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Caminho de Frei Galvão de bike

Caminho de Frei Galvão de bike

Cicloviagem de 3 dias entre São Bento do Sapucaí a Guaratinguetá até o Museu de Frei Galvão realizada em 2014

Bike Trip Mountain Bike

Sem sono, perna doendo ainda da aventura recém finalizada, vamos escrever (depois de 1 ano) !

Como o título já explica quase tudo isso se trata de uma cicloviagem de 3 dias. Uma simples busca no google vai resultar em algumas pessoas que fizeram a pé em 5 dias e uns caras brutos que fizeram de bike em 2 dias. Das informações que achei, algumas coisas mudaram:

- O mantenedor do caminho não é mais o Luiz Zingra, que mudou em busca de outras aventuras. Agora quem é responsável pela manutenção, informações, credenciais é o Ademilson, conhecido como Brinco;

- Algumas pousadas foram desativadas:

Pousada da D. Penha / D. Betinha em Wenceslau Brás: (liguei lá e fui informado que por problemas de saúde elas não estão mais recebendo hóspedes. Me indicaram a Pousada Castelinho Amarelo da D. Patrícia - Tel: (35) 98336220

Pousada Lageado em Wenceslau Brás: Além de me falarem durante o caminho, quando passei por lá, tinha uma placa de vende-se na frente da propriedade;

- Parte do trajeto depois da Fazenda Boa Esperança em Wenceslau Brás sofreu alteração, porque os donos da Fazenda do Barão não permitem mais a passagem de peregrinos pela propriedade. Com isso existe um desvio que alonga o caminho bastante. Este percurso novo está bem sinalizado pelo pessoal de Guará (Guarabikers, Tribo da Trilha, etc);

Segue um breve descritivo do caminho:

- 1º dia: São Bento do Sapucaí - Luminosa - Piranguçu

Cheguei em São Bento na véspera, de ônibus, as 20:00 horas e já fui para a pousada Tia Cida. Como todas, simples mas tem tudo que você irá precisar. Banheiro no quarto, TV, wi-fi, café da manhã bom e o Sr. João (o dono) super gente boa. Fica pertinho de onde o ônibus de São José dos Campos pára e é perto do centrinho. Dá pra botar a bike no quarto (para os paulistanos isso é importante, embora o risco de roubo lá seja zero). O Sr. João (esquerda na foto) ligou para o Brinco (centro), que levou a credencial na pousada pela manhã, antes de eu sair. Ela custa R$ 20,00.

Cedinho, 8:30 da matina e já estou pedalando. O pedal mal começa é já vem a subida. O visual é demais, você sobe deixando São Bento e enxergando a Pedra do Baú em vários momentos.

A subida é bem íngreme e prepare-se para empurrar em vários trechos. Depois da Pousada Céu Aberto tem uma curva, aí ferra tudo de vez. A estrada piora, com pontos de erosão e outros de single track. Essa na minha opinião é a pior subida da viagem.

Quando você pensa que acabou, depois de quase 1 hora empurrando a bike, vem a pior parte. Pura erosão, daquelas que se gasta uma meia hora pra empurrar uns 300 metros.

Depois vem umas bifurcações, o lago, umas porteiras, aí começa o downhill e logo você chega em Luminosa. Eu cheguei ao meio dia.

Achei uma padaria que vendia uns salgados (não fazia comida nem lanches, porque a chapa não funcionava), mas parece que existe uma senhora que serve comida em casa, com meia hora para preparar tudo.

Voltando ao pedal, saindo do centrinho de Luminosa, a uns poucos quilômetros já inicia a subida. Nem tão forte quanto a anterior, mas com alguns poucos trechos de empurra-bike.

Após o downhill, você pega um estradão plano e pedala por alguns quilômetros até chegar no centro de Piranguçu. Eu me hospedei na pousada Verde Maratea, que fica na Fazenda Maratea, do outro lado da cidade (acho que nem 1km do centro). Lugar muito agradável, cheio de animais (mico, galinhas, vacas, etc).

O Sr. Luiz também é um cara super gente boa e prestativo e lá também tem wi-fi.

Como precisei tirar dinheiro, fui para Itajubá de ônibus onde aproveitei e jantei no centro. Se fizer isso fique esperto com os horários de ônibus. O ônibus pára na ida e na volta exatamente na frente da fazenda.


- 2º dia: Piranguçu - Wenceslau Brás


Foi o dia mais tranquilo de todos, mas mesmo assim não foi fácil. A subida também começa logo depois de sair da cidade, por dentro de uma fazenda.

