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Ciclo viagem - SP/PR/SC

Ciclo viagem - SP/PR/SC

Relato da mini ciclo viagem que fiz em maio de2016

Para tudo na vida é necessário o primeiro passo.

Sim, fui orientada a comprar uma bike top, equipamentos top... Mas, optei por utilizar o que tinha e a criatividade. Uma bike usada, encontrada por R$100,00 e com algumas modificações segui pela estrada.


Por ser a primeira viagem sozinha de bike, decidi por dividir o trajeto em ônibus, bike, pousadas e hostels como hospedagem. Saiu um pouco mais caro do que se tivesse levado minha barraca e a comida mas, foi um aprendizado, começar a conhecer a estrada para assim, fazer uma cicloviagem totalmente roots.

Primeiro e Segundo dia
Confesso que assim que entrei no ônibus para Cananeia, onde começaria minha viagem, estava com o pensamento de desistir: "O que eu estou fazendo aqui; isso é loucura; uma pessoa sozinha." Mas, já estava embarcada e sabia que caso algo desse errado eu poderia desistir e voltar para São Paulo e sabia que não seria julgada por isso.
Cheguei em Cananeia por volta das 19:30, o motorista me indicou onde ficava a rua do hostel que iria passar a noite, então lá fui eu, não tinha testado o alforje com a bike, a rua toda de paralelepípedo mas, fui... Não cai, consegui fazer o trajeto com o peso na bike, bom sinal rsrs.

O hostel é aconchegante, o dono, Jonas é de uma simpatia, assim como sua companheira. Pela manhã, ele me deu algumas dicas de como eu faria para pegar o barco para Maruja(Ilha do Cardoso), me despedi e segui.
Chegando no porto, descobri que a travessia pela Dersa só sairia as 13:00, atrasando muito minha chegada em Maruja, o que me restou foi ir atrás de algum barco particular que fizesse o trajeto. Encontrei um rapaz soltando a corda de um barco e perguntei quanto que era para fazer a travessia, (estava dentro do orçamento, vamos lá) . Ele estava levando dois casais para a ilha, um alemão e o outro de São Paulo, fizemos algumas paradas para ver golfinhos e uma trilha até uma cachoeira já na Ilha do Cardoso.

Chegamos por volta das 13:00 na ilha, me informaram que a maré estava alta, não sendo possível seguir para Superagui.... Então, parada para almoço com um peixinho frito, arroz, feijão e um pirão de caldo de peixe divino.
Ao contrário de Cananeia, a Ilha do Cardoso não possui energia, tudo é a base de gerador, as poucas pousadas e restaurantes que tem na ilha são dos próprios moradores, uma pequena vila de caiçaras preservada no estado de São Paulo. Abriga também uma das maiores faixas de mangue do mundo, que vai de iguape-SP até Paranagua-PR. A circulação de veículos automotores é proibida, para se locomover só através de barco, a pé ou no meu caso de bicicleta.



