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Primeiro relato. Réveillon 2018 na Cachoeira do Calixto

Primeiro relato. Réveillon 2018 na Cachoeira do Calixto

Meu primeiro relato, inspirado em Peter Tofte, trilheiro de longa data, quem eu tive o prazer de fazer minha primeira trilha!

Primeiramente gostaria de agradecer ao grupo Bushcraft Ba, grupo no qual graças a ele pude vivenciar as melhores aventuras que ja tive. Agradecimento especial ao querido amigo Hélio Penaboa, que me apresentou ao grupo e foi o meu "Padrinho" em minha iniciação ao mundo das trilhas.

Este apesar de ser meu primeiro relato, não foi minha primeira trilha, esta foi com um bom amigo, Peter Tofte que fez o relato sobre a "intocada!" que vale muito a pena conferir!

Em meados de Outubro de 2017 Combinei com mais 3 amigos de passar o reveillon no Vale do Pati, localizado na Chapada Diamantina. Entre eles um bom companheiro de trilhas e do grupo, Victor Scarlato e mais dois amigos meus, Vicente Calixto e Lívia Marcolin.

Fomos de carro até a região de Guiné, onde começariamos a trilha pela subida de um morro que é conhecido como os Aleixos. Na noite antes de começarmos a trilha, como estavamos querendo economizar acabamos dormindo na praça de Guiné, eu e Victor na rede que amarramos entre arvores e Lívia e Vicente na barraca. Dormida boa para mim que costumo "apagar" facil em qualquer ocasião, para os outros nem tanto devido a um showzinho ao vivo que estava ocorrendo em um restaurante próximo.
Acordamos no dia seguinte, dia 30/12/17 às 05:15 e partimos com o carro para os Aleixos, onde de fato começariamos nossa trilha. Estacionamos o carro nos Aleixos e de café da manhã comemos os restos de guloseimas que levamos pra comer no caminho, o que para mim foi um erro devido a um problema de pressão "crônico" que tenho desde os meus 14 anos, pois as guloseimas eram ricas em sódio.

O começo da trilha é uma subida ingrime, mas tranquila pelo morro que dá acesso ao pati, logo no começo me preveni tomando meu remédio de pressão e fui aos poucos andando lentamente com o grupo, Lívia também estava tomando um medicamento novo que, por isto, também precisou andar mais devagar no inicio e com maiores pausas. Após metade da subida já estava me sentindo normal, porem Lívia começou a sentir um tremor no corpo, efeito do remédio. Ao chegarmos no topo dos Aleixos a situação se tranquilizou e o caminho até entrarmos no vale era praticamente reto até a descida na rampa do pati.

Abaixo Lívia, Vicente e eu após chegarmos ao topo dos Aleixos (Victor virou nosso fotógrafo, já que não gosta de aparecer em fotos)

Antes de chegarmos a rampa de entrada pro Vale abastecemos a água no Rio Preto e seguimos até ela. A descida da rampa é bem ingrime e força bastante o joelho, Vicente nos contou que a rampa também conhecida como Rampa da Madalena devido a uma mulher que uma vez ficou presa nesta rampa e precisaram levar uma escada até lá para resagata-la. A escada ainda se encontra no meio da descida, mas não é seguro ir por ela.

Ao descermos a rampa nosso objetivo era chegar na casa de Sr. Aguinaldo, pois no dia seguinte partiriamos para a cachoeira do calixto, onde passariamos nosso réveillon.

No meio do caminho uma borboleta estacionou em Lívia, por mais que assustássemos ela para sair, ela voltava pro mesmo lugar, até que uma hora se cansou.

Acampamos na casa de Sr. aguinaldo, atendimento ótimo, dormida boa, tomamos café da manha feito no fogão a lenha e partimos para a cachoeira do calixto rodeando o Morro do Castelo e seguindo pela trilha

No meio do caminho encontramos com o guia LÊ que também é um integrante do grupo Bushcraft Ba, ele estava guiando um grupo grande e batemos um pequeno papo no meio do caminho.

Ao chegarmos na Cachoeira do Calixto pela tarde, que inclusive estava lotada de gente, descansamos um pouco e logo fomos nos deliciar na água fria e gostosa da cachoeira.

