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Na minha vez... O inóspito Ponto Triplo do Monte Roraima

Na minha vez... O inóspito Ponto Triplo do Monte Roraima

Um dos meus Objetivos no Monte Roraima era chegar ao Ponto Triplo e não imaginava que a Aventura seria tão formidável e inesquecível

Poderia estar aqui redigindo parágrafos e mais parágrafos da minha até então Primeira Expedição ao Monte Roraima em Janeiro de 2018, o seu Dia a Dia (foram 8 ao todo) e inúmeros detalhes Técnicos das Formações Geológicas do lugar, a Exuberante Flora ou ainda a quase Inexistente Fauna, mais presente na formas que as Pedras tomam e fazendo nossa imaginação funcionar imaginando e vendo diversos animais do que propriamente a presença deles... mas acredito que a Biblioteca sobre o Monte Roraima, seja Técnica ou de Relatos de como ir, o que fazer e afins e diga-se de passagem, bastante rica e extensa é encontrada à dezenas por aqui nesse maravilhoso mundo da Internet, até bom por sinal porque o Livro Fisíco também é escasso ultimamente em se tratando de Biblioteca Outdoor. Mas enfim, como já disse o que não vou dizer ou expor o que acho que não preciso, eis que falo da minha experiência em ir visitar o Ponto Triplo no Monte Roraima onde aquele Tepuy Maravilhoso se divide entre a Venezuela, Brasil e Guiana... sim Venezuelanos, a Guiana existe, é soberana e não é sua... bom, assunto para conversas sobre História, então deixemos de lado. Estávamos no nosso quinto dia da Expedição e no terceiro no topo do Monte Roraima, e neste dia o plano era seguir até o Hotel Quati, já no lado Brasileiro, porém a montanha estava cheia e o Hotel idem, o que nos forçou à ficar no Hotel Sucre, próximo à Rampa, por aquela noite e as demais.

Mas os planos de caminhada para este dia incluía a chegada até a Proa, não sem antes passar pelo próprio Hotel Quati e o Lago Gladys. Bem, era o plano e ele exigia quase 30 km de caminhada em ida e volta o que não era viável à todos do grupo. A solução na noite anterior foi dividir o grupo de 12 pessoas no qual eu organizei, em dois destinos. Os que não abriram mão da Proa, Hotel Quati e Lago Galdys e os que se contentavam apenas com o Ponto Triplo. Eu me juntei à esse e combinados que estavámos fomos dormir para o despertar cedo para que a caminhada pudesse ser realizada com sucesso. O dia amanheceu com as últimas estrelas ainda brilhando no céu mas foi o dia clarear que nuvens pesadas começaram à tomar conta de boa parte de todo o Tepuy. Sem muita delonga e após o sempre delicioso Café da Manhã partimos em direção ao Ponto Triplo, um grupo de 5 contando comigo e mais nossa simpática Guia Pemon. A caminhada até o Ponto Triplo seria de aproximadamente 20 km em ida e volta. As nuvens pesadas já tomavam nossas cabeças com meia hora de caminhada e não demorou para começar a chover. Aquele cenário inóspito que mais parecia outro planeta se tornou em outro planeta mais inópito ainda, porque não se via muito no horizonte devido a densa neblina e as gotas de chuva que eram grossas e batiam fortes em nossos corpos. Incrivelmente as pedras não estavam escorregadias e conseguíamos avançar com ritmo apesar da chuva. Por várias vezes cruzavámos por Destróiers do Império abatidos milagrosamente por Caças X-Wing da Aliança Rebelde e repousados sobre o solo do Tepuy Roraima... ops... divagando e viajando aqui com Star Wars, mas é porque não tinha como não ligar e visualizar aquelas formações rochosas incríveis com as Maravilhosas Naves deste grande clássico do Cinema e Cultura Nerd que se abriam sobre nossos olhos quando passavámos por elas.

Mas voltando ao Ponto Triplo, a chuva apertara muito um pouco depois que já havíamos passado da metade do trajeto e alguns comentários pairavam sobre voltar ao Hotel ou seguir adiante, mas estavámos mais perto do Ponto Triplo do que o Hotel. Enquanto divagavámos passava solitário um Porteador Pemon carregando uns 30 kilos nas costas rumo à sei lá onde, porque naquele cenário não se sabia onde se estava, para onde se ia ou de onde se vinha, tamanha inospitalidade, cinza, frio e sombras discretas de montanhas e formações rochosas do Tepuy ao longo do quase cego horizonte... confesso que era até meio desesperador. Por fim encontramos uma formação rochosa no qual nos protegemos um pouco e descansamos para seguir adiante e sempre olhando se o céu nos reservaria alguma surpresa, tendo em vista o tempo maluco que fazia lá em cima, podíamos sim ser agraciados com tal fato. E não é que do nada o tempo se abriu em um Azul Incrível e belo? Agora sim dava para ver o Horizonte do Tepuy com as mais lindas e incríveis formações à perder de vista.

Nossa Moral foi lá em cima novamente e à passos largos continuamos nossa marcha rumo ao Ponto Triplo que agora estava muito perto. Mas à poucos metros do Ponto Triplo o tempo fechou novamente e começou à cair chuva de novo. Nossa guia disse que estavamos perto e que daquele ponto se o tempo estivesse aberto já poderíamos ver o Marco em Cimento e Concreto que marcava o Ponto de divisão das Três Fronteiras, claro, não se enxergava nada e somente quando cheguei à aproximadamente 5 metros o avistei ali solitário e parado naquele ambiente hóstil e inóspito do qual nunca na vida havia estado ou presenciado. Parecia um Fantasma, ainda mais de Branco em meio aquele Cinza pertubardor. Mas a emoção de se estar ali era única e consoladora pela dificuldade de se chegar ali sob todos os aspectos, seja de logística, clima, financeiro, emocional, fisíco e mental... eu tinha conseguido chegar com meus companheiros e foi incrível. Muitas fotos e vídeos marcaram aquele momento único que hoje não penso em ter sido de outra forma que não daquela. Vou chegar lá novamente outro dia, e vai ser uma emoção diferente, porque essa foi única, assim como todos os momentos em qualquer montanha. A Felicidade está na Jornada como já li ou vi por aí, mas que é a maior das verdades. Vamos voltar? Quem quer vir comigo novamente?

Roger Pixixo
Roger Pixixo

Published on 08/08/2018 21:48

Performed on 01/11/2018

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1556

3
Camila
Camila 08/12/2018 13:00

Muito show, Parabéns

Roger Pixixo
Roger Pixixo 08/13/2018 12:08

Obrigado Camila !!!

Maway
Maway 09/18/2018 09:59

tá ai um sonha antigo! Parabéns! :)

Roger Pixixo

Roger Pixixo

Belo Horizonte

Rox
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Montanhista, Fundador e Guia Líder na EcoPix Trekking & Hiking. Amante da Natureza e Aventuras. Músico e Escritor Aspirante em Horas Vagas.

www.instagram.com/ecopix_trekking/

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