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Travessia Marins - Itaguaré

Travessia Marins - Itaguaré

Fala galera do bem, hoje o post é sobre a famosa Travessia Marins x Itaguaré, uma travessia clássica do montanhismo brasileiro.

Trekking Mountaineering
  • DURAÇÃO: 3 DIAS/ 2 NOITE
  • PERCURSO: 21,5 KM / 16 HRS
  • DIFICULDADE TÉCNICA: MODERADA
  • DIFICULDADE DE NAVEGAÇÃO: MODERADA
  • DIFICULDADE FÍSICA: MODERADA
  • MATERIAL DE ESCALADA: NÃO
  • MAIOR DIFICULDADE: TREPA-PEDRAS/ESCASSEZ DE ÁGUA

Fala galera do bem, hoje o post é sobre a famosa Travessia Marins x Itaguaré, uma travessia clássica do montanhismo brasileiro no meio da Mãe das montanhas a Serra da Mantiqueira. Está foi minha primeira travessia solo, que começou no dia 21/04/2016, sai de São de Paulo bem cedo em direção a Lorena, depois peguei um ônibus para Piquete, pedi para o motorista me deixar no posto na entrada da cidade que era onde o resgate iria me pegar, para me levar até a Base do Marins, onde se inicia a travessia.

O Sr. Dito é quem foi me buscar, ele é o novo administrador da Base Marins, trocamos muita ideia até chegar ao destino, falamos sobre a simplicidade de morar no interior e todas as vantagens que esse estilo de vida tem, ele me contou um pouco sobre a sua vida e falou sobre os planos para a Base Marins, estava construindo um alojamento, oferecendo café da manhã, almoço, janta e pouso para os montanhistas. No final do post eu deixo o contato dele e o Facebook da Base Marins. Bom cheguei na base arrumei minha mochila que estava bem pesada (+- 22 Kg s/ água), cumprimentei toda a família do Sr Dito e parti pra cima, sai da base as 13:00.


Dia 01: Base do Marins - Cume do Pico do Marins (2.420 m) - 6,5 Km
A trilha começa passando na frente da antiga casa do Sr. Afonso, cruzando então uma porteira e na sequência se entra em uma estrada que foi fechado pelo IBAMA a alguns anos, segue-se então por essa estrada, passando por um primeiro mirante e logo na sequência a estrada termina e a caminhada continua em uma trilha mais fechada, chegando no Morro do Careca, onde se tem uma visão do complexo do Marins, saindo do mirante entrar a direita e seguir a trilha até encontrar a placa do IBAMA de início da trilha, neste ponto para continuar a trilha segue-se em direção a placa, e a esquerda existe o último ponto de água até a base do Itaguaré, completei 5 litros de água e segui para cima.

O começo da trilha é bem marcado e segue-se pelo meio da mata, até a trilha se abrir a vegetação característica de altitude e muita laje de pedra, a orientação aqui é tranquila, tendo o Pico do Marins sempre como referência, depois de algum tempo iram aparecer os totens e as flechas amarelas, este trecho exige um pouco do físico devido ao grande ganho de altitude e a mochila pesada, mas a paisagem faz qualquer esforço valer a pena, você enxerga o Pico do Marins em todo o trajeto e a montanha parece te chamar para perto dela, querendo te acolher, uma energia muito boa.


Chega-se a um trecho técnico quase na base do Pico do Marins, onde eu aconselho tirar a mochila para dar mais segurança aos movimentos, como estava sozinho fui na fé, a dica que eu dou é sempre ter três pontos de apoio nestas situações de escalaminhada, tendo 3 apoios dificilmente você sofrerá queda, e não esqueça das pernas, use-as. Depois deste trecho o caminho segue passando pela famosa água com coliformes fecais (tem até uma placa indicando), deste ponto se tem duas opções, seguir a trilha da esquerda, onde se dá a continuidade da Travessia Marins-Itaguaré, ou seguir para o cume do Pico do Marins, no meu planejamento eu iria dormir no cume, e assim foi, a subida é um pouco técnica, com lajes inclinadas, então se você não estiver confiante, ou se choveu e está escorregadio, eu aconselho acampar no pé do pico e subir de ataque ao cume.

Cheguei no cume as 16:30, muito feliz e cansado, montei minha barraca rapidamente e fui curtir o pôr do sol, que espetáculo, o nascer e pôr do sol para mim são momentos especiais onde o Pai Sol recicla a energia deste planeta, por isso é um momento tão bonito. A noite não foi diferente, o céu estrelado e lá longe as estrelas da civilização, as pequenas cidades que circundam o complexo Marins-Itaguaré.

Dia 02: Cume do Pico do Marins (2.420 m) - Base do Itaguaré - 10 Km
Acordei bem cedo para ver o nascer do sol, fiz um café da manhã caprichado e segui para o segundo dia da travessia, o dia mais duro. Descendo do Pico do Marins, na sua base na bifurcação pegar a direita sentido ao Pico Marinzinho, no caminho você passará por um brejo, onde em algumas épocas do ano pode-se encontrar água, mas nessa época estava seco, a água ainda não me preocupava. Chegando no ombro do Pico Marinzinho, segue-se pela crista, logo no começo tem uma descida bem íngreme e o ponto mais técnico de toda a travessia, uma lance de desescalaminhada de uns 20 metros, você tem três opções, confiar na corda e descer (não indico), descer a mochila com a corda e desescalaminhar sem a corda (foi o que fiz) ou levar uma corda, eu nunca confio 100% nas cordas instaladas, sempre tenho outro ponto de apoio.

