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Trilhas Vermelhas - Explorando o Noroeste Mineiro

Trilhas Vermelhas - Explorando o Noroeste Mineiro

Um apanhado de pequenas trilhas exploratórias do Noroeste Mineiro.

No noroeste mineiro, redondezas de Buritis, o rio Urucuia dá as cartas. Sua passagem por aquelas bandas é marcada por um relevo aplainado e um horizonte de chapadões (figura abaixo). Uma paisagem que observada durante quase toda a metade do ano parece ter uma queda para as cores avermelhadas (há uma mapa da virada do século 18 para o 19 indicando a região por "terras vermelhas"). O nome Urucuia, derivado do Urucum, planta nativa de onde se extrai uma tinta vermelha, afinal parece ter sido uma boa escolha.

A vermelhidão pode ser também explicada pelas secas e as altas temperaturas que assolam a região. A história do município cita as estiagens de 2015, 2013 e, particularmente, a de 1953, que teria dizimado rebanhos e plantações locais. No entanto, nesse perímetro agreste brotam águas que se sustentam na mais brava das securas. As serras mais ao sul parecem confirmar isso ao serem batizadas com nomes do tipo Olho D'Água, Bebedouro, Vereda e Taquaril, que remetem em maior ou menor grau a terras com disponibilidade d'água.

Sobre o município de Buritis, sua história alcança o século 17. Há uma serra ali chamada Lourenço Castanho, que compartilha o nome de um bandeirante vindo da distante cidade de Sabará. Mas conta a Prefeitura que a cidade teve início mesmo em 1716, quando as irmãs Joaquina e Luiza Aldonso subiram o rio Urucuia atrás de ouro e acabaram fundando o porto de Sant'ana. Com o vai e vem constante no rio, idas e vindas de outros bandeirantes e a conquista de índios Caiapós é que a região foi sendo efetivamente ocupada.

Buritis não é dos municípios mais populosos, nem perto disso. Mesmo em datas festivas, recebe poucos visitantes. A infra-estrutura hoteleira é pequena, consistindo em alguns hotéis de mesma categoria. É difícil obter boas informações sobre trilhas e cachoeiras e talvez a maior referência no assunto seja o projeto Trilhas Urucuianas.

Algumas cachoeiras, como a do Retiro, Confins e Araras, são minimamente exploradas turisticamente. A grande maioria, no entanto, permanece sem referências.

Muralhas

Um pequeno córrego desce por uma das centenas de encostas que terminam no Vale do Urucuia. Seu nome é Capim-Puba, um tipo de capim que, de acordo com fontes nem sempre precisas, costuma nascer em solos úmidos. De fato: por lá há um leito perene rodeado por uma vegetação rasteira e relativamente densa.

Quatro cachoeiras consecutivas, caindo de maciços rochosos, intercalam-se no córrego. A última chega a atingir algo entre 40 e 50 metros (usando o método duvidoso que envolve jogar uma pedra a partir do topo e aferir o tempo de queda). Os poços das quatro cachoeiras tendem a ser arenosos e com águas 'mais orgânicas'.

As redondezas do Capim-Puba contam uma história de recuperação. Existia até 2010 uma fazenda de médio porte, bem próxima ao leito. Mas hoje restam poucas evidências dela: trilhas e manilhas que de vez em quando despontam de um capinzal denso.

Gado-Bravo

De Gado não tem nada, mas de Bravo talvez. Segundo um morador local que se fez de guia até a cachoeira, quando a água não desaparece, o córrego corre com violência. Mas na época a imagem que se tinha era de um leito largo e seco, com pedras quentes expostas a um calor infernal. No final das contas, o córrego Camisa, como ele é chamado, fica pelado recorrentemente.

A queda principal - existem outras acima - é relativamente alta e de pedra maciça (típico da microregião). Uma corda improvisada permite alcançar o topo. Água em abundância, somente no começo e final do ano.

A fazenda é de um francês pouco amigável, segundo relatos. Ele vem ao Brasil em épocas bem específicas, sendo que na maior parte do ano a chácara fica sob os cuidados de um caseiro bem receptivo.

Funil

Do topo não se vê o poço, do poço não se vê o topo. A queda faz uma curva. Lá em baixo o fluxo d'água chega por um corredor estreito e desemboca numa piscina verde-escura e triangular. Não é fácil mensurar a altura, já que além de curvada ela é pouco vertical. Outras pequenas quedas (não mais que 12 metros) ocorrem leito acima. A água é abundante mesmo nos meses de grande estiagem.

