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Bravus Race: Aventura em corrida de obstáculos

Bravus Race: Aventura em corrida de obstáculos

Relato da minha primeira participação em uma corrida de obstáculos, a Bravus race, categoria Speed, em março/2018.

BRAVUS RACE

Bravus Race é uma prova de corrida de obstáculos da Norte Marketing Esportivo, uma modalidade esportiva inspirada nos treinamentos do exercito americano. Um verdadeiro teste de superação com obstáculos tais como correr, passar por tubulações, atravessar redes de carga elétrica, áreas lamacentas, escalar muros, transpor trincheiras, mergulhar em águas geladas, rastejar no chão, carregar materiais pesados, escalar cordas e muros, cair em tanques de água, pular sobre fogo, entre outros. Onde o objetivo não é chegar primeiro e sim vencer o percurso e obstáculos.

Modalidade que vem a cada ano ganhando força e milhares de adeptos no Brasil, desafiando os atletas de forma inovadora e divertida, mas que exige muito autoconhecimento, resistência física e mental dos participantes.

A corrida tem diversas etapas e está presente em vários Estados brasileiros, para atender desde aqueles que estão começando a se aventurar nesse mundo, tanto aqueles que já são mais experientes e buscam etapas cada vez etapas mais desafiadoras.

Eu tive a honra de passar por essa vivência no dia 25/03/2018, na etapa Speed em SP, contando com 5km de percurso e 15 obstáculos, o evento foi realizado na Pedreira Anhanguera em Cajamar -SP, segue abaixo relato da minha experiência.

RELATO DE PARTICIPAÇÃO BRAVUS RACE CATEGORIA SPEED SP/2018

Muitos arranhões nos braços, pernas, joelhos, alguns hematomas, cansaço e alivio por ter conseguido cumprir o desafio com sucesso. Esgotada, mas emocionalmente mega, mas mega feliz!! Sim cansada, mas um cansaço libertador, a alma parece até mais leve, como muitos diriam “suja de lama, mas de alma limpa”... Difícil descrever os mistérios do corpo e mente humana, e como a capacidade de aceitar e vencer desafios podem ser libertadores.

Cai meio de gaiato nesse evento, pois nunca me interessei por corridas, e nunca me imaginei participando de algo parecido, muito menos pagando para “sofrer”, no entanto, meu filho tendo como ídolo o atleta Usain Bolt, vivia falando de corridas, que queria participar, porem nunca dei muita atenção, cheguei a pesquisar alguns eventos para inscrevê-lo, mas nunca dava certo, por fatores como distancia, investimento alto, entre outros. Então, quando surgiu o assunto no grupo de trilhas que participo me interessei em inscrevê-lo de imediato, mas, não sei se por sorte ou azar a idade dele (15) não era permitida no evento, que era destinado somente á maiores de 18anos.

O assunto podia ter morrido ali, entretanto, me deixei levar pela empolgação da galera e decidi correr eu mesma. Como era um mundo totalmente desconhecido, comecei a pesquisar sobre a corrida e os tais obstáculos, e os próprios integrantes do grupo que formamos com os interessados, também iam incentivando uns aos outros nos treinos, e compartilhando informações.

Por inúmeras vezes pensei em desistir com pensamentos como: "imagina vou ficar pagando para sofrer e me machucar", "não vou conseguir passar pelos obstáculos", “não estou nem conseguindo treinar, melhor desistir mesmo”. E quando li o termo de responsabilidade com falas como: “Assumo e aceito os riscos de... extenuação física ou mental... ataques de animais selvagens... contato com plantas venenosas... afogamento... lesões graves e até irreversíveis... disfunção de órgãos... lesões na coluna vertebral... paralisia... ataque cardíaco... inchaço do cérebro e até mesmo a morte” entre outras coisas. Nossa! Quase entrei em choque, pintei um bicho papão gigante na minha mente. "Onde estou me metendo" falava comigo mesma, “O negocio é serio!”, “Com risco até de morte!”, se até então não tinha conseguido nenhuma desculpa para desistir era bom eu pensar uma rápido, e tentar passar minha vaga adiante, e assim conseguir pelo menos o ressarcimento do dinheiro da inscrição, mas ao mesmo tempo tinha uma vontade imensa de fazer parte disso, enfrentar esse bicho papão e ver se ele era tão feio assim...

Enfim, não desisti! Pensei comigo “na pior das hipóteses pago castigo para não passar os obstáculos, (sim, porque se não se sente seguro para passar em algum obstáculo você pode pagar um castigo que geralmente são 20 repetições de algum exercício como polichinelo, agachamento, flexão etc.) ainda tiro umas fotos maneiras, e conheço um pouco desse mundo”, mas foi muito mais do que isso, o bicho papão não era tão feio assim...

