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De Pára-Quedas nos 40!

De Pára-Quedas nos 40!

Uma mistura de sensações e emoções muito fortes: sono, fome, adrenalina e felicidade!

Skydiving

13 de Agosto de 2016. Um amigo, marido de uma amiga, conseguiu marcar um salto de pára-quedas pra mim em Resende e ele mesmo me levaria. No dia em que completaria 40 anos de idade. Estava animada, mas ainda com medo de dar algo errado e eu não saltar. A ficha ainda não havia caído e eu estava tranqüila como se não fosse fazer nada demais. Fui dormir por volta das 23h00. E comecei a sonhar que estava saltando. Acordei com o coração aos pulos à 1h00 da manhã de sábado, achando que iria infartar e não consegui dormir mais.

Saímos antes das 6h00. Embora estivesse como um zumbi, consegui admirar a estrada do subúrbio do Rio até Resende, onde chegamos antes das 8h00 da manhã. Não tinha quase ninguém lá. Novamente o medo de não poder saltar. Meu amigo disse que o “teto estava baixo” ou seja, as nuvens precisavam ainda se dissipar para possibilitar o salto. Fui apresentada às pessoas que estavam por lá e fui muito bem recebida por todos. A Simone da cantina era muito simpática e vibrou por saber que eu ia saltar no dia do meu aniversário. Mariana, da empresa ParaquedismoRJ foi o tempo todo simpática, solícita e muito eficiente, assim como a outra menina que esqueci de perguntar o nome. Escolhi o pacote Vip, queria saltar com o Câmera Fly também, para que todos os ângulos do salto fossem pegos. E foi uma grata surpresa conhecer o meu câmera fly Gustavo Marqui que estava levando sua mãe, Rosa, para saltar pela segunda vez. E ela me incentivou e tentou me acalmar o tempo todo.

Descobri que ia saltar com um instrutor que tem mais de 6 mil saltos no currículo e 21 anos de experiência, Base Jumper, instrutor, treinador, Campeão brasileiro... ai ai, eu estava muito bem parada. Apesar de saber disso, minha ansiedade e meu medo só aumentavam. Minha serenidade da semana com a situação foi embora desde 1h00 da manhã daquele sábado. E o meu vôo seria o nono... o primeiro só partiu depois das 9h00.

Quando vi o primeiro embarque e os primeiros saltos meu coração estremeceu de emoção. E medo. “Você vai mesmo saltar, vai ter coragem?” eu me perguntava intimamente. E ao mesmo tempo me convencia de que eu era uma fortaleza, que mesmo com medo experimentaria esse prazer. Então quando chegou o momento de colocar o equipamento e treinar, eu era a tensão em pessoa. Rodrigo Pato, o Campeão Brasileiro, era tão simpático quanto Gustavo Marqui. Mas eu não conseguia nem sorrir direito. Ficava idiotamente repetindo a piadinha infame que ele deve ouvir de todo mundo: Pato voa? Quanto mais eu me achava ridícula perguntando isso mais eu repetia. Coitado do Rodrigo! Ele pagou o pato hahahaQuando anunciou o nono vôo e nosso embarque foi solicitado eu gelei. Caminhamos para esperar o avião chegar ao local para embarcar. Pra tentar quebrar meu gelo, perguntei ao meu instrutor se ele estava bem de saúde e ele respondeu que estava com depressão profunda. Um outro disse que ele estava com problemas de saúde mais graves não curados e a gargalhada foi geral. Quando entramos no avião ficamos sentados com o banco entre as pernas. Todos muito juntos porque o espaço era pequeno. Não me lembro ao certo quantos éramos, talvez uns dez. E havia apenas mais outra mulher além de mim no vôo. A porta foi fechada e o avião começou a ganhar o céu. Eu estava eufórica por dentro ao mesmo tempo que me perguntava se tudo aquilo era mesmo real e se eu realmente teria coragem de saltar. Quem me conhece sabe que adoro viajar de avião por causa da decolagem e do pouso. E era a primeira vez que eu andava num avião tão pequeno. Adorei do mesmo jeito. Fomos conversando durante o vôo, principalmente eu e Rodrigo Pato. Fui ficando encantada com a visão das montanhas, em especial a Serra da Mantiqueira. Quando Pato me mostrou o Pico das Agulhas Negras fiquei maravilhada: lá estava meu adorável pico ainda não conquistado!Entre conversas e brincadeiras, ensaiei um “parabéns” e meu instrutor contou pra todos que eu estava comemorando aniversário àquele dia. Todos vibraram e cantaram parabéns pra mim. Foram os melhores parabéns da minha vida, nunca vou esquecer.Então já estávamos a 12000 pés quando o avião abriu a porta e deu uma paradinha (é, isso, mesmo!). Eu me assustei. Os motores pararam e foi muito estranha a sensação. Nesse momento achei de verdade que o avião ia cair. Só não me desesperei porque já havia sido avisada sobre isso. Dois rapazes saltaram juntos, de lado, e foi a coisa mais linda que já vi. Logo Pato disse pra irmos e lembro de ter dito um desesperado: “já?”. E como eu já estava devidamente “engatada” nele não tive alternativa. Fui andando pra porta do avião agachada e num instinto levei a mão à porta e ele me pediu para por a mão apenas no equipamento. Não sei se foi medo ou o fato de andar com as mãos presas ao peito - o que foi desconfortável - e por isso quis me apoiar em alguma coisa.

