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Double U - Torres del Paine - Completo

Double U - Torres del Paine - Completo

Double U ou circuito W, faz parte do circuito completo do Parque Torres del Paine.

Desde 2012 planejava fazer esse que è um dos trekkings mais conhecidos da patagonia (com certeza o mais conhecido da patagonia chilena), mas sempre alguma coisa me impedia. Esse ano consegui orgazinar minha vinda a Patagonia e realizei esse trekking, difìcil sim, mas náo impossivel.

Em 29 de outubro sai de Punta Arenas com a ideia de realizar o circuito completo, comecei o trekking no dia seguinte carregando tudo para 10 dias de caminhada. Originalmente o circuito completo tem seu inicio na administraçáo do Parque (ùltima parada dos onibus que saem de Puerto Natales). Esse primeiro trecho inicia de forma bem tranquila com uma caminhada de 1:30 atè o acampamento Las Carretas, só se encontra água no acampamento, então saia da administração com um pouco de agua. A ideia era dormir nesse acamapamento, mas como ainda era muito cedo, não tinha niguém no local e essa parte pe conhecida pelos Pumas, decidi ir até o Acampamento Paine Grande. Foram mais 3 horas de caminhada, agora sim com sobe e desce, e com paisagens de tirar o fôlego.

Ao chegar ao acampamento fui direto escolher onde colocar a barraca, já que o local pe conhecido pelos ventos fortes, coloquei o mais próximo possível de um pequeno cerro e entre alguns arbustos. Foi o teste da minha barraca Vango, ainda não a tinha usado em um local tão extremo, mas a barraca cumpriu bem o prometido, seguiu firme toda a noite e na verdade nem senti muito o vento. Um milagre, porque quando acordei as 2 da manhã com a gritaria e o barulho do vento achei que eu estava sonhando. Mas quando abri a porta da barraca vi toda a confusão de pessoas tentando segurar suas barracas, barracas voando...eu permaneci dentro da minha bem tranquila e consegui apreciar o nascer da lua bem atrás dos famosos Cuernos, pena que como eu estava bem sonolenta acabei mudando a configuração da minha camera e só fui perceber no outro dia...rs.

O segundo dia começou com a noticia que os fortes ventos tinham fechado o Vale Francês e que todas as trilhas estavam "perigosas", depois do café da manhã e uma pequena espera para conversar com oguarda parque decidi deixar minha mochila no acampamento e tentar chegar ao Glaciar Grey, realmente o vento estava muito forte já no inicio da trilha sofri para não cair. Cheguei até a Laguna Avurtadas e desisti, pois a parte mais exposta estava logo a frente, encntrei aglumas pessoas que desistiram também e algumas vindo do Glaciar e avisando para ter cuidado. Retornei ao acampamento PG, peguei minha mochila e fui ao acampamento Italiano, perdi as contas de quantoas vezes quase fui jogada no chão pelo vento. É realmente impressionante a força e como ele vem de todas as direções, totalmente imprevisível. Me diverti escutando o vento e me preparando para ver se ele ia chegar até mim ou não, muitas das vezes o barulho era amedrontrador. Chegando ao Italiano montei minha barraca e fui descansar, no dia seguinte se o dia permitisse seria a parte mais recomendada de toda a trilha, o Vale Francês.

O terceiro dia amanheceu tranquilo, apesar de todo o vento que escutei a noite, dessa vez não tinha barracas destruídas ou pertences espalhados pelo camping, como no PG, as árvores do Italiano protegem bem o acampamento. Depois do café da manhã, começamos a trilha, encontrei dois brasileiros que estavam fazendo o W no sentido contrário ao meu. Depois de quase três horas chegamos ao primeiro mirador do Vale, e sim, vale toda a caminhada. Pra mim foi o lugar mais impressionate do trekking, uma visão 360 graus onde mais da metade era de montanhas rochosas e cada uma com um formato diferente, realmente impressionante a imensidão e a beleza.

Após a descida do Vale Francês peguei minha mochila e fui para o acampamento Cuernos (infelizmente não se pode dormir mais de uma noite nos acampamentos adiministrados pelo CONAF). O acampamento Cuernos, para mim, foi o pior que todos, muito desorganizado, sujo e instalações a desejar. Mais uma vez acordei no meio da madrugada, não pelo vento, mas sim pela ausência dele. Depois que escureceu começou uma ventania absurda (mais uma vez minha barraca aguentou bem), porém lá pelas 2-3 da madrugada estava uma paz, nada de vento. Tirei mais algumas fotos noturnas (a lente não ajuda muito), mas é incrível ver aquele céu (esse sim com mais estrelas) e até tive a sorte de avistar um meteoro, consegui pegar ele na foto.

O quarto dia de caminhada foi o mais difícil, longo e sempre morro acima, o bom que a mochila já estava um pouco mais leve, mas em compensação meus calcanhares (que começaram a me dar dor de cabeça no primeiro dia de caminhada com bolhas enormes em ambos) estavam ainda piores. Inchados e sem a possibilidade de caminhar sem as botas para aliviar a dor, pensei em desistir várias vezes. Quando cheguei na bifurcação do "short cut" que vai para o Hotel Las Torres, saída do parque, ou para o Acampamento Torres me sentei e fiquei uns minutos decidindo o que fazer. Despois dessa pequena pausa para reflexão decidi continuar, as bolhas já tinham me tirado do meu objetivo, que era o Circuito completo, o Q, mas eu já tinha chegado até ali não ia perder a oportunidade do Double U (sim eu estava carregando tudo para 10 dias de trekking :( ). Mochila nas costas e vamos em frente, ou melhor vamos para cima, apartir dali a subida piora, as árvores somem e a água fica mais escassa. Depois da metade do caminha se tem uma vista linda do vale, o local é lindo, mas, é o local com mais turistas de um dia, muita gente que nunca fez um trekking na vida e cai de paraquedas ali. Não sei como se aventuram na pior parte do Parque, a subida é forte, sol na cabeça todo o tempo e terra, muita terra.

Não tenho uma foto desse dia, não tinha energia para isso. E fiquei muito feliz de conseguir chegar ao acampamento Torres por volta das 4 da tarde, as únicas coisas que fiz foi montar a barraca, comer, limpas os machucados e dormir.

Tinha programado o alarme para as 5 da manhã, para ver o sol nascer nas Torres, desliguei e pensei "não tenho condições de ir" meus pés latejavam e doíam. Fechei os olhos e tentei voltar a dormir, só que minutos depois começo a escutar o barulhos dos outros saindo para a trilha, as headlamps passando pela minha barraca e não resisti. Levantei calçei as botas (auch!) e fui. Mesmo nas minhas condições consegui subir até as torres em 50 minutos, cheguei minutos antes do nascer do sol e fui muito bem recompensada pelo meu esforço.

Depois do espetáculo no nascer do sol, eu só queria chegar ao Hotel Las Torres e tirar as botas, voltei ao acampamento, comi um rápido café da manhã, arrumei minhas coisas e comecei a descer. Foi uma descida longa, péssima para os joelhos, cheia de gente no sentido contrário e desgastante. O melhor momento foi um encontro com m casal de Huemul que cruzaram a trilha na minha frente, para mim foi o bastante para terminar 5 dias de trekking, paisagens lindíssimas e porque não um pouco de dor.

Sara Pereira
Sara Pereira

Published on 12/25/2015 12:37

Performed from 10/30/2015 to 11/03/2015

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Renan Cavichi
Renan Cavichi 12/26/2015 14:27

Que demais Sara, parabéns pela conquista! Grande trekking!

Sara Pereira
Sara Pereira 12/29/2015 08:10

Obrigada Renan! agora terminei o relato! rs

Pedro Quezada
Pedro Quezada 06/10/2019 22:47

Que legal! Sou nascido em Punta Arenas, mas do Torres del Paine só consegui fazer o trecho até o Grey e voltar, há uns 25 anos atrás... preciso voltar com minha esposa, só não sei se ela vai gostar por causa do frio!

Sara Pereira

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