Sosa, conhecido como castelhano. Ele teria sido contratado como vigilante pelo proprietário de uma embarcação, a Dona Yayá, que encalhou próximo ao local em 1992. Após Ismael morar por um ano na embarcação, o proprietário teria desistido do

barco, que foi saqueado, restando somente parte do seu casco. Então, Ismael teria passado a morar nas proximidades do hotel abandonado (não encontramos com ele por lá...). É preciso ficar de olho no campo de dunas, pois o hotel fica a uns 300m do mar e um pouco escondido, sendo possível avistar apenas um pouco do telhado, porque está praticamente coberto pela areia.

Paramos para almoçar em frente ao Farol do Albardão. Montamos os fogareiros em meio às dunas e cozinhamos um ótimo almoço.

Depois do almoço, rumo aos Molhes da Barra do Cassino, ponto final da viagem pela beira da praia. Depois de 114km, chegamos aos molhes, onde queríamos andar de vagoneta, mas, devido à pandemia, não estão operando. O Molhe de Rio Grande/Cassino (molhe oeste) foi idealizado em 1909 e construído efetivamente em 1915 e tem 3.160m de extensão. Juntamente com o Molhe de São José do Norte (molhe leste), este com 4.520m de extensão, tem a função de delimitar um canal seguro para acesso ao complexo portuário de Rio Grande. As pedras foram trazidas de Capão do Leão e Monte Bonito, através de uma linha férrea que chegava até o local. O canal possui 500m de largura e 12m de profundidade, e, por ele, passam anualmente cerca de 2.200 navios. No Molhe de Rio Grande, existem trilhos e vagonetas, movidas à vela, para transporte de pescadores esportivos e turistas.

Viagem incrível, com amigos espetaculares, tudo deu certo, conforme planejado, mas estávamos equipados com pá, prancha para desatolar, cabo de reboque, e caixa de ferramentas para alguma necessidade. Montamos um roteiro e calculamos pontos de parada com suas distâncias em km, pois é um trajeto muito grande, num terreno desabitado, e estamos na mão da mãe natureza... ventos, tormentas e viração do mar são comuns no Cassino. Portanto, antes de uma travessia como esta, tenha equipamentos adequados (principalmente não tente ir sem um carro 4x4), uma navegação organizada e um plano de contingência, além de pessoas avisadas do horário de saída e retorno. Lugares assim requerem cuidados especiais.

Marina Brum
Marina Brum

Published on 08/26/2020 22:05

Performed from 08/21/2020 to 08/23/2020

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2 Comments
Alexandre Janner 08/27/2020 06:53

Que demais, Marina! Parabéns pela aventura e pelo relato! 👏👏👏

James Polz 11/04/2020 06:51

Muito legal Marina!!!! Também quero!!!