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Cicloviagem sozinho de Curitiba até a Ilha do Cardoso - SP

Cicloviagem sozinho de Curitiba até a Ilha do Cardoso - SP

Em Julho de 2021 fiz uma cicloviagem solo de Curitiba até o povoado do Marujá, em Cananéia e retornei até a Ilha do Mel.

Bikepacking Bike Trip Long Distance

Em Julho de 2021, após uma troca de empregos, tive a oportunidade de realizar um sonho que tinha à algum tempo, o de fazer um bikepacking sozinho.

Acabei optando em ir para a região de Superagui, em Guaraqueçaba - PR e de lá seguir até o povoado do Marujá, no parque estadual da Ilha do Cardoso, que pertencem ao município de Cananéia - SP. O roteiro seguido foi mais ou menos esse:

Como nunca havia feito este tipo de viagem previamente, fiz um planejamento de uma semana, para conferir o que levar, o trajeto e também para fazer as compras dos itens.

Com tudo arrumado, no dia 21, que era uma quarta-feira, meu padrasto me deixou no Portal da Graciosa, de onde eu iria iniciar o trajeto.

O dia estava com um céu bastante limpo e um friozinho perfeito para pedalar. Eu nunca havia descido a graciosa antes. Como um trecho grande dela é de paralelepípedo e ela é MUITO íngreme, teria sido melhor ter utilizado uma bike com suspensão!! Eu parei em quase todas as paradas do percurso pra descansar a mão de tanto freiar.

Meu plano era ir até Paranaguá, de onde eu pegaria um barco e iria até a Ilha de Superagui.

O trajeto todo foi bastante gostoso e fácil, mesmo com mais de 20kgs de carga, a BR-277 tem um acostamento largo e todo o restante do trajeto é tranquilo para andar de bike.

Cheguei no local da partida das barcas em Paranaguá (atrás do restaurante Danúbio Azul) as 14:05 da tarde, e tive sorte, pois o último barco saía as 14:00h e estava atrasado pois estavam esperando uma mulher que foi no banheiro. Ufa!

O trajeto de Paranaguá até a Ilha de Superagui é bastante rápido, demora uns 40 minutos mais ou menos.

Enfim, cheguei em Superagui, onde iria acampar no meu primeiro dia. Como não é época de temporada, basicamente só tinha eu de turista na ilha, então os moradores estavam mais focados em suas atividades de pesca do que em turismo, de forma que não tinham muitos campings, restaurantes ou pousadas em funcionamento.

Eu passei a primeira em um dos campings da ilha, que tinha wifi, um ponto de tomada na árvore e um banheiro (sem luz). Acho que talvez hajam campings melhores na Ilha, mas esse tinha o básico e o dono era gente fina.

Chegando, montei acampamento e já fui bater um rango, pois estava com muita fome. Me falaram que só tinha uma mulher preparando refeições naquele horário, a Emilia do bar Elis Regina. A comida dela é muito boa mesmo e por um preço bom (R$30,00). Era peixe, camarão, arroz, feijão, farofa e salada.

Depois de me esbanjar, fui dar uma volta e depois fiquei na praia olhando os botos durante o pôr do sol.

Quando escureceu, eu fui no famoso bar akdov (vodka ao contrário) do seu Laurentino, experimentar uma cataia, a famosa bebida dos caiçaras e conversar com ele. Depois apareceram alguns moradores e ficamos bebendo cervejas e conversando. No acampamento preparei um miojo com atum e fui descansar.

No dia seguinte rumei na direção Norte, na ilha do Cardoso, onde eu pretendia chegar no povoado do Marujá. Para chegar até lá, é necessário atravessar toda a praia deserta de Superagui, que tem aproximadamente 40km de extensão. Pra chegar na praia deserta tem uma trilha muito bonita de +- 15 minutos de bike. Ela é bem apertada em alguns trechos. No meio dela eu acabei cruzando com um cavalo, e, como eu tinha medo de tomar um coice, eu passei agachado com a bike e a mochila me protegendo, mas felizmente não aconteceu nada. Eu não descobri de quem era aquele cavalo e na volta ele já não estava mais por lá.

O dia estava novamente muito bonito, bastante claro e com um ventinho gelado, perfeito para um pedal. É um pedal bem tranquilo e muito gostoso, sempre plano e com uma paisagem linda. É importante se atentar com água suficiente, suplementos e comida, já que não tem ninguém mesmo nessa praia. Passei mais de 3 horas sem ver ninguém.

Na Enseada da Baleia, uma barra criada a 3 anos atrás, que separa a ilha de Superagui da Ilha do Cardoso, eu fiquei acenando para um pescador, o seu Valdecir, e pedi para que ele me atravessasse para o outro lado. Felizmente eu tive bastante sorte e ele fez isso pra mim, mas combinem previamente com alguém de Ariri ou de Ararapira essa travessia, o que eu fiz foi abusar da sorte kkk.

Mais um pouco de pedal e finalmente cheguei no Marujá, eu não esperava um povoado tão pequeno, tanto que até me surpreendi kkk. De turistas no dia que eu fui só tinha eu e um Paulistano.

Eu almocei no restaurante da Dona Valdete, uma senhora extremamente querida que cozinhou pra mim e me apresentou à várias pessoas da Ilha, para que eu encontrasse um camping. Eu acabei ficando no camping/pousada da Helenice e recomendo bastante lá. A Helenice era muito querida e caprichosa. Tinha cozinha com utensílios, banheiro, mesas, cadeiras, e tudo muito limpo.

