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Cerro Alvear e Martial - Ushuaia - AR

Cerro Alvear e Martial - Ushuaia - AR

Escalada do Cerro Alvear com 1450m (1200m de desnível) e Cerro Martial 1300m (800m de desnível)

Climb Mountaineering

No final de 2012, depois de sonhar durante muito tempo, finalmente conseguir conhecer a patagônia argentina. Naquela oportunidade conheci Bariloche, El Calafate e Ushuaia, fazendo todos os passeios turísticos possíveis.

Apesar de ter sido uma experiência fantástica, sentia que faltava algo, mas não sabia exatamente o que era.

No final do ano passado, depois de passar um longo período com dores constantes na coluna por causa de uma hérnia, resolvi tirar alguns dias de férias e o destino escolhido foi novamente Ushuaia, apesar de “seguir” a frase do Amyr Klynk de que a vida é muito curta para repetirmos os caminhos.

No meu planejamento, iria ficar 10 dias e iria neste período escalar o cerro alvear e fazer uma travessia de 3 dias pela cordilheira dos Andes até o canal Beagle. Tudo organizado, passagens compradas, guias contratados (mais abaixo vou falar mais sobre), hostel reservado e com a mochila pronta, tive problemas profissionais, estando próximo de ter que cancelar toda a viagem. No entanto, como já havia pago, resolvi ir somente escalar o Cerro (fui na sexta e voltei na segunda).

Chegando em Ushuaia, fui direto ao Hostel Cruz Del Sur (uma ótima opção de hospedagem) e após fazer o check-in fui jantar. Eram próximo das 22h e ainda estava claro, pois aqui os dias são bem mais longos no verão.

As 9h do sábado o guia Martin me buscou no hostel e fomos até uma estação de Sky (fechada durante o verão) e que seria o ponto inicial e final da nossa empreitada no Cerro Alvear, com aproximadamente 1.400m. Ao começarmos o processo de aproximação a montanha, passamos por florestas, ultrapassamos alguns rios de degelo e aproximadamente 3h depois estávamos onde seria o nosso acampamento base.

Montamos acampamento, almoçamos e ascendemos até aproximadamente 1000m do Domo Blanco, uma montanha localizada próxima ao Alvear, podendo ver a mudança na vegetação, que dá lugar a pedras e depois a gelo.

Voltamos ao acampamento, jantamos e fomos dormir cedo, pois nossa idéia era aproveitar o clima mais estável da manha para fazer o ataque ao cume. Na noite, acordei com o barulho do que achava que inicialmente era chuva, mas era neve, ficando uma fina camada sobre a barraca, nesse momento, meu relógio marcava 3º dentro da barraca.

Acordamos próximo das 6h e o tempo estava instável e resolvemos aguardar um pouco mais. Tomamos um bom café, desmontamos acampamento e iniciamos o ataque ao cume próximo das 9 da manha.

Depois de ascender alguns metros, pegamos um longo trecho de rocha solta, ocasionando a diminuição do ritmo, já que havia o risco de quedas e torções. Após superamos este trecho, colocamos os crampons e ingressamos no glaciar do alvear.

Após aproximadamente 3 horas, chegamos no cume do Cerro Alvear, minha primeira montanha patagônica. Apesar do tempo estar instável e mudar freqüentemente (é normal fazer as 4 estações do ano em um mesmo dia), tive o sol como companhia durante boa parte do tempo que ficamos no cume, possibilitando uma visão fantástica da Cordilheira dos Andes.

Em virtude do tempo estar fechando novamente, começamos a descida pela rota normal, já que a subida foi pelo glaciar sudeste. Foi uma ótima forma de conhecer melhor a montanha, pois subimos por um lado e descemos pelo outro.

Assim como na subida, passamos por alguns trechos mais técnicos, com paredes praticamente verticais, aumentando ainda mais a felicidade de estar ali.

Na descida, passamos por uma construção abandonada do que seria um refugio de montanha, já que houve divergências sobre a localização, onde uns queriam que fosse próximo ao local onde montamos nosso acampamento, pois dali era possível atacar o Cerro Alvear e o Domo Blanco.

Ao retornarmos a estação de Sky, ligamos para o Sebastian “Seba” para ir nos resgatar, já que havíamos retornado bem antes do previsto. No trajeto entre a estação de Sky e a cidade de Ushuaia, Seba me comentou da possibilidade de escalar o Cerro Martial no dia seguinte, já que meu vôo era no final do dia, nem pensei duas vezes e aceitei na hora.

No domingo à noite, aproveitei para comer um prato típico, o cordeiro patagônico e tomar uma boa Patagônia, elaborada com lúpulo da região. Aproveitei para dar uma nas lojas de equipamentos para montanhismo e logo retornei ao hostel.

Na segunda, próximo das 8h, Seba chegou e partimos rumo ao Cerro Martial. Iniciamos a subida e passamos por vários turista que vão até a base da montanha para fazer “skybunda”, coisa que evidentemente não é para mim. Continuamos a nossa subida e logo paramos para colocarmos os crampons, pois dali em diante teríamos somente neve até o cume.

Em alguns trechos a neve estava muito fofa, passando muitas vezes a altura do joelho, dificultando a progressão. O clima mudava constantemente, uma característica do clima patagônico.

Como não havia imaginado subir essa montanha, não havia pesquisado sobre ela e tive a sorte de encarar as minhas 2 primeiras caneletas de gelo. Ao superá-las, seguimos mais alguns metros e chegamos ao cume.

O tempo que estava instável na maior parte da subida ao Martial, deu lugar a uma breve janela de bom tempo, possibilitando a visão de Ushuaia do alto. Fizemos um lanche e logo começamos a descida. Mais uma vez, descemos por outra rota.

Ao regressarmos, paramos num refúgio de propriedade da família de Seba, onde há um restaurante e conversamos um bom tempo sobre montanhas na região e logo em seguida segui para o hostel, pois no final do dia tinha o vôo de regresso ao Brasil.

Apesar do curto período, consegui subir duas montanhas, conhecer novas pessoas e o principal, ter conhecido a verdadeira patagônia.

Patagônia, volto em breve.

Roger Waters Santos
Roger Waters Santos

Published on 11/12/2015 10:56

Performed from 01/09/2015 to 01/12/2015

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Fabio Fliess
Fabio Fliess 11/30/2016 14:15

Muito, muito show Roger!!!!! Belo relato e belas fotos... Parabéns.

Roger Waters Santos
Roger Waters Santos 12/04/2016 19:45

Valeu Fabio!