Visual fantástico, mas não teve jeito: tive que empurrar. Muito íngreme em vários pontos.

Acabando a subida vem o downhill e logo um trecho quase plano de terra de uns 20km (estou chutando) até o asfalto, onde serão mais uns 6km quase planos (continuo chutando, com preguiça de olhar o tracklog do GPS) até o centro de Wenceslau Brás. Cheguei as 13:00 horas e ainda fui almoçar no restaurante da D. Adaléia (muito boa comida).

Fiquei hospedado no Castelinho Amarelo, que fica na rodovia, a uns 100 metros da igreja católica da cidade.

No centrinho (um rua que você desce quase em frente a pousada) existe um restaurante, supermercado, etc. Do lado da igreja fica uma pizzaria / lanchonete. A proprietária é a D. Patrícia e lá também tem wi-fi.

- 3º dia: Wenceslau Brás - Guaratinguetá

Esse é o dia aventura. O pedal começa cedo, por volta das 8:30 hrs no asfalto e alguns quilômetros depois, numa curva inicia-se o trecho de terra, uma estradinha tranquila.

A estradinha já começa com uma subida razoável e alguns quilômetros à frente eu quase passei reto num trecho onde era para virar, porque não vi as indicações do caminho e me liguei apenas pelo GPS. Na realidade esse é um atalho. Se continuar na estrada, você sairá no mesmo lugar.

Existe uma cerca / porteira e logo depois uma gramado com a trilha meio escondida e uma subida forte, que logo vira uma mata fechada. Um tempo depois a trilha já sai na estrada e mais para a frente na Fazenda Boa Esperança. Até aqui gasta-se mais ou menos 1:30 horas.

Essa é uma opção de hospedagem boa. O proprietário, Sr. Luiz Carlos hospeda peregrinos em um chalé mais barato e também é um cara bem gente boa. Às vezes é ruim de conseguir falar com ele no celular (eu não consegui). Ele recomendou mandar e-mail e me disse que não precisa de reserva antecipada.

Após a fazenda, a trilha vira aventura. O lance agora é só subida e com grandes trechos de erosão e relevo bem íngreme.

Ás vezes a mata fica bem fechada. O legal é que vai beirando um riacho que forma algumas cachoeiras e existe uma pinguela para atravessar carregando a bike.

Logo sai na estrada e depois de umas bifurcações mais à frente inicia-se nova subida íngreme. Logo a trilha vai passar por alguns trechos de altitude (bem loucos) e por dentro da floresta. Nisso estamos falando de single tracks empurra-bike pra cima.

Esse trecho, bonito mas terrível é o desvio da Fazendo do Barão (na foto a seguir), onde os donos não permitem cruzá-la para pegar o caminho antigo, mais leve.

Um tempo depois seguindo as indicações, chegará a Santa: duas capelas pequenas com imagens de Nossa Senhora Aparecida, Frei Galvão, e algumas homenagens.

Daí em diante inicia-se a descida da erosão dos Pilões pela Serra da Mantiqueira.

Como eu desci no outono, antes da época de chuvas e o pessoal dos Pilões fez a manutenção da trilha, ela estava muito melhor que dos anos anteriores. Na maioria do trecho dava para descer empurrando a bike ao lado dela.


Mais no final já dava para descer sentado, com o selim bem abaixado, no estilo Flintstones (empurrando com os pés). Pedalzadas na canela e na panturilha são inevitáveis. Alguns escorregões também. Relaxe e continue que uma hora o sofrimento acaba.

Gastei por volta de 1 hora descendo o trecho ruim e mais uma meia hora (ou menos) até chegar à igreja dos Pilões. Daí para Guará, um percurso quase plano, com poucas subidas, gasta-se mais ou menos 1 hora. O museu / casa de Frei Galvão fica no centro da cidade, próximo ao calçadão e fecha as 18:00 horas, então apresse-se para pegar o diploma e o último carimbo na credencial.

