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Pico do Marinzinho via Pedra Montada

Pico do Marinzinho via Pedra Montada

Subida solo ao pico do Marinzinho pela trilha da Pedra Montada, saindo do bairro dos Ramos em Marmelópolis - MG. (jan 2017)

Trekking Mountaineering

Em setembro, depois de terminar um trabalho muito cansativo, resolvi passar um tempo na pousada do Djalma, do lado do Maeda (mais conhecido) no sopé do maciço dos Marins. É uma pousada camping bem roots que recomendo a todos que gostam de ter um contato com o pessoal nativo da região. A família é antiga ali: eles são os Ramos que dão nome ao bairro rural que fica num dos vales que margeiam a encosta norte do pico do Marinzinho.

Eita lugar bonito. Adoro a Mantiqueira.

Não recomendo a ninguém fazer essa trilha no verão, por causa das chuvas, mas sabem como é, a montanha estava ali e acabei subindo. :)

Acordei cedo, e como estava chovendo dormi de novo, rsrs. Às nove botei a cara fora da barraca, a chuva tinha parado e abriu o sol. Vi que ainda dava tempo de subir. Já tinha deixado as coisas meio arrumadas, preparei uns quatro sandubas de creme de amendoim, enfiei na mochila de ataque e zarpei pela ponte "pé na trilha" que dá na estradinha atrás da pousada.

A estrada segue por 1,6 km até o começo da trilha, que fica numa porteira selada com uns paus para impedir os motociclistas de fazerem trilha ali. A subida é meio forte, eu acho mais pesada que a de Agulhas Negras, porque começa de uma altitude menor: a pousada fica a cerca de 1200m de altitude e o pico está a 2432m, então é recomendável um certo preparo físico.

A trilha nesse ponto começa bem aberta e vai quebrando como uma estrada de serra (na verdade era mesmo uma estrada que foi interditada quando criaram a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Terras da Pedra Montada.

Prosseguindo daí por cerca de 2,3km a trilha bifurca: é possível seguir direto para o pico do Marinzinho ou tomar a esquerda pela mata (tem duas placas, onde se lê Pedra Montada e h2o). Seguindo a trilha à esquerda, em 300m chega-se na Pedra Montada que é um grande bolder redondo rachado em dois que se não me engano ainda não foi escalado. Essa trilha passa no último ponto de água, e recomendo que se leve pelo menos 1,5 litro por pessoa para subir o Marinzinho, porque depois não existe mais água. Não acredite nos que dizem que tem água no pico, eu subi várias vezes e nunca vi, só se for em alguma grota escondida.

Parei um pouco na sombra da pedra para descansar e prossegui para o pico.

A trilha segue pela mata, subindo sempre. Num certo ponto a mata acaba e você chega na área das rochas. Nessa etapa começam a aparecer umas passagens que exigem uma certa técnica, pontos nos quais é preciso escalaminhar, e existem algumas cordas nas passagens mais verticais, que são mantidas pelo sr. Maeda. Eu recomendo que não se confie jamais nessas cordas, porque ficam expostas ao tempo e são amarradas (!) nas rochas e tocos, contrariando princípios básicos de elaboração desse tipo de via permanente (vias ferratas, como o nome indica, tem que ser metálicas e chumbadas).

Nesse ponto se alcança um ponto com uma placa onde se lê Mirante de S. Pedro, e o cenário começa a ficar cada vez mais interessante. Estamos a cerca de 2100m agora.

Atrás de mim você já pode ver o maciço do Marinzinho, última etapa antes do pico, anunciando o que está pra vir.

Depois de descansar mais um pouco no mirante e apreciar a vista, retomei a subida.

A trilha é muito bem demarcada, especialmente nas partes sobre as rochas onde existem setas pintadas que podem ser seguidas sem receio, não há como se perder.

Nesse ponto chega-se a uma elevação que desce para um pequeno platô com capim elefante e uma mata de arbustos e árvores nanicas. Esse lugar tem uma vegetação muito interessante de líquens, flores, bromélias e orquídeas. Para quem gosta de botânica, a região do Marins é bem interessante e rica. Vá em setembro para ver a floração das açucenas. Dessa vez não fotografei ali, mas em breve vou postar outras trilhas que fiz pasando por ali e incluirei as fotos de plantas.

Depois do platô começa o ataque final. Quando ficamos diante do pico a impressão é que é tão vertical que não vai ser possível subir sem equipamento. Mas a trilha - sempre bem demarcada - vai contornando as rochas, exige um pouco de técnica nas escalaminhadas, mas não é tão difícil. Como disse, não confie nas cordas.

Chegando no pico, fui recepcionado por esses camaradas urubus.

Do Marinzinho é possível ver o Vale do Paraíba ao sul, na altura de Cruzeiro, Cachoeira Paulista e Piquete, o sul de Minas ao norte, a leste o pico do Marins e a oeste o Itaguaré. Estamos mais ou menos no meio da travessia Marins-Itaguaré, e é possível prosseguir em ambas as direções. Na encosta sul tem uma mata atlântica belíssima e intocada. Haja o que houver, jamais tente descer do maciço pela encosta sul, foi assim que faleceu o montanhista francês Eric Welterlin em 2018.

Abaixo vemos a porção leste do pico do Marinzinho. O Itaguaré está coberto pelas nuvens.

Do outro lado, o Pico dos Marins:

Por causa das nuvens, deu para ver muito pouco do Vale do Paraíba.

Na sequência, a gruta que fica no pico e mais algumas imagens que fiz lá no alto.

Acima o sul de Minas, e abaixo a crista de serra por onde passa a trilha do Itaguaré, com a Pedra Redonda bem no meio do caminho.

Como seria de se esperar no verão, esses cúmulos estavam anunciando uma tempestade. A nuvem escureceu, os trovões começaram a ribombar e a coisa começou a ficar sinistra. Quem já escutou um trovão na montanha sabe. Acho que eu nunca desci uma montanha tão rápido.

Abaixo, a chuva em outro ponto da serra. Fiz essa imagem enquanto descia.

De volta à encruzilhada da Pedra Montada, caía uma garoa fina. Enquanto isso, a tempestade ribombava lá em cima.

No fim, apesar do risco valeu à pena.

Essa trilha foi muito legal porque eu estava me recuperando de uma lesão e não tinha podido fazer montanhismo por mais de um ano. Apesar de conhecer o lugar e acampar ali, eu só podia olhar para a serra. Nessa época fiz também o pico dos Marins e comecei a conhecer as montanhas da região, sempre com a orientação do Djalma Ramos e do seu filho Denes, que são montanhistas e mateiros experimentados, profundos conhecedores da região. Foi também meu primeiro trekking solo, modalidade que venho praticando desde então.

www.instagran.com/orlando.ferrer2

Orlando Ferrer
Orlando Ferrer

Published on 05/16/2019 14:00

Performed on 01/15/2017

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