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Aiuruoca [Minas Gerais / Brasil]

Aiuruoca [Minas Gerais / Brasil]

Natureza maravilhosa, com trilhas e cachoeiras pra gostos variados.

Hiking Waterfall


Aiuruoca (Casa do papagaio em Tupi) é um município brasileiro do sul de Minas Gerais, com uma população de aproximadamente 6000 habitantes. Localizada na Serra da Mantiqueira, ao pé do Pico do Papagaio, quase todo o relevo é montanhoso e acidentado, com 5% de terrenos planos. Por isso possui em seu território mais de 80 cachoeiras, espécies da Mata Atlântica e dos Campos de Altitude, inúmeros cursos d`água e paisagens mágicas.


Pico do Papagaio ao fundo.

O Pico do Papagaio é contemplado de diversos pontos da cidade, com seus 2.042 m de altitude, e fica no meio da Serra do Papagaio, protegida pelo Parque Estadual da Serra do Papagaio.

Ainda na Serra do Papagaio encontra-se o Pico do Bandeira, que é o mais alto da serra com seus 2274 m de altitude.

A 17 km da cidade encontra-se o vale do Matutu (cabeceiras sagradas em linguagem indígena), de onde se parte para algumas das atrações da região, sempre a pé, pois essa é a área de limite para se chegar de carro. Ainda assim, nos dias de chuva mais forte pode ser um pouco mais complicado chegar até lá. Os moradores do Matutu se esforçam em conservar e preservar as florestas nativas, e têm uma proposta de vida em harmonia com a natureza. O casarão do Matutu é onde ficam os guias para informações e para quem sentir necessidade de acompanhamento nas trilhas, e lá também se pode desfrutar de um bolo, café ou pão de queijo numa pequena área no interior do casarão onde é servido o "café da roça". Ao lado tem uma pequena loja, com artigos bonitos de decoração, lembrancinhas, e um trabalho muito bonito de uma artista que faz camisetas e cartões com uma técnica de impressão usando flores secas.

O casarão.

Para quem busca descanso (principalmente mental e não exatamente físico), contato com a natureza, belas imagens e uma boa acolhida, Aiuruoca é um bom destino.

Os meses de novembro a fevereiro são mais quentes e chuvosos, e entre abril e agosto o tempo fica mais firme, sem chuvas, porém as noites são bastante frias.

Fomos pra lá no mês de dezembro, pra passar o Reveillon longe de bagunça e muvuca, como sempre tentamos fazer. A escolha foi ótima.

Pegamos estrada no dia 26, sem enfrentar trânsito. Demoramos bastante para chegar, mas o ideal é mesmo ir sem pressa, parar pra almoçar no meio do caminho, e ir aproveitando o visual da estrada.

Pousada Alquimia / Glória e a ceia de Reveillon.

Ficamos hospedados na Pousada Alquimia, da Glória. Ela fica cerca de 2 km antes da entrada da cidade, e é muito agradável. Achei que a idéia de ficar ali foi melhor do que ficar dentro do vale do Matutu, como são muitas das outras pousadas que pesquisamos. Do vale daria muito mais trabalho pra ir até a cidade, e uma distância que dá um pouco de preguiça de percorrer depois de fazer os passeios diários. Como nem todos os passeios são no Matutu, acho que não é essencial ficar lá. Por outro lado existe um charme todo especial em ficar ali mais afastado, mais imerso na natureza.

Também vale ressaltar que o melhor almoço que fizemos lá em Aiuruoca foi no Matutu, no Restaurante da Tia Iraci, que fica na trilha principal do Vale do Matutu (T: 35-98445212)

O Restaurante Dois Irmãos que fica na cidade é uma das poucas opções de almoço, e não ficava até muito tarde aberto.É servido buffet por quilo.

Além disso tem pequenas lanchonetes e sorveterias na cidade também.

Pizzaria tem duas que me lembro. A Dna Azeitona, e uma outra, que foi onde comemos por indicação da Glória, mas que não me lembro o nome. Essa foi muito boa! Da porta quando o cliente olha acha que é um botequinho, mas quando entra e desce uma escada chega a um ambiente mais amplo e agradável. A pizza é muito boa.

No primeiro dia da viagem fomos à Cachoeira do Fundo. Ela fica no Vale do Matutu, e é preciso percorrer uma trilha longa, com trechos íngrimes, mas relativamente fácil para chegar até ela. Ela é a mais alta de Aiuruoca, com 130 m de altura. Não possui em sua base um poço para banhos, mas ainda assim é possível molhar-se na última de suas várias quedas. É muito bonita a trilha toda com a cachoeira ao fundo, principalmente o trecho em que ela passa no meio de uma área toda coberta por samambaias, criando um clima meio Jurassic Park.

Rô, indo pra Cachoeira do Fundo, e o abrigo da trilha.

No segundo dia fizemos amizade com o Laerte, que chegou sozinho e a pé na pousada, e fomos com ele até a cachoeira do Garcias. Ela é uma das maravilhas que se encontra fora do Vale do Matutu. Com 30 m de altura, volumosa e imponente, a cachoeira que impressiona já foi eleita uma das mais bonitas do Brasil pelo guia Quatro Rodas. Pra chegar até ela a estrada é tranquila, com trechos de pedra e trechos de terra.

