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Travessia Alto Palácio - Serra dos Alves (2 dias) | MG
Uma das travessias mais bonitas em que já estive. Não consigo esquecer as imagens do Mirante do Travessão e do Cânion da Boca da Serra.
TrekkingData: 23 a 24/03/2019
Local: Parque Nacional da Serra do Cipó, indo da portaria de Alto Palácio até a Serra dos Alves.
Atividade: Caminhada de 2 dias (42 km)
Participantes: 15 - Grupo Caveiras da Montanha + 15 - Grupo Trip Pistache
Transporte: Van de 15 lugares (Suprema Rios)
Início: Portaria Alto Palácio às 8:00 do dia 23/03/2019.
Ponto Final: Vilarejo da Serra dos Alves às 15:00 do dia 24/03/2019.
Essa aventura foi desbravada com o grupo Caveiras da Montanha, do Rio de Janeiro, em conjunto com o grupo Trip Pistache, de Belo Horizonte.
Dia 1 - 23/03/2019
Todos chegaram no ponto de encontro no tempo previsto, aproximadamente às 21:00. A ida não teve surpresas. O Spot estava ligado e tivemos uma viagem tranquila.
Após um breve encontro com o grupo Trip Pistache na padaria, seguimos para a portaria do Parque Nacional da Serra do Cipó, em Alto Palácio. Chegamos aproximadamente às 7:30, com tempo suficiente para nos preparar, acertar a burocracia junto ao parque, brincar com os amigos mineiros e iniciar a travessia. Eram 30 pessoas e eu podia ver a preocupação no rosto de todos.
Com todos prontos às 8 e pouco, paramos para aquela tradicional roda de comunicados e fotos. Alí o gelo começou a quebrar. Conforme previsão, o tempo estava muito fechado e com aparência de que ia chover a qualquer momento da manhã. Começamos a caminhada com baixíssima visibilidade. Nosso grupo era conciso, apesar de um ou outro atraso. O visual da Serra do Cipó foi se abrindo e começamos a experimentar os visuais maravilhosos que estariam por vir.
Enfim, por volta das 10:30, alcançamos o tão desejado Travessão. O tempo estava perfeito e o visual do mirante era simplesmente espetacular. Um dos lugares mais bonitos que vi na vida. Todos tiraram fotos e se divertiram muito. A ideia inicial era comer alí, mas por argumentação do Bruno Carvalho (Pistache), decidimos terminar de subir o vale e comer perto de uma pequena cachoeira, o que seria um ponto de água ideal para almoçarmos.
Após isso, encaramos uma forte caminhada até o ponto de camping estipulado, na Casa de Tábuas. Agora com tempo aberto, conseguimos ver o visual característico do espinhaço mineiro: grandes campos somados às com rochas talhadas pelo intemperismo, pontiagudas e apontadas para direções comuns. Chegamos na Casa de Tábuas por volta de 15:00. Tínhamos uma difícil decisão a tomar: ficar ou seguir mais 12 km até os Currais. Se seguíssemos, nosso segundo dia seria reduzido, o que agilizaria nosso retorno ao RJ. Os responsáveis pelo evento já tinham conversado com seus respectivos grupos sobre a possibilidade e ambos já estavam preparados psicologicamente, apesar de fisicamente debilitados. A decisão foi por seguir.
Seguimos a caminhada em terrenos difíceis, muito charco, lama, ruim orientação sem GPS e a noite que beirava à porta. Quando ela realmente caiu, a orientação ficou ainda pior. Agora a responsabilidade estava comigo e com o Jon Bessa, do Pistache. Decidi juntar os grupos e forçar que andássemos juntos pelo meio da noite. Acredito ter sido a melhor decisão. Eu e Jon puxamos o ritmo e não deixávamos abrir muito. Até que houve uma lesão nos últimos quilômetros do dia. Aí os nervos foram à flor da pele. Todos estavam cansados, a noite era árdua, os terrenos eram difíceis de transpor e a luta por paciência individual parecia uma guerra interna. Foi aí que senti mais orgulho ainda do meu grupo. “Empatia” é a palavra certa. Sei que todos estavam cansados, mas o pensamento de solidariedade pesou. Andamos juntos até o fim. Vale ressaltar que o último quilômetro, depois da porteira, é o pior de todos. Muita lama, charco e obstáculos naturais. Vencemos. Chegamos aos Currais aproximadamente às 20:45.
Com uma chuva que começava a cair, todos sofreram para arrumar a barraca. o Cansaço bateu forte. Mas após isso, todos conseguiram se alimentar bem, brincar um pouco e descansar para o que viria no segundo dia.
Eu nunca senti tanto orgulho de um grupo liderado por mim. Estão todos de parabéns e desempenharam um papel espetacular. Todos compreenderam o espírito de união desde o início. Todos fizeram parte do time. E como um só, formamos uma máquina de superação física e mental.
Dia 2 - 24/03/2019
Acordamos cedo, tomamos café da manhã e ficamos prontos às 8:00. Tivemos que esperar o Pistache se arrumar. Não me recordo bem, mas acredito que conseguimos sair todos às 9:00.
Agora, descansados, com o dia todo pela frente e com uma caminhada reduzida, ganhamos terreno na frente. Foi lindo, andamos juntos o dia quase inteiro. Mais visuais incríveis, com destaque para o Canyon da Boca da Serra. Destaque também para a cobra avistada por todos em uns arbustos e pela cobra filhote que chegou a me dar um bote na bota. Sinistro, poderia ter acontecido algo pior, eu estava distraído com um rádio. Mais atenção.
A caminhada era mais fácil que a do dia anterior. Aproximadamente às 13 já estávamos na bifurcação da cachoeira, somente à 2,5 km do fim da travessia. Uns optaram por curtir a cachoeira, outros por seguir e terminar a travessia antecipadamente. A cachoeira era incrível. Conseguimos tomar banho, relaxar, tirar fotos, comer e brincar um pouco.
Por fim, o grupo inteiro finalizou a travessia aproximadamente às 15:00. Dalí, resolvemos não almoçar no vilarejo por conta do temor da chuva cair e atrapalhar o estado da estrada de terra.
O retorno foi emocionante. Por um erro no caminho da estrada de terra, a van atolou. Poderia ter sido um momento tenso, mas mais uma vez a união e a empatia de todos falou mais alto. Ninguém se lamentou ou criou dificuldades. Todos desceram da van e ajudaram, seja com força física ou com ideias para sairmos daquela situação. Grande destaque para o Beto, nosso motorista e dono da Suprema Rios. Sempre disposto a resolver a situação e nunca deixando o estresse vencer. Um cara justo, correto e muito gente boa. Se fosse outro motorista, o problema teria sido bem maior. Ganhou nossa admiração eterna. Depois de superada a estrada de terra, tivemos uma nova viagem tranquila até o Rio de Janeiro, chegando na rodoviária às 3:00, onde todos seguiram seus rumos com um sentimento de companheirismo e vitória únicos.
Grande Bruno!! Lendo o seu relato eu matei um pouco a saudade dessa travessia incrível. Parabéns! Abs
Fala, Fábio. Que legal, meu camarada. É meu primeiro relato aqui na plataforma. Ele tá bem simples, espero que você tenha curtido!
Salve Bruno. Curti sim. Ficou nota 10 cara! Aguardando novos relatos por aí. Seja bem vindo! Abração.
Valeu, Fábio!!!!
Irado Bruno! Essa ainda está na listinha infinita rsrs! Bora pro FEAL! :D
Já tô contando os dias, irmão!
Que demais!