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Myka Oli 07/28/2021 23:01
Travessia Marins X Itaguare Em 2 Dias

Travessia Marins X Itaguare Em 2 Dias

Travessia realizada com o grupo Sobreviventes das Trilhas, guiada pelo Milton.

Camping High Mountaineering Trekking

Essa trilha foi realmente um desafio, onde de início ela seria uma travessia no Paraná e devido a pandemia dia 28/03/2020 foi cancelada e até hoje não está liberada.

Organizamos no grupo uma data e ficou confirmado, Marins x Itaguaré, mas esquecemos que a maioria estava parada desde o inicio da pandemia e com um físico vagabundo. HAHAHAHAHA
Mas ainda assim, sobrava tempo para alguns treinos, e assim foi, cada um se preparou como conseguiu e alguns entraram no grupo na semana do evento por estar sobrando vaga na Van e concluímos uma equipe de 11 aventureiros e o nosso guia Milton.

Eu como vivo na correria, voltei da Chapada dos Veadeiros na terça, trabalhei normal quarta e quinta feira fui vacinada com a AstraZeneca. Loucura jovens, não façam isso... Eu estava em um estado deplorável na sexta, não aguentava lavar uma louça de dor nas costas, corpo, cabeça e MUITA febre. Pois bem, ainda assim, meus dias femininos decidiram aparecer antecipadamente, ótimo, mais um motivo para eu desistir, como já escutei varias vezes... "não vou. Desceu pra mim" pois bem, arrumei a mala e fui mesmo assim porque eu havia prometido emprestar minha barraca de 1 pessoa para a Beatriz e iria dividir alimentação e barraca com a Ariane. Comigo, se é combinado, é certo. Assim sendo, seguimos...
Minha mochila estava com 3 litros de agua, 6 lanches, 2 danone, 2 latas de coca cola, 1 isotônico, 1 liofilizado de strogonof, batata palha, pepino em rodelas com tomate cereja no zip, café, açúcar e algumas porcarias importantes como os kit sobrevivência, mantas e sistema de dormir. Ariane, foi gentil e ofereceu levar a barraca, dividimos o peso e ela levou o corpo e eu as varetas e estacas. Pois bem, minha cargueira estava com 11kg. E eu ainda estava viva!

Nosso encontro inicial foi na estação de metrô Belém as 22:59 do dia 23/07/21 onde nos conhecemos pessoalmente, porque a principio eu só conhecia a Beatriz e os outros só via internet. Seguimos para Piquete - SP e antes de iniciarmos a caminhada paramos em um posto de gasolina para comer um lanche e um café para acordar, ao som de boate azul onde os locais se divertiam com uma viola. Todos alimentados, começamos a subir e ao chegar no inicio da trilha eu sentia muita febre e até ajeitarem as coisas, fiquei sentada na van, aguardando subir. Iniciamos, as 5:15AM estávamos no morro do Careca onde consegui publicar um vídeo nas redes e mandar uma foto pra Larissa em uma breve lembrança onde eu tinha convidado ela para tal, mas na Chapada dos Veadeiros ela perceber que precisaria de mais treinos, decidiu não me acompanhar nessa aventura, sensata, eu ficaria triste em vê-la sofrer. Assim sendo, continuamos e não conseguimos ver o nascer do sol mas o céu estava espetacular, um laranja incrível onde os raios do magnífico astro começava a iluminar as montanhas em volta e nos dar a visão da geada no vale. Um lado a lua e outro os raios de sol por detrás da montanha. Incrível. Seguimos para os Marins e o vento castigava, meu "conjunto de problemas" me atormentava e eu só repetia: "um passo de cada vez" e assim, procurei me esconder ao máximo do vento, puxei a bandana para proteger as orelhas e coloquei a touca da anorak e melhorou demais até animando e me dando uma sensação de conforto. Demoramos subir, estávamos muito pesados, chegamos na base por volta das 8:40am. Onde, devido ao peso da cargueira a Isa ficou na base enquanto subíamos de ataque onde mais tarde ficou acampada na base com o Casal fofo (Vanessa e Paulo) onde ao atacar o cume do Marins sentiram os joelhos, reconheço, é sofrido meus caros, dói tudo, e mais um pouco. E ao chegar no cume as 10:20AM e assinar o livro naquela vista perfeita de montanhas e mais montanhas com o vento cortante, é uma sensação de superação inexplicável. Na descida, comecei a duvidar da minha capacidade de continuar o trajeto da travessia, e ao chegar na base com muitas dores de cabeça e corpo, com a baixa do casal fofo e da Isa, pensei em ficar e acompanha-los, onde a Beatriz estaria com dores de cabeça também e disse que ficaria comigo, caso eu escolhesse ficar.

No dialogo de fica, não fica, eu pensei: "só se vive uma vez" e se eu não conseguir, eu sou obrigada a conseguir, não tenho opção!

