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Travessia Farol Da solidão X Farol Da barra( SJ Do Norte)

Travessia Farol Da solidão X Farol Da barra( SJ Do Norte)

1 parte rota dos faróis.

4 x 4

Travessia Farol da Solidão x Farol da Barra de São José do Norte

Saímos de Guaíba às 7h de sábado, dia 08 de agosto, rumo à Lagoa do Bacopari, ou Bacupari, nossa primeira parada. Nos deslocamos pela RS 040 até a rótula de Capivari do Sul, logo após o posto da PRF, onde dobramos à direita na BR 101, sentido Palmares do Sul.

Após cerca de 50km pela BR 101, chegamos à estrada que dá acesso à Lagoa do Bacopari. É preciso ter cuidado para não passar a entrada, embora haja algumas placas de identificação.
A Lagoa do Bacopari, situada na planície costeira do RS, no litoral norte médio, pertencendo ao município de Mostardas, é um importante reservatório de água doce.
Lagoa de águas cristalinas e calmas, fica em um vilarejo com muitos campings e pousadas, com grande movimento nos meses de verão, e quase desertos, alguns inclusive fechados, no restante do ano. Tudo muito simples, sem luxo, mas com diversas opções.

Saímos da Lagoa, retornamos à BR 101 e rodamos mais uns 30km em direção à Praia da Solidão, ou vilarejo de pescadores da Solidão. Nosso objetivo era conhecer o Farol da Solidão e dali pra frente conhecer todos os faróis até São José do Norte, incluindo faróis do mar e faróis da Lagoa do Patos.
Só há placa de sinalização do acesso ao vilarejo para quem se desloca no sentido São José do Norte-Capivari do Sul. No nosso sentido, o contrário, não havia placa. Tínhamos pesquisado que havia uma pequena gruta, no lado direito da BR 101, bem em frente à estradinha de chão, que fica do lado esquerdo, mas a gruta fica um pouco pra dentro, mais longe do asfalto, e por isso não a vimos. Acabamos passando alguns km do acesso, mas, estranhando a distância percorrida, resolvemos dar a volta e retornar. Dessa vez, sim, vimos a placa e a gruta. Importante dizer que não há sinal de internet na maior parte do trecho percorrido, então não tente se guiar somente pelo GPS online.
Chegando ao vilarejo, uma pequena vila de pescadores, com cerca de 700 casas, localizada a 8km de estrada de chão desde a BR 101, tratamos de pegar informação com os moradores locais, eles sempre dão a melhor informação. Nos informaram que poderíamos ir pela beira do mar até o Farol de Mostardas, que seria tranquilo, pois eles tinham feito esse trajeto de moto um dia antes, informação quentinha.
Eles também nos informaram que havia mais um farol na beira do mar no trecho anterior, que eles chamaram de farol de duna alta. Acredito que seja o Farol Rubem Berta. Como já havíamos passado dele, acabamos não voltando para conhecê-lo.
O apelido de "Cemitério de Navios", dado ao trecho compreendido entre Quintão e Mostardas, é a mais pura expressão da realidade, as várias embarcações por ali encalhadas falam por si.
Localizado na Praia da Solidão, cerca de 60km a nordeste do balneário de Mostardas, o Farol da Solidão, farol de mar, veio preencher uma lacuna na iluminação costeira entre os faróis de Cidreira e Mostardas. Nessa época, o Farol e a casa do faroleiro eram os únicos traços da presença humana no local.
Sua primeira torre, datada de aproximadamente 1916, foi uma armação de ferro de 17 metros de altura, com lanterna à gás acetileno da marca sueca AGA. Em 1949, a antiga torre, vitimada pela ferrugem, foi substituída pela atual, de concreto em formato cilíndrico, pintada em vermelho, com 21 metros de altura. No topo, uma lanterna, com alcance de 19 milhas náuticas, opera alimentada por energia solar.
Embora operando automaticamente desde sua inauguração, foi guarnecido por faroleiros até 1986, sendo hoje desabitado.

