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Cicloviagem Caminho do Frei Galvão

Cicloviagem Caminho do Frei Galvão

Cicloviagem pelo caminho peregrino do Frei Galvão realizado em 2015

Bike Trip

Olá Pessoal, estou publicando aqui um relato que já estava em meu blog que será desativado, pretendo publicar outros relatos antigos retirados do blog para não perde-los, assim aproveito para revisitar algumas memórias e revisar alguns textos para que não fiquem fora de contexto, espero que gostem :)

Introdução

Eu estava planejando para o Carnaval de 2015 realizar a travessia do Lagamar de bicicleta, fiz algumas pesquisas, consegui um guia e li vários relatos de pessoas que já haviam realizado a travessia, infelizmente algumas semanas antes da viagem percebi que seria melhor deixar a viagem para outra oportunidade.

Com o Lagamar abortado, decidi fazer um trajeto menor, então veio na lembrança o Caminho do Frei Galvão, pronto tá aí, fácil de chegar ao ponto de início e retornar após a conclusão, uma distância não muito grande e também muito barato. Lembro de ter visto as placas do Caminho do Frei Galvão enquanto eu fazia o Caminho da Fé em 2010 (relato que pretendo trazer para o Aventurebox), também li os relatos de um amigo de pedal, o Romulo do blog Pedal Animal , conversei com ele um pouco sobre o caminho e peguei algumas dicas.

O Caminho do Frei Galvão

Frei Antônio de Sant’Ana Galvão nasceu em Guaratinguetá-SP em 1729 e morreu em 1822 em São Paulo, foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 2007, neste mesmo ano foi criado o Caminho de peregrinação em sua homenagem com início em São Bento do Sapucaí-SP, e que passa por Luminosa-MG, Piranguçu-MG, Wenceslau Braz-MG e termina em Guaratinguetá-SP, para ser mais exato o ponto final do caminho é Casa do Frei Galvão (próximo a igreja matriz de Guaratinguetá). O caminho tem cerca de 135km atravessando a Serra da Mantiqueira e pode ser percorrido a pé o de bicicleta, a orientação por onde seguir fica por conta das setas pintadas na cor azul em postes e cercas, alguns com a sigla CFG abaixo.

Planejamento da trip

O caminho não é muito longo quando pensamos em uma viagem de bicicleta, porem a região é difícil devido a altimetria, logo comecei meu planejamento pensando em percorrer o caminho em três dias, decidi iniciar o pedal em Campos do Jordão por causa dos horários dos ônibus, então seguir até São Bento do Sapucaí para pegar a credencial e dar início ao caminho, fiz a reserva nas pousada e comprei antecipadamente a passagem do ônibus. O planejamento do pedal ficou assim:

1º dia: Campos do Jordão-SP – São Bento do Sapucaí-SP - Luminosa-MG

2º dia: Luminosa-MG – Piranguçu-MG – Wenceslau Braz-MG

3º dia: Wenceslau Braz-MG – Guaratinguetá-SP

Antes de viajar eu estava com receio de ter problemas na hora embarcar a bicicleta no ônibus por conta do feriadão, então improvisei uma malbike com saco de lixo bem grosso.

Primeiro dia (Campos do Jordão-SP – São Bento do Sapucaí-SP - Luminosa-MG)

Acordei bem cedo e contei com a ajuda do meu pai que me levou de carro até o Terminal Tiete, retirei minha passagem no guichê e fui para a plataforma de embarque, quando o ônibus chegou achei que teria algum problema com a bicicleta, mas dessa vez porque a estrutura da carroceria do ônibus era toda fechada em chapa então não dava para amarrar meu pequeno embrulho na armação, o auxiliar que fica na plataforma pediu para eu colocar a bicicleta em pé, achei que a bicicleta iria cair e ficar escorregando de um lado para o outro, porem quando cheguei em Campos do Jordão e o bagageiro foi aberto notei que o funcionário do terminal Tiete colocou as malas dos passageiros de forma que “travou” a bicicleta e a protegei de uma provável queda durante a viagem.

