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Caminho da Fé - dia 01

Caminho da Fé - dia 01

Águas da Prata/SP > Andradas/MG

Mountaineering Trekking

Os primeiros passos

3:54, esse foi o horário que eu despertei naquela noite de 10 de julho.

Lá fora o vento soprava forte, balançando vigorosamente as árvores.

A noite não foi das melhores. Tenho a impressão de ter me revirado na cama a noite toda. Não pela cama, que na verdade era muito confortável, mas pela ansiedade que me consumia por dentro. Talvez também por medo de perder a hora, o que está de fato muito ligado a essa tal ansiedade.

Olho para o lado e vejo que o Rafa também se revira na cama.

É, o grande dia chegou!

Aqui dentro eu começo a perceber que a jornada, que a princípio não tinha nenhum objetivo religioso, pode me tocar mais fundo do que o previsto.

Mas também, por que ficar prevendo tanto?

Tá aí uma coisa que talvez eu precise aprender: a vida simplesmente acontece, nem tudo se pode prever!

Partimos por volta das 7:00 da manhã.

Na mochila 8 kg, na cabeça milhões de perguntas, e no coração pessoas queridas!

Pausa no marco zero para foto, e lá fomos nós!

Falar do primeiro dia é falar em subida e lindas paisagens em 90% do tempo, acredite!

Mas não é só isso.

Falar do primeiro, e já percebi que do segundo, terceiro, na verdade de todos os dias, é falar de carinho e sorrisos.

Embora tenhamos caminhado sozinhos a maior parte do tempo, as pessoas que encontramos ao longo do caminho, peregrinos, ciclistas e moradores locais, todos eles carregavam consigo um sorriso ou palavras de incentivo!

Falar dos dias no caminho é falar de acolhimento, doação e amor!

Foi assim que fomos recebidos na pousada do Wagner em Andradas.

Na verdade, antes mesmo de chegarmos, no início do nosso percurso, quando ele chegou trazendo o Rafa, e depois, na sua pousada, quando veio nos receber com um abraço.

Falar do primeiro dia também é falar de dificuldade, muita dificuldade!

Foi um dia difícil, muito mais difícil do que eu poderia imaginar (eu nem tentei imaginar, na verdade).

As subidas e descidas extenuantes testaram nossa força, coragem e perseverança.

Foi um dia difícil, mas foi um dia cheio de recompensas, ah isso foi!!

Jamais vou me esquecer das paisagens estonteantes, do cheiro de mel que senti pelo caminho ( não sei explicar, mas lembrava minha vó Tereza) e do ventinho gelado nos refrescando depois de uma longa subida.

O trajeto do primeiro dia tem muita sombra, o que amenizou muito nosso desgaste, mas poucos, pouquíssimos pontos de apoio.

Na verdade encontramos dois, um no km 303 aproximadamente, e outro faltando uns 8 km para chegar em Andradas.

No primeiro ponto de apoio, uma capelinha, banheiro e bica com água geladinha!

Ficamos um tempo ali descansando, comendo algo para repor as energias e depois seguimos a jornada.

A estrada estava bem movimentada, afinal, era domingo, e por ali, mais ou menos na metade do caminho, está o pico do Gavião, um ponto turístico onde as pessoas saltam de parapente e também vão para assistir ao pôr do sol.

Confesso que estrada movimentada não ajuda muito, mas mesmo assim seguimos nosso objetivo.

Começamos a descer em alguns pontos, o que aliviou um pouco as dores da subida.

Para minha alegria, encontramos uma linda plantação de oliveiras que me remeteu aos dias na Itália. Foi muito especial, pois nunca havia encontrado oliveiras no Brasil.

Viajar é ativar nossas memórias afetivas!!

Depois de muitas subidas e banho de poeira, a estrada dobra a direita e seguimos mais tranquilos.

Depois de um bom pedaço de chão, avistamos a cidade, lá embaixo, no vale! Ufa, estamos chegando, pensamos!!!

Me lembro que o Rafa enviou uma mensagem para o Wagner, avisando que já avistávamos a cidade!

Mera ilusão!! Haha Sem querer nos desanimar, Wagner nos alertou que aquilo era apenas uma ilusão de ótica, pois ainda estávamos bem longe!

Foi então que começamos a descer infinitamente e de forma bemmm acentuada.

O que nos deixou felizes e um pouco apreensivos.

As descidas nos pedem cautela, afinal, o terreno é cheio de pedrinhas e um escorregão qualquer pode ser um desastre.

Passamos por plantações de bananeiras e vimos lindas araucárias, poucas, mas lindas!

De repente, avistamos uma propriedade que havia disponibilizado uma torneira à beira da estrada. Para nossa alegria, água fresca e uma raiz de árvore para nos sentar.

Parece besteira, mas são essas coisas que nos enchem de esperança de que o mundo se tornará um lugar melhor!

Seguimos descendo, com fome, apesar de termos comido besteirinhas pelo caminho, sentíamos necessidade de algo com mais sustância, sabe?

Foi então que nos separamos com o segundo ponto de apoio, uma lanchonete/restaurante que servia bolo, torta, porções e pão com ovo.

Com o adiantar da hora, optamos pelo pão com ovo, que estava uma delícia por sinal, mas depois soubemos por uma companheira de caminho que a torta era dos deuses, e o bolo de milho também!!!

Ficamos é com vontade de comer torresmo, mas não seria prudente demorarmos muito, pois em meio às montanhas o sol se recolhe mais cedo!

Carimbamos nossa credencial e sebo nas canelas!

Andamos por mais uns 6 km até, finalmente, chegarmos a Andradas! Lá se ia nosso primeiro dia!!!

Ahhh conseguimos!!!!

Conseguimos e fomos recompensados por um lindo raio de sol cruzando as montanhas que acabamos de descer!

Não tem como não se emocionar e não se sentir grata!

Foi um dia muito feliz, nos sentiamos bem fisicamente, apesar do cansaço, e realmente muito felizes e agradecidos por termos conseguido!!

Melhor que isso, só o abraço do Wagner ao chegarmos na pousada!!




O meu caminho da fé
O meu caminho da fé

Published on 07/27/2021 00:28

Performed on 07/10/2021

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Dani Garbiatti

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O meu caminho da fé

O meu caminho da fé

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Por onde o vento soprar no Caminho da Fé! Para descrever todas as sensações, pensamentos e experiências do Caminho da Fé, o meu caminho de fé!

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