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Equador - Rota dos vulcões - Chimborazo 6268 mts.

Equador - Rota dos vulcões - Chimborazo 6268 mts.

O Chimborazo é o maior vulcão do Equador e a maior montanha da Terra, quando medimos desde o centro do planeta.

O Equador é um pais surpreendente. Apesar de ser um dos menores territórios da América do Sul, reúne uma das maiores biodiversidades do planeta. Seu rico ecossistema vai de um belo litoral, com praias de areias escuras, falésias e mata tropical, passando pelas altas elevações da Cordilheira dos Andes até baixar novamente e se esparramar em uma exuberante floresta amazônica. Sem falar na enorme herança cultural, legada por povos pré-incaicos que habitaram a região desde cerca de 5000 anos atrás, até culminar nos Incas, que tinham a intenção de estabelecer ali sua segunda grande capital.

Não obstante tudo isso, duas caracteristicas me chamaram muito a atenção: a enorme quantidade de água existente no pequeno pais, que se materializa em centenas de cachoeiras e rios. Viajei por todo o pais e não passei um único dia sem ver muita água e, claro, as montanhas. Mais especificamente os vulcões. Não tenho os dados exatos mas talvez o Equador seja o pais que, na relação tamanho do território x quantidade de vulcões seja o que tenha a maior concentração. São mais de 80, sendo 25 em atividade. O objetivo principal da minha viagem foi escalar 5 deles. Neste relato vou contar brevemente como foi minha experiencia no maior, o gigantesco "taita" Chimborazo.

Há muitos anos atrás ouvi um pouco da história desse belo vulcão. Ao longo do século XIX e até meados do século XX essa montanha foi considerada a maior da Terra. Depois, com as medições mais precisas feitas pela equipe francesa na India (Great Trigonometrical Survey) verificou-se que ao Everest deveria caber a honra. Contudo, as dúvidas permaneceram até meados dos anos 40 do século passado. Muito por conta da localização do Chimborazo. Ele fica muito próximo da linha equinocial, o que confundia os agrimensores na hora de fazer as triangulações para estabelecer a altura. Justamente devido à sua localização, o Chimborazo é o ponto terrestre mais próximo do Sol.

El "taita" (pai, em quechua) Chimborazo, visto desde a entrada do parque.

O Chimborazo está localizado dentro de uma reserva natural que protege não só o ecossistema local, composto por flora e fauna diversificada, como também as comunidades ancestrais que vivem na região. Muitas dessas pessoas vivem do turismo, como guias de montanha, vendendo artesanato e hospedando os mochileiros.

Como minha viagem começou em Quito, ao norte do pais, minha estrategia foi ir descendo até chegar à provincia de Chimborazo. Até porque, antes de tentar a empreitada tinha em mente fazer outros vulcões e também conhecer outros lugares. Dessa forma tomei um onibus em Quito e fui em direção à Latacunga. Fiquei tres dias por ali e depois fui a uma pequena cidade chamada Banos, quase na região amazônica. Essa é a cidade mais aventureira do Equador, existem muitas atividades, desde águas termais até o famoso Vulcão Tungurahua, 5012 mts, ainda ativo. Escalar esse vulcão era um de meus objetivos, mas o mal tempo não permitiu.

Todo esse caminho faz parte da chamada Avenida de los Volcanes, que começa quase na fronteira com a Colômbia e termina na região central do pais. Trata-se de um eixo longitudinal que corta o pais de norte a sul, no qual estão localizados os vulcões do pais. Viajando pela Carretera Pan Americana Norte, de carro, onibus, ou trem, é possivel avistar vários desses vulcões. É como se estivéssemos num grande vale, cercado pelos imensos colossos.

Mapa turístico da Avenida de los Volcanes, Equador.

Bem, depois de 2 dias em Banos, tomei um onibus bem cedo rumo à cidade de Riobamba, cerca de 2hs de viagem. Dali, outro onibus rumo a cidade de Guaranda. A entrada do parque fica no meio do caminho, assim é preciso pedir ao motorista para descer na entrada do parque. Esse local já é bem alto, cerca de 4300 mts de altitude. Muito vento e frio, apesar do dia estar ensolarado. É necessário fazer o registro na entrada do parque antes de prosseguir. Cabe ressaltar que estava sozinho, sem guia e sem agência. Assim, tive que fazer tudo por minha conta, como eu prefiro em minhas viagens. Da entrada do parque até o primeiro refúgio são 8kms, numa ascensão de 500mts, por uma estrada poeirenta. É possivel pular essa parte se vc contratar um tour ou tomar um dos taxis que ficam na entrada do parque. Como eu estava lá para andar, fiz tudo a pé. Entrada da Reserva de Produccion Faunistica Chimborazo.

Minha idéia inicial era tentar o cume, solo. Contudo, analisando a previsão do tempo para os próximos dias, que dava tempo ruim, e dado que eu só teria mais um dia ali, pois teria que seguir com minha viagem, eu tive que abortar a tentativa de cume. Decidi que iria até o refúgio avancado José Whimper, a 5000 mts de altitude. A montanha possui dois refúgios para os montanhistas, ambos muito bem equipados com camas, cozinha, tenda para presentinhos e bar. O primeiro deles, Hermanos Carrel, fica a 4800 mts. É possivel chegar lá de carro, como se vê nas fotos abaixo:

Como eu disse, desde a entrada do parque até aqui são 8km. Existe uma estrada em zigue e zague, mas eu optei por caminhar por uma trilha utilizada pelos bikers para fazer downhill, por ser mais direta e isolada. Levei cerca de 1h30 para cumprir o trajeto. A dificuldade aqui é a altitude. Aqueles que já caminharam acima dos 4000 mts sabem que a partir desse patamar a altitude tenta te vencer a cada 100 mts. Como o terreno era muito arenoso, não foi facil caminhar,pois era necessário fazer uma certa força, o que acima dos 4000 consumia ainda mais o pouco oxigênio. Entretanto, uma parada para respirar e uma olhada no belo visual ao redor eram suficientes para recobrar as energias.