Após o almoço foi o momento de despedidas e seguir meu caminho para Superagui. O motorista do barco informou que seria em torno de 16km até o pontal do leste, divisa de São Paulo com o Paraná, fiquei mais tranquila pq não queria fazer esse trajeto a noite, como a distância seria curta, não teria com o que se preocupar. Chegando no pontal os próprios moradores fazem o trajeto, um trecho curto, em torno de uns 10min até Superagui. Ao colocar os pés no Paraná soltei um ufa!! Cheguei! Agora só procurar a pousada, tomar um banho quente e se preparar para o dia seguinte. Mas, tinha alguma coisa errada, tudo estava certo demais, nenhum perrengue.... Tinha que acontecer alguma coisa. Aconteceu.
Nos primeiros 5km andando em Superagui estava tranquila, até que se transformou em 10, 15, 20km sem ver ninguém, nenhuma construção, nenhum morador, somente a companhia de pássaros e caranguejos. As 16:30 comecei a me preocupar com o por do sol e me repreender mentalmente por não ter levado a barraca, se escurecesse eu teria que encontrar algum local para passar a noite e seria uma noite desprotegida.
Aí encontrei rastros de bicicleta na areia, indo ou voltando não sei mas, sabia que ia dar em algum lugar, então vamos seguir. Ao andar mais uns kms e já na escuridão avistei as primeiras luzes, primeiro de alguns barcos em alto mar, depois em terra firme, cansada, com fome e sem vontade nenhuma de desistir, sim, aqui eu só queria seguir em frente, em nenhum momento passou pela cabeça a possibilidade de retornar, só seguir em frente. Quando achei que estava me aproximando o que eu encontro na frente? Um rio, sério rsrs. Uma parada para refletir, tentar sinal de celular para entrar em contato com a pousada e pegar a lanterna no alforje. Quando uma viagem está fadada a dar errado, não existe boa vontade, perseverança que resolva e não era o caso da minha. Quando o medo começou a bater, eis que passa por mim um senhor, sim, no meio do nada e de lugar nenhum, um senhor de bicicleta indo na mesma direção que eu deveria ir senão fosse o rio. Ele me indicou onde pisar por causa da correnteza e me acompanhou até a vila, uns 20min depois já estava dentro da Vila de Superagui. Aí foi encontrar a pousada, lavar a bike e minha companheira guerreira receber os cuidados antes de mim.

Minha vontade para essa viagem era de construir historias mas, percebi que minhas histórias são as histórias das pessoas que passam pelo caminho. Seja a do dono do hostel que sonha em sair pela estrada com sua kombi; do casal alemão que mesmo não falando uma palavra de português está conhecendo o Brasil; do casal paulista que após criar duas filhas e agora aposentados está curtindo a vida viajando, da Ilha do Cardoso seguiriam para Morretes e depois para a Argentina de carro ou até onde o dinheiro desse; de um simples morador caiçara, onde a alegria é de contar histórias de como ajudou as pessoas (agora eu estarei presente nessas histórias tbm rsrs).

Tecendo caminhos e seguindo em frente, sempre.... O destino agora é Ilha do Mel.

PS: Só tem uma horário de ônibus de São Paulo para Cananéia, sai as 14:30 da Barra Funda e chega por volta das 19:30, é arriscado atravessar a noite para Marujá e difícil encontrar um barqueiro que faça esse trajeto nesse horário, a melhor opção é passar a noite em Cananéia.
Pela balsa da Dersa é mais barato a travessia mas, não é todos os dias e horários que funciona.

Terceiro e Quarto dia
Sai de Superagui pela manhã em um barco que estava transportando camarão para Paranaguá, o pescador me deixou na ponta da Ilha do Mel, na base da Marinha.
Os pescadores fazem esse trajeto, só conversar e ver quem já está indo naquela direção o valor fica mais em conta ou pegar o barco com destino a Paranaguá e depois até a Ilha do Mel mas, não compensa, uma volta a mais sendo que a Ilha está logo a frente.

Decidi passar dois dias na Ilha do Mel, uma para descansar, outra para aproveitar o lugar que fazia tempo que queria conhecer.
Nesses dois dias me senti como fazendo parte das histórias de piratas que lia quando criança mas, sem os truques e malandragens, pelo contrário, o povo de lá é muito educado, solicito e empático. Pessoas boas e graças a Deus, só encontrei pessoas boas no meu caminho até agora.



A ilha é um pedaço de paraiso tropical no oceano, paisagens lindas, mar calmo e tranquilo do lado da praia de Encantadas (onde o agito se encontra), mar mais agitado do outro lado na praia da Fortaleza para quem gosta de emoção.
Deixei a bike descansando e resolvi percorrer a pé a ilha, melhor opção, as distâncias não são longas e é possível conhecer toda a ilha em um dia. Destaque para a Fortaleza dos Prazeres, construida em 1767, para proteger o Brasil de ataques espanhóis; a Gruta das Encantadas, uma gruta natural de 20 metros de altura e o Farol das Conchas, construído em 1872 para orientar os navegantes.
A Ilha do Mel foi declarada patrimônio histórico, artístico e natural do estado do Paraná em 1975.