Ainda na rodoviária de Campos do Jordão, montei a bicicleta e descartei todo o plástico e papelão do embrulho em uma lixeira, fui até a lanchonete reforçar o café da manhã e sai para meu pedal, saí de Campos do Jordão pela serra velha que leva a Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, já passei nessa serra algumas vezes mas sempre subindo por causa do Brevet 200 do Audax Randonneurs São Paulo, mas sempre subindo.

Ao chegar na base da serra já estava em um bairro mais afastado de São Bento Sapucaí, então via uma pequena estrada com uma placa indicando a cidade não era o caminho que eu havia planejado mas após perguntar a um Senhor que caminha pela beira da estrada e ouvir uma explicação rica em detalhes, tão rica que ficou confusa decidi conhecer esse caminho, após alguns quilômetros de asfalto veio uma pequena estrada de terra, mas também não durou muito, saí em Sapucaí-Mirim, então mais alguns quilômetros de asfalto e cheguei em São Bento do Sapucaí.

Em São Bento do Sapucaí, procurei um lugar para comer um lanche e dei uma volta pela simpática cidade, então segui para o Bairro do Quilombo já na saída da cidade e fui até um lugar chamado Arte no Quilombo, local onde o Seu Brinco (mantedor do caminho) disse que eu iria pegar a credencial do caminho. Como o Brinco já havia me avisado ele não estaria local, quem me entregou a credencial foi a esposa dele, ela me informou que havia um grupo de seis pessoas caminhando na minha frente que iniciaram a peregrinação naquele mesmo dia, com certeza eu os encontraria em algum ponto a frente.

Segui pela rua que corta o bairro até chegar em uma estradinha de terra já no iniciando a subida de um morro, a minha frente está uma serra, logo senti a dificuldade da inclinação muito elevada e tive que começar a empurrar a bicicleta, sempre que parava e olhava para traz via o Bairro do Quilombo cada vez mais distante e não demorou muito para conseguir ver a cidade de São Bento do Sapucaí inteira. Essa parte do caminho é bem complicada, pois a subida é muito íngreme e quando está próxima do topo a estrada fica cada vez mais estreita, se transforma em uma trilha em meio a duas cercas que separam os pastos, ali é bem escorregadio, mas o pior é mais a frente quando se chega ao topo do morro e tem que atravessar uma trilha que parece um pequeno corredor escavado pela enxurrada das chuvas, ali não dá para pedalar e também não para ficar ao lado da bicicleta enquanto a empurra, além de muito escorregadio, nesse ponto fiquei tão desanimado que não tirei fotos, tenho apenas uma foto que é a saída dessa trilha que acaba em uma cerca com uma pequena porteira de arame, depois dessa cerca vem uma trilha mas agora em decida, também escorregadia por causa da umidade e que merece atenção redobrada, foi nessa trilha que em um determinado momento eu desmontei da bike para passar por um trecho que não tive muita confiança em passar pedalando, após alguns passos veio o escorregão e eu cai, a dor no momento foi tão forte que vi estrela e ainda me rendeu alguns dias dolorido, já estava no chão aproveitei para ficar sentado e baixar a adrenalina, queda superada segue caminho.

Logo mais a frente essa trilha fica plana, é um sigle-track bem estreito e com muitos galhos atravessados, depois chega em um lago que deve ser contornado para chegar em uma descida que dá acesso a uma estrada que é quase toda em descida até chegar em Luminosa, nessa estrada encontrei duas pessoas do grupo de caminhantes, parei para conversar com eles um pouco, me informaram que o resto do grupo tinha um ritmo mais forte e estavam bem na frente. Cheguei em Luminosa era mais ou menos 18:00, fui para a pousada onde encontrei o pessoal que estava fazendo o caminho a pé, também haviam outros hospedes na pousada mas realizando o Caminho da Fé, é em Luminosa que os dois caminhos se cruzam. O clima na pousada era descontraído, durante jantar todos ficaram conversando sobre o Caminho Frei Galvão e Caminho da Fé.