Chegando ao primeiro refúgio, ainda era preciso vencer mais 200 mts de subida para chegar ao segundo refúgio, a 5000 mts de altitude. Depois de um rapido descanso, iniciei a subida. Meu tempo estava meio contado, pois tinha que estar de volta à portaria do parque por volta das 17h, já que meu ultimo onibus para Banos sairia de Riobamba às 19h. Logo no inicio da subida, uma lembrança de que a montanha algumas vezes cobra um preço alto: Um monumento em forma de pirâmide em homenagem aos andinistas que deixaram suas vidas ali. Vale lembrar que estatisticamente, somente 1 em cada 3 tentativas de cume são bem sucedidas no Chimborazo.

Homenagem aos andinistas mortos na montanha.

A única dificuldade dessa caminhada é realmente a altitude. Apesar de se caminhar na neve, basta ter cuidado para não levar um tombo feio que tudo correrá bem. O caminhio é super bem marcado. A estrutura do segundo refúgio é igual à do primeiro. Como eu estava me sentindo bem subi mais um pouco, até os 5300 mts, chegando a um pequeno mirante. Uma vez que o tempo estava fechado não foi possivel ver quase nada. Mas foi bom para me testar em altitudes maiores. Além disso a beleza do imenso glaciar que sobe rumo ao cume é de arrepiar. um local lindo, totalmente selvagem

Refúgio Jose Whimper.

Depois de passar um tempo ali, chegou a hora de descer. Mais 8kms morro abaixo, comendo poeira. Consegui chegar na entrada do parque por volta das 17h. Existe uma parada de ônibus bem em frente à entrada do parque. Estava ventando muito e o Sol já bem baixo. Essas condições fizeram a sensação térmica baixar muito. Apesar de eu estar bem equipado para o frio, senti como se estivesse uns 2 graus mais ou menos.

Descendo a trilha rumo à entrada do parque pela pista de downhill. Reparem como o tempo já estava piorando

Ao todo fiquei 25 dias no Equador. Rodei o pais de norte a sul, pelas montanhas e litoral. Farei outros relatos separados dos outros vulcões e parques nacionais que visitei. Apesar de ser um pais barato e cheio de opções, poucos brasileiros se aventuram por lá. Foi a primeira vez que estive num pais sulamericano e não vi NENHUM brasileiro, zero!

Especialmente para os amantes do montanhismo, recomendo fortemente uma visita ao Equador. Há inumeras montanhas de 4000, 5000 e alguns 6000 que são técnicamente fáceis, ideais para quem esta começando a se aventurar por altas montanhas. Com a peculiaridade de serem, em sua maioria, vulcões, o que torna a experiência ainda mais atrativa.

Saludos!

Claudio Murilo
Claudio Murilo

Published on 07/13/2017 16:44

Performed from 06/22/2017 to 06/24/2017

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7
Peter Tofte
Peter Tofte 07/14/2017 07:24

Parabéns! Belo relato Claudio! Preciso conhecer o Equador.

Claudio Murilo
Claudio Murilo 07/14/2017 13:49

Obrigado Peter! Vai sim cara, vc não se arrependerá! Abraço!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/16/2017 18:19

Excelente Claudio!!! Beleza de relato e fotos... O Equador e seus vulcões sempre estiveram em meus planos! Vou tentar colocar em prática no próximo ano. Parabéns! Abs

Claudio Murilo
Claudio Murilo 07/19/2017 11:09

Obrigado Fabio! Poxa, tomara que vc vá cara. Tenho certeza que ira desfrutar muito. abraço!

Lais
Lais 08/24/2017 10:12

Oi Cláudio, adorei o relato! Ainda bem que achei teu post, estarei de férias no Equador agora em Outubro e o Chimborazo já está no roteiro! Também quero fazer esse tour por conta, pelo menos até o 2º refúgio, como estarei em Quito por alguns dias, acredito que não teremos problemas quanto a altitude. Você chegou a cotar algum valor com os guias que ficam na porta? É tranquilo fazer por conta? Abraço!

Claudio Murilo
Claudio Murilo 08/24/2017 11:04

Oi Lais. Vc vai adorar o Equador. Quito é muito legal, se precisar de dicas frescas pode me contactar. Então, muitas agencias em Quito, algumas nos proprios hostels, oferecem esse tour de um dia. Vi preços girando entre 80 e 100 dólares/dia. Mas na entrada do parque ficam uns taxistas que em geral cobram uns 25-30 para o tour. Mas aconselho fazer por conta, principalmente se vc ja estiver bem adaptada à altitude. O unico incoveniente disso é a volta, onde vc terá que ficar esperando um onibus passar, que não tem hora certa. Mas ele passa rsrsr. Vá cedo, não precisa madrugar, mas chegando no parque antes do meio dia é um bom negocio. Os refúgios vendem bebidas quentes e lanches. Espero ter ajudado, se precisar de mais infos, pode chamar. abco!

Lais
Lais 08/30/2017 11:25

Obrigada pelo retorno Cláudio! Você se importa de me passar algumas dicas? Estou com roteiro pronto, mas qualquer dica é super bem vinda! Onde não devo deixar e ir (ou subir?!)? Restaurantes bons em Quito e Riobamba? Ficaremos na Plaza Foch/Bairro La Mariscal, em hostel. Realmente os tours das agências são bem caros, as vezes valores absurdos, e eu acho q essa imersão meio que por conta super agrega à viagem! Abraço!