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Jornada em Cerro Partido

Jornada em Cerro Partido

Uma caminhada bem cansativa com minha patrulha"

Camping Trekking Long Distance

Bom, no tempo em que fui escoteiro/sênior, fotografia não fazia parte das coisas que tínhamos em mente. Diferente de hoje que podemos guardar tudo em um celular, naquele tempo era câmera, filme, flash, um monte de tralha que ocupava espaço essencial na mochila. Eram raras as fotos. Eu sei que tenho uma foto da P.A.S. e procurei, mas....infelizmente não achei. Mas o que seria a P.A.S.? É uma sigla que adotamos, no grupo do qual eu fazia parte(deixando bem claro que isso não é oficial e não existe em todos os grupos escoteiros, era uma tradição do grupo o qual eu fiz parte), de Patrulha de Atividades Secretas. A P.A.S. era formada pelos melhores escoteiros, a patrulha de elite, todos sabiam da existência dela, mas ninguém sabia quem eram seus componentes. Nosso objetivo era enfrentar lugares antes de levar o restante do grupo/tropa. Se a P.A.S. passava pelo local, e dependendo da dificuldade, levavamos o pessoal.

Começando o relato, no dia 14 de julho de 1988 juntamos a P.A.S. nas férias de meio de ano do colégio e do grupo, assim não se levantaria suspeitas pelos sêniors que não estariam presentes em reuniões, e partimos para Encruzilhada do Sul - RS. Passamos a noite na cidade, nosso objetivo estava a mais ou menos 30 Km da cidade, um local chamado de Cerro Partido. O inverno neste ano não estava nada fácil. Tínhamos levado comida para 10 dias, água iríamos utilizar a do local, seja do rio, seja das eventuais charqueadas por onde passaríamos, e uma barraca que ganhamos do exército. Sei que uma de nossas Leis Escoteiras fala em preservar o ambiente, mas...não tinha como levar aquele trambolho! Pior ainda foi quando um dos sêniors tirou os coturnos! Colocamos ele e os coturnos pra fora da barraca :-) Desde então ele passou a ser conhecido no grupo como Chulé!

Esta foto acima mostra o platô para onde nos dirigíamos(a foto é da internet e quando estivemos neste local, a mata era mais fechada). Todos nós éramos treinados em escaladas, rapel, localização por bússola, estrelas e sol(utilizando o relógio de pulso) e por isso não teríamos problemas em nos localizar. Mas o terreno não era nada amistoso, algumas trilhas que achamos no caminho eram bem difíceis(em uma escala até 10 eu as classificaria em 8) e em alguns lugares tínhamos que escalar. Nosso tipo de escalada era sem material, treinávamos isso em uma pedreira na cidade de Capão do Leão, próxima a Pelotas. O primeiro ia e marcava o melhor local(era o chefe, que era mais experiente) riscando a parede com o que tivesse, ele subia com um cabo que servia para levar o material para cima e como segurança durante a escalada.

Parece baixo, mas não é!

Tínhamos que fazer uma média de 30 a 35km por dia para conseguirmos mapear toda a região. Esta região das fotos acima, quando estivemos lá, era toda de mata fechada, e caminhar 30km em mata fechada não é fácil. Não tínhamos nada além das bússolas, GPS não existia nessa época! E o controle de nosso ritmo, junto a um mapa velho, para termos a certeza de quantos quilômetros estávamos caminhando por hora.

Na primeira noite que paramos para dormir sem a barraca, o frio foi de matar! A fogueira parecia um assador, porque a parte do corpo que estava virada para ela aquecia e a outra gelava, tínhamos que ficar virando toda hora!!! A sopa na primeira noite caiu muito bem!!! Levantamos com a luz do dia, mas sem enxergar nada, a neblina estava muito espessa. Perguntamos ao chefe se seguiríamos, já que estávamos caminhando em região com precipícios. Ele disse para esperarmos um pouco, mas...a neblina continou! Decidimos em conjunto seguirmos adiante com cautela. A neblina só levantou no final da tarde e este dia não rendeu, apenas 20km.

Chegamos nesta parte do platô, onde descemos e cruzamos este pequeno vale. Quando passamos por ele, não existiam estas poças d'água, foi um inverno seco. Subimos o paredão a frente, e conseguimos caminhar neste dia 45km. Depois da subida o terreno era plano e com uma bela trilha que fez com que nossa caminhada rendesse bem.

Este é um muro de pedras construído pelos índios locais, e ao fundo vemos uma das partes mais altas do platô, que era exatamente igual ao da foto, com uma bela vista do local.

No total caminhamos por uma semana o equivalente a 230km, com muito frio, em determinados momentos com sede, e com algumas escaladas difíceis, já que as paredes eram muito quebradiças, mas no fim a P.A.S. passou pelo teste de sobrevivência no Cerro Partido! Decidimos por não levar a tropa, mesmo tendo lugares como este acima.

Um escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades

Sempre Alerta!

Ronaldo Morgado Segundo

Ronaldo Morgado Segundo

Rio Grande

Rox
209

Formado em eletrônica, informática e história, escoteiro desde 1979, grande entusiasta de aventuras e fotógrafo.

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