Segundo dia (Luminosa-MG – Piranguçu-MG – Wenceslau Braz-MG)

Ao acordar vi que o pneu traseiro estava murcho, resolvi que iria arrumar tudo tomar café da manhã e só depois resolver aquilo, depois vi que um pequeno pedaço de arame causou um micro furo na câmara que foi murchando durante a noite, durante o café encontrei o pessoal de novo, conversamos mais um pouco e após tudo arrumado segui viagem os deixando na pousada.

A paisagem da saída de Luminosa é muito interessante é nítido que esse pequeno subdistrito que pertence a cidade de Brasopolis-MG esta encravado em um pequeno vale no meio dos morros, não importa a direção que você vá em algum momento terá que subir um morro, e após alguns quilômetros encontrei o morro que estava me meu caminho, subida superada cheguei em Piranguçu próximo ao horário do almoço, tentei procurar a pousada dentro da cidade para coletar o carimbo, mas não a encontrei, resolvi então almoçar no único restaurante que encontrei aberto e após isso segui viagem, a saída da cidade é tranquila até o momento em que você chega em uma fazenda, há uma porteira e após ela um grande pasto, quando passei haviam ali alguns bezerros e um ganso bem acomodado na sombra de uma arvore, após esse pasto a subida é bem íngreme com muitas pedras soltas e um pouco de erosão em alguns pontos e segue em uma subida quase que constante até atingir pouco mais de 1.400 m de altitude, durante essa subida parei em vários pontos, para descansar e apreciar a paisagem que estava ficando pra traz, enquanto eu subia vi um grupo de ciclistas descendo, outro grupo de motociclistas, um motociclista que parou para conversar ele havia acabado de levar um amigo até a rampa de decolagem de parapente que tem no alto do morro e estava indo fazer o resgate e por fim dois peões da fazenda subindo a cavalo, aliás era perceptível a força que os cavalos tinham que fazer na subida devido a inclinação do trecho.

Quando cheguei no topo olhei pra traz e vi toda a imensidão do vale, de lá é possível ver Piranguçu e um pouco mais longe outra cidade, acho que vale lembrar aqui que durante a subida eu escutava trovões e via nuvens escuras por toda a região, mas por sorte onde eu estava não choveu, a decida para o outro lado é igualmente inclinado, com erosões e cascalho solto, em alguns pontos da decida para manter a estabilidade eu fui arrastando um pé no chão ao chegar lá em baixo, vi que minha velha sapatilha já bem gasta, não aguentou e abriu um rasgo na sola do dedão até o calcanhar, mas ainda dava para pedalar com ela, ela só precisava aguentar mais um dia.

Nesse ponto o caminho segue por uma estrada de terra quase toda plana, apenas um trecho tem uma pequena subida mas nada comparado a serra que tinha acabado de enfrentar, essa estrada de terra termina na Rodovia Juscelino Kubitscheck de Oliveira que liga Itajubá a Wenceslau Braz, e claro nesse ponto o caminho segue pelo asfalto pois a cidade já está bem próxima, chegando em Wenceslau Braz parei em uma lanchonete para comer e depois segui para a pousada Castelinho, que fica na estrada mesmo logo após a Igreja. Chegando na pousada eu era o único hospede, estava tão cansado que após guardar a bicicleta em um salão na parte de baixo do castelo fui logo para o quarto tomar um banho e dormir.