Como eu gosto de um perrengue, se ele não aparece eu procuro rsrs, fiquei ilhada em dois momentos, o primeiro logo que cheguei, a maré subiu muito e não consegui atravessar até a Fortaleza, como estava com a bike dificultou mais, no outro momento, nas andanças para conhecer a ilha perdi a noção do horário da maré e fiquei presa em um banco de areia, a sorte foi um pescador que me ajudou a atravessar com água pela cintura até o Trapiche, onde sai os barcos que levam de uma ponta a outra da Ilha. A maré ali é traiçoeira, sobe rápido que você nem percebe, os piores horários são das 11:00 até as 15:00, após esse horário ela baixa e as passagens ficam liberadas.

A ilha possui outro farol, o Farol das Encantadas ou Galhetas, como é conhecido pelos nativos, abandonado, visitado pelos aventureiros. O morador da praia de Galhetas Sr. Valdemar, nativo, tem uma barraca na praia de Encantadas onde vende seus barquinhos de madeira feitos a mão com o maior carinho, ele que cuida da limpeza da trilha até o Farol e ele próprio faz o trajeto ida e volta de canoa de Encantadas até Galhetas para quem quiser conhecer. Valeu a visita mas, parece um pouco mal assombrado o lugar, saí rapidinho de lá e fiquei esperando o seu Valdemar na praia.
A ilha é repleta de pousadinhas e restaurantes para todos os bolsos, sinal de celular pega em qualquer parte da ilha e difícil não achar um estabelecimento que não aceite cartão(isso facilita muito)

Como tudo que é bom dura pouco, me despedi da ilha com um belo nascer do sol. Seguindo o caminho, agora para Santa Catarina.

PS: Existem dois horários de barco de Encantadas com saída para Paranaguá, as 07:30 e as 16:30. O trajeto leva cerca de 2h30 até Paranaguá.

Quinto dia em diante
Cheguei em Paranaguá por volta das 10:00, 10:15 já estava no ônibus com destino a Curitiba, depois de 6 meses de planejamento, iria fazer o Vale Europeu, Circuito de 350km pela Serra Catarinense.

Quem pretende ir para Timbó de Curitiba, existem três horários de ônibus, 11:30, 12:55, 18:15, o trajeto leva cerca de 4h. Recomendado já efetuar reservas nas pousadas e hotéis pelo caminho, dependendo da data pode não ter vaga. Não tem opções de camping, seria contar com a boa vontade de um quintal rsrs. Mas, fazer esse roteiro com peso não é indicado, tem muito desnível, subidas e descidas muito inclinadas, indo devagar corre o risco de chegar na próxima cidade a noite, o que dificulta a montagem da barraca e encontrar locais para comer, a partir das 15:00 os estabelecimentos costumam fechar nas cidades.

Cheguei em Timbó por volta das 22:30, hotel encontrado, descansar para começar o trajeto bem cedo no dia seguinte. Amanheceu com uma leve garoa, se permanecesse assim estava bom, fazer o trajeto com tranquilidade.
No restaurante, onde pega o certificado e o mapa encontrei um casal, que estaria fazendo o roteiro pela primeira vez e dois amigos experientes em bike, iriam fazer algumas partes, não o trajeto todo, um deles já tinha feito o circuito duas vezes. Seguimos juntos até metade do caminho, visto que eu estava com mais peso, fiquei para trás e marcamos de nos encontrar na cidade.

Metade do caminho de Timbó até Pomerode é tranquilo, estrada de barro, algumas pedras mas, nada que dificulte o pedal, o trajeto é sinalizado com setas amarelas nos postes e caso tenha alguma dificuldade é só perguntar para os moradores que eles indicam o caminho.

Da outra metade em diante, o negócio começa a ficar para gente grande rsrs. São mais ou menos de 5 a 6km de subida pesada, daquelas que não tem como andar, tem que descer da bike e empurrar mesmo, ainda mais com peso, aqui já não tem mais casas, o trajeto é bem deserto com mata dos dois lados, um carro ou outro passando pelo caminho. A chuva começou a cair de vez, transformando a estrada em pura lama. O final da subida é na placa que informa a divisa com Pomerode, dali em diante é só descer.