No dia da prova, o dia estava lindo, tempo aberto, sol e muita anciedade... Devido a alguns percalços teve atrasos de alguns integrantes do grupo, esses e inclusive eu, não conseguimos fazer a concentração, fui uma das ultimas do nosso grupo e bateria a entrar na arena e começar o percurso, pois estava aguardando uma colega que estava com meu kit...

Logo no inicio já adentramos um caminho com muita lama, se não tomasse cuidado corria o risco de perder o tênis atolado antes mesmo de começar a prova, perdi a concentração, mas, consegui alcançar a equipe no primeiro obstáculo: As barricadas, uma sequencia de paredes formadas com placas de madeira onde tínhamos que escalar e pular para o outro lado, e graças a ajuda dos meninos, que como eles mesmos disseram nunca foram tão pisoteados na vida, as outras meninas e eu conseguimos vencer todas as paredes, mais um trecho de corrida, e outro obstáculo, o muro das lamentações, as barricadas foram só um esquenta para esse e para o muro inclinado que viria na sequencia, mais uma vez contamos com a ajuda dos meninos que nos ofereciam joelhos e ombros para servir de escada.

Percurso incrível, cheio de sobe e desce, e paisagens incríveis da pedreira, nessa altura a garganta já estava mais do que seca, suplicando por água, avistar um ponto de hidratação era tudo que eu queria, mas força na peruca que a brincadeira só começou.

Chegarmos ao obstáculo Brutus, finalidade transportar toras de madeira, cada um pegava uma tora seguia por um percurso fazia a curva e seguia paralelamente até deixar as toras no mesmo ponto e continuava o percurso, e graças a Deus ponto de hidratação logo a vista, respira bebe água, recupera a força, e borá subir/descer uma estrutura de cordas de mais ou menos uns 4 metros de altura, obstáculo Spider, fiquei receosa nesse por conta da altura, mas até que foi tranquilo, com calma e atenção mais um obstáculo superado, pose para fotos e seguimos em frente, agora correr para alcançar a galera...

Hora correndo mais forte, hora caminhando e recuperando a respiração, chegamos ao quebra peito, esse foi fácil, com a ajuda do monitor que me ofereceu a mão como apoio saltei pelo tronco de madeira instalado a uns 2 metros do chão, mais uma corridinha sempre apreciando as belas paisagens em volta...

E então chega o temido 1000 volts, corredor de choque, uma estrutura montada fazendo varias cortinas de fios paralelos desencapados onde tínhamos que atravessar de preferência correndo para tomar menos choques possíveis, depois de um pouco de hesitação, na duvida se pagava castigo ou arriscava, acabei decidindo enfrentar, e lá fui eu, abaixei a cabeça, cruzei os braços na frente do corpo e seja o que Deus quiser! Sai em disparada para o outro lado, e não senti absolutamente nada, nenhum choque, ufa! E vamos lá, logo a frente mais obstáculos de transporte de peso; em um ponto com galões de água, obstáculo força motriz, e em outro, sacos de pedras, obstáculo meia tonelada.

E assim, cheguei ao primeiro desafio que não consegui cumprir, o chamado “por um fio”, onde os atletas tinham que vencer uma parede com o auxilio de uma corda, aparentemente fácil, até tentei, mas sem forças nos braços e me lembrando dos riscos descritos no termo de responsabilidade diante de uma queda, (imaginei minha mão escapando e eu caindo de costas no chão fraturando a coluna) então resolvi não ariscar, muito importante o autoconhecimento, superar desafios é maravilhoso, mas também é preciso saber respeitar os limites do corpo e da mente, paguei 20 polichinelos e segui percurso...

Se antes a prova dos choques não tinha dado em nada, em compensação nesse ponto à coisa foi diferente, me deparei com o obstáculo fuga ou Vietnã, onde os participantes tinham que se jogar no chão e ir rastejando em poças de lamas passando por baixo de arames farpados, por uma área de uns 13 metros, mas antes de adentrar essa área tinham que passar pelas duas primeiras fileiras que não eram de arame farpado e sim choques, esse foi um dos pontos mais demorados, muita gente aglomerada, muita gente pagando castigo para não passar pelos choques e muita gente em dúvida se ia ou não, mas enfim chegou minha vez; A aglomeração serviu para ir analisando as estratégias usadas pelos que estavam a frente, e quando chegou minha vez, me joguei no chão e fui contudo, mas dessa vez não tive tanta sorte, levei uns choquinhos bem nervosos, e no rastejar no chão me arranhei toda, entrou lama no olho, na boca, uma dica é usar calça e blusa de manga comprida para amenizar o atrito da pele, enfim depois de rastejar e rastejar, rolar e rolar por debaixo dos arames e chegar do outro lado, estava literalmente pronta para secar e virar uma estatua de barro, mas dizem que barro faz bem para a pele, então ok!