De cara para a vastidão do céu nem sabia onde estava meu câmera fly Gustavo. Estava tensa e Pato tocou na minha testa para que eu jogasse bem a cabeça para trás a fim de proteger meu pescoço na queda. De resto só sei que Pato projetou o corpo dele pra frente e eu estava rendida, totalmente à mercê dele, e meu corpo caiu junto no ar.Eu não consigo descrever a sensação. Ao mesmo tempo em que estava apavorada, estava em êxtase, porque é indescritível. “Quando eu saltar se você falar comigo e eu não responder não se preocupe, porque quando fico tensa, fico quietinha”, eu falara isso para Pato e foi exatamente o que aconteceu. Fiquei quietinha, mas olhando atentamente tudo ao meu redor e abaixo de mim. Conforme o treinamento, Pato bateu no meu ombro e eu pude então abrir os braços.

Logo vi Gustavo Marqui na nossa frente nos filmando e tentei sorrir, mas minha boca estava tão seca que o sorriso não saía direito.Tive vontade de dar as mãos ao Gustavo (comentei isso depois com ele, mas ele esclareceu que isso não se faz em saltos duplos para segurança de todos). Foi quando Rodrigo Pato começou a girar comigo e eu confesso que o xinguei mentalmente porque olhar para baixo aquela altura toda e girando ao mesmo tempo era enlouquecedor. “Deixa de ser fracolete, Viviane”, eu me recriminei mentalmente, sim. E pensei em como aquela girada era um momento incrível na minha vida de aventureira.

Não lembro direito a sequencia dos acontecimentos. Mas lembro ainda que perdi Gustavo Marqui de vista e perguntei ao Pato onde estava meu “câmera man vip”. Pato riu com a expressão e disse que ele tinha que ir na frente, ou seja, estava lá embaixo. Estávamos eu, Pato e a imensidão do céu à nossa volta. Quando o pára-quedas abriu Pato disse que ia afrouxar um pouco os equipamentos para que eu ficasse mais confortável. E que eu não me assustasse com a leve caidinha que meu corpo ia dar. Ok. Mas é uma sensação horrorosa quando ele solta você um pouco porque parece que vai cair direto. Quando pude tirar os óculos de proteção também ficou mais confortável. Sem falar que as fotos ficam menos horrorosas hahaha. Via as montanhas, a cidade de Resende, o rio Paraíba do Sul... tudo tão lindo e tão pequenininho! Estava me sentindo super segura e totalmente deslumbrada. E orgulhosa de mim, mesma. Não quis provar nada a ninguém. Mas me sentia muito feliz de poder me proporcionar esse presente sensacional. E estava feliz de estar saltando com um dos melhores paraquedistas do país. Pato era super profissional, cuidadoso e alto astral. Ele nasceu para fazer isso. Ele deu o comando do pára-quedas pra mim, mas não tive forças pra puxar um lado. Ele então puxou a corda pra baixo com força e demos uma guinada que me fez soltar uns gritinhos. Fez isso algumas vezes. Era desesperador e ao mesmo tempo muito legal!Foi o momento mais lindo da minha vida até agora. Superou a asa delta. Não me perguntem quanto tempo levou tudo. Acho que foi rápido, mas que pareceu uma eternidade no paraíso. Caí de pára-quedas nos 40 e foi a melhor coisa que fiz a mim, mesma. Quero mais.

Obrigada Paraquedismo RJ pela equipe de primeira que trata a todos com Excelência. Obrigada Gustavo por me filmar e por ser tão simpático, e ainda por cima fazer conhecer sua mãe que o tempo todo foi meu anjo acolhedor e encorajador. Sobretudo, agradeço ao Rodrigo Pato, meu az indomável, meu herói, meu super instrutor!Tem coisas que o dinheiro realmente não paga. Se eu soubesse que seria assim não teria esperado 40 anos para fazer. Quando pousei estava sem forças até para falar e meu corpo todo tremia. Era uma mistura de sensações e emoções muito fortes: sono, fome, adrenalina e felicidade! Quando me levantei um outro paraquedista veio ao meu encontro e fez questão de me cumprimentar: “Parabéns pela maneira incrível como comemorou seu aniversário”, disse ele com muita alegria. Voltei para casa achando que tudo era um sonho fantástico. E aos poucos minha ficha foi caindo e me dei conta de que foi o melhor dia de todos os anos da minha vida.

Viviane Rosa
Viviane Rosa

Published on 12/08/2016 11:02

Performed on 12/08/2016

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3 Comments
Renan Cavichi 12/13/2016 09:59

Que massa! Parabéns pela experiência Viviane! Acho que vou incluir uma dessa na minha vida, mas acho que nos 50 rsrsr

Ana Retore 12/15/2016 11:11

Que demaaaais!!

Viviane Rosa 12/16/2016 17:33

Obrigada, amigos. Vale muito à pena... pretendo fazer outro assim que possível. A experiência é singular!

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Carioca, 41 anos. Morando em Cork, Irlanda.

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