Saindo do Farol, seguindo as dicas recebidas no vilarejo, rodamos 60km pela beira do mar. Muitas gaivotas, focas e pinguins nos acompanharam por todo o litoral, além de alguns pescadores ao longo do caminho. Diz-se que também é possível encontrar muitas tartarugas marinhas, porém, talvez por não ser a época certa, não as vimos.
Chegamos ao Farol de Mostardas, também farol de mar. Fomos até a entrada e encontramos um oficial da Marinha que estava de folga e com a família, mas fez a gentileza de nos deixar entrar para tirar uma foto bem de pertinho. Como sempre, a Marinha muito atenciosa. Infelizmente o acesso ao interior do Farol está proibido devido à pandemia do COVID-19. Em outras épocas, é possível acessar sua estrutura e subir ao topo para ver o seu funcionamento e a bela vista do litoral.
O Farol de Mostardas, a 20km do balneário de Mostardas, foi encomendado da França em 1887 e inaugurado em 1894, com uma torre de ferro de 33 metros de altura. Vítima de ferrugem como outros exemplares, foi substituído em 1940, pela atual torre em formato cilíndrico, pintada de preto e branco, com 38 metros de altura. Para ele, foi transferida a lanterna da antiga torre. É guarnecido por um faroleiro da Marinha.

O oficial da Marinha falou para irmos por mais 5km pela beira do mar e depois entrar em uma estradinha que leva ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe, pois, devido ao escoamento do rio por causa da safra, não conseguiríamos seguir pela praia.
Após exatos 5km, adentramos à direita sentido Lagoa do Peixe. Fomos costeando a Lagoa por uns 10 km até acessar novamente a BR 101. Paisagens lindas, com dunas de um lado, Lagoa do outro.
O Parque Nacional da Lagoa do Peixe foi criado em 1986, em uma área de cerca de 344km2. Ecossistema costeiro e marinho, é um refúgio para aves migratórias da América do Sul, sendo o flamingo a ave símbolo do Parque.
A Lagoa do Peixe - uma laguna, por ter ligação com o mar na maior parte do ano - possui 35km de extensão e, além de refúgio para aves, é abrigo de mamíferos como graxains, tatus e pequenos roedores.

Pegamos a BR 101 novamente, sentido Tavares, rumo ao Farol Capão da Marca, que fica na beira da Lagoa dos Patos.
Entramos pelo acesso da fazenda Dois Irmãos. Abrimos e passamos por duas porteiras até chegarmos na fazenda, onde uma senhora muito atenciosa nos explicou como chegar à beira da Lagoa e ao Farol, através de sua fazenda. Passamos uma nova porteira, energizada, e, após uns 3km pela beira da Lagoa, encontramos o Farol Capão da Marca, cerca de 11km a sudoeste de Tavares.
Em 1827, foi encaminhado ao Imperador D. Pedro II o pedido para a instalação de faróis na região. Sem o apoio financeiro esperado, o governo da então Província de São Pedro do Sul deu seguimento ao projeto com os poucos recursos disponíveis.
Vinte e dois anos depois, entraram em operação os primeiros faróis da Lagoa, entre eles o Capão da Marca. Inaugurado em 1849, pelo próprio Imperador, com uma torre de madeira com pouco mais de 7 metros de altura, equipada com um lampião, cuja luz tinha alcance de 5 milhas náuticas.
Em 1881, foi inaugurado o novo Farol, uma torre tubular de ferro, de 14 metros de altura, pintada de branco, com alcance de 11 milhas náuticas. Foi automatizado em 1926.
Parece arrombado e abandonado, pois a porta encontra-se aberta, sem equipamentos e algumas pichações. Foi possível subir e avistar a imensidão de areia e de água da Lagoa dos Patos.

Saímos do Farol pelo sentido contrário ao que chegamos, em direção ao rio. Atravessamos ele e entramos para o lado da cidade de Tavares, onde ficamos hospedadas na Pousada Paraíso, localizada na avenida principal da cidade, bem perto na praça (Av. 11 de Abril, 183 - contato Prof. Lourdes - 51-998088839). Fomos jantar no Totta’s Café, com comida boa e valores justos, várias opções de pratos com frutos do mar, recomendo.