Dicas:

- Leve o mínimo de bagagem possível. Uma muda de roupa coringa que dê pra dormir e sair para comer à noite e uma muda para pedalar. Dois pares de meia (um pra dormir e outro para pedalar). Uma blusa tipo polar resolve ou um Anorak se houver chance de chuva. Uma capa de chuva leve. Manguitos e pernitos (não usei mas acho melhor levar no inverno). Comidinhas de trilha (gel, bananinha, barrinhas, etc). Ferramentas, bomba, câmara de ar, remendo, etc. Lembre-se que tem muita subida e o peso só atrapalha. Faça um desapego. Um peso bom é por volta de 6kg sem água;

- Reserve a pousada antes. Pode ser na véspera, porque em algumas eles não aceitam chegar do nada e pedir um quarto (não sei o por quê disso);

- Bike: você quer levar aquela sua super bike de carbono de competição ou a bike que acabou de comprar? Esqueça. Primeiro porque o ônibus de São José dos Campos para São Bento (EMTU linha 5123 se eu não me engano) tem um bagageiro baixo e minúsculo e a bike vai deitada sem ter como amarrar, ou seja, ela vai ralando durante toda a viagem de ônibus. Segundo, porque a descida da serra pela erosão dos Pilões detona a bike. O pedal, coroa, quadro, vai batendo nas pedras o tempo todo. Os galhos enroscam no guidão, rodas e quadro e arranham. Leve aquela sua bike guerreira, não o seu xodó.

- Vai fazer o caminho com uma galera e pensa em pegar o busão que eu citei acima ? Pesquise, porque esse aí acho que só cabem 2 bikes (uma ralando por cima da outra). Sei que existe ônibus de Pinda também para São Bento, mas não faço idéia de como é;

- Vai levar alforge com bagageiro ? Eu fui com mochila com camelback (ela estava com 6,3 kg sem água) e não usei alforges. Achei bom, porque a bike continua estável e em trechos onde precisamos empurrar a bike e carregá-la no ombro, alforges dificultarão em muito a subida. Pedalar com alforge é foda;

- A previsão é de chuva ? Meu conselho é adiar a trip. As subidas são muito punk (serão 3 dias empurrando a bike) e a descida da erosão dos Pilões já é foda seca (o pior é que eu já desci com chuva em outro pedal ...). Outra coisa: com dia ruim não dá para aproveitar o visual, que é fantástico;

- Leve dinheiro porque quase não existe banco nas cidades onde irá passar. Tive que sacar dinheiro em Itajubá (dá pra ir de ônibus circular de Piranguçu - 15km). As pousadas custam na média R$ 40,00 e você irá gastar uns R$ 15,00 por refeição. Leve uma sobra pra não ter perrengue depois;

- Celular: Meu TIM pai de santo só funcionou no estado de São Paulo. Em Minas, na maior parte dos locais meu Vivo funcionou. Internet através de wi-fi sempre tinha nas pousadas. Smartphone numa viagem dessa é uma mão na roda;

- Leve bastante água. Pelo menos 1,5 litros por dia de pedal. Lembre-se que tem muita subida;

- Não precisa levar roupa de cama nem toalha (as pousadas tinham). Sabonete é bom levar, assim como produtos de higiene pessoal (claro, né !).

Fatos marcantes e informações diversas:

- Todas as pessoas que eu encontrava eram muito simpáticas e prestativas. A vida no interior é muito diferente do que estamos acostumados nas médias e grandes cidades;

- Não existe risco de assalto. Em todas as cidades, as casas ficam abertas, bicicletas estacionadas na rua. As pessoas tem muita confiança nos peregrinos;

- A água que você vai beber será da torneira. Sim, na maioria dos casos de bica. Unânime, em todas as pousadas as pessoas beberem da torneira e a água parece até melhor e mais pura que as garrafas de água mineral que tomo por aí. Delícia de água fresca;

- Todo mundo conhece o caminho ou ouviu falar dele. A maioria não fez o caminho, mas sabem sobre o relevo, distâncias, condições, direções, etc.

- Poucos fazem o caminho de bike. A maioria faz a pé. Não encontrei nem um outro peregrino pelo caminho;

- O caminho é todo sinalizado. Cada curva, bifurcação ou entrada existe uma seta ou placa indicando a direção. Geralmente é bem discreta (um seta azul pequena), mas ela sempre existe. Tenha atenção no caminho para não passar reto sem ver a indicação. Ás vezes você tem que parar e procurar a seta. Ela pode estar pintada num poste, numa pedra ou em uma árvore;

- GPS dá uma segurança a mais. Não é fundamental. Se você possui um, baixe a trilha e leve-o, senão não tem problema, mas tem que prestar muita atenção no caminho e isso de bike é mais dificil por causa da velocidade.


Romulo Spiridigliozzi

Romulo Spiridigliozzi

São Paulo

Rox
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Engenheiro para pagar as contas, trekkeiro, mountain biker, ciclista, corredor e bebedor para viver.

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