Perto de anoitecer preparamos nossa dormida, e separamos nossa "ceia" de ano novo para comer mais tarde com o fogareiro a gás. Era a noite do ano novo e a Lua estava completamente cheia! Nos deitamos nas rochas e ficamos contando historias e conversando sobre diversos assuntos, piadas e gargalhadas fizeram a musica da noite, vagalumes nos rodeavam como se fossem milhares de pisca-piscas amarelos. Eramos só nós passando o réveillon ao lado de uma das cachoeiras mais lindas do Vale do Pati. Dormida boa e revigorante!

Nesta noite eu dormi na rede com uma lona, ouvi alguns sons interessantes, o mais pertinente foi o de um sapo que estava por perto na madrugada, mas esses sons me agradaram mais do que atrapalharam. O resto do grupo dormiu nas barracas.

Acordamos todos no dia primeiro de janeiro de 2018 com uma ótima noite de sono e ainda encantados pela noite anterior. Pretendiamos passar mais uma noite no Calixto (que inclusive tem o mesmo sobrenome do meu amigo Vicente). Acordamos, tomamos um bom banho, desejamos feliz ano novo, trocamos abraços apertados e tivemos um bom cafe da manhã e depois um bom almoço. Aproveitamos que ficamos sós o dia todo (só 4 turistas apareceram de passagem de volta para o Capão esse dia) e exploramos as redondezas. Eu, Vicente e Victor visitamos a cachoeira anterior ao calixto, que por sinal tem uma beleza peculiar e única ao meu ver (infelizmente esqueci de tirar foto).

Essa mascara um amigo meu chamado Martim esqueceu em minha casa, desde então sempre a levo para trilha por dois motivos: 1 - para tirar fotos tipo essa abaixo e 2 - Para quando está muito frio ou com muito inseto a noite.

Victor identificou mais duas pessoas vindo para o calixto, só que estavam vindo pelo rio, eram duas pessoas do ICMBIO que vieram informar a gente que nesta epoca o acampamento la estava proibido, mas que a nossa dormida foi tranquila já que assim que chegaram não houve lixo e nem fogueira. Compreendemos na hora a situação, visto que tinha muita gente no pati querendo fazer acampamento selvagem e voltamos pra casa de Seu aguinaldo às 17h. Chegando perto de Seu Aguinaldo avistei uma jararaca atravessando pelo meio da trilha, pedi para todos pararem e ficarem quietos até ela atravessar e seguirmos nosso caminho. Não tiramos fotos, pois já estava de noite e estavamos com pressa.

Chegamos pela noite às 19:30, e descansamos. No dia seguinte era dia 2 de janeiro, inclusive meu aniversário. Meus amigos resolveram então passar o dia na casa de Seu Aguinaldo, Vicente me presenteou com um delicioso licor de limão feito no próprio Pati no qual degustamos aquele dia.

Dia 3 de janeiro, acordamos cedo e caprichamos no café da manhã. Logo após seguimos nossa rota para o Morro do Castelo, Cachoeira dos funís e depois igrejinha (planejávamos fazer o cachoeirão por baixo, mas tivemos que mudar os planos).

Seguimos sem as mochilas para o Morro do Castelo e por isso o subimos em um tempo bom. Fomos os primeiros a chegar. Subida ingrime e longa, porém gostosa. Com muita sede achamos água corrente da gruta do Castelo, fui logo prova-la, achei uma água com gosto diferente, meus amigos brincaram dizendo que eu estava ingerindo cocô de morcego, mas pessoalmente achei a água gostosa (pode ter sido um pouco de calcário, o que se ingerido em grande quantidade faz mal). Atravessamos a gruta e seguimos para o primeiro mirante do Castelo, que inclusive Victor conhecia bem o caminho e de lá dava para ver a cachoeira do Calixto, onde acampamos.

Logo após, Victor resolveu nos mostrar o segundo mirante do castelo, que também tem uma vista maravilhosa. No meio do caminho ficamos todos indignados, pois avistamos NO MEIO DA TRILHA fezes HUMANAS com o papel higienico largado de qualquer jeito. Todos ficamos com desgosto do nivel do ser humano de fazer "merd*" até mesmo literalmente.


