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Travessia Felício Dos Santos a Capivari - Dia 2 De 3

Travessia Felício Dos Santos a Capivari - Dia 2 De 3

Sobre o dia de maior caminhada. Três momentos diferentes, três sensações diferentes.

Camping Hiking Trekking

Sabe quando uma caminhada é gratificante? Quando você deve à algo maior um obrigado? É sobre isso que você vai ler.

Acordei cedo, lá pelas 4 da manhã porque havia dormido muito cedo no dia anterior, às 18 horas. Mas não sai da barraca. Ventava muito lá fora e eu estava quentinho dentro do saco de dormir. Fiquei até às 6 da manhã lá dentro. Cochilava e acordava. Sem pressa, sem compromisso com dia.

Levantei, abri a barraca e, com o avance fechado, fiz um capuccino. Tomei café lentamente, curtindo a idéia de esquentar o corpo com um bom capuccino quente. Cotei até 3, virei a chave. Precisava pra encarar o vento. Sai. O vento estava um pouco frio, esfreguei as mão e fui lvar o rosto no riacho. Já voltei retirando as coisas da barraca. Um parênteses aqui: usei a estratégia de levar tudo mais leve e bem distribuído, então eu montei a mochila do zero todas as manhãs.

Desmontei a barraca. Fechada. Comecei a montar a mochila. Barraca do lado do saco de dormir, isolante, sistema de cozinha, comida, roupas. Separei os lanches de trilhas e deixei por cima e os bolsos da barrigueira. Tudo pronto. Esperei. Devagar, a após a outra, as barracas eram desmontadas. Conversava com um ali, outro acolá. Assim foi até às 7 quando partimos.

À direita, o riacho. Seguimos ele até um ponto de travessia, passamos por um charco e, na sequência subimos um morro, pra encontrar mais planaltos no espinhaço. Seguindo as flores, passamos por porteiras até que, lá na frente, o planalto parecia acabar. Você vê uma curva, entende que é o fim daquela ecossistema, e, lá dentro de você, sente um vazio, um questionamento do que vai ser daqui pra frente. Se tem algo que você não quer é sair dos palácios que tem no espinhaço.

A alma ia diminuindo aos poucos. Contando os passos praquele momento durar mais. Olha pro chão, pro jardim ficando pra trás. E de repente, chega no fim do morro. O coração palpita.

Nesse momento você esquece todos os pensamentos que paravam na sua cabeça. Lá na frente um gigante. Se fossemos vikings, certamente ele se chamaria Odim, porque é o pai de todos. Se fossemos gregos, seria ali o monte Olimpo. Mas um pajé me disse a vez que cada pedra empilhada no espinhaço é obra de Ao Ao. Agradeço. Lá na frente o Itambé. Pico que já foi chamado de maior do espinhaço. Chamado de teto do sertão. Nuvens brincam no cume. Ora se vê, pra não. Um espetáculo. Um farol.

Descemos o morro, passamos por outro riacho, subimos outro morro. E descemos. Agora rente a um cerca. Lá na frente começa a formar uma estrada. Mais na frente, música. Ilegível, pelo menos pra mim. Seguimos a estradinha de terra , passamos por um vilarejo, subimos morro , descemos morro. Só que agora na estrada. Sempre que temos que passar por estradas, a energia dá uma caída. Não gosto. Gosto de estar em trilhas , pulando mato, onde é difícil encontrar um alma viva. A caminhada parece até mais cansativa. Mas não é de todo ruim. Juntamos mais, conversamos mais, e conhecemos mais pessoas.

Chegando próximo ao meio dia, beiramos uma comunidade pequena. Um boteco fechado, duas casas, uma igreja evangélica, uma ponte e debaixo dessa ponte, um rio, preto, como todos da Serra. O rio convidava todo mundo pra entrar. Gramado e com sobras na lateral. Partes rasas pra refrescar, partes fundas pra nadar, pedras pra fazer pose e tirar fotos. Decidimos parar pra lanchar e tomar um banho de rio. Lanchei e nadei e descansei nas pedras e nadei novamente até que passou uma hora. Hora de voltar pra estrada. Seguir agora até o local de acampamento do segundo dia.

A estradinha fechou um pouco. Diminui de tamanho, parecia mais estradas antigas de carroças. Isso fez bem pro ânimo de todo mundo. Seguimos subindo e descendo morro.

Até encontrar uma casinha, no meio do nada. Daquelas antigas. Com criação de porcos numa caverna. Com um quintal com todas as frutas que você imaginar, com todos os remédios também. E mandioca, e milho. E um riacho, passando do lado. Uma casa no meio do nada. A primeira, aliás, de outras. Paramos, conhecemos a moradora. Pessoas incrível, que vive ali há 60 anos. Ganhamos cana, trocamos sorrisos, e seguimos renovados pela experiência. Uma das coisas mais importantes que acho em caminhar é poder conhecer história de vidas dessas pessoas. É difícil viver longe de cidades. Tem que produzir quase tudo. E ainda criar pessoas nesse ecossistema. Isso dá uma vastidão de conhecimento a essas pessoas que me faz sentir pequenininho e admirado. Esse aprendizado não se tem em livros e nenhum professor vai ser capaz de te passar. Só vivendo.

Seguimos caminho, descendo e subindo morro. Passando por porteiras e mata burros. Algumas casas fechadas. Atravessando riachos. Desse pequenos, de pula pedra. Lá na frente vaca. E morro. Dou uma acelerada. Puxo a fila. Sinto que estamos chegando. Pergunto ao guia. 2 quilômetros. Desce morro. Um rio corre do lado. Chegando. Passa porteira. Outra porteira. O tracklog apita o fim do dia. Na frente uma casa. Cachorros latem. O gado sai da estrada e sobe o morro atrás da casa. Chegamos.

Alguns metros na frente. Seguindo a estrada, olhando a direita,o rio. Mas uma parte especial dele. Uma série de cachoeiras fazem música. Tiro a mochila, desço o gramado. A água desce e passa por debaixo de um grande lageado. Formando uma série de poços de todos os tamanhos. Daqueles que dá pra nadar até aqueles que dão pra fazer de ofurô. Nado. Fico no ofurô. Ando na lage. Descanso.

Decidimos montar barracas ali mesmo. Almoço quase num horário de janta. Sentamos numa pedra de frente pro rio e conversamos. Até anoitecer. Pelo segundo dia, não tivemos chuva. Nem sol forte. Algumas clareadas. Mas foi um dii que Tupã ajudou novamente. Dormimos. Ao som da queda das cachoeiras.

Wanderson Dias
Wanderson Dias

Published on 02/24/2021 22:46

Performed from 02/13/2021 to 02/15/2021

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Wanderson Dias

Wanderson Dias

Sete Lagoas MG

Rox
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Caminhante nas serras. Com idéias de ensinar cada vez mais sobre o trekking sustentável. Instagram @wanzdias

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