AventureBox
Create your account Login Explore Home
Tatiane Maga 06/01/2025 14:58
    Travessia Curimatí x Santa Bárbara

    Travessia Curimatí x Santa Bárbara

    Travessia Curimatí x Santa Bárbara Passando pelo parque nacional das sempre vivas.

    Trekking Hiking

    Eu estava igual pinto no lixo nesta travessia, que lugar!!

    Em tempos (ou não-tempos) de legendários, a gente se pergunta: por que fazemos trilha? Pra que entrar no meio do mato, dormir no chão duro, caminhar com bolhas nos pés, dor no joelho, dor na coluna? Como dizem os outros: “passeio de índio” — seja lá o que isso signifique e sob esta reflexição é que trilhei meu caminho nesta travessia.

    Há tempos, eu havia visto no Wikiloc do GásHélio algumas trilhas na região de Diamantina, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, mas sempre faltava tempo, faltava turma… faltava mais tempo.
    Até que o Ernani, do BoraAndá, lançou um roteiro para essa região. Rapidamente confirmei, sem muito pensar porque como se diz os melhores momentos da vida estão no imprevisível.

    Chegada a data do embarque, me meti a caminho de Belo Horizonte para pegar a van às 00:00 do dia 01/05. Eita ferro! Às 6h da manhã já estávamos na boca da trilha, iniciando nosso café coletivo. E dessa vez teve café! Santo Rodrigo, o guia, fez café com uma cafeteira Moka. Muito bom. Café é prioridade.

    Barriga cheia, partimos para vencer o primeiro dia. O primeiro dia sempre exige mais: subidas, poucas horas de sono, ainda meio grogue da viagem na van… mas eu estava feliz. A última travessia que fiz foi sob neblina, e dessa vez havia sol entre nuvens.

    Início de um sonho

    A caminhada começou por uma estradinha de argila vermelha, muitos arbustos e algumas árvores grandes. Na subida, gafanhotos gigantes cruzavam o caminho — dariam uma boa farofa, hahaha. Marla, uma das integrantes do grupo, tirou ótimas fotos deles.

    A cara dos vagabundos

    Quase no topo, paramos num curral de pedras. Amo construções tradicionais. Dava pra ver que empilharam as pedras e usaram um pouco de argamassa de terra como ligante.

    Curral de pedras feito de pedras com argamassa de barro

    Cruzamos trechos de pasto baixo, com aquela terra preta boa, e foi ali que uma das trilheiras torceu o pé. Tensão no grupo: será que conseguiria continuar? Por sorte, Lieniene tinha uma tala, os guias estavam preparados com um ótimo kit de primeiros socorros, e, acima de tudo, Rubia foi valente e seguiu em frente.

    Subimos mais e a vegetação ficou mais rasteira, árvores menores, muitas sempre-vivas — das grandes, tipo chuveirinho, e das pequenas. Passamos por um trecho com cascalho branco e várias canelas-de-ema floridas. Um privilégio vivenciar o cerrado em flor!

    Sempre viva, tipo chuveirinho

    Canela de Ema florida

    Depois disso, entramos numa trilha mais fechada e quebramos à direita num vara-matinho daqueles que eu adoro. Descemos pedras algumas vezes e, sem grandes dificuldades, atravessamos vegetação baixa até chegar a uma cachoeira — ainda sem nome — onde acamparíamos. Ali, pra mim como boa cachoeirista, o rolê já estava completo. Mas o Ernani disse que ainda tinha mais.

    Aqui pra mim já estava bom!! Cachoeira que não sei o nome

    Montamos acampamento e seguimos, sem as mochilas, até a próxima atração: a Cachoeira de Santa Rita. Para chegar, foi preciso descer pelo rio e pelas pedras — outra coisa que amo. Excelente!

    Descida pelo rio

    Chegando ao topo da cachoeira, Ernani perguntou se alguém queria fazer a tradicional foto e eu me ofereci. Subi numa pedra em balanço e, só quando cheguei à beirada, olhei para baixo e para a esquerda e me assuteio com o quanto a cachoeira de Santa Rita era imponente e linda. Que lugar maravilhoso!

    Aaaaa botina

    Aaa botina²

    Para acessar o poço, la em baixo, era preciso pular o rio (dica do Ernani: cuidado com a correnteza) e pegar uma trilha discreta. Nadei muito! E que água boa — nem quente, nem fria. Eu queria ter ficado mais, mas precisávamos voltar pra tomar banho e jantar.

    AAAA DANADA!!

