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Lago Windhond - o trekking mais austral do Mochilão Sabático

Lago Windhond - o trekking mais austral do Mochilão Sabático

Trilha de 49 km na Isla Navarino, no sul do planeta, com direito à pescaria e suculentos morangos silvestres

Trekking Mountaineering

SOBRE O LUGAR

O lago Windhond está localizado no Isla Navarino, extremo Sul de Chile. É um imenso lago habitado por trutas e salmões.

A Isla Navarino é mais conhecida pelo circuito Dientes de Navarino. O trekking até o lago Windhond, é menos percorrido e é uma segunda opção aos trekkers.

O acesso a este remoto lago se dá por uma longa trilha, partindo de Puerto Williams, principal vilarejo da ilha. Foi o trekking mais austral que fizemos em nossas vidas.

Otimistas, antes de fazer esta trilha, alugamos uma vara de pesca. Nunca tínhamos usado uma vara, aliás, nunca pescamos; mas estávamos ansiosos para saborear uma truta. Nos informaram que além do lago Windhond, no meio do caminho, também há uma lagoa com possibilidade de pesca.

Há dois caminhos para o início do trekking:

  1. Mesmo início que o circuito Dientes de Navarino; neste caso é possível acrescentar 2 a 3 dias, e fazer o lago e o circuito de uma vez.
  2. Início saindo de Puerto Williams, entre as ruas Arturo Prat e Vía 3.

Como já conhecíamos o circuito Dientes de Navarino, optamos pela desconhecida opção 2.

RESUMO DO TREKKING

  • País: Chile
  • Cidade: Puerto Williams (Isla Navarino, Cabo de Hornos)
  • Início: Puerto Williams, entre ruas Arturo Prat e Vía 3
  • Fim: Puerto Williams, entre ruas Arturo Prat e Vía 3
  • Distância total: 48,6 km
  • Duração: 6 dias
  • Subida acumulada: 2089 metros
  • Descida acumulada: 2082 metros
  • Altitude máxima: 498 metros
  • Mapa da trilha: Wikiloc
  • Período do trekking: final de fevereiro de 2018
  • Dificuldade: Moderada Pesada. Necessário bom condicionamento físico e conhecimento em acampamento selvagem.

Abaixo segue a elevação dos quase 49 km de trilha.


COMO CHEGAMOS

Nosso destino anterior foi a cidade argentina Ushuaia, localizada no sul da ilha Tierra del Fuego; de onde navegamos até a Isla Navarino.

Em Ushuaia contratamos pela Onashaga Expeditions, o traslado por bote, para a ilha Navarino. São somente 45 minutos de navegação, chegando pelo Puerto Navarino. De Puerto Navarino, uma van nos leva por 54 km e 1h10min para Puerto Williams, onde está a aduana chilena.

O traslado é bem caro, 120 dólares americanos por pessoa. Segundo a moça que nos vendeu a passagem, é caro por ser um translado internacional e o Chile não permite a chegada de grandes embarcações argentinas; eles levam somente 12 pessoas por viagem, encarecendo essa travessia marítima. Para você ter uma ideia, o custo para ir de avião, de Puerto Williams para Punta Arenas, é o mesmo que ir de bote e van de Ushuaia para Puerto Williams.

Em Puerto Williams quase não há Airbnb, que foi nosso meio de hospedagem mais usado no Chile, em 2017. Basicamente batemos na porta do primeiro hostal que vimos e ficamos. O Hostal Paso McKinlay é bem familiar, e toda a hora que o dono nos via, nos convidava para tomar um café. Sempre de portas abertas, com a tranquilidade que um vilarejo austral pode oferecer.

Acessamos a trilha do Windhond, entre ruas Arturo Prat e Vía 3, de Puerto Williams.

ROTEIRO

No total foram 6 dias e 5 noites acampando, relatados com detalhes abaixo.

  1. Puerto Williams - laguna Alinghi
  2. laguna Alinghi - refúgio Charles
  3. "pescando" no lago Windhond
  4. 'passando fome' no lago Windhond
  5. refúgio Charles - laguna Alinghi
  6. laguna Alinghi - Puerto Williams

DIA 1: PUERTO WILLIAMS - LAGUNA ALINGHI

  • Total percorrido: 12 km
  • Tempo: 5 horas
  • Subida acumulada: 819 metros
  • Descida acumulada: 478 metros
  • Altitude máxima: 496 metros

A trilha começa em Puerto Williams, entre as ruas Arturo Prat e Via 3. Na dúvida, pedimos ajuda de um morador, que gentilmente caminhou conosco até o início da trilha.

