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Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Percorri em Maio/Junho de 2016 o Caminho de Santiago, da cidade de Saint Jean Pied de Port na França, até Finisterra.

Trekking Long Distance

Durante 39 dias caminhei cerca de 900 km, iniciando na cidade de Saint Jean Pied de Port na França, passando por Santiago de Compostela e terminando o caminho em Finisterra, o ponto mais à oeste da Espanha.

Preparação

Não fiz um treinamento pesado para me preparar fisicamente. Já praticava Pilates a cerca de 2 anos e o fortalecimento da musculatura das pernas foi essencial para poupar os joelhos. Mas é inevitável sentir dores nos primeiros dias. Só o caminho te prepara para ele mesmo.
Pesquisei muito sobre os equipamentos necessários para esta jornada. É essencial levar o mínimo possível. Assim como na vida cotidiana, quanto mais conforto e opções carregamos conosco, maior o preço pago. Neste caso o preço vem em forma de dores e lesões causadas pelo excesso de carga.
Não defini um roteiro rígido. Tinha cerca de 50 dias disponíveis para fazer o percurso, então seguiria de acordo com minhas capacidades. Cheguei a caminhar 36 km em um dia, porém em outra oportunidade caminhei apenas 11 km.

Custos

As despesas se classificam em 3 categorias básicas:

Transporte:

Compreende todo tipo de deslocamento. No meu caso foram:
- Vôo de Belo Horizonte para Madrid (na minha opinião, melhor ponto de acesso, pois fica em um ponto médio entre o início e o final do caminho)
- Trem de Madrid para Pamplona. Passagens podem ser consultadas e compradas antecipadamente pelo site http://www.renfe.com/
- Ônibus de Pamplona para Saint Jean: Passagens podem ser consultadas e compradas antecipadamente pelo site https://www.alsa.es/
- Trem de Santiago de Compostela para Madrid: Também pela Renfe
- Trem de Madrid para Toledo: Também pela Renfe

Equipamentos:

A minha lista está no meu blog:
http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/10/22/caminho-de-santiago-equipamentos/

Gastos gerais:

- Sugere-se entre 30 e 50 euros/dia dependendo do comportamento. Pode-se ficar em albergues mais econômicos e fazer compras de alimentos e prepará-los ou ficar em albergues mais caros e confortáveis e comer em restaurantes.
- Albergues custam entre 5 e 18 euros. Não necessariamente os mais baratos são piores. Existem 3 tipos: Paroquiais, mantidos pela igreja e com voluntários trabalhando (o custo é por doações, mas não deixem menos que 5 euros), os Municipais, mantidos pela prefeitura (custam entre 5 e 6 euros) e os particulares, que variam muito em conforto e comodidade (entre 8 e 18 euros). Muitos possuem máquinas de lavar e secar roupas, que custam 3 euros por serviços (mas podem suportar roupas de 3 ou 4 peregrinos, então é legal procurar dividir).
- Alimentação. Os restaurantes ao longo do caminho servem o menu do peregrino, que consiste em entrada, prato principal, sobremesa e bebida. Custam entre 8 e 15 euros. O café da manhã pode variar entre 2,5 a 6 euros. Como alternativa, pode—se fazer compras em mercados e prepará-los para economizar. Ah, e a cerveja custa entre 1 e 2 euros o copo ou garrafa. Mais detalhes em: http://iwazawa.com.br/blog/index.php/20 ... tronomico/
- Farmácia. Gasta-se bastante com curativos, cremes, anti-inflamatórios.

Dicas:

- Deixe para comprar um chip de celular espanhol fora do aeroporto. Lá, um chip com 1,5 gb de dados custa cerca de 40 euros, mas comprei o mesmo na estação de Atocha por 15 euros.
- Os correios espanhóis possuem um serviço especial para peregrinos. Caso seja necessário levar uma bagagem extra para o pós caminho, é possível despachar o excesso para Santiago e o pacote fica sob custódia até o fim da peregrinação.
- Não é imprescindível falar espanhol ou inglês, pois todos tem boa vontade por lá. Mas perde-se muito na experiência de comunicação com as pessoas.
- Levar dinheiro em espécie (pelo menos 1/3 do previsto), pois grande parte do caminho se dá pelo interior da Espanha e nem sempre aceita-se cartões. O restante pode ser sacado em qualquer caixa eletrônico pela função saque do cartão de crédito internacional. Ah, e leve cartões de reserva, pois uma máquina engoliu o meu.
- Nos albergues há sempre uma área onde peregrinos deixam objetos e roupas que desapegaram. Então caso haja necessidade, é só solicitar e verificar se há alguma coisa que precisem. Ou podem deixar também, para aliviar o peso.
- Há bares e vilarejos a cada 3 ou 4 km ao longo do caminho, não sendo necessário carregar comida.
- Há fontes de água com bastante frequência também. 1 ou 1,5 litros é o suficiente para levar na mochila.
- No início do caminho, o peregrino adquire uma credencial onde vai carimbando sua passagem pelos locais do caminho. Ela serve para comprovar a peregrinação e retirar a Compostelana, certificado dado pela catedral de Santiago. E os albergues paroquiais e municipais só aceitam hospedar com a posse da credencial.

Conclusões:

- Planejei a viagem esperando completar uma caminhada dura e reflexiva. Porém, para minha surpresa, a caminhada foi extremamente divertida, empática e social. O melhor do caminho são as pessoas que conhecemos por lá.
- Se conseguirmos relacionar as experiências vividas no caminho com o macro de nossa vida cotidiana, a experiência se torna extremamente enriquecedora.

Narro esta e outras aventuras no meu blog pessoal:
http://iwazawa.com.br/blog/

Grande abraço!

Wilson Iwazawa
Wilson Iwazawa

Published on 12/08/2016 01:10

Performed from 05/13/2016 to 06/21/2016

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3796

5
Fabio Fliess
Fabio Fliess 12/09/2016 13:25

Muito bom Wilson! Estou lendo seus posts no blog. E matando a saudade do período que passei no Caminho! Parabéns! Ultreya!

Wilson Iwazawa
Wilson Iwazawa 12/09/2016 13:27

Valeu Fabio! Tenho que desenrolar e escrever a da trilha inca também....

Fabio Fliess
Fabio Fliess 12/09/2016 14:11

Sei bem como é... "Deixar para escrever depois, a gente vê por aqui!". kkkkk Abraços.

Eduardo Chaves
Eduardo Chaves 12/29/2016 10:40

Showw!!

Felippe Llerena
Felippe Llerena 01/30/2017 19:18

legal - fiz em setemebro a outubro de 2016 maravilhoso - experiencia de vida

Wilson Iwazawa

Wilson Iwazawa

Belo Horizonte - MG

Rox
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Mora em Belo Horizonte. 38 anos. Meio japonês. Arquiteto e nerd nas horas vagas. Trabalha em home office. Coleciona action figures e patches de mochila. Detesta multidão.

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