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Acompanhando o Curso Básico de Escalada

Acompanhando o Curso Básico de Escalada

Como ex-aluno, acompanhei três meninas do Clube Outdoor em seu curso básico em São Bento do Sapucaí, com o Armazém Aventura.

Climb Mountaineering

Tipo de Aventura: Escalada

Duração: 2 dias, 24 e 25/08/2019.

Onde: São Bento do Sapucaí

Croqui:

Croqui utilizado.

DICAS:

  • É necessária a autorização prévia para visitar a Falésia do Chá. Respeite as regras e a ética local.
  • Se for até São Bento, contrate ou visite o Armazém Aventura - http://www.armazemaventura.com.br/.
  • Recomendo a hospedagem no hostel Quintal Sem Fim.
  • Se for escalador experiente, explore a região, tem muita coisa legal pra fazer por lá.

RELATO

Em fevereiro desse ano, fui com mais dois amigos para um curso de escalada básica em São Bento do Sapucaí, com o Antônio Calvo, do Armazém Aventura. Foi uma experiência incrível, aprendemos muito e saímos de lá inteiramente satisfeitos com tudo, tanto no que diz respeito ao aprendizado, quanto à toda a diversão envolvida.

Algum tempo depois, ainda tomado pelas ótimas recordações, decidi tentar proporcionar essa mesma experiência para alguns outros amigos que estivessem interessados em começar a escalar. Foi assim que encontrei três mulheres cheias de disposição para se pendurar na pedra: Ana, Josye e a Zoé. Conversei com elas sobre a possibilidade de criarmos uma segunda turma ainda esse ano e se elas aceitariam que eu fosse como “ouvinte” dando uma força com a divisão da gasolina ou algum apoio moral durante o curso. Elas toparam na hora. Depois disso, conversei com o próprio Antônio sobre, que aceitou e ficou muito feliz em saber que alguns de seus ex-alunos continuavam interessados em voltar para São Bento. Ainda convenci o Henrique, que tinha feito o curso comigo em fevereiro, a embarcar na aventura e, depois de uns dias de negociação, achamos a data ideal. Foi assim que nasceu toda essa aventura.

Dia 1, 24/08/2019.

Nos encontramos às 23:30 do dia 23/08 no Rio de Janeiro, todos exaustos de uma semana cansativa de trabalho, e partimos rumo à São Bento. A viagem foi tranquila, eu e Henrique dividimos o volante e chegamos lá por volta de 5:00. Estacionamos o carro, dormimos um pouco, tomamos café da manhã na padaria da praça principal e encontramos o Antônio às 8:00 da manhã. Foi bom rever um dos mestres que muito me ensinou. Pilotando seu uno branco bolado e vestindo o clássico boné da Thule, fomos rumo ao nosso campo-escola: a Falésia do Chá. Nos dividimos nos carros, pegamos a estrada de asfalto + terra e em pouco tempo já estávamos adentrando a propriedade e estacionando. Nessa hora, ao olhar a rocha que tanto me ensinou alguns meses atrás, passou um filme na minha cabeça de todos os sorrisos e machucados nos dedos que alí rolaram.

Ali mesmo próximo aos carros, Antônio iniciou um bate papo sobre o conhecimento básico dos equipamentos utilizados e distribuiu o que era necessário para as meninas. Eu podia sentir a mistura de ansiedade e nervosismo nelas, mas, ao mesmo tempo, existia uma energia muito bacana de empolgação no ar. Equipamentos na mochila, cordas divididas, subimos rumo à Falésia.

Já no pé da rocha, rolou uma excelente aula teórica sobre equipamentos, nós e teoria básica da escalada top rope. Foi ótimo ter a oportunidade de rever todos os conceitos. Ok, tenho escalado com frequência no curso de montanhismo do CEB, mas sinto que o Antônio possui uma didática única e muito recente. Os conceitos estão bem atualizados e a informação científica está sempre por trás dos ensinamentos transmitidos.

Chegando na rocha.

Nós.

Após toda a teoria, chegou a hora de colocar as meninas para subir. Elas começaram nas vias da direita, uma por vez, revezando a subida e a segurança uma da outra. Eu e Henrique ficamos apenas assistindo com o sorriso no rosto, vendo como elas já estavam tendo um desempenho excelente. Zoé, Ana e Josye estavam tirando onda e dando um banho na gente, que tivemos muito mais dificuldade no nosso curso.