Fui devagar, comecei por volta das 10:00 e cheguei no ponto de término por volta das 15:30. Do ponto final até o centro da cidade é mais uns 5km.

Toda molhada, com lama, estava desesperada para encontrar o hostel, tomar um banho quente e conhecer a cidade, tentar encontrar os 4 ciclistas e programar o segundo dia.
Fiquei chocada com a quantidade de carros na cidade, assim como em Timbó. A cidade toda tem ciclovias e, apesar da quantidade de carros, os motoristas respeitam, tanto o ciclista como o pedestre são prioridades. O que complica são as ruas, muitas são de paralelepípedo, com buracos e o desnível da calçada para a rua em alguns trechos são grandes, então CUIDADO. Foi o que eu não tive rsrsrs.
Ao tentar passar da calçada para a ciclovia, o pneu da bike prendeu em um buraco encoberto por uma poça d'agua, caí e o joelho torceu. Com dificuldade cheguei até o hostel e aqui foi tomar a decisão mais difícil, visto que o segundo dia seria mais puxado, 40km com duas subidas e descidas complicadas, o joelho inchado e sem conseguir dobrar, não valia o risco de forçar e parar no caminho, seria pior.
Circuito adiado, volto, pode ter certeza, concluir os 300km finais.

O que restou foi aproveitar a cidade, dois dias conhecendo Pomerode, se bem que a cidade é pequena e em um dia da para conhecer...rsrsrs
A cidade é uma colônia de alemães, povo um pouco fechado mas, extremamento educados.
Os estabelecimentos fecham cedo por volta das 15:00. É possível encontrar uma fármacia no centro e uns três ou quatro restaurantes abertos a noite. Recomendo uma pizzaria em frente ao hostel que fiquei e um barzinho atrás do arco de entrada na cidade.

Gastos:
Transporte

> Ônibus de São Paulo x Cananéia: R$ 50,00
> Travessia de barco Cananéia x Ilha do Cardoso: R$ 70,00
> Travessia Ilha do Cardoso x Superagui: R$ 10,00
> Barco Superagui x Ilha do Mel: R$ 20,00
> Barco Ilha do Mel x Paranaguá: R$ 25,00
> Ônibus Paranaguá x Curitiba: R$ 25,50
> Ônibus Curitiba x Timbó: R$ 45,00
> Ônibus Pomerode x São Paulo: R$ 159,00

Hospedagem

> Cananéia: Casa Verde Hostel e Camping R$ 40,00 (com café da manhã)
> Superagui: Pousada Nativos R$50,00 (com café da manhã)
> Pousada Vagalume R$160,00 (duas diárias com café da manhã)
> Timbó: Iria´s Hotel R$55,00 (com café da manhã)
> Pomerode: Hostel Stettin diária R$65,00 (com café da manhã)

PS: Não tive dificuldade de embarque com a bike, tanto nos ônibus como nos barcos, não precisei desmontar e nem embalar. Somente no trajeto de Paranaguá para Curitiba me foi cobrado uma taxa de R$ 15,00 por excesso de bagagem por causa da bike.

Entre ônibus, bike e barco foram 8 dias de aventura, aprendizado e a certeza que podemos tudo na vida, só querer.
Conheci pessoas humildes, simples, de bom coração(em toda a viagem), fui ajudada e ajudei.
É muito bom voltar para casa mas, já com a vontade de partir de novo....

..... Que venham novas histórias.

Renata Cristina
Renata Cristina

Published on 07/25/2018 00:51

Performed from 05/01/2016 to 05/10/2016

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Renata Cristina

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Trilheira viajante apaixonada por aventuras.Relatos sobre trilhas, trekking, travessias, viagens e atividades outdoor. Mostrar que viajar faz bem, seja sozinho ou em grupo.

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