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Trekking W - Torres del Paine - Chile - pt 2

Trekking W - Torres del Paine - Chile - pt 2

Trekking de 5 dias por uma das oito maravilhas naturais do mundo!

Saí de Puerto Natales bem nas primeiras horas do dia. A viagem é super tranquila, estrada asfaltada até a chegada ao parque. Desde a estrada já é possível avistar o conjunto de montanhas nas quais as Torres estão localizadas. Isso aumenta ainda mais a ansiedade. Além disso, uma vez dentro dos limites do parque, é possível avistar animais silvestres, como vicunhas, flamingos e várias outras aves. Como cheguei bem cedo, o tempo ainda estava nublado, mas foi melhorando ao longo do dia. Nada de céu azul, mas como as nuvens estavam bem altas, não prejudicaram a visualização das montanhas. Existem duas maneiras de se fazer o W. Sentido horário ou anti-horario. Optei pela primeira maneira pois assim, deixaria o melhor para o último dia, ou seja, a subida até às Torres. Sendo assim, desci na portaria Laguna Amarga. Aqui é o local onde compramos as entradas, preenchemos os termos de responsabilidade e assistimos a uma palestra dos guardas-parque sobre como devemos nos comportar durante nossa estadia. Tudo lá é muito profissional, a estrutura do parque é excelente e as multas aplicadas aos “espertinhos” que resolvem cagar fora do pinico são bem altas. Há casos inclusive de expulsão do pais, como aconteceu com uns israelenses que fizeram uma fogueira que acabou causando um incêndio que devastou grande parte do parque, em 2012. Os caras tomaram uma multa de quase US$ 40,000 e foram expulsos do pais. Durante o trekking, pude ver algumas partes da vegetação ainda carbonizada.

Portaria Laguna Amarga. Não esqueça de pegar o mapa da trilha.

Depois de feitos os trâmites, hora de continuar! O próximo passo e ir até o píer de onde parte a lancha que vai nos levar até o Refugio Paine Grande, local de nosso primeiro pernoite e inicio do trekking. Para chegar lá, fazemos a linda travessia do Lago Nordenskjord, que fica aos pés dos montes Los Cuernos e Ventisquero. O lago é de um verde lindíssimo! Voltaria a vê-lo no segundo dia, pois, no trajeto até o Refugio Los Cuernos, o trekking praticamente o margeia durante todo o trajeto.

Abaixo, o mapa do W para terem uma noção do trajeto. Fiz no sentido esq - dir.

Ventisquero e Los Cuernos.A lancha que faz a travessia pelo lago até o primeiro camping.

Primeiro contato com os famosos ventos patagônicos. Aliás, não deixe de ter em mão uma bandoleira (eese lenço que estou usando). Protege do vento, poeira e é muito prático.

Este é o Refúgio paine Grande. É um lodge muito bonito e confortável. O quarto mais barato, compartilhado, na época dessa viajem custava US$ 40,00. Se vc não quiser dormir nos refúgios e for somente acampar, como eu fiz, é possível utilizar as instalações, como bar, restaurante, sala de estar. Isso é uma coisa que fiquei muito impressionado no parque. Assim que vc chega, ninguém vem abordar vc para perguntar onde vai ficar, se já pagou, se vai pagar. Em nenhum momento fui abordado, nem quando etrava nos recintos do lodge. Os funcionários deixam a gente extremamente a vontade. Até na hora de ir embora, se eu quisesse, poderia ter ido embora sem pagar pelo camping. A relação deles com os turistas é bem diferente daquilo que estamos acostumados aqui pelo Brasil, com as devidas exceções. é claro. Bem, aquela galera na foto são os trekkers que estão esperando a lancha para voltar para Laguna Amarga e ir embora. Fizeram o trekking no sentido leste-oeste. Assim que desembarquei, fui logo procurar um bom lugar para montar a barraca, pois ainda irira iniciar a primeira "perna" do W. O local de acampamento é excelente, um grande gramado, plano, com banheiros, duchas e uma cozinha bem grande para utilizar. Tudo por CH$ 4,000. Tambem existe uma pequena lojinha do refugio que vende artigos para presente e alguns itens de cozinha, como miojo, sopas, paes e vinho. Dica: evite comprar um vinho que é vendido numa embalagem longa vida. É horrivel! Fique na cerveja e espere até o último refugio, onde há garrafas baratas de Concha y Toro para finalizar o trekking. Se estiver com grana sobrando, pode também tomar um bom vinho e outros drinks no bar do refúgio.

