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Trilha e Camping no Pico Paraná

Trilha e Camping no Pico Paraná

Pico Paraná é a montanha mais alta do sul do país, com 1.877 metros de altitude. Conheça nossa aventura com trilha e camping no Pico Paraná.

Mountaineering Hiking Trekking

Trilha e Camping no Pico Paraná

Acampar no teto do sul do Brasil é algo transformador. O silêncio que essa montanha provoca causa uma amplitude em nossa quietude. Olhar o horizonte sem fim gera uma paz imensa. Presenciar o nascer do Sol, os primeiro raios de luz tocando a pele, a temperatura que se eleva como uma paixão a primeira a vista. Quando se ama a natureza, é impossível não visitá-la, é impossível não se surpreender com detalhes tão perfeitos e impecáveis que ela nos proporciona.

Sou um filho da montanha, que conhece tão pouco da vida, tão pouco dessas rochas, mas aprendi cedo a escutar o que eles têm para dizer. Ouvir o que as árvores falam, o que o vento sopra, o que a mãe terra ensina. Saber ouvir é a melhor mudança que me ocorreu.

Como chegar até o Pico Paraná

A região onde se o Pico Paraná está localizada a mais ou menos 100 km da cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná, mais precisamente entre as cidades de Campinga Grande do Sul e Antonina. Está no Conjunto Ibiteruçu, entre outras montanhas de nome União e Ibirati. A serra onde se encontram é chamada de Serra do Ibitiraquire ou Serra Verde.

Um dos acessos é feito pela cidade de Campina Grade do Sul, por meio da BR-116. E até a base da montanha, há mais ou menos 15 km de estrada de chão. Na base da montanha se encontram duas fazendas que se podem usufruir os serviços de estacionamento e camping. Indico os serviços da Fazenda Rio das Pedras, que além de excelente estrutura, já nos ajudou algumas vezes em situações de ações de voluntariado na região. Compartilho o telefone caso alguém deseje conhecer: (41) 3366-0106.

Como é a trilha até o cume do Pico Paraná?

A trilha até o cume do Pico Paraná possui alta dificuldade técnica. São em média 6 a 8 horas de caminhada e que envolvem pontos de parada, e que permite conhecer toda a região de beleza natural. Mas antes de começar, não se esqueça de fazer o check-in no Instituto Àgua e Terra, posto controlado pela unidade de conservação que visa o registro dos praticantes levantando informações de entrada e segurança no parque.

É importante começar cedo. Como o nosso desejo era acampar no cume da montanha, estavámos pesados, e carregndo todos os equipamentos de camping. Os primeiro minutos nesta trilha nos fazem suar intensamente. Até a "pedra do grito" vivemos um mini teste para afirmar se realmente queremos estar ali. Um processo de controle da respiração e estímulo do corpo para perceber que o desafio só está no começo. Mais algumas horas de caminhada, aproximadamente 1 hora e meia, e chegamos no Morro do Getúlio. O Morro possui esse nome por influência do Presidente Getúlio Vargas.

Morro do Getúlio e a bifurcação

Do seu cume é possível avistar o Pico Caratuva, que possui 1.860 metros de altitude e que é a segunda montanha mais alta do sul do Brasil. Também pode se avistar a face oeste do Pico Itapiroca com 1.780 metros de altitude. Com um caminho bem demarcado, e de vegetação aberta, segue-se então para o cruzamento de trilhas que destinam o caminho até o Pico Paraná.

A trilha te levará a um ponto encoberto de árvores, um calçamento criado pelos voluntários que fazem a manutenção da trilha, que é organizado pela Federação Paranaense de Montanhismo e o Clube Paranense de Montanhismo. Nesse ponto encontramos a placa informando quais trilhas deveríamos seguir, seguindo as "fitas" coloridas aplicadas nas árvores.

Até o Pico Paraná foram mais algumas horas de caminhada, e que envolveu muito esforço fisíco e técnico. Com mais algumas horas de caminhada, entramos no vale de raízes, um trecho que fica muito bem marcado pela presença de raízes grossas e altas, que fazem o praticante realizar uma escalaminhada sobre elas.

É também por esse trecho que encontramos a bifurcação que seguindo a esquerda leva-se até o Pico Itapiroca e seguindo a direita, ao outro objetivo. Seguindo a direita e em frente ao nosso objetivo, e depois de algum tempo de caminhada, as raízes começam a diminuir bem como a vegetação. Chegamos então no A1, o primeiro ponto de camping, onde a vegetação é composta pelas "caratuvas" ou bambuzinhos que são caracteristícos da região. Seguindo pelo caminho demarcado, atravessamos um perigoso caminho, de pasagem estreita, onde se avista uma profunda riqueza florestal e de rocha para ambos os lados. Neste ponto o horizonte é cercado pela natureza.

