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Velejando pela Patagônia e Terra do Fogo

Velejando pela Patagônia e Terra do Fogo

Trip à bordo de um veleiro, saindo de Puerto Santa Cruz até Ushuaia.

Navigating Sailing

Após realizar dois dias de passeio de veleiro no litoral do Rio de Janeiro o passo foi maior. Muito influenciado pelo meu parceiro de aventuras, Zé, garantimos nosso lugar num veleiro para, durante 15 dias, navegar pela Terra do Fogo/ Patagônia. Passando pelo Atlântico Sul, Estreito de Le Maire e Canal de Beagle, uma trip inesperada que se apresentou como uma boa aventura.

O experiente capitão do barco estava realizando o Desafio Cabo Horn. Saiu da cidade do Rio de Janeiro, velejou até Ushuaia e de lá passou pelo Cabo Horn para voltar à cidade de origem. Uma das maneiras de financiar era oferecer o serviço de travessias oceânicas. Uma atividade onde os clientes (nós) pagam por um lugar na tripulação por determinado período de tempo.

A Trip

Voamos para Punta Arenas, de lá fomos de bus para Rio Gallegos, onde pegamos outro ônibus até Puerto Santa Cruz.

Encontramos a galera e embarcamos.

O veleiro tinha 54 pés, dividido em cabine de proa, cabine de popa e salão. A cabine de proa o comandante dividia com o irmão, o salão, tinha duas camas e na cabine de popa tinha três lugares, eu ficava numa cama lateral.

Éramos sete pessoas e fomos divididos em três grupos. Cada inexperiente com um velejador experiente. Assim, nos revezamos ininterruptamente no leme do barco.

O rango era massa e enlatado. Bolo de caixinha e biscoitos. Além de muito chá e café pra espantar o frio.

Primeiro Trecho

A primeira parada, após cinco dias de navegação, foi na Isla de Los Estados, na enseada de Puerto Hoppner. . Nossa primeira tarefa era ancorar o barco, realizando um sistema de três cabos que garantiriam segurança para nossa casa, independente das condições climáticas. A ilha é um local lindo, de beleza muito singular. Vivemos agradáveis horas de terra firme. Exploramos de todas as formas. Escalamos as pequenas montanhas que se estendiam no alcance de nossas vistas; percorremos algumas trilhas, por vezes abrindo mato, numa vegetação completamente diferente das que conhecíamos e acabamos nos deparamos com um belíssimo lago que nos deixou empolgados e maravilhados. Nadamos como crianças felizes por ter água doce em abundância. Reabastecemos nossa água percebendo uma leve coloração esverdeada da vegetação que deu um sabor especial àquela água. Tinha um riozinho que ligava o lago à agua salgada da enseada e na foz desse riozinho encontramos os melhores mexilhões que já experimentei na vida. A parada na Ilha dos Estados foi um importante ponto após aqueles cinco dias, intensos, da primeira experiência da vida à bordo.

Segundo Trecho

Começamos encarando o Estreito de Lemaire, um pequeno trecho marítimo entre a Isla de los Estados e a porção mais oriental da Terra do Fogo. Passamos por ele sem muitas complicações, pois permanecemos ancorados na Isla de los Estados esperando as melhores condições para a travessia do Lemaire.

Após o estreito, tudo ficou mais tranquilo. Um ventinho constante soprava, embalando o veleirinho sem fortes emoções. No fim do dia, já no Canal de Beagle, paramos numa enseada que tinha uma casinha com bandeira Chilena. Após realizarmos contato através do rádio recebemos a orientação que poderíamos ficar ali ancorados mas não tínhamos autorização para desembarcar.

Terceiro Trecho

No dia seguinte seguimos pelo Canal de Beagle, indo para oeste. O Estreito de Beagle liga o Pacífico ao Atlântico, cortando o arquipelágo da Terra do Fogo no sentido latitudinal, separando a Ilha Grande da Terra do Fogo de pequenas ilhas. Pela proximidade que navegamos da costa passamos a observar melhor a vegetação admirando a beleza da patagônia. Na sua porção mais oriental o canal separa a Argentina, ao norte, do Chile, ao sul. Também é notável o aumento de fluxo de embarcações, encontramos diversos veleiros.

Já nas proximidades de Ushuaia nosso capitão resolveu explorar mais uma enseada e acabamos, por sorte, nas proximidades da Estancia Harberton, a mais antiga da terra do fogo argentina. A história de seu fundador se confunde com o surgimento de Ushuaia e nos tempos atuais funciona aberta ao público durante os verões. O veleiro foi ancorado em uma enseada há quarenta minutos de caminhada da Estancia, assim, nossa primeira atividade foi desembarcar e ir conhecê-la.

Quando o pessoal já se organizava para voltar para o barco eu conheci um brasileiro que estava dando a volta na América Latina de moto e parou por um tempo para trabalhar em Harberton. Ele me contou sobre um projeto de atravessar o Canal de Beagle numa canoa indígena e lá fui eu me meter em mais uma aventura de papo de mochileiro. No dia seguinte passamos observamos alguns pinguins nas proximidades da Isla Martillo e seguimos para Ushuaia.

Desconectado

Viajar num veleiro de 54 pés, num grupo de 7 pessoas onde eu mal conhecia 5 foi uma experiência completamente nova e fora do meu imaginário. Nunca sonhei em viver no mar, nem tampouco tive proximidade com alguém que o fizesse. Adorei. Voltei sonhando com o meu barco, com uma vida à bordo e feliz por me permitir novos desafios. Convivi com pessoas de diferentes idades, cultura e personalidades. Observei bastante, aprendi muito. Fiz algumas amizades, ampliei meu horizonte e descobri mais uma paixão. Gratidão enorme ao Universo por me permitir isso.

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Renan Cavichi
Renan Cavichi 05/18/2017 08:56

Velejar era um plano para a "aposentadoria", vou ter que rever isso! Muito massa Edinho! hahah

Edinho-Sua Casa É O Mundo
Edinho-Sua Casa É O Mundo 05/18/2017 09:35

Hahahaha! Valeu! No meu caso, pra aposentadoria passou a ser viver à bordo! =D

Edinho-Sua Casa É O Mundo

Edinho-Sua Casa É O Mundo

Rio de Janeiro

Rox
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Criador do Sua Casa é o Mundo. Apaixonado por viagens, atividades ao ar livre e esportes de aventura. Acredita que sonhar é importante e realizar sonhos é fundamental.

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