Enfim, seguimos para a segunda entrada da gruta e de lá descemos o Castelo. Pegamos as mochilas em seu Aguinaldo e partimos para a cachoeira dos Funis. O caminho é simples, leito de rio e trilhas pelas adjacencias do rio, porém havia uma trilha interminada no meio do caminho que fecha depois de 2 minutos, isso nos atrasou quase nada, mas mesmo assim é algo para se ter cuidado. Em cerca de 20 minutos chegamos na cachoeira mais baixa dos Funís, também conhecida como Bananais, lá resolvemos nos banhar e aproveitar bastante a água.

Seguimos para a proxima cachoeira, que era de fato a cachoeira dos Funis, muito "craudiada" termo que aprendi com Lívia e com Victor que os surfistas usam para dizer que um local está lotado de gente. Tiramos umas fotos e seguimos nosso rumo até a igrejinha, ponto de apoio do Pati, fazendo pequenas pausas entre as outras 2 cachoeiras seguintes.


Chegamos na igrejinha. Lá estava muito cheio, mas ainda com uma energia boa, um musico muito bom que tocava MPB, Bossa e chorionho cujo o pseudônimo é "Café". Lá fizemos uma boa janta e fomos dormir.

No dia seguinte acordei cedo junto com Victor e resolvermos deixar Vicente e Lívia dormirem mais para descansar. Vicente logo acordou, e às 9 horas Lívia despertou. Rápido nos arrumamos e partimos para ver o Cachoeirão por cima indo pela trilha do arrodeio, local de passagem das mulas.

O Cachoeirão também estava "craudiado" e completamente sem água, a seca estava bem forte. La conhecemos um casal mais velho muito gente boa com um guia de Mucugê que fez questão de conversar com a gente e nos dar mais informações sobre as fendas do cachoeirão, uma que dá na prefeitura e outra que dá no cachoeirão por baixo.

Após o cachoeirão partimos lentamente para os Aleixos para dar fim infelizmente à nossa viagem. Fomos lentamente, pois alguns integrantes estavam ou cansados ou com feridas nos pés.

Chegamos ao carro às 17 horas do dia 4, cansados, satisfeitos, tristes e felizes.

Fomos diretamente para o capão para aproveitarmos a vila e no dia 6 voltamos para Salvador. De volta ao dia-a-dia urbanístico.

Agradecimento especial à Victor, que mais conhecia o caminho para o Calixto, Castelo e ainda tomou frente para nos fazer deliciosas refeições e para ajudar a todos quando preciso. Amigo meu muito querido de trilha e da vida!

Thácio Marques
Thácio Marques

Published on 01/17/2018 02:47

Performed from 12/30/2017 to 01/04/2018

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Peter Tofte
Peter Tofte 01/17/2018 08:49

Parabéns Thácio! Bela aventura! Excelente relato e ótimas fotos. Aquela com máscara tá impagável. Esqueceu um 3º motivo para usá-la: assustar gente e onça, kkkkkkkk. Se eu topasse com vc de noite usando esta máscara eu infartava kkkkkkk. Um Minotauro na trilha. Sorte que não sou uma donzela kkkkkk.

Thácio Marques
Thácio Marques 01/17/2018 09:31

Obrigado, grande Peter! Realmente esqueci de listar este principal motivo, ainda mais que foi uma noite sem fogueira hahaha. Forte abraço!!

Victor Scarlato
Victor Scarlato 01/18/2018 07:43

Fala, Thacinho! Muito bacana o relato, meu velho. Eu, como de costume, só tenho a agradecer pela companhia única e momentos memoráveis! E, sobre conhecer caminhos, é aquele negócio, né?! A gente mais se perde do que se acha. Vamos que vamos para as próximas, sejam trilhas, conversas, caminhadas na praia... e, claro, muitas risadas (de preferência, sem muito crowd, por favor)!

Ernani
Ernani 12/17/2018 14:13

Fala Thacinho! Só agora, vi esse excelente relato. Só orgulho dessa galera!