Após esse primeiro round prático, elas pararam para comer algo, foi quando eu e Henrique tivemos a oportunidade de, também repetir as vias da direita. Foi nosso reencontro com aquelas agarrinhas que tanto nos surraram. Cumprimos nosso primeiro objetivo, lá estávamos nós escalando no tempo que sobrava entre uma subida ou outra das meninas. Acreditamos que ia ser assim por todo o fim de semana, mas estávamos completamente enganados. Isso no sentido bom.

De volta para a rocha.

Depois do almoço começou uma aula de ancoragem e equalização. Salve o Quad e o Magic X. Foi depois disso que comecei a me surpreender. Antônio confiou totalmente em mim e disse: você vai guiar esse quinto grau da esquerda. Eu respondi dizendo que ele estava louco e que eu ainda não sabia se conseguia. Ele retrucou dizendo que eu só saberia se tentasse. Me convenceu. E lá estava eu, recolhendo as seis costuras necessárias, tremendo demais. Sim, eu estava morrendo de medo, essa é a realidade.

Equalizações com o Antônio Calvo.

Pegamos equipamentos e uma corda. Antônio levou as meninas de volta para a direita para falar sobre a montagem da parara e do rapel. Foi quando eu e Henrique ganhamos a nossa independência do fim de semana. Lá fui eu, após alguns passos, costurei o primeiro grampo e respirei. Comecei a entender toda a dinâmica de escalar na frente. É muito diferente do que ser participante. A calma e a leitura da pedra são importantíssimas, elas são o diferencial entre uma subida tranquila e uma queda feia. Também comecei a entender o que é exposição. A cada vez que chegavam em um lance mais difícil, percebia que existia um grampo próximo, fácil de costurar e capaz de dar tranquilidade para passar daqueles metros com mais calma. Passando esse grampo, o nervosismo voltava, afinal, se caísse, tinha uma vaca a ser tomada. Costurei grampo após grampo tremendo de medo, mas fui progredindo. Até chegar no último lance, um crux chato de passar. Um reglete bem pequeno, no qual tinha que ficar em pé em uma posição muito ruim para montar a parada. Subi nesse pequeno relevo de pedra e, desesperadamente, coloquei a parada de qualquer jeito. Foi quando escutei uma voz de longe falando: “costura um dos lados da parada, cara, isso vai te dar total tranquilidade para montar uma equalização de qualidade”. Nossa, fazia todo sentido. Valeu demais, Tonhão. Feito isso, parada montada, corda passada por dentro do HMS, desci de baldinho e montei um top rope para eu e Henrique brincarmos pelo resto da tarde. Mano, EU GUIEI A MINHA PRIMEIRA VIA. EU GUIEI UM 5º GRAU. Guiei a via QUintal do Antônio. Triste ninguém ter tirado foto disso.

Acho que o Henrique não percebeu, mas quando desci, sentei na pedra e me emocionei demais. Cheguei a chorar por alguns segundos. Pela primeira vez eu conseguia observar um pouco da minha evolução nesse esporte que tem me conquistado cada vez mais. O resto da tarde foi de subidas e descidas no top rope. Henrique tirou onda e repetiu com muito talento o quinto grau que guiei. Valeu, irmão. Sei que eu fiquei gritando “corda” toda hora. Mas você me deu a segurança e o apoio necessário para essa realização.

Já por volta das 17:30, todos estavam muito cansados por conta da longa viagem e do dia inteiro de atividades. Resolvemos encerrar o dia. Eu subi, desmontei tudo da via que coloquei e desci de rapel. Recolhemos o material e retornamos para São Bento. Claro, rolou uma clássica parada na loja do Armazém Aventura para vermos as promoções que estavam rolando. Depois disso, bebemos duas torres de cerveja para celebrar o grande dia que tivemos e o entrosamento de todos. O ambiente estava excepcional e com um astral altíssimo. Brincávamos uns com os outros e transformávamos aquela sala de aula ao ar livre em um incrível ambiente de aprendizado. Ah, a educação ao ar livre em baixo da tarp. Como eu estava com saudade disso do meu FEAL. Fomos para o hostel, comemos algo e apagamos. Que dia!

Sala de aula ao ar livre.

Dia 2, 25/08/2019.

Acordamos às 7:00 brincando uns com os outros e zoando sobre acontecimentos do dia anterior. Levantamos, nos arrumamos e tomamos o excelente café da manhã do hostel. Às 8:00 da manhã lá estava o Antônio de novo, nos abduzindo de volta para o mundo da escalada. Equipos arrumados, entramos nos carros e voltamos para a falésia do chá.