Cachoeira do Fundo

Estrada para a Cachoeira dos Garcias.

Uma pequena e íngrime trilha leva da estrada pra baixo, até a base da cachoeira, e uma pequena caminhada por cima leva ao alto dela.

Do outro lado da estradinha de terra, descendo um pouco, num lugar menos conhecido e menos frequentado, está a Prainha . Muito boa pra passar um tempo relaxando, linda, a prainha foi um dos lugares que mais gostei.

Cachoeira dos Garcias.

Cachoeira dos Garcias.

Prainha.

Prainha.

Enquanto tentávamos encontrar a Prainha, acabamos passando por alguns lugares inusitados. Atravessamos a pé o rio, na parte de cima antes da queda da cachoeira, e seguimos por uma estrada de barro, com alguns esqueletos de bovinos pelo caminho, que chegava a umas casas abandonadas, que renderam fotos interessantes.

Casa abandonada.

No outro dia fomos à Cachoeira do Deus me Livre, que também é muito imponente.

Cachoeira do Deus me livre.

A Cachoeira do Deus me Livre tem três quedas d 'água principais, com 15 m cada, e piscinas naturais para banho. A entrada da trilha de 20 minutos fica próxima a entrada do pocinho. O Pocinho não cheguei a conhecer, mas não me atrai pelo fato de ter sido fechado e colocada uma portaria onde cobram entrada. Ficou uma coisa mais comercial do que aquilo que geralmente buscamos em nossas viagens.

No dia em que um casal de amigos nossos chegou na pousada, fomos conhecer o Poço das Fadas e voltamos com eles até a Cachoeira do Fundo. O poço das fadas estava muito cheio de gente, e nem conseguimos ficar por lá. O acesso é muito fácil e as pessoas já estavam chegando para o feriado do fim do ano. Mas já vi fotos do Poço das Fadas vazio e realmente é bem bonito. Dessa vez porém, na volta da Cachoeira dos Fundos, além de passarmos pela do meio novamente, conseguimos encontrar no final de uma trilhazinha bem estreita e íngrime, a Cachoeira do Arco-Íris, que fica bem pra baixo do morro, muito aconchegante e de águas claras. Linda, e uma pena que a foto nunca vai conseguir mostrar o que ela realmente é. Muita gente não chega até ela porque a entrada da trilha é bem discreta. Fica um pouquinho antes da entrada da do meio, e do outro lado da estradinha de terra. Nós só fomos porque tinha um cavalo de alguém parado na entrada da trilha.

Cachoeira do Arco-Iris.

A idéia quando saímos de São Paulo para Aiuruoca era de conhecer o Pico do Papagaio, e ainda que não fôssemos escalar, queríamos dar uma olhada nas vias por lá. Porém, com a grande quantidade de chuvas que estavam acontecendo na região, e com raios e relâmpagos muito frequentes, fomos totalmente desencorajados pelos moradores, que aconselharam que déssemos preferência para o Pico do Bandeira que seria menos arriscado do que o Papagaio. E foi o que fizemos. Tiramos um dia para o passeio até o pico do Bandeira, e foi um dia muito legal.

Começamos pelo Retiro dos Pedros, um lugar instigante, onde tem uma pousada que foi proibida de funcionar devido à transformação da área em Parque. A estrutura da pousada é maravilhosa, e quando você chega no lugar, vazio, com bancos e mesas de madeira que parecem estar ali sendo usadas por seres invisíveis que mantêm o lugar, é impressionante.

Pousada desativada.

Pousada desativada.

Na frente dessa estrutura da pousada tem um Canion e cachoeiras onde nadamos por alguns minutos antes de seguir a caminhada rumo ao Pico do bandeira. A caminhada é um desafio sem um guia, pois não tem exatamente uma trilha bem definida, e dependemos bastante do uso do GPS para chegar ao destino desejado. O tempo ajudou bastante, já que justamente neste dia a chuva deu uma trégua, e não precisamos nos abrigar ou entrar em pânico por causa de raios e tempestades. Paramos em alguns mirantes de paisagens bem lindas.

Canions.

Retiro dos Pedros.

Chegamos cansados ao Pico do Bandeira, e já em um horário avançado do dia. Mas valeu a pena. A emoção de chegar naquele ponto foi grande para todos nós. O visual foi demais, tanto do pico quanto dos mirantes por onde passamos e todo o caminho percorrido.

Um dos mirantes do caminho.

Descemos com um pouco de pressa para resgatar nossos amigos que haviam ficado na pousada abandonada e terminar o caminho de volta até o carro, mas tudo deu certo. Chegamos de noite na pousada, um pouco mais tarde do que queríamos, mas deu tempo de tomar um banho e sentar para a ceia de Reveillon com os demais hóspedes. Nesta noite dormimos muito bem, um sono pesado pra compensar o esforço durante o dia.

Mais algumas fotos:

Prainha.

Prainha.

Caminho para o Retiro dos Pedros.

Canário da terra.