Pôr do Sol visto do Camping

Marujá

Lá realmente não tinha agito nenhum e após as 20:00h todo mundo já estava em suas casas ou dormindo. Eu preparei minha janta e comi bastante para o pedal do dia seguinte. Mais tarde, tentei acender uma fogueira mas acabei desistindo depois de um tempo e fui dormir..... e que noite de sono. A comunidade é tão calma que tudo o que se escuta lá é o barulho das ondas e dos grilos. Um lugar realmente perfeito para quem quer sossego e tranquilidade.

No dia seguinte, sexta-feira, eu havia combinado com o seu Vanderlei (outro Vanderlei, o cunhado da Helenice) de que ele faria a minha travessia do Marujá até a Enseada da Baleia. Como a maré estaria subindo até aproximadamente 16:00 da tarde, eu teria que sair próximo desse horário, pra não pegar uma areia muito fofa. É muito importante prestar atenção na tábua de marés pra pedalar nesta região.

Eu passei o dia comendo e me nutrindo, conversando com alguns dos moradores e passeando pela região. As 16:00h eu e o seu Vanderlei embarcamos e ele me levou até a Enseada da Baleia.

Iniciado o pedal, só maravilhas, vento na minha direção facilitando muitooo, fui como uma bala. Maré baixíssima, o sol já não estava mais tão forte e tanto o pôr do sol quanto à lua estavam impressionantes.

Eu cheguei em Superagui já de noite, mas estava com algumas lanternas para a trilha. Aí já tinha esfriado bastante.

Chegando, eu fui jantar novamente no restaurante da Emília, o Elis Regina, e acabei pernoitando em um dos seus quartos da pousada que ela ofereceu, pois ela me fez por R$50,00 (quase o mesmo que o camping). Rango novamente sensacional, tomei um banho, me arrumei e fui para o Akdov encontrar novamente o pessoal da região.

Lá tomei uma cataia com o seu Laurentino, Reinaldo e Eduardo, um trio muito gente boa com ótimas histórias sobre Superagui!

Fui dormir cedo, pois no dia seguinte tinha que pegar uma voadeira logo cedo que me deixaria na Ilha do Mel, onde eu encontraria alguns amigos e a minha patroa. Me deixaram na praia da baía dos golfinhos e eu fui em direção à Brasília.

Encontrei meus amigos e a patroa, aproveitamos o dia e pra finalizar com chave de ouro, um pôr do sol absurdamente espetacular!

Depois fizemos uma fogueira na praia (Essa foi um sucesso!!!). No dia seguinte tomamos café da manhã e partimos para Pontal, de onde voltamos de carro.

Custos aproximados:

Travessia Paranaguá - Superagui: R$50,00

Travessia Enseada da Baleia: R$20,00 (mas foi sorte, combinem previamente com alguém de Ararapira)

Travessia Marujá - Enseada da Baleia: R$100,00

Travessia Superagui - Ilha do Mel: R$40,00

Travessia Ilha do Mel - Pontal: R$20,00

Camping Superagui: R$30,00

Camping Marujá: R$35,00

Pousada Superagui: R$50,00

Refeição Superagui: R$30,00

Refeição Marujá: R$35,00


Suplementos:

Barras de proteína: +- R$90,00 para todos os dias, comprei DarkBar

Carbups: Usava 2 por dia, cada um custou R$3,00 então +- R$18,00.

Dicas:

  • Se for descer a Graciosa, é bem melhor ter uma bicicleta com suspensão;
  • Tente diminuir o peso na cargueira, a minha estava muito pesada e doía a bunda no último dia;
  • Leve várias lanternas (de cabeça, de mão, para a bike), pois os lugares tem pouca ou nenhuma iluminação;
  • Cuidado com a água na praia deserta, leve bastante água e regule o que levar;
  • Já deixe acertadas as travessias para não correr riscos desnecessários. Eu quase perdi a barca de Paranaguá e só cruzei a Enseada da Baleia por muita sorte;
  • Preste atenção nas tábuas de maré e pergunte para os nativos os melhores horários para realizar as travessias das praias;
  • Em Julho fazia bastante frio de noite, portanto é bom investir em um bom saco de dormir e levar roupas de frio;
  • Leve câmaras reservas e ferramentas para reparos na bike;
  • Eu lubrificava todo dia a minha corrente e foi uma péssima idéia, porque grudou areia e arranhou a transmissão toda. Verifique com o seu mecânico o que fazer quanto à areia. No meu caso era melhor não ter feito nada.

Em resumo foi isso, saí em uma quarta-feira de manhã e cheguei em casa num domingo de manhã. Um roteiro muito bacana e repleto de natureza. Definitivamente recomendo à qualquer pessoa que queira tranquilidade e contato com a natureza.

Thales Fernandes
Thales Fernandes

Published on 07/29/2021 02:46

Performed from 07/21/2021 to 07/25/2021

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Edson Maia
Edson Maia 08/02/2021 08:35

Muito bacana o seu relato, Thales! Já faz algum tempo que ando pensando e sonhando em fazer algo parecido na região de Superagui. Suas informações serão muito úteis aqui para mim. Bons ventos!!!

Thales Fernandes
Thales Fernandes 08/02/2021 18:44

Que bom, Edson! Realmente é um roteiro muito bacana e vale bastante a pena. Caso tenha mais alguns dias disponíveis, eu tentaria incluir mais um ou dois dias no parque do Cardoso e uma passagem pela Ilha das Peças.

Edson Maia
Edson Maia 08/03/2021 10:26

Sim! O plano é ir com mais tempo para conhecer a ilha das Peças e Cardoso também. 🤘