Cartas do IBGE não apresentam o nome desse córrego. Moradores locais também não. O nome 'Funil' deve-se ao afunilamento das águas no momento da queda.

O acesso por cima é por um dos assentamentos do INCRA (marcadores de concreto com códigos inscritos são fáceis de achar) e portanto a entrada é mais simples e agradável. A parte de baixo é dominada por fazendas pecuaristas, que frequentemente estendem canos de captação d'água até as quedas do córrego.

Galheiros

O Córrego Funil encontra o Vereda Galheiros na parte baixa. Seguindo a montante esse braço alternativo e acompanhando um cano de captação, uma nova e ainda maior cachoeira surge. É a Cachoeira Galheiros. Sua base é repleta de pedras grandes e não chega a formar um poço. Moradores locais relataram uma queda violenta em períodos chuvosos.

Com encostas íngremes e matas mais densas, o acesso à parte superior é mais complicado. E ainda não foi possível dizer se existem outras cachoeiras menores por lá.

Cordinha

Não muito longe do Galheiros, uma cachoeira esconde-se dentro de um pequeno bolsão de cerrado fechado. O acesso por cima é complicado: a mata é densa, espinhosa, infestada de caixas de marimbondo e com descidas razoavelmente inclinadas. A navegação é problemática pois obstáculos dentro da floresta não podem ser vistos em imagens aéreas.

O córrego que atravessa essa mata é de baixo volume e tem a tendência de secar no auge da estiagem. Pequenos canions formam-se nas proximidades, o que torna a progressão via leito difícil ou mesmo impossível. Por baixo, a trilha pelo córrego é naturalmente mais simples e direta.

Passa-Três

Não se trata de uma cachoeira desconhecida, embora até pouco tempo atrás poucas referências existissem acerca dela. Situa-se na porção nordeste do Vale do Urucuia, virada para a enigmática Serra de São Domingos, que forma um paredão de quase 100km de distância no sentido sul-norte.

A Cachoeira de Passa Três, assim como várias outras mais ou menos conhecidas nos arredores, tem como referência a comunidade de São Pedro de Passa Três. Sua fundação remonta a década de 50, quando uma família inteira teve que se mudar de Três Marias em virtude da construção de uma enorme represa, que hoje é símbolo da cidade. Nada fácil viver por ali naquela época: para construir casas simples de sapé era preciso adentrar a serra de São Domingos e coletar madeira e palha; para comprar remédios e outros itens essenciais, tinha que encarar uma viagem a cavalo de um dia inteiro até Buritis, tendo eventualmente que deixar os animais nas margens do Urucuia e prosseguir a nado em um rio cheio e perigoso.

A comunidade ainda é pequena. Perguntar sobre as cachoeiras é ser transferido de pessoa à pessoa e obter direções confusas. Mas é relativamente simples chegar até elas.

A Cachoeira de Passa Três começa na fazenda de mesmo nome. Caminhando pelo córrego em pouco tempo chega-se na base da cachoeira. O poço relativamente pequeno e esverdeado é bonito. A queda divide-se suavemente em duas, num V invertido que é nítido nas imagens aéreas. Por ser pouco visitada, a mata ao redor é bem preservada.

Vale das Almas

A Cachoeira do Vale das Almas surge no momento em que o córrego das Almas desce a Serra do Bonito para o Vale do Urucuia (porção oeste-noroeste do vale). Imagens aéreas parecem indicar a passagem da água por baixo de uma pedra, mas não é o que ocorre de fato. O volume d'água nas imagens também parece ser alto, mas pelo menos em épocas de seca ele quase desaparece.

A queda ocorre em uma enorme pedreira, que avança com muita profundidade no vale. Não há relatos de como são as coisas na parte baixa (que mal dá para ver lá de cima), mas certamente a queda é interrompida por ao menos uma superfície intermediária.

As encostas do vale que abriga o córrego abriga outras cachoeiras menores.

(Continua em 2019)

Trilhas Perdidas
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Published on 09/29/2018 19:46

Performed from 07/01/2016 to 06/01/2018

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O projeto Trilhas Perdidas vem usando as tecnologias de imagens de satélite para mapear e catalogar atrativos naturais conhecidos ou desconhecidos Brasil afora.

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