Como disse antes, o percurso do W consiste em percorrer suas três pernas. A primeira vai do refugio Paine Grande até o Refúgio Grey. Ao todo, levam-se umas 5hs ida e volta. Para quem tem todo o primeiro dia disponível, pode-se ir até o Passo John Garner, numa caminhada de quase 10h. Mas vale a pena, pois além do visual privilegiado das montanhas e do Glaciar Grey bem perto, é possível ver longe pelo Campo de Hielo Sur, uma enorme massa de gelo que cobre grande parte da patagônia sul chileno-argentina. É um dos maiores reservatórios de água doce do mundo! Como eu não tinha o dia inteiro, pois cheguei por volta das 12h, fui até o Mirador Grey, de onde também se tem uma bela visão do glaciar, além de passar por lagunas e margear o lindo Lago Grey, com vários pequenos icebergs que se desprendem diariamente do glaciar. Existem passeios de barco e caiaque pelo lago que levam até o glaciar, além de trekkings por ele. Eu queria ter ido pelo menos até o Refugio Grey, havia tempo, mas perdi minha headlamp em Ushuaia e fiquei receoso de fazer a trilha de volta à noite por causa dos pumas. Sim, esqueci-me de mencionar esse pequeno detalhe. O parque é hábitat de muitos animais, entre eles, uma população grande de pumas, que vem crescendo todo ano. Os pumas estavam quase extintos lá, mas graças a um programa de conservação a espécie vem se recuperando. Devido a seus hábitos de caça, eles não frequentam os locais próximos às trilhas, apesar de algumas pessoas já terem dado “de cara” com eles. Eu mesmo conheci uma brasileira que trabalhava lá que me relatou ter visto um puma uma vez enquanto fazia uma trilha fora do circuito de turistas. Segundo ela, o puma estava em uma rocha, no alto, com uma lebre na boca, olhando atentamente para ela. Quando ela o viu, ficou paralisada! A cena teria durado uns 5 minutos, até que o puma se encheu e desapareceu com a presa por trás da rocha. Por essas e outras, preferi voltar enquanto havia luz.

Va com calma, ande leve e aproveite ao máximo! Voce está na Patagônia! Pequenos icebergs que se desprendem do glaciar.

O Glaciar Grey é muito grande sendo essa apenas a sua borda. O melhor local para observá-lo e no Passo John Garner, nas montanhas ao fundo, à direita. A caminhada é dura até lá.

Hora de voltar. Eu não sabia ainda, mas o dia seguinte seria muito difícil...

Visual do camping do refúgio. Uma das coisas que torna esse lugar especial é essa coloração das rochas, unico exemplo em todo o mundo desse tipo de granito.