    Sim, a gente toma banho nas travessias! É ótimo se banhar direto na água do rio. Depois do banho, fomos preparar a janta. A natureza nos presenteou com um céu estrelado, contrariando todas as previsões de tempo nublado. Dessa vez, fui leve — não levei o tripé porque na última travessia ele foi peso morto. Mesmo assim, fizemos algumas fotos legaiS

    Ao pé curvo da gata, sim tá distorcido, mas é curvo, aff

    Durante as fotos e observações das estreelas, surgiram questões como: “em que direção está Órion?” Primeiro disseram leste, mas que "pode ser sul também", e no fim da contas era oeste. Ainda bem que fomos com guia, né? Hahaha.

    Constelação de órion

    Falamos também sobre limites em relacionamentos. É saudável carregar uma mochila de 25 kg numa travessia por amor? Levar um mixer a pilha, um vaso sanitário portátil e um chuveirinho? Fica aí o questionamento, Brasil. Até onde ir por causa de uma chá hahahahhaa

    De coração quente, nos despedimos das estrelas e fomos dormir.

    Ao amanhecer, percebi que meu isolante inflável não havia desinflado. Glória. Dormi bem — melhor que em cama.
    Recolhi a barraca e aproveitei mais um pouco à beira do rio para fazer um café. Café é prioridade.

    Cafezin

    Com a barriga cheia, iniciamos o segundo dia. Começamos pelo mesmo vara-matinho que pegamos para chegar à Santa Rita e, depois, entramos numa trilha à direita que levava a uma estradinha.

    Vara matinho

    Good bye cachoeira de Santa Rita

    Ali, nos deparamos com um campo de sempre-vivas tipo chuveirinho. Maravilhoso. Fizemos vários registros.

    Campo de semprevivas

    Eu e Ernani despontamos na frente para chegar ao ponto de almoço: a igrejinha de Santa Rita, no alto da serra. Por acaso (ou não), havia algumas pessoas por lá preparando a festa que aconteceria no fim de semana dos dias 24 e 25. A gente só queria sombra, mas nos convidaram a entrar na casinha e almoçar com eles. Recebidos com a tradicional hospitalidade mineira, teve até cachaça escondida dos guias e mexerica docinha.

    Turma boa!

    Mas o dia ainda prometia. Seguimos pela estrada, às vezes cortando por pastos e pulando cercas. Num ponto de subida, paramos pra água e começamos a ver a tal “Pedra do Tigre” — que parecia mais o Bilu da Mônica, talvez até o Cebolinha, ou uma girafa… ou um gorila?
    No fim, nem era a pedra certa! Estávamos olhando a montanha errada, kkkkk.

    Pedra do Bilú

    Pedra do tigre e pedra do bilu

    Chegamos a um córrego e descansamos um pouco, neste momento encontramos com dois cavalieros que coletavam sempre vivas para vender, eu não sabia mas esse comércio é fonte de renda para muitas pessoas das comunidades locais. Depois, passamos pelo córrego dos Três Paus. Algumas pessoas se banharam, e então partimos para uma das partes mais emocionantes da trilha: conhecer as veredas.

    As veredas típicas são vales rasos, com fundo plano, preenchido por argilas hidromórficas. O buriti é o símbolo dessas paisagens. A água escoa quase o ano todo, com pouca variação.

    Essas águas alimentam o grande Rio São Francisco e sustentam fauna e flora locais.

    Uma das trilheiras se emocionou. Conhecer as veredas era um sonho antigo. Ela ouvia histórias do pai, já falecido, que caçava na Serra do Curral. Foi um momento especial para ela — e para todos. E é por isso que eu trilho: para ver a natureza que não existe na minha região, e mais ainda, para testemunhar como essas paisagens tocam cada um de um jeito único.

    Uma das verdas por onde passamos

    A caminhada foi longa, e vimos o pôr do sol ainda em trilha. Chegamos ao acampamento com o último raio e rapidamente montamos as barracas.

    A maioria foi ao rio tomar banho (digo maioria porque muitos só foram… mas não tomaram, hahaha).
    Havia ali uma barragem de concreto rompida. Fiquei pensando: o que deu errado? Execução? Projeto? Tudo combinado?

    Represa caida

    Mais uma vez, céu estrelado. Dessa vez, emprestei um tripé do companheiro Alcimar e consegui fazer registros lindos. O céu imenso, misterioso e incompreensível me intriga e, ao mesmo tempo, me lembra da nossa passagem pequena por este mundo. Sejamos mais leves e humildes, então.

    Powered by Tiny Excluir Relato

    Tatiane Maga
    Tatiane Maga

    Published on 06/01/2025 14:58

    Performed from 05/01/2025 to 06/03/2025

    Views

    254

    Tatiane Maga

    Tatiane Maga

    Ouro Preto

    Rox
    37
    Adventures Map