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Travessia da Juatinga e Saco do Mamanguá - 2017

Travessia da Juatinga e Saco do Mamanguá - 2017

Travessia de 7 dias na Região da Juatinga, Cajaíba e Saco do Mamanguá, realizada no carnaval de 2017.

Trekking Waterfall

Quilometragem: 71,2 Km

Duração: 7 Dias

Acampamentos: 6

POST COMPLETO: https://casaldemochilao.com.br/saco-do-mamangua-juatinga-trekking-paraty/

Travessia realizada em Paraty no carnaval de 2017, na Região da Juatinga, Cajaíba e Saco do Mamanguá. Escolhemos esse trajeto por começar e terminar no mesmo lugar, dando a volta na região. Também já tínhamos feito o roteiro tradicional que começa em Paraty Mirim e termina em Laranjeiras. Quando descobrimos que existe trilha no fundo do Saco do Mamanguá, esperávamos fazer esse roteiro completo e de mais fácil logística. Atualmente o trajeto está bem sinalizado, com poucos pontos que podem gerar dúvida.

Saímos do Rio de Janeiro na sexta-feira, 24/02/17, com o objetivo de chegar à praia do Sono. Esse é o sentido inverso ao tradicional, mas não existe muita diferença e a primeira trilha seria bem curta, possível de ser feita mesmo de noite. No entanto, pegamos mais trânsito do que imaginávamos e muita chuva na estrada. Adiamos a trilha para o dia seguinte e dormimos em Trindade, no carro mesmo.

1º dia:Praia do Sono, Antigos, Antiguinhos e Ponta Negra

depois de uma noite mal dormida com muito mosquito no carro e uns malucos falando alto de madrugada, acordamos bem cedo. Procuramos uma padaria para tomar um café e nenhuma estava aberta. Acho que só abria às 8h. Fomos direto para Laranjeiras e comemos um lanche que tínhamos do dia anterior. Paramos o carro no estacionamento do Jeremias na Vila do Oratório (R$20 a diária com 1 dia de graça) e pegamos a trilha em direção a Praia do Sono. Tinha muita gente esperando perto do início da trilha. Meio assustador a quantidade de gente que seguiria para o Sono. A trilha começa com uma boa subida, com degrau e corrimão. O caminho é bem aberto e de fácil orientação. Fizemos em pouco mais de 1 hora e paramos um pouco na praia para tomar um café da manhã.

Não pretendíamos pernoitar na praia do Sono e seguimos então em direção à Praia de Ponta Negra passando por Antigos, Antiginhos e Cachoeira da Galhetas. Chegamos em Ponta Negra em cerca de 2 horas, almoçamos um PF no restaurante da Biquinha (também do Leley) e montamos nossa barraca no Camping do Leley, logo atrás do restaurante. Só tinha mais uma barraca no camping quando chegamos. Era um chileno, mas ele desmontou as coisas no mesmo dia e seguiu para a praia do Sono. Aproveitamos o final da tarde para curtir a praia enquanto rolava um futebol acirrado por lá.

Oratório - Sono: 1h10 / Sono - Ponta Negra: 2h.

Gastos: Estacionamento (R$20) + PF (R$20 por pