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Caminho Inca em Família

Caminho Inca em Família

Trekking de 4 dias e 3 noites no Caminho Inca - trilha clássica, saindo de Ollantaytambo no Vale Sagrado e chegando em Machu Picchu, no Peru

Trekking Mountaineering Camping

Realizando um sonho de 29 anos atrás quando estive em Machu Picchu via trem e ônibus, resolvi fazer o Caminho Inca em julho, de 4 dias e 3 noites, acompanhada por minhas filhas de 17 e 20 anos (Stella e Luna), meu irmão e minha cunhada (Sidney e Fabiane). Uma aventura há muito sonhada, muito planejada e cheia de incógnitas...o tempo estará bom? Vamos todos conseguir caminhar bem naquela altitude por 4 dias? Muitas expectativas e para minimizar o risco de algo dar errado, começamos a nos preparar fisicamente uns 4 meses antes, fazendo cada qual o seu esporte, treinando na academia, etc. Mas o que me preocupava era o preparo psicológico que não tem como treinar, a gente ganha na experiência... Por sorte, minha maior preocupação, que eram as meninas, foi à toa, porque elas curtiram demais a trilha, mostraram muita resistência física e também psicológica. Nada como a juventude!! rsrsrsrs

Contratamos o pacote da trilha numa agência peruana por email, após pesquisarmos muito, e deu tudo certo, pois prestaram um serviço excelente e a relação custo-benefício foi muito boa. Chegamos a Cuzco 3 dias antes, que está a 3.400 m de altitude, para nos aclimatarmos, pois muita gente passa mal com os efeitos da altitude nos primeiros dias. Haja folha e chá de coca.... que funcionam super bem pra curar o soroche (mal da altitude). Cuzco é uma cidade maravilhosa, pura história, multicultural, de uma beleza arquitetônica incrível, onde se come maravilhosamente bem! Segundo os quechuas é o "umbigo do mundo" e realmente dá essa sensação, pois andando pela parte histórica e turística se vê gente de todos os lugares do mundo.

Começamos a trilha numa 4a. feira, após nos deslocarmos na van da agência de Cusco até a entrada desse trecho do Caminho Inca, no km 82 do Vale Sagrado que margeia o rio Urubamba, próximo a Ollantaytambo, uma cidadezinha que têm um importante conjunto arqueológico e é super turística. Em companhia do nosso guia e da equipe de carregadores ("porteadores") que iriam dar o apoio logístico, carregando as barracas, todos utensílios de cozinha e alimentos, nossas mochilas com roupas, sacos de dormir, etc, etc... iniciamos a caminhada lá pelas 10hs da manhã de um lindo dia de sol, céu azul, e aquela paisagem andina de tirar o fôlego!

Nesse primeiro dia a caminhada é mais suave, são 11 km passando por algumas vilas quechuas e com subidas pouco inclinadas. Passamos por Llactapata, onde o nosso guia nos explicou que era um importante sítio arqueológico onde ocorriam trocas de produtos comerciais entre as cidades das montañas e da selva amazônica nos tempos dos incas. Paramos para almoçar em um acampamento, onde nossos "porteadores" já haviam montado a tenda do refeitório/cozinha, e uma comida caseira peruana deliciosa nos esperava. Falando nisso, ao longo desses dias de caminhada fomos tratados como reis por essa equipe super dedicada, que nos acordava de manhã cedinho na barraca com uma bandeja com café, chá ou chocolate quente para nos aquecermos e depois ainda tinha um café da manhã caprichado antes de iniciarmos a caminhada. Nota 10 para essa equipe, coordenada pelo Jesus Huaval, guia super eficiente e simpático. Após o almoço caminhamos mais umas 4 horas por um vale com vista para o "cerro" (pico) Waillabamba e também para o cerro La Verônica, um nevado muito lindo! Chegamos ao acampamento onde iríamos dormir, que por sorte tinha banheiro com chuveiro quente!! Após a janta, deliciosa, ficamos boquiabertos com o céu que foi surgindo, completamente limpo e com tantas estrelas como jamais tinha visto! Surreal...

O segundo dia foi mais puxado apesar de também andarmos 11 km, pois subimos de 3.400 metros até o ponto mais alto do Caminho Inca, a passagem da mulher morta (Warmihuañusca) a 4.215 metros. Praticamente só subida o tempo todo, pelas escadas de pedras construídas pelos incas há séculos atrás...Passamos por uma criação familiar de trutas, entramos num bosque com árvores grandes muito bonitas. Apesar do esforço para subir e do ar rarefeito, fomos num ritmo constante e procurando não nos esgotarmos muito nem parar toda hora e chegamos à passagem na hora do almoço. Durante a subida o legal é encontrar um monte de gente de várias idades e nacionalidades, famílias, grupos de amigos, idosos super animados, todos se superando naquela subida. O mais impressionante são os porteadores, que chegam a carregar 20 kg de equipamento nas costas, e passam por nós quase correndo... Mas chegar ao topo tem um gostinho especial e fiquei até emocionada ao ver lá embaixo o valezinho de onde saímos com umas lhamas e ovelhas pastando e ao redor aquele monte de picos da cordilheira dos Andes!

A descida foi uma escadaria de pedras sem fim, e com um frio bem gelado...por sorte nossos porteadores já estavam nos esperando no acampamento com chá quente e sanduíches.

No terceiro dia, andamos 10 km, atravessando um segundo "passo" (Abra de Runku Racay a 3.800m), onde visitamos um sítio arqueológico e depois descemos para almoçar em Chaquiqocha, um local plano no meio de um vale de onde avistávamos um incrível conjunto de picos nevados (El Pumacillo). De lá iniciamos novamente a subida por um caminho estreito de pedras, em meio a uma mata subalpina, onde atravessamos dois túneis de pedras bem baixos, mostrando a engenharia dos incas ao passarem a trilha pelo meio dessas rochas. Nessa parte começamos a ver o nevado de Salkantay, muito impressionante e lindo! Acampamos num local surreal, um planalto à beira de um grande penhasco, com algumas moitas onde se abrigavam umas lhamas...lindo!!Lá embaixo corria um rio imenso. Novamente essa noite o céu estava deslumbrante, coalhado de estrelas naquela escuridão, e o frio estava imenso, fomos dormir com 3 camadas de roupas!

No quarto dia, despertamos às 2:30 da madrugada para iniciar a descida para Macho Picchu, que levaria algumas horas... descemos por uma descida de pedras, tipo escadaria, ladeada por um bosque ouvindo os barulhos da noite um pouco assustadores, mas não sentimos medo. Parece que alguns animais estavam comendo frutos, e o guia nos disse que provavelmente eram quatis...Mais adiante havia um filhote de cobra morto no meio do caminho, provavelmente "atropelado" sem querer por algum porteador que passou correndo carregando seus 20 kg de carga...rsrsrsrs....Logo entramos na parte final da trilha, uma floresta até parecida com a nossa Mata Atlântica, só que a 2 mil e poucos metros de altitute, com várias aves e muito diversidade de plantas. Dali chegamos a Porta do Sol (Inti Punku) e a emoção foi grande: ver Machu Picchu de cima em um dia de sol, paisagem de cartão postal, em todo seu esplendor!!

Após descermos pela caminho da Porta do Sol, ainda fizemos um tour de uma hora e pouco em Machu Picchu, que é realmente uma obra arquitetônica incrível, com muita história em cada esquina...vale totalmente a pena.

Apesar do esforço da trilha, do ar rarefeito, dos banhos com lencinhos umidecidos, o Caminho Inca é uma experiência maravilhosa, uma viagem ao interior de cada um, uma limpeza na alma, recarregando de energias essenciais e memórias inesquecíveis!! Recomendo muitoooo!!

Shirley Pacheco de Souza
Shirley Pacheco de Souza

Published on 01/30/2018 19:11

Performed from 07/19/2017 to 07/23/2017

1 Participant

Stella Bolina

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Shirley Pacheco de Souza

Shirley Pacheco de Souza

São Sebastião - SP

Rox
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Sou oceanógrafa, adoro o mar, as montanhas, as trilhas, correr, remar, mergulhar, acampar e viajar para lugares com natureza vibrante e cultura diversificada.

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