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EsPETARcular

EsPETARcular

PETAR é um lugar incrível para ser explorado. Conheci apenas duas cavernas, mas foi uma experiência inesquecível!

Cave Speleology

Saímos na sexta e pegamos a estrada para o longo percurso até o sul de São Paulo para visitar as atrações do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) que fica entra as cidades de Apiaí e Iporanga. É muito chão até lá. Fizemos mais de 12 horas de estrada. Com poucas paradas. Mas sempre soube que valeria à pena, pois o parque possui mais de 350 cavernas e dezenas de cachoeiras e trilhas, dentre outras atrações.

Petar era um sonho antigo que só consegui realizar no início de 2016. A primeira vez que ouvi falar desse lugar estava de férias em Bonito e um paranaense me falou desse paraíso, muito mais visitado e conhecido pelo pessoal do Paraná por estar mais próximo dele.

Quando finalmente chegamos (após percorrer estradas lindas) nos identificamos na entrada e partimos com o guia do parque. Nossa primeira experiência foi um mirante que foi projetado para aproveitar o retorno do som que o ambiente propiciava. Cada um do grupo se posicionou no lugar exato que o guia indicou e ao chegar a minha vez experimentei o mesmo: disse uma palavra e recebi o retorno da mesma de uma forma incrível. Não consigo explicar, é uma espécie de eco mas ouvido dentro da sua cabeça. Depois que você fala e ouve o mesmo som não consegue ficar sem rir.

A primeira caverna a ser visitada foi a Caverna de Santana, fizemos um percurso de 5 minutos até ela. São 800 metros abertos à visitação, mas ela é muito maior que isso: tem 8km de extensão. Cada salão, cada formação dentro da caverna, eram espetaculares. Havia uma rota traçada dentro da caverna, com subidas e descidas. Passagens bem escuras. As formações como colunas, estalagmites e estalactites, outras chamadas de Baicon, cortina, eram fantásticas, trabalho de anos e anos moldado pela ação natural.

Houve um trecho em que podíamos subir por uma escada ou experimentar a sensação de se arrastar por um buraco para atingir o outro lado. A maioria foi pela escada. Eu relutei mas decidi experimentar. Meu medo maior era ter uma aranha ali entre as reentrâncias das rochas pois já tínhamos nos deparado com uma armadeira no salão anterior. Mas fui. Abaixei-me em frente à passagem e depois deitei o corpo pra frente me arrastando naquela passagem super apertada. Confesso que a sensação de estar espremida entre as paredes não me agradou, foi meio claustrofóbico. E como sou meio desengonçada bem no meio achei que ia ficar entalada ali. Isso porque eu era a mais magra do grupo, mas com coordenação motora estragada.

Andamos sobre passarelas, descemos escadas, algumas passarelas eram estreitas e passavam sobre lagos com profundidade de mais de 10 metros. Foi um passeio muito divertido e aprendemos muito sobre a importância daquele lugar para o equilíbrio ecológico. Percorremos esses 800m por aproximadamente 2h.

Saímos pelo mesmo lugar que entramos. Tivemos um intervalo para o lanche e à tarde iríamos visitar outra caverna: da Água Suja. Para chegar nessa pegamos a trilha do Rio Betari que levou cerca de 30, 40 minutos para percorrer. Era uma trilha de terrenos irregulares (num lance subíamos uma escada de madeira) mas sem grande dificuldade. Atravessamos o Rio Betari onde havia uma corda de apoio. Mais um pedaço de trilha e atravessamos o pequeno rio que saía da Caverna da Água Suja para desaguar no Betari. Parace que a caverna tem esse nome porque quando chove sai uma água barrenta que suja o Betari ao desaguar nele. Para entrar nessa caverna é obrigatório o uso de tênis, mesmo andando na água. Ela tem 1800m mas apenas 800 metros podem ser percorridos. Ela é uma caverna com salões gigantescos e há trechos em que é necessário andar bem pelos cantinhos pois são fundos. Outro ponto importante é que a temperatura no interior da caverna é sempre como um ar condicionado natural e como ficamos o tempo todo dentro d’água é certo sentir frio.

Eu não me recordo se foi na ida ou na volta, mas num determinado momento o guia pediu que pegássemos duas pedras no chão (um tipo determinado), na parte seca, e esfregássemos uma na outra. Estávamos com as lanternas apagadas e ao jogarmos as pedras no chão com força sob seu comando saíram faícas que reluziram lindamente na escuridão. Foi a coisa mais sensacional que já vi, foi emocionante. Só lembro que depois foi um tal de ficar jogando pedra no chão até o guia mandar a gente parar.

Voltando ao percurso da caverna, o desafio era chegar até a pequena cachoeira para tomar um banho gelado. E passamos numa espécie de corredor estreito com água no peito (super gelada) para o banho no escuro. Eu não ia entrar. Mas acabei cedendo e entrei debaixo daquele jato forte e muito gelado. Não me arrependi. Foi muito gostoso. Essa cachoeira fica numa parte onde houve desabamento e é nosso “fim da linha”.

Anos atrás, um turista se afogou e o guia tentou salvá-lo. Ambos morreram afogados. Por isso que as áreas nas cavernas tem acesso restrito, os turistas são levados apenas onde é seguro ir.

A caverna e seu entorno eram tão incríveis que demoramos mais que o normal. Faríamos um bóia cross ainda, mas não deu tempo. Já eram 17h e até retornarmos da trilha seria tarde. Assim nossa aventura do dia terminou na cachoeira do Couto onde o pessoal decidiu tomar um banho. Eu não. Mas curti o lugar.

Das cerca de 350 cavernas de PETAR pouquíssimas são abertas à visitação. Algumas tem autorização para desenvolvimento de pesquisas. Outras nem foram exploradas e acredita-se que haja muitas não descobertas ainda. É um lugar de grande importância ecológica e deve ser visitado com consciência.

Concluí que para conhecer todas as atrações turísticas do parque é necessário ficar lá por uns 10 dias. Não dá pra fazer mais de duas cavernas num mesmo dia. E essas visitas são controladas rigidamente pela administração do parque. Não podem ser feitas sem os guias do próprio parque, que são monitores treinados para isso.

Mas embora tenham sido apenas duas cavernas após uma viagem longa do Rio até o sul de Sampa, valeu cada quilômetro na estrada. O lugar é lindo. Você percebe o quanto é insignificante diante do que a natureza mostra. Somos nada. E PETAR é sem sombra de dúvida, esPETARcular!

Viviane Rosa
Viviane Rosa

Published on 12/14/2016 14:17

Performed on 12/14/2016

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Viviane Rosa

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Cork, Irlanda

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Carioca, 41 anos. Morando em Cork, Irlanda.

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