Assim sendo, fiz meu pipis, comi umas porcarias, bebi 2 dipironas e uma coca que a Isa me presenteou e seguimos.
Grupo na frente, eu, Ari, Bea e Caio por último, começamos a subir o Marinzinho e haja perna, que subidinha linda, íngreme e puxada, subimos rápidos e chegamos ao cume do Marinzinho as 01:00PM e o Milton liberou o almoço, assim sendo, fiz um miojo com 200ml de água e joguei umas calabresas que eu levava já fritas. Comi rapidão, Ari preferiu um lanche gordo que eu carregava e seguimos rumo a pedra redonda, que de onde estávamos, parecia estar MUITO LONGE, e estava.
Tínhamos que andar até antes do anoitecer então, aceleramos o passo.

Esse trajeto foi uma delícia, minha cabeça e corpo começava a doer e fingindo normalidade, segui. Foram instantes de preocupação, onde o querido Marcos se queixava de exaustão e eu notava que Caio estava mais lento, ao chegar na Pedra Redonda, as 04:45pm não demoramos muito e já continuamos a descida para as áreas de acampamento, onde para nossa tristeza, estavam todos lotados, momento tenso, onde ao passar pelas áreas de Camping alguns montanhistas faziam piadas totalmente desagradáveis e machistas me irritando, e assim, decidimos pegar as lanternas e se preparar para o fim da luz e continuar a pernada. Bea, aproveitou o momento e foi ao banheiro enquanto pegavam as lanternas, voltando, estávamos prontos. Continuamos e o céu estava magnífico, aquele laranja e os diversos tons de azul me encantava os olhos, na pressa de conseguir chegar no ponto de acampamento mais rápido, consegui tirar apenas uma fotografia e ficou meio embaçada, mas tudo bem, o importante é o que está na memória! Continuamos a andar e ao perceber a exaustão do Marcos, andando preparei um Soro com 200ml de água e pedi para Bea, Caio e Marcos dividirem. Eles precisavam de um sopro de sal e açúcar no organismo. E foi o que animou e deu um suspiro a mais e chegar ao ponto onde certamente entraria nossas barracas tortas e com algumas pedras, mas decidimos seguir até chegarmos em uma área com 5 barracas, assim, consegui montar a minha e a da Bea e o Léo montar do outro lado, o restante partiu para mais adentro e montaram em uma área mais ampla que a nossa, mas, conseguimos, o pessoal que estava acampado foram super gentis, disponibilizaram os espaços de alimentação e nos ajudaram a limpar a área para montar as barracas, pessoal carinhoso! Fico feliz em encontrar pessoas que compreendem o nosso perrengue e que em vez de criticar, acolhe! A montanha nos ensina muita coisa e eles, sabem muito bem o espírito que se deve carregar na bagagem. (Obrigada galera, espero que esse relato chegue em vocês, gratidão)

Tudo montado, por volta das 8:00PM, eu e Ari começamos a pensar na alimentação. Ari aproveitou a barraca montada e já ajeitou seu isolante e saco, e se agasalhou, eu ainda estava com a roupa de trilha e fiquei do lado de fora ajeitando o jantar, dos 3l que carregava, eu ainda tinha 2,4l então, utilizei mais ou menos 600ml para preparar o liofilizado de Strogonoff que carregava junto com as batatas palhas, tudo pronto. Leonardo me fazia companhia até a Ari se preparar para o frio. Esperei ela e comemos juntas, sabor diferenciado, mas tudo certo, ninguém ficou com dor de barriga! Beatriz apareceu, e preparou seu super ravióli de ricota com seilá o que, e como o vento estava judiando, preferi ir me preparar e fui trocar de roupa e me agasalhar. Tudo pronto, por volta as 09:10PM eu e Ari decidimos entrar para a barraca, estava ventando e com sereno muito forte, quando me trocava escutei o vizinho dizer que no termômetro dele marcava -1 então, eu já deixei a manta aluminizada no esquema para caso eu precisasse na noite.

Deitei e me ajeitei, Ari fez o mesmo, peguei o termômetro e tomei mais 2 dipirona para garantir a tranquilidade do sono e não morrer de frio, não estava em uma situação favorável pra arriscar sentir febre de madrugada, não é mesmo? Medi a minha temperatura e estava em 36,4°, fiquei tranquila! Coloquei o celular para carregar e peguei meu fone de ouvido. Comecei a olhar as fotografias do dia como de costume de todos os acampamentos, e olhei 2 fotos com a Ari, que em questão de segundos já estava dormindo. Parecia estar cansada mesmo. Continuei nas fotografias mas com receio da iluminação incomodá-la, coloquei meu som e forcei o sono onde a última olhada no relógio marcava 11:30PM, dormi. Acordando as 4:20AM com frio nos pés e pensando seriamente em abrir a manta aluminizada, mas com medo de acordar a Ari, fiquei esfregando os pés e enfiei dentro da cargueira, porque pra quem não sabe, eu carrego metade do isolante Thor e a parte das pernas coloco em cima da cargueira. HEHE. Depois que enfiei os pés dentro da cargueira, resolveu meu problema, voltei a dormir quentinha e acordei às 6:30AM para o nascer do sol, mas estava muito frio e preferi ficar mais um pouco, até lembrar que na programação o café da manhã era as 7:00AM, então, acordei a Ari, me troquei e saímos da barraca para preparar o café! Bea e Leo apareceram logo em seguida e tomamos café juntos, ajeitamos as coisas onde as 8:00AM estávamos com barraca desmontada esperando o grupo aparecer para continuar. Bea, inquieta foi atrás e por volta das 9:20AM eles apareceram e começamos nossa aventura até o Itaguaré.