A ideia do dia era diminuir a teoria e partir para a prática. Chegamos lá, as meninas aqueceram e voltaram a escalar no lado direito. A pedido da Zoé, alguns ensinamentos foram adiantados e elas aprenderam sobre a escalada guiada. Enquanto isso, lá estava eu novamente guiando um quinto grau. Dessa vez na via Melissa. Tudo certo, só que agora com uma facilidade maior. Acho que o medo foi menos intenso e deu espaço para a calma e a tranquilidade em cada passo que a escalada tanto exige. Foi mais uma manhã de top ropes até elas voltarem da direita para finalizar a teoria sobre os nós realmente necessários para uma escalada de qualidade.

Depois do almoço elas vieram para a parede da esquerda. Agora queriam se arriscar nos quintos graus também. E foram muito bem. Uma após a outra, subindo de forma excepcional. Os quintos graus foram sendo dominados pelos seus movimentos delicados e precisos. Foi quando o Antônio montou mais algumas vias mais para a esquerda, com a corda passando por um 5º um pouco mais técnico e por um 5ºsup ingrato. Agora estávamos todos juntos, escalando e nos divertindo.

Ana (Piu piu), admiro cada vez mais a sua capacidade de enfrentar qualquer desafio destemidamente. Você sobe na pedra, pegando em todas as garras com uma confiança única de quem atropela qualquer dificuldade que a vida coloca na sua frente. O seu bom humor ilumina o ambiente, fez até o Antônio sorrir e entrar na brincadeira. Estamos ansiosos pelo calendário de 2020.

Ana Paula na pedra. Chega loco, 2020.

Zoé (Pistola), estávamos esperando por uma oportunidade de escalarmos juntos há algum tempo. Fiquei muito feliz em ver o quanto você aprendeu nesse fim de semana. E, principalmente, o sorriso que está presente no seu rosto, mesmo em tempos de tensão. Cara, lembra que você só falava de 3º? Mulher, você QUINTOU em São Bento.

Zoé quintou.

Josye (saiu), estou muito, mas muito feliz em te ver escalando em São Bento. Você mandou muito bem, nasceu para isso. Fiquei impressionado com a sua desenvoltura e posicionamento na rocha. O Clube Outdoor vai estar em ótimas mãos com você nos guiando no futuro próximo. Você foi e, tenho certeza, de que voltou uma Josye ainda mais forte.

Josye foi e tirou onda.

Henrique, ainda vamos escalar muito por aí. Valeu por tudo e parabéns pela subida na Balança. Tenho certeza de que sua mente já está bolando os mais irados eventos para 2020. Nossos eventos vão bombar.

Tmj irmão.

E assim rolou até o fim do dia. Com mais subidas e descidas. O momento alto do dia para mim foi a subida do 5ºsup. EU caí algumas vezes no crux, mas tá valendo a experiência. Ainda tenho assuntos inacabados com aquela falésia. Klebão, te encaro na próxima. Por volta das 18:00, encerramos o curso com um bate papo final e a troca de feedbacks. Valeu, Mestre Antônio, você ganhou mais alguns admiradores do seu trabalho. Parabéns, meninas. Vocês foram demais. Conversando com o Antônio no fim do dia, tive que concordar que vocês foram melhor que nós quando fizemos o mesmo curso e que o curso de vocês rendeu muito bem.

Felicidade resumida em uma foto.

Que mulheres.

Depois de tudo, caímos na estrada. Comemos algo e tivemos uma viagem que juntou tranquilidade e irreverência. Com uma playlist rolando, lá estávamos nós, “de volta pra casa”.

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros

Published on 08/30/2019 01:03

Performed from 08/24/2019 to 08/25/2019

6 Participants

Josye Villela Henrique Protázio Zoé Clube Outdoor Antônio Calvo Armazém Aventura

Views

887

5
Clube Outdoor
Clube Outdoor 03/20/2020 19:41

Que turma!

Zoé
Zoé 02/09/2021 21:59

Ai genteeee... que saudadeee!!!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 02/09/2021 21:59

Saudade define esse momento!!!

Antônio Calvo
Antônio Calvo 02/21/2021 20:11

Eu tô na foto !!!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 02/21/2021 20:12

hahahahahhaa o Professor tem que sair na foto!!

Bruno Negreiros

Bruno Negreiros

Rio de Janeiro

Rox
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Engenheiro ambiental e montanhista com o sonho de contribuir para a disseminação dos esportes ao ar livre e de aumentar a conscientização ambiental e social no mundo outdoor.

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