Terceiro dia (Wenceslau Braz-MG – Guaratinguetá-SP)

No trajeto entre Wenceslau Braz e o Bairro dos Pilões, há alguns trechos de trilha e segundo algumas recomendações que pesquisei antes da viagem era que esse trecho fica muito difícil em condições de chuva, pois bem, logo de manhã conversei com a Patrícia (dona da pousada) ela me informou que choveu muito na região naqueles dias, associei isso as recomendações que já tinha e achei prudente abortar o último trecho e seguir pelo asfalto, descendo a serra até Piquete já no estado de São Paulo e de lá até Lorena e então peguei um pequeno trecho da Dutra para chegar em Guaratinguetá.

Segui por esse caminho, ao sair de Wenceslau Braz a estrada continua em uma subida quase que constante por mais ou menos 27km, alguns quilômetros antes de chegar no ponto mais alto se chega a estrada que liga Delfim Moreira-MG a Piquete-SP, nesse ponto fiz uma parada em um restaurante, depois de um lanche, foi só descer a serra até Piquete, antes de terminar a descida da serra é possível avistar alguns bairros da cidade na encosta dos morros, após piquete há uma longa serra que segue até Lorena, depois um pequeno trecho pela Dutra e eu cheguei em Guaratinguetá. Logo entrei na cidade fui me informar em uma pequena venda sobre a Casa do Frei Galvão, o caminho até lá era fácil, passei ao lado da igreja matriz, desci uma quadra, virei a direita em uma rua estreita e....finalmente cheguei.

Ao chegar e entregar a credencial expliquei para a funcionária do museu que funciona ali o desvio que tive que fazer, ela disse que tudo bem, pois se o trecho estava ruim para passar eu não tinha o que fazer, peguei o certificado e vi um pouco do museu, após isso segui para a rodoviária.

Dicas

Essa cicloviagem foi muito legal, atravessa uma região linda, com algumas paisagens de tirar o folego e tem alguns trechos extremamente difíceis.

Para que quiser realizar essa viagem, é interessante reservar as pousadas com um pouco de antecedência, não por concorrência, pois a cidadezinhas são pouco movimentadas, mas justamente por isso, os donos das pousadas precisão saber que você está indo para se prepararem.

Se chover alguns trechos podem ficar bem complicados então é legar verificar a previsão do tempo antes de ir.

Não sei se hoje (2018) os contatos abaixo ainda estão corretos, mas são os contatos que tive na época da cicloviagem e se ainda estiverem corrtos podem ajudar quem quiser realizar essa aventura.

Luminosa - Pousada N.Sra.das Candeias – Dona Ditinha – Tel. (35) 3641-4004 (essa pousada também recebe peregrinos do Caminho da Fé)

Wenceslau Braz – Pousada Castelinho – Patrícia – Tel. (35) 9833-6220 (essa pousada também recebe peregrinos do Caminho de Aparecida)

Infelizmente não tenho mais o contato do Seu Brinco, que é responsável por entregar a credencial ao peregrino no início do caminho, e o site onde peguei as primeiras informações não está no ar, mas com um pouco de pesquisa é possível achar os contatos necessários para realizar o caminho.

André Lima
André Lima

Published on 12/11/2018 15:37

Performed from 02/14/2015 to 02/16/2015

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Renan Cavichi
Renan Cavichi 12/13/2018 11:20

Massa André! Querendo fazer esse trecho de São Bento pra Luminosa! Subidinha de +700m é isso mesmo produção? rsrs

André Lima
André Lima 12/13/2018 12:43

Renan, isso mesmo, quando sair do Bairro do Quilombo em São Bento já começam as subidas, e depois desce tudo até Luminosa.

André Lima
André Lima 12/13/2018 12:44

Ahh... o caminho ainda deve ter as marcações do CFG ou setas azuis para seguir

Suelen Nishimuta
Suelen Nishimuta 12/17/2018 18:43

Me leva nesta garupa! <3

André Lima
André Lima 12/18/2018 09:18

Demoro Su, vamos....rsrs <3

André Lima

André Lima

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Ciclista, viajante e pai do Theo :) Autor do antigo blog PedalandoBicicletas e sempre planejando a próxima aventura!!! Instagram @andr.slima

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