A trilha segue por muitos sobes e desces, trepa pedras, escalaminhadas e desescalaminhadas, por isso indico levar uma luva para não machucar as mãos, eu detonei com a minha, além disso se der coloque todo seu equipamento dentro da cargueira, pois você vai resvalar muito nas pedras, meu isolante ficou detonado. Chegando na Pedra Redonda, que não é redonda você completou 1/3 do trajeto. Cheguei cansado na Pedra Redonda, e quando olhei para pegar minha garrafa de água percebi que a mesma havia caído, e bem a garrafa que estava cheia. Neste momento comecei a me preocupar e muito, pois ainda havia algumas horas até a base do Itaguaré onde conseguiria água, estava apenas com 500 ml para percorrer este percurso.
Fiquei na Pedra redonda descansando bastante para recuperar o fôlego e esquecer a sede, foi então que encontrei a galera de Cruzeiro, eles estavam em 6 pessoas, conversamos um pouco, e infelizmente eles não tinham achado minha garrafa. Resolvi então seguir, a trilha segue a esquerda da Pedra Redonda, e continua sempre pela crista ou para o lado esquerdo, mas não muito distante da crista, no caminho para o Itaguaré existem algumas bifurcações e trilhas secundárias criadas por pessoas que se perderam, então atenção neste trecho.

Depois de uma hora caminhando estava exausto e sem água, realmente subestimei a montanha e o calor da serra da Mantiqueira, comecei a apresentar sintomas de desidratação, que leva à exaustão, realmente estava sem forças, parei várias vezes pelo caminho, até o pessoal de Cruzeiro me alcançar, eles também estavam sentido bastante o calor e a falta de água, seguimos juntos a partir deste momento, passando por mais algumas escalaminhadas, o túnel de pedra onde é preciso retirar a mochila para passar, e quando chegamos na nascente próxima ao acampamento na base do Itaguaré foi uma comemoração geral, eu bebi quase 1,5 litros de uma vez. Enchemos os reservatórios e em 10 minutos estávamos no acampamento na base do Itaguaré.


Dia 03: Base do Itaguaré x Resgate - 5,5 Km
Acordamos tarde para a montanha (07:00), tomamos um café e seguimos de ataque para o cume do Itaguaré, no caminho encontramos fezes próximas a água (10-15 metros), nunca se deve fazer isso, a distância mínima é de 50 metros e dependendo do relevo e volume de chuva essa distância deve ser prolongada. Galera isso deve ser respeitado, as fezes de uma pessoa pode infectar, dezenas ou centenas de pessoas que fizerem uso daquela água, sem contar os animais, então bora respeitar ? A trilha até o cume é bem indicativa, chegando próximo ao cume existe uma passagem bem exposta onde você deve passar por uma pedra inclinada que esta encaixada em uma falha entre dois rochedos. Neste ponto eu não aconselho arriscar, principalmente se tiver chovido, caiu ali não tem volta é morte. Eu fui pelo apoio da galera.

Para chegar até o livro do cume que fica na pedra mais alta tem outra passagem exposta onde você precisa pular de uma pedra a outra passando por uma fenda de uns 20 metros de altura. Finalmente cheguei ao cume (2.308 metros) , agradeci a parceria da galera, assinamos o livro do cume e contemplamos a paisagem, uma visão magnifica do Pico dos Marins e a extensão da Serra da Mantiqueira. Agradeci muito por estar ali, primeira travessia, fazendo solo e apesar dos perrengues em segurança. Felicidade total.


A volta foi bem tranquila, encontramos um pessoal atacando o cume e adivinha, eles tinham achado minha garrafa, contamos do perrengue da água, demos muita risada. Chegando no acampamento desarmamos tudo, e dali para o resgate a trilha é bem tranquila, primeiro passando por alguns trechos de rocha e na sequência a trilha entra na mata e assim continua até o final, atravessando algumas vezes um riacho, quase no final da trilha me despedi da galera de Cruzeiro, parceria demais a galera. André Gomes, Juninho Coj, Luiz Fernando, o Tio do Luiz, Raphael Cardoso e Daniel Vilella, gratidão galera. E eu achando que a aventura tinha acabado, que nada o resgate até a base do Marins foi de moto. E moto + cargueira nas costas + velocidade + estrada ruim = aventura. Chegando na base do Marins fui presenteado com uma comida caseira boa demais, preparada pela família do Sr Dito. É por isso que curto demais o interior, comida boa, montanha e gente simples. Agradeço ao Pai por me colocar em todas essas situações, nada é por acaso, obrigado sempre. Namaste.

DICAS:

  • Em qualquer trilha é possível encontrar animais peçonhentos, então vá com atenção;
  • Faça esse trajeto de preferência no inverno, no verão é comum tempestades repentinas, e possíveis descargas elétricas;
  • Equipamento correto é sinônimo de segurança, então planeje o que levar;
  • Não vá sozinho para a montanha;
  • Em trechos de escalaminhada, lembre, você deve ter sempre 3 pontos de apoio;
  • Em caso de chuva, aborte a ascensão;
  • No inverno, a temperatura pode chegar abaixo de 0;
  • Vá com calma, dependendo do local uma queda pode ser mortal;

CONTATOS:

  • Dito - Resgate: (12) 997997524
  • Base Marins - https://www.facebook.com/baserefugio.marins?fref=ts
Pedro Abrão
Pedro Abrão

Published on 05/05/2019 09:07

Performed from 04/21/2016 to 04/23/2016

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Pedro Abrão

Pedro Abrão

Sao Paulo - Brasil

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Doutorando em engenharia civil e apaixonado pelas montanhas. Venho buscando a montanha como meio de encontrar a felicidade. Atualmente no Projeto 10+ Andes.

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