Ele nos deixou no início de um bosque. Seguimos a trilha até o bosque ficar para trás e começar uma turbera chata. Turbera, ou turbal, é um terreno esponjoso e muitas vezes saturado de água, e conforme pisamos, nossos pés afundam.

Para nosso alento, riscos vermelhos, em árvores e pedras, indicavam que estávamos no caminho.

Chegamos em uma lagoa e começamos a subir mais inclinado. Algumas árvores caídas, típicas na Patagônia, prejudicam a visualização da trilha. Mas algumas fitas rosas nos ajudam a não nos perdermos.

Continuamos a subir, passando por outra lagoa e uma castorera. No horizonte, as montanhas austrais da ilha são colírios para nossos olhos.

Os castores são uma praga nessa região. Foram introduzidos pelo homem, e sem predadores naturais, alteram a paisagem com suas represas. Apesar da paisagem ficar mais bonita, dificultam nossa caminhada, pois muitas vezes a castorera inunda a trilha. Sem citar nos outros impactos ambientais. Ah... esse homem... e o castor é que leva a 'fama' de praga.

Quando começamos a descer encontramos a lagoa Alinghi, que deve ser a lagoa que tem peixes também. Mas como chegamos tarde, nem tentamos a pesca.

Depois de um dia inteiro subindo, acampamos a 12 km do lago Windhod.

Na foto abaixo: nossa barraca ao lado da lagoa Alinghi.

Segue abaixo a elevação do dia 1.

DIA 2: LAGUNA ALINGHI - REFÚGIO CHARLES

  • Total percorrido: 12 km
  • Tempo: 5,5 horas
  • Subida acumulada: 320 metros
  • Descida acumulada: 586 metros
  • Altitude máxima: 360 metros

Contornamos a lagoa Alinghi pela direita e um pouco depois dela, depois de uma hora, há um destroço do que um dia foi o refúgio Beauchef.

Andamos no meio do bosque e paramos para coletar morangos silvestres. Essa foi uma dica de nossa anfitriã de Puerto Williams. E ela estava certa, essas frutas rasteiras são uma delícia.

Quando estávamos fazendo um estoque dessas frutas, para saboreá-las mais tarde, apareceram 3 rapazes. Estavam voltando do lago. Quando eles olharam para o chão, os três, imediatamente, agacharam e começaram a se lambuzar com as frutas. Nem tiraram as mochilas. Conversavam conosco, mas os olhos estavam freneticamente em buscas das frutas. Nem preciso dizer que essas frutas valem muito a pena.

Estocamos as frutas em uma garrafa PET de dois litros e seguimos.

Depois de um certo ponto há muitas árvores caídas na trilha, deixando o percurso bem ruim e moroso. Quando começa uma turbera, a trilha é desviada para ela e fica mais tranquila a caminhada. Melhor caminhar em uma esponja úmida, do que ficar desviando de troncos no chão.

Seguimos até o final da turbera, encontrando um pequeno e irritante riacho. Tivemos que passá-lo com água até a cintura. A temperatura da água estava, digamos, 'fresquinha'.

Entramos no bosque novamente e nos deparamos com o refúgio Charles. É um refúgio bem cuidado e amplo. Com cozinha, sala e beliches com colchão. Seria possível dormir dentro do refúgio, mas optamos em ficar com nosso lar ambulante no lado de fora.

Empolgado, Ramon foi logo tentar a pescaria, enquanto eu montava a barraca. Desiludido, voltou com as mãos abanando.

Nossa sorte é que neste dia havia um casal alemão no refúgio e o alemão ensinou o Ramon como soltar a linha da vara. Nem isso ele sabia! O aprendizado foi de grande ajuda para o dia seguinte.

Segue abaixo a elevação do dia 2. Favor desconsiderar o pico mais alto, foi uma falha do GPS.

DIAS 3 E 4: LAGO WINDHOND

Ficamos dois dias acampados em frente ao refúgio Charles e tentamos a sorte na pescaria. Corrigindo... o Ramon tentou a sorte.

O lago Windhond fica a 5 minutos do refúgio Charles. O lago é enorme e tem uma grande praia na sua frente.

Na foto abaixo estávamos em frente ao lago, olhando em direção ao refúgio. O refúgio fica logo depois das árvores.

