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Travessia Felício Dos Santos A Capivari - Dia 1 de 3

Travessia Felício Dos Santos A Capivari - Dia 1 de 3

Descobrindo o que tem no final de uma das mais belas travessias no espinhaço meridional.

Camping Hiking Trekking

Empolgado com o novo setup da mochila, mais leve, pouco me importei com a possibilidade de chuva. Claro que, se soubesse que não choveria, não teria levado o corta vento. Com certeza estaria mais leve. Com um barraca de 1,8 kg. Saco de dormir compacto e isolante inflável. Comida pra 2 dias e meio. No terceiro dia iríamos almoçar as 16 horas, em restaurante.

Claro que na van a preocupação era, de certa forma as chuvas.

As 7 da manhã chegamos em Felicios dos Santos, tomamos café na padaria da cidade. Pequena e com uma praça grande, muito bonita. Deu pra entrosar um pouco com a galera. Alguns se conheciam , mas não todos.

A van nos leva por a estrada de terra de implica via, molhada, com poças de água das chuvas recentes. No caminho, conversas que ficam longe na memória, uns falam de espectativas, outros de viagens de outros tempos mais distantes ainda, de antes da pandemia. Do dólar, e de viagens para América Central. Por fim chegamos no ponto de desembarque.

O início da trilha começa na estrada , perto da antena repetidora da região. Logo passamos por um mata burro e , em sequência, saímos da estrada, entrando de vez na trilha. Uma subido leve a direita já permite uma visão dos vales da região. Muita neblina ainda encobre os picos da região e, ao longe permite - se ver fornos de carvão , já acessos.

A trilha segue a direita, embrenhado - se na mata fechada. As sambambaias do caminho foram cortadas, e os galhos, já secando estão espalhados ao longo da trilha. Flores já começam a aparecer. Neblinas descem e andamos sob um sol escondido. Sem chuva. Sorte de andarilhos. Pouco tempo depois, iniciamos uma subida forte, longa, porém bem marcada. Com poste de eucalipto formando um grande escadaria. Esse é o segmento da rota mais ingrime, mas é de mata fechada, o que ajuda caso o sol estiver no céu limpo. Seguimos subindo a escada até chegar ao alto do espinhaço.

A visão do portal volta a mente. Dois grandes paredões guardam um caminho estreito, única passagem lá pra cima. Flores nascem entre as pedras elevando aahia do local. Sem sol e mais próximo das nuvens, a passagem, depois da longa subida, parece te chamar pra um mundo diferente. Este é certamente o ponto onde se desliga das cidades e entre num mundo fantástico.

Poucos minutos depois, um mirante. Reunimos todos. Hidratamos, tiramos fotos.

Andamos mais uns 10 minutos e chegamos na cacht do Sumidouro. Chega-se por cima e ela está a direita. O rio , raso e de pouca água cai por seus 75 metros nas pedras lá embaixo e somem, para depois surgir logo a frente formando o rio novamente. Momento de tirar a cargueira das costas e lanchar. Fechava meio dia. Fotos da cachoeira e das quedas. Momento de conversar, descansar. E pra alguns, nadar.

Lanchei e decidi subir o rio pra conhecer mais sobre ele e a região. Pela margem, segue tranquilamente até uns 500 metros, onde a mata fecha um pouco e as pedras se tornam maiores. É possível passar pulando as pedras no tipo ou por dentro da mata. Após passar desse ponto , existe outra cachoeira, que o pessoal chamou de carrancas. Bem bonita e com poços para nadar. Já quase na hora de voltar a caminhar, voltei pra cachoeira do Sumidouro. Mochila nas costas pra seguir viagem. O espinhaço estava só começando.

Pra quem nunca subiu o espinhaço , esse é um dos momentos mais marcantes. Pra quem subiu, também. E acho que é o que faz voltarmos sempre. Conheço várias cachoeiras no espinhaço, e são todas de beleza ímpar. Mas lá no meio, tem algo que enaltece a alma, eleva o espírito. Os altos palácios. Locais planos, entre as elevações ,com a vegetação baixa e campos floridos. Lugar mágico e especial. E no espinhaço de Felício dos Santos, parte da Babilônia foi deixada. Flores e flores, cada uma mais encantadora. Você anda e anda e os campos floridos estão ali, do seu lado. Um lugar espetacular, de guarda na alma. Azuis, roxo, lilás, amarelas. Um arco íris de cores. Só de andar nós altos palácios já nos faz querer sempre estar ali, rodeado de flores então. Não existe outro lugar que eu queira estar. Se tem algum deus que fez o espinhaço assim, eu agradeço.

Seguimos assim, pelo longo caminho, admirados e agradecidos. No fim do dia, pegamos um cotovelo a esquerda e descemos um morro. À direita, um riacho desce uma encosta de morro. Lá na frente, após um bosque encontramos ele. Nosso ponto de acampamento. Ao lado uma cascata que serviu de chuveiro, mesmo num dia frio. Desmota mochila , monta barraca, faz janta. Amanhã é outro dia. Dia do gigante. Daquele que Ao Ao deixou pra segurar os céus no sertão. Mas agora era hora de dormir.

Wanderson Dias
Wanderson Dias

Published on 02/22/2021 23:42

Performed from 02/13/2021 to 02/15/2021

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Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 02/23/2021 08:33

Caminhada irada hein!

Wanderson Dias
Wanderson Dias 02/23/2021 10:25

Muito top

Matheus Eduardo Guimarães
Matheus Eduardo Guimarães 02/23/2021 15:12

posta o checklist tb daquela mochilinha de 40L só haha

Fabio Fliess
Fabio Fliess 02/24/2021 12:09

Espinhaço é top demais! 👏🏻👏🏻👏🏻

Wanderson Dias

Wanderson Dias

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Caminhante nas serras. Com idéias de ensinar cada vez mais sobre o trekking sustentável. Instagram @wanzdias

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