A escalada em via ferrata

Chegamos então ao ponto que é necessário realizar a prática de escalada em via ferrata. Os grampos em rocha facilitam o acesso por essa região, que foi conquistada pelo pesquisador alemão Reinhard Maack em 1940. Muito diferente daquela época, o seu acesso é facilitado por esses apoios, que ainda sim são desafiadores para todos nós. Qualquer deslize nesse ponto pode ser prejudicial na aventura.

Após esse ponto culminante da trilha, caminhamos então por uma trilha de vegetação baixa, e a presença das caratuvas se torna novamente predominante. Chegamos no A2, o segundo ponto usado para a prática de camping. Em nossa aventura, escolhemos por acampar nesse ponto, levando em consideração o conhecimento de que já haviam muitas pessoas acampando no cume, e por ser fim do dia, poderíamos nos arriscar e ficar sem espaço para acampar no cume. Ainda sim, em uma experiência extraordinariamente agradável, tivemos um lindo visual do pôr do Sol e do anoitecer.

O nascer do Sol no cume

Acordamos antes do Sol nascer, com as lanternas na cabeça e sem o peso das mochilas nas costas, seguimos a trilha até o cume do Pico Paraná. Pelo caminho havia um grande fluxo de pessoas subindo, muitos destes começaram a trilha na madrugada, para fazer um bate-volta para avistar o nascer do Sol no cume. Chegamos no cume antes do majestoso aparecer. Aproveitamos para fazer um café e nos alimentar.

Quando então, em um enorme tapte de nuvens, e em uma cena fantástica ele nasceu. No horizonte, sua luz era incandescente. Os primeiros raios de sol tocavam a nossa pele, nos aquecendo e nos promovendo uma incrível energia. Foi FANTÁSTICO! Não há palvaras para descrever tal momento.

Em seguida, com o sol um pouco mais alto no céu, apoveitamos a rocha para meditar, apoveitar o silêncio e a todo o explendor que a natureza pode nos proporcionar. Estar ali, no ponto mais alto do Sul do Brasil é inexplicável. Uma profunda sensação de agradecimento pela vida e por saborear esses momentos emerge do coração.

O retorno até a base

Mesmo que o desejo fosse de nunca mais sair daquele paraíso, não podíamos demorar muito para retornar, pois precisavámos desmontar nosso acampamento. Retornamos até o A2, guardamos todos os equipamentos, e com as cargueiras nas costas, seguimos em direção a base da montanha. O retorno requer muito cuidado, já que ainda faltam completar 50% da aventura.

O ponto crucial que deixo registrado no retorno é a parede com os grampos e de escalada em via ferrata. Como o fluxo de pessoas neste dia foi alto, encaramos uma pequena fila para descer, e ainda sim, haviam pessoas subindo. Seguindo a etiqueta da montanha, esperamos os trilheiros subirem, dando preferência a eles.

A cada passo adiante, o sentimento de dever cumprido aumentava. Aproveitamos e paramos por um maior momento nos riachos do vale de raízes, para apreciar ainda mais a natureza selvagem daquele lugar. E em um bom ritmo, antes mesmo do pôr do Sol estrear, já estavámos na base. O corpo cansado, mas de espiríto renovado.

Já na base, aproveitamos aquele pastel delicioso e aguardamos o transfer nos resgatar. Esse momentos do finda de uma aventura nos mostra o quanto as simples coisas da vida são as melhores. Simplesmente exaustos e sujos, mas carregando uma sensação inexplicálve. Ah, viver essa experiência de trilha e camping no Pico Paraná ficou registrado em nossas memórias.

Conheça mais o nosso trabalho:

Loja Virtual: nosalpes.com
Instagram: @nosalpes

Nos Alpes
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Published on 04/17/2021 07:37

Performed from 05/19/2018 to 05/20/2018

1 Participant

Filho da Montanha

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Nos Alpes
Nos Alpes 04/17/2021 12:39

Edson, você tem toda a razão. Falou tudo!! Valeu demais!! E também não conhecemos os outros picos do Conjunto Ibiteruçu. Em breve sai o relato no Caratuva e Itapiroca =D

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 04/17/2021 15:28

Opa, acabando a pendemia eu topo!!

Clube Outdoor
Clube Outdoor 04/19/2021 09:43

Evento que tem que rolar aqui pelo CO!

Douglas Dessotti
Douglas Dessotti 04/19/2021 22:15

Muito massa parabéns 👏👏

Guilherme Pents
Guilherme Pents 04/26/2021 02:56

Maluco esse rolê cansa kkkk ...fez um calor fora de época ,na volta achei que ia morrer de sede ,do cume até o primeiro ponto de água foi uma eternidade ,não conseguia nem cuspir mais .

Nos Alpes
Nos Alpes 04/26/2021 06:45

Com certeza Clube Outdoor!!

Nos Alpes
Nos Alpes 04/26/2021 06:46

Valeu Douglas! Essa trilha é demais!

Nos Alpes
Nos Alpes 04/26/2021 06:48

Sim Guilherme! Tens que estar preparado física e psicologicamente. No outono/inverno é muito sol sem nuvens, então é quente de dia mesmo no frio. E sim, haja água haha

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