Para pescar, é necessário entrar alguns metros dentro do lago, ter paciência e ignorar o frio. Não conte comigo...

Com o conhecimento avançado adquirido no dia anterior, Ramon conseguiu pescar 2 peixes em cada dia. Pouco peixe, para muito tempo na água fria. Levamos menos comida na esperança de almoçarmos e jantarmos salmão. Pela escassez de proteína, não daria para ficar mais nenhum dia por lá.

Depois da pescaria, começa o segundo nível do joguinho: preparar o peixe para a ceia. Até que o Ramon se virou bem! Limpar peixe também não é comigo... eca!

Ah! E para falar que eu não fiz nada... Eu fiquei coletando mais daqueles morangos saborosos. Acho que não sobrou mais nenhum por perto.

DIA 5: REFÚGIO CHARLES - LAGUNA ALINGHI

  • Total percorrido: 12,5 km
  • Tempo: 5 horas
  • Subida acumulada: 560 metros
  • Descida acumulada: 300 metros
  • Altitude máxima: 366 metros

Depois de dois dias no refúgio, chegou a hora de partir. Voltamos pela mesma trilha do dia 2 e acampamos na lagoa Alinghi.

Segue abaixo a elevação do dia 5.

DIA 6: LAGUNA ALINGHI - PUERTO WILLIAMS

  • Total percorrido: 12 km
  • Tempo: 5 horas
  • Subida acumulada: 388 metros
  • Descida acumulada: 718 metros
  • Altitude máxima: 498 metros

Seguimos o mesmo caminho, e voltamos pela mesma trilha do dia 1, retornando para Puerto Williams.

Segue abaixo a elevação do dia 6.

Posso dizer que esse foi o trekking mais naturalmente gastronômico que fizemos até hoje. Foi muito divertido ver o Ramon, no meio do lago gelado, tentando pescar nosso jantar. Sem falar naquelas frutinhas apetitosas... huuummmm...

CUSTOS

Como não tínhamos muito pesos chilenos em espécie, e a cotação do dólar era boa nos estabelecimentos em Puerto Williams, pagamos quase todas as nossas despesas em dólares.

Seguem alguns custos em pesos argentinos (ARS), pesos chilenos (CLP) e dólares americanos (USD).

  • Taxa do porto de Ushuaia, individual: $ARS 60,00
  • Traslado de Ushuaia para Puerto Williams, em bote e Van, individual: $USD 120,00
  • Hostal Paso McKinlay, diária casal, quarto e banheiro privados, café da manhã e cafezinho à vontade: $USD 67,00
  • Refeição, restaurante Onashaga, preço médio individual: $USD 13,00
  • Aluguel da vara de pesca, 6 dias: $CLP 12000,00

Cotação em 25/02/2018:
$USD 1,00 = $BRL 3,24 = $ARS 19,95 = $CLP 590,00

DICAS

  • Se um cachorro de rua te seguir, e você não tiver comida para alimentá-lo, espante-o imediatamente. A sugestão é jogar água nele. Quando fizemos o circuito Dientes Navarino, um cachorro fofo nos seguiu por 7 dias, e aprendemos essa lição na prática.
  • Leve uma vara de pesca e se possível, aprenda a usá-la antes de ir.
  • Coma os morangos silvestres que encontrar. São muito suculentos. Pergunte para um nativo que frutas você pode comer direto da natureza.
  • Leve um GPS ou um mapa off line no celular, árvores caídas em alguns trechos podem confundir.

QUER MAIS?

Eu e Ramon Quevedo estamos curtindo uma vida sabática, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando.

Nos acompanhe também em:

Paula @mochilaosabatico
Paula @mochilaosabatico

Published on 08/21/2018 14:20

Performed from 02/27/2018 to 03/04/2018

1 Participant

Ramon

Views

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Peter Tofte
Peter Tofte 08/22/2018 08:39

Muito bem! Lindo roteiro Paulinha. Mas vc está muito madame na trilha kkkkkk.

Paula @mochilaosabatico
Paula @mochilaosabatico 08/22/2018 11:14

kkkk

Guilherme Cavallari
Guilherme Cavallari 08/25/2018 07:12

Pena que vocês não esticaram a caminhada até a Baía Windhond, a praia é completamente deserta apenas com o Cabo Horn adiante no horizonte. Encontrei ossos de baleia na praia quando estive lá, durante a TRANSPATAGÔNIA. Parabéns!