Ponto de hidratação, água! Oba! Tudo que queria!

E vamos que vamos, atravessar mais trechos de lama com cuidado para não cair ou ficar com o pé atolado, ou perder o calçado, e mais a frente travessia de um lago com mais ou menos 1,300mts de profundidade, bom para tirar um pouco da lama grudada no corpo e roupas...

Chegamos ao Monte Bravus, à famosa rampa onde muitos mesmo com a ajuda de outros atletas empacaram, e mesmo depois de muitas tentativas não consegui vencer, pegava impulso, ia correndo, esticava os braços para alguém me segurar lá em cima, e escorregava de volta, isso 1, 2, 3, umas 10 vezes...

O jeito foi pagar castigo e ir para a próxima, essa foi fácil 20 agachamentos, eu acho que o castigo e desgaste maior foram às inúmeras tentativas de subir a rampa sem sucesso, entretanto, quando cheguei do outro lado, dei graças a Deus de não ter conseguido, pois depois de subir a rampa e mais duas estruturas tipo conteiner, e chegar lá em cima, do outro lado os atletas tinham que escorregar para uma piscina de água e lama, (conforme figura ao lado) o que para a maioria com certeza foi à parte mais divertida, para mim seria a mais frustrante, pois para alguém que não sabe nadar o impacto da decida não ia ser muito legal, já que a altura era bem considerável (para mim).

Mas enfim, segui para o próximo obstáculo, cheguei à também temida Sibéria, que se destinava a escalar uma escada de cordas, atravessar um trecho de “teto” feito com elásticos cruzados, e escorregar para uma piscina de água literalmente congelante, e ainda mergulhar para passar por debaixo de uma parede colocada no meio da piscina e do outro lado água mais congelante ainda, esse obstáculo realmente foi bem tenso, me senti no filme Titanic. Fôlego para sair da piscina, respiro e vamos continuar porque se parar é pior!

Chegamos ao trecho final do percurso... Último obstáculo, denominado fogo do inferno, onde os participantes tinham que pular por tochas de fogo, cheguei nesse ponto tinha uma galera concentrada esperando para passar, e eu apressada achando que em vista do que já tinha enfrentado esse ponto seria fácil, mal me preparei e fui, peguei impulso, corri, e saltei, resultado: meu pé bateu numa tocha e eu cai do outro lado do fogo, pelo menos não cai no fogo. Com a queda senti bem meu ombro fiquei com medo de ter deslocado, mas foi só susto mesmo, e um tremendo machucado bem feio no cotovelo, recuperada do susto segui junto com a galera e fim do percurso, com muita satisfação alegria, recebi minha medalha. Consegui!!

E descobri mais um mundo novo e incrível que sequer imaginava participar.

No final além da medalha os atletas recebem água, repositor de sais, e uma banana. E é nítida a sensação de contentamento estampada no rosto de cada participante. Poses para fotos e mais um desafio, tomar banho em exatos dois, sim dois míseros minutos. Outra dica é ir com rouba de banho para facilitar, pois o banho é ao ar livre e em conjunto. Mal deu para tirar o barro, mas já dava para ir embora para casa...

Como fui uma das últimas a entrar na arena também fui uma das últimas a sair, dessa forma, minha carona só estava me esperando para irmos embora, então acabei não curtindo muito o espaço, mas vale a pena se organizar e curtir a estrutura proporcionada pelo evento.

Foi uma vivencia única, superar desafios redefinir nossos limites, praticar atividades seja ela qual for, estar em movimento, e sair da nossa zona de conforto, isso faz bem para o corpo, mente e alma. Por isso recomendo, não tenha medo, descubra, experimente, se permita, e se achar algo que goste se jogue. A vida é curta demais para ficar só no sofá, não seja só o tele-espectador seja o protagonista também, a saúde agradece.

Deixo aqui meus agradecimentos;

A Alexandra Carvalho/ Grupo Trilhadeiros, que me apresentou esse mundo “fodastico”, e por toda sua determinação, paciência com a equipe, organizando, motivando, planejando e respondendo milésimas vezes às mesmas perguntas. kkkk, Alê você é demais!!

E a toda equipe e integrantes do grupo Trilhadeiros Montanhismo, que sempre vem motivando uns aos outros pela superação, autoconhecimento, amor e respeito ao próximo e ao meio ambiente, grupo “fodastico” que prega pela autossuficiência, cada um saber cuidar de si sem depender de terceiros, mas que ao mesmo tempo é a equipe de montanhismo que mais zela e se preocupa por seus companheiros e integrantes.

Gratidão!!

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Rosangelasilva
Rosangelasilva

Published on 05/07/2018 23:32

Performed on 03/25/2018

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