Acordamos cedo no domingo, às 7h, para seguir viagem, pois iríamos ainda até São José do Norte. Primeiro problema: o posto de combustíveis de Tavares só abre às 9h. Pesquisamos e descobrimos um posto em Bojuru, distrito de São José do Norte. Após pouco mais de 50km, encontramos o posto, dentro da cidade.

Mais cerca de 75km pela BR 101, chegamos em São José do Norte. Lá, visitamos o Farol Atalaia (farol antigo), o Farol da Barra (farol em funcionamento), o molhe leste e a Igreja Matriz.
O Farol Atalaia foi construído em 1820. Constituído de sambaquis (conchas), no seu topo era queimada lenha para orientar os navegadores. Conta-se que piratas acendiam fogueiras para confundir e encalhar os navios e posteriormente saqueá-los.
Já o atual Farol da Barra foi inaugurado em 1896, uma torre troncônica metálica, pintada de preto e branco, com 31 metros de altura. Seu facho luminoso alcança 16 milhas náuticas. Ambos estão localizados na Povoação da Barra, em São José do Norte.
O Molhe de São José do Norte (molhe leste) possui 4.520km de extensão e, junto com o molhe de Rio Grande (molhe oeste), delimita um canal seguro para acesso dos navios ao complexo portuário de Rio Grande.
Por fim, a Igreja Matriz de São José do Norte, anteriormente chamada de Nossa Senhora de Navegantes. Linda, em frente à Praça Municipal, a Praça Intendente Francisco José Pereira. Foi construída entre 1800 e 1820, com materiais trazidos de Portugal. Possui estilo barroco colonial, com detalhes em neoclássico. Suas duas torres quadrangulares podem ser vistas da Lagoa dos Patos por quem chega a partir de Rio Grande.

Demos mais algumas voltas por São José do Norte e então retornamos à BR 101 para começar nosso trajeto de volta, não sem antes tentar visitar o último farol do nosso roteiro, o Farol Cristóvão Pereira, ou Farol do Rincão.
Há uma estrada de acesso bem identificada junto à BR 101. Seguindo pela estradinha, também há várias placas indicando o caminho. Vários trechos, porém, são de areia e de difícil circulação por veículos que não sejam 4x4.
Chegando à beira da Lagoa dos Patos, começamos a percorrer sua margem sentido ao Farol. Bastante barro e areia fofa. Conseguimos chegar bem próximo a ele, mas, por estarmos sozinhas, sem quem pudesse nos rebocar em caso de atolarmos, optamos por não seguir até o fim do trajeto. Nos contentamos com sua visão mais ao longe, em meio à água da Lagoa, tiramos algumas fotos e começamos a retornar pelo mesmo caminho pelo qual chegamos.
O Farol do Cristóvão Pereira, localizado no Rincão do Cristóvão Pereira, cerca de 25km a oeste do balneário de Mostardas, começou a ser construído em 1858 e foi concluído em 1886. Entrou em funcionamento entre o ano seguinte e 1888, permanecendo ativo até hoje.
Em alvenaria, com torre de planta quadrada caiada de branco, possui 28 metros de altura e alcance de 13 milhas náuticas. Em 1992, as instalações destinadas ao faroleiro e sua família foram demolidas, e as portas e janelas da construção foram fechadas com tijolos.
Para fechar com chave de ouro nosso passeio, enquanto retornávamos até a BR 101, seis cavalos começaram a correr ao lado do nosso carro, acompanhando uma velocidade de quase 60km/h.
Assim encerramos uma parte da rota dos faróis da costa oceânica e lagunar do RS e seguimos nosso rumo de volta a Guaíba.

Marina Brum
Marina Brum

Published on 09/20/2020 20:34

Performed from 08/08/2020 to 08/09/2020

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Alexandre Janner
Alexandre Janner 09/21/2020 10:37

Mazaaahhhh! Parabéns

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 09/23/2020 22:43

Bom ver a galera do 4x4 presente aqui!! Belo relato!