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Fazendo história na Coroa do Frade

Relato sobre a investida à Coroa do Frade, na Serra dos Órgãos, realizada em julho de 2019.

Mountaineering Trekking Climb

O quinto relato que compartilho aqui na AventureBox é bastante especial. Conto sobre nossa experiência em fazer o cume da Coroa do Frade, uma agulha vertiginosa na Serra dos Órgãos, com acesso extremamente restrito e trabalhoso. Aqui cabe um alerta importante: o acesso ao local deve ser autorizado com antecedência pela administração do PARNASO.
Divido a autoria desse texto com minha querida parceira Fernanda May. Divirtam-se com a nossa ralação e apreciem as incríveis fotos!


Relato publicado no Boletim do Centro Excursionista Brasileiro, edição Janeiro/Fevereiro de 2020. Disponível em www.ceb.org.br.

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Em 27/11/1940, os cebenses Almy Ulissea e Paulo Roberto de Carvalho conquistaram a Coroa Menor do Frade, subindo pelas encostas a partir do vale do Rio Soberbo. Trinta anos se passaram até que houvesse a presença de novos montanhistas na Coroa do Frade, formação composta por três imponentes cumes que compõem o primeiro plano da paisagem nos Portais de Hércules do PARNASO. A segunda passagem de montanhistas por lá resultou na conquista da Coroa Principal, feito realizado através da descida pelos Castelões, por um grupo do Centro Excursionista Petropolitano (João Ferreira Barbosa, Luís Alberto Alexandre Cordeiro, Luís Cláudio Jesus Jatobá e Fernando Guimarães Lima).

Os anos passaram e não foram muitos os montanhistas que tiveram a ousadia, ou disposição, de chegar em algum dos cumes da Coroa. O trabalho é realmente duro!

Em 31/07/2010, um grupo formado por membros do CERJ, CEG e ICMBio conquistou a Coroa Central, 70 anos após a conquista da Coroa Menor. Trata-se de um feito relativamente recente e contou com a participação dos montanhistas Waldecy Lucena, José de Oliveira Barros, Boris Flegr, Rafael Villaça e Gabriel Cattan, mas também com pouquíssimas repetições.

No dia 13 de julho deste ano fizemos cume na Coroa Principal, acessando-a através da descida dos Castelões. Mas fomos além...fomos os primeiros cebenses a subir na Coroa Central, agulha vertiginosa que se destaca no alto do vale do Soberbo. Das sessenta pessoas que já pisaram em algum dos cumes da Coroa, apenas 14 são do CEB (ver quadro no final deste relato).

Nossa aventura se iniciou em 2018, quando tentamos fazer o cume da Coroa do Frade como parte do trabalho final do curso de guia da Fernanda May. Além dela, o grupo era composto pelos guias Ricardo Barros e Alex Pinheiro e os monitores Rafael Damiati e William Nascimento. 

A orientação até os Castelões não é uma tarefa fácil e, somados às intercorrências com participantes, erro na descida do rapel e perda de tempo ao refazer a linha de rapel (inclusive batendo grampos) até o colo da Coroa, optamos por desistir. Foi uma decisão dura, pois estávamos a poucos metros do cume, mas prudente. Voltamos aos Castelões com uma sensação de dever não cumprido. E a volta aos Castelos do Açu, já no dia seguinte, não foi menos difícil. A experiência de ter sede e não ter água para beber jamais será esquecida pelos que lá estavam. Aprendemos a lição: a Coroa é árdua e trabalhosa.

O guia Luiz Cláudio Antunes, do CEP, ajudou a Fernanda em seu relatório final do curso de guia e fez a promessa de que na temporada seguinte poderia auxiliar na empreitada à Coroa. E a promessa foi cumprida! 

Após conciliarmos a agenda de todos, inclusive a das condições do tempo, combinamos uma nova investida (e seria aos três cumes!) no dia 13 de julho deste ano. Planejamos então chegar nos Castelões no dia 12, à tarde, para montarmos acampamento e organizarmos o ataque. Nesta investida, a composição do grupo foi: Fernanda May, Rafael Damiati e William Nascimento, do CEB, e Luiz Cláudio Antunes, Jeferson Monteiro da Costa, Renan Hansen e Diogo Pereira, do CEP. Apenas nós, do CEB, e o Jeferson do CEP, não havíamos feito a Coroa.

Rafael, Fernanda e William abrindo os trabalhos com muito peso nas costas!

 

Como a Fernanda teria que trabalhar sexta de manhã, saímos um pouco mais tarde e combinamos com o pessoal do CEP às 14:00 horas no abrigo do Açú. Chegamos no Parque as 9:40 horas e vinte minutos depois já estávamos caminhando, cada um com seus vinte e alguns quilos na mochila. No início do lajeado, encontramos com o grupo do CEP e de lá seguimos juntos até o abrigo. 