O Milton nos guiou até o queixo do Gigante, onde avistamos perfeitamente o Itaguaré com uma vista privilegiada de todo nosso caminho. Bea e Marcos esperou nas mochilas e o restante seguiu para as fotografias, foi lindo, gritei um FORA BOLSONARO até engasgar e descemos para continuar a caminhada. Aproveitei a pausa para utilizar o banheiro e na volta o grupo que estava acampando conosco aguardava eu voltar para privar a minha privacidade! 🙏

Continuamos a descida do vale, onde a trilha estava completamente marcada, sem muito segredo, ao descer o vale a trilha continua a esquerda onde já avistamos a picada na montanha e a escada de pedras para subir, começamos o trepa trepa, e as 11:20AM chegamos na base do Itaguaré, onde deixamos as mochilas e fomos de ataque ao cume. Eu estava bem, com poucas dores no corpo, na média 7 conforme tabela de saúde combinada com a Ari.

Começamos a subir e ao chegar no Cavalinho, Marcos decide ficar por ali, o seu medo de altura resolveu atormentar e ele disse que seria muita aventura pra ele, tristes continuamos e a famosa Pedra Pulo do Gato com menos de 100m de distância do cume, ganhou a Ari, onde decidiu ficar por ali. Ficamos tristes e continuamos onde ao chegar, recebi uma bela recepção da Sil e do pessoal, conseguimos mais um cume, mais uma superação e de lá, tiramos a nossa super foto e assinamos o livro e começamos a descer.

Que emoção, meus caros!

Na descida comecei a pensar em todo o trajeto do início até ali e de como cada pessoa tem um papel importante em cada aventura. Isa no começo, com uma garra sem tamanho para subir o Marins pesada, O casal fofo (Vanessa e Paulo) sempre juntos, um empurrando o outro e eu aproveitando as pausas da Vanessa para respirar e contemplar a vista fenomenal das montanhas. Ariane sempre ao meu lado, perguntando de hora em hora qual meu nível e eu sempre na faixa do 4 e 5, chegando em um momento no nível 3 onde me preocupou com as dores no corpo onde a mochila parecia pesar 50kg, e com bastante calma, eu procurava me alimentar, e sempre pensar: "falta pouco, um passo de cada vez" e assim a Beatriz aparecer em qualquer momento, me fazendo rir e me orgulhando com o seu desempenho invejável para uma nova montanhista.
Leo com as suas piadas de praxe, onde ganhou apelido de sementinha do mal, ou, pederneira. Caio, onde a maior parte do tempo estava atrás conosco, com sua mochila hiper pesada e Marcos com a sua força, bravura, resistência, resiliência, perspicácia, técnica, flexibilidade, coragem, lindo…. E humilde, na disputa de quem era mais pesado e abraçava melhor as pedras!

Sil e Márcio sempre no pé do Miltão, com rodinha nos pés, admirável! E esse nosso grupo no final, me mostrou que cada um tem o seu momento, suas dores, seus traumas e suas dificuldades. Uns mais lentos, outros mais ágeis com mais experiência, mas que no final, com calma e um passo de cada vez, todos chegam no mesmo lugar, no tio da coca cola no final da trilha.

Só tenho que agradecer pelas risadas e pelos momentos que valem ouro, essa travessia me mostrou o quão importante é respeitar o limite do próximo e o quão sortuda eu sou em conhecer cada um de vocês! ♥️

Terminarmos a travessia as 4:00PM onde eu estava morrendo de fome e já cheguei no fim abrindo a mochila pra comer o ravióli que a Beatriz não conseguiu comer no jantar. Me alimentei, bebi uma coquinha e um tempo depois, Caio e Marcos chegam com o Milton. Trip concluída e com muito aprendizado!

Valeu galera! 🙌🙏

Myka Oli
Myka Oli

Published on 07/28/2021 23:01

Performed from 07/24/2021 to 07/25/2021

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Bruno Inácio
Bruno Inácio 07/28/2021 23:44

Fiquei curioso em saber qual era a travessia do Paraná?

Myka Oli
Myka Oli 07/28/2021 23:45

Oii, seria a Itupava x Marumbi.

Bruno Inácio
Bruno Inácio 07/28/2021 23:52

Ah sim,Caminho do Itupava, saindo de Quatro Barras até Morretes, é lindo mesmo.

Myka Oli
Myka Oli 07/28/2021 23:57

Estou morrendo de vontade de conhecer 🥺

Rogério Alexandre Francis
Rogério Alexandre Francis 07/29/2021 17:09

Lindo relato, Myka!! Parabéns pela perseverança, pela pernada e pelo relato!!!