O segundo dia é uma caminhada longa, de uns 15km. O objetivo é fazer a segunda perna do W, subindo até o Vale del Frances, próximo aos glaciares dos montes Los Cuernos. Infelizmente eu não fui até lá, pois tive alguns problemas durante a trilha. Peguei muita chuva e frio nas primeiras horas, logo pela manhã, quase tive hipotermia, o que me desgastou muito. Assim, rumei logo para o Refugio Los Cuernos e deixei o Vale para outra ocasião. Voltando ao inicio da trilha, logo depois de sair do Refugio Paine Grande, vc pega uma subidinha chatinha, mas não muito longa. A mochila ainda pesada contribui para tornar mais difícil esse trecho. Logo depois, vem um longo trecho plano, até começar a avistar o Lago Nordenskjord, aquele mesmo que atravessamos no primeiro dia. Então, a trilha consiste em andar algumas horas costeando-o, caminhando por uma floresta temperada multicolorida, com as montanhas à sua esquerda, passando por pontes molengas sobre rios caudalosos e pedras enormes. É um cenário lindíssimo! Vou anexar alguns vídeos desses lugares. Logo depois de cruzar uma daquelas pontes molengas, vc chega ao camping Italiano, aqui começa a trilha para subir o Vale del Francês. O camping italiano é gratuito, contudo, não tem infra como o dos refúgios. Sem duchas ou cozinha. Optei por não ficar aqui, segui mais 1h: 30 até o Refugio Los Cuernos onde pernoitei. Novamente, ia montar minha barraca, contudo, fui alertado pela funcionária sobre a existência de ratos no local. À noite, eles atacam as barracas para roubar comida dos desavisados. Ela me ofereceu dormir em um dos domos pelo mesmo preço do camping, o que aceitei prontamente! Estava molhado, cansado e com muito frio, dormir em uma cama ser ter ratos comendo seu café da manhã veio a calhar. Por sorte, não choveu mais nos outros dias.

Logo no inicio da trilha começou a cair uma chuva fina e a soprar um vento forte e muito gelado. foi assim pelas proximas 2 horas.

Paisagens bucolicas por toda a trilha.

Ponte pencil antes da chegada ao camping italiano. Balança mais que gelatina.

Los Cuernos ainda encoberto. Somente no meio da tarde o tempo melhoraria. O Vale del Francês vai até a altura daqueles glaciares.

Pausa para apreciar o Nordenskjord. Daqui para frente, a trilha desce até as margens do lago, onde segue por um tempo até entrar na floresta novamente e finalmente chegar ao Refugio Los Cuernos.

Quando vc chega aqui pensa " agora esta acabando". Mas ainda falta um bom trecho até o refugio. Contudo, o cenário e altamente relaxante.

O lago é alimentado pelas geleiras, cujo derretimento forma algumas lindas cachoeiras pelo caminho.

Este é o domo no qual passei a noite. Seu interior é bem grande, com algumas beliches. Apesar de ser melhor que a barraca, ele não tem aquecimento. Precisei me agasalhar bem pois as noites aqui são bem frias.

Amanhece o terceiro dia. Hora de tomar café e por o pé na trilha. Antes de partir, é necessário tomar uma decisão estratégica. Pernoitar mais próximo ou mais distante das Torres. Se o objetivo é ver as primeiras luzes da manhã na base das Torres (um espetáculo à parte pois as luzes que batem na rocha dão a ela um tom alaranjado estonteante), vc deve rumar para o camping do chileno ou camping torres. Ambos ficam na terceira perna do W, caminho para as Torres, sendo que o camping Torres é o mais próximo. Entretanto, o caminho até lá é desgastante, com algumas subidas punks para fazer com a cargueira. A outra opção é seguir adiante até o lodge Las Torres, descansar melhor, dormir até um pouco mais tarde e tomar alguns vinhos. essa foi minha opção. A caminhada do terceiro dia até o Las Torres, quando comparada com os dois dias anteriores, não é tão rica cenicamente. A trilha vai se distanciando do lago e da floresta. Ao chegar ao lodge Las Torres, fiquei impressionado com a beleza e elegância do local Só as familias mais ricas do Chile e os turistas com grana tem condição de se hospedar ali. Achei que a area de camping fosse aqui, mas não. Vc tem que seguir em frente até o outro refugio, administrado pela empresa Fastástico Sur. O camping é muito grande, possui muitas mesas e bancos, ducha quente e pequena cozinha. Se esses ambientes estiverem fechados, necessario chamar o funcionario para abrir.

No terceiro dia, muito sol e céu azul.

Borrachos! Mexicanos, chilenos, italianos e uma parceiro brazuca, Felipe, que me acompanharia em outras trips depois.

O amanhecer do quarto dia. Dia de atacar as Torres!

Acordei às 5:30 da manhã, meio de ressaca. Estava muito frio! Sensação térmica de uns 10º abaixo de zero. Saí da barraca, olhei pra um lado, olhei para o outro...Decidi dormir mais um pouco, precisava descansar. Acordei às 07:00, com bem mais disposição. A temperatura tinha subido um pouco. Era hora. Aprontei a mochila de ataque, tomei facé da manhã e parti. O primeiro trecho até o Vale do Chileno é uma subida forte, longa, que já é um bom teste para a subida final. Vencido esse trecho, abre-se um lido vale, o Vale do Chileno, o qual vc vai percorrer até chegar ao inicio da subida até a base. O primeiro tracho do Vale vc vai andar por uma trilha alta, com o rio passando lááá embaixo. Seu aos poucos vc vai descendo até alcançar o Camping do Chileno, às margens do rio. É um lindo local, ideal, para um descando. Se quiser pernoitar aqui, ao invés de ficar no Las Torres, informe-se antes para ver se esta operando. Se for acampar, não precisa. Daqui para frente, a trilha será em meio a uma linda floresta temperada, multicolorida, cruzando pontes e encarando algumas curtas mas fortes subidas. Depois de umas 3 horas desde o Las Torres, vc chega no camping Torres. o último camping antes da base. Mais rústico que o Chileno. Agora, prepare-se! A subida final esta a sua frente. Será uma subida dificil, longa, por entre pedras e cascalhos. Fique sempre atento com possiveis pedras rolando acima de vc. Não sai da trilha, é perigoso! O tempo de subida vai variar, depende do seu ritmo. Levei cerca de uma hora, devagar. Conforme vc vai se aproximando, as Torres vão se revelando para vc, até que finalmente vc esta de cara com elas! Foi um dos momentos mais emocionantes de minha vida, comparável a emoção que senti em Machu Pichu. Nesse dia, fui o primeiro a chegar, fiquei lá, sozinho, por quase uma hora. Me lembro que, quando cheguei na base estava filmando. Depois desliguei a camera, sentei e fiquei admirando o local, quieto, por muito tempo, até que as pessoas começaram a chegar. Só então lembrei de tirar fotos.

Panorama do Vale do Chileno.

A trilha é muito bem sinalizada. Tranquilo fazer sozinho.

Um dos lindos bosuqes por onde se caminha.

Quase no final da trilha de subida já é possivel começar a visualizá-las.

Tive sorte por pegar um dia de ceu azul, logo no outro dia chegou uma frente fria ao local e permaneceu por semanas.

Finalmente, sonho realizado! Duas décadas e 4 dias depois de uma linda camonhada, objetivo cumprido! Um dos lugares mais espetaculares da Terra!

Recomento a todos que gostam de uma bela caminhada, contato com outras culturas e um ambiente natural rico. a conjecer esse parque. O circuito W é uma ótima maneira de conhecê-lo, mas existem muitas outras trilhas e atividades por lá, como o circuito O, que da uma volta completa no parque e inclui o W. Os custos vão depender do nivel de conforto que vc deseja. Se for acampar, sai bem barato. Vou deixar uns links baixo que podem ajudar com mais informações. Quem quiser, pode entrar em contato comigo que ajudo naquilo que puder/souber.

Abraços mochileiros e sempre em frente!

Site da CONAF, que reune os parques nacionais chilenos:

http://www.conaf.cl/parques/parque-nacional-torres-del-paine/

Portal de Torres del Paine, com informações atualizadas. Ajuda muito no planejamento:

http://www.torresdelpaine.com/

Empresa que administra os campings pagos do parque. Tem muitas outras informações e links úteis:

http://www.fantasticosur.com/pt/torres-del-paine/best-time-to-travel-and-year-seasons/

Grupo de mochileiros do face sobre a Patagônia. Me ajudou muito na viagem:

https://www.facebook.com/groups/296786100403507/?fref=ts

Claudio Murilo
Claudio Murilo

Published on 11/19/2015 16:53

Performed from 04/09/2014 to 04/13/2014

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