Após a parada para o almoço, caminhamos em direção aos Castelões, descendo direto do Morro do Marco. Paramos para abastecer em um ponto de água antes de subirmos para os Castelões e montar acampamento. Ventava muito! Nosso jantar e sono foi ao som do vento forte, que não deu trégua durante a noite. A expectativa do dia seguinte aumentava cada vez mais. Felizmente, acordamos cedo no sábado com um dia lindo e sem vento.

Linda alvorada nos Castelões após uma noite de muito vento! (Foto: William Nascimento)

 

Iniciamos a descida para a Coroa pela linha de rapel tradicional (dois rapeis) e depois passamos a descer de forma mais radical pela mata, utilizando cordas em alguns trechos, mas, em geral, deslizando “morro abaixo”. Pensávamos muito em como seria a subida de volta, mas fomos em frente (ou a baixo! rs).

Chegamos ao colo para então começar a atacar o cume da Coroa, com muito trepa pedra, lances um pouco expostos e no final uma linda escalaminhada, guiada pela Fernanda.

Ao chegarmos no cume da Coroa Principal ficamos extasiados com a linda vista lá de cima. Pudemos avistar as outras duas Coroas. A Coroa Central estava logo abaixo e a Menor um pouco longe do alcance, sendo necessário fazer uma trilha pela mata, à beira do desfiladeiro.

Montanhistas felizes por fazer o cume da Coroa do Frade. (Foto: Luiz Cláudio Antunes)

 

Descemos de rapel para o colo entre as Coroas Central e Principal e Luiz guiou a Coroa Central jogando duas cordas fixas para baixo. Diogo e Fernanda foram os primeiros a subir, sendo a Fernanda a primeira mulher a pisar no cume da Coroa Central. Depois subiu o Renan e por último, depois de pensar bastante, o Rafael. Nos tornamos ali os primeiros cebenses a realizar este feito.

A primeira mulher na Coroa Central e os amigos do CEP. (Foto: William Nascimento)

 

William e Jeferson preferiram permanecer no cume da Coroa Principal para tirar as incríveis fotos. Comemoramos nossa conquista, rapelamos para o colo e jumareamos para o cume da Coroa Principal. Naquele momento já sabíamos que não daria tempo de fazer a Coroa Menor, ficando então para uma próxima oportunidade.

Os primeiros cebenses a apreciar a Coroa Central. (Foto: William Nascimento)

 

Descemos a Coroa com cuidado e iniciamos a subida dos Castelões, que já nos era conhecida, esperando as dificuldades do crux final. Porém, a subida na trilha se mostrou menos exigente do que imaginávamos e a ascensão com o jumar fluiu bem. A Fernanda ainda perdeu o celular, mas conseguimos recuperá-lo mesmo com o início da escuridão. 

Ascensão em corda fixa na agulha vertiginosa. (Foto: William Nascimento)

 

Chegamos nos Castelões por volta das 18:00 horas, todos cansados e realizados. Comemos bem e dormimos o sono dos justos numa noite fresca e sem vento. No domingo retornamos à entrada do Parque e fomos comemorar o sucesso da empreitada no Tourinho. 

E lá se vão 79 anos desde a conquista da Coroa do Frade pelo CEB. Como nós, cebenses, não pisamos na Coroa Menor desde então, já sabemos….precisamos voltar!

 

Informações retiradas do livro de cume da Coroa do Frade.

Rafael Damiati
Rafael Damiati

Published on 04/20/2020 08:20

Performed from 07/12/2019 to 07/14/2019

2 Participants

Maria Fernanda May William Nascimento

Views

254

8
Fabio Fliess
Fabio Fliess 04/20/2020 08:23

Ficou irado o relato, Rafael. Parabéns a todos por esse cume incrível.

Rafael Damiati
Rafael Damiati 04/20/2020 08:27

Valeu Fabio! Não tem motivação melhor pra escrever do que esse cume e essas fotos 😁

Luiz Claudio
Luiz Claudio 04/20/2020 13:31

Ficou mt bom o relato parceiro. A galera estava numa sintonia incrível... É meu cume preferido na serra do orgãos ...sinto q em breve retornarei...rs

Rafael Damiati
Rafael Damiati 04/20/2020 13:38

Foi ótimo mesmo Luiz! Vamos planejar a próxima...rs

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 04/21/2020 00:38

Esse relato agrega um peso incrível ao boletim do CEB e ao AventureBox. Parabéns, irmão!

Clara Santo
Clara Santo 04/21/2020 08:41

Que linda imagem, parabéns!!!

Rafael Damiati
Rafael Damiati 04/21/2020 10:01

Valeu Bruno! Em breve tem relato com sua participação também 🤘🏼

Rafael Damiati
Rafael Damiati 04/21/2020 10:01

Obrigado, Clara!

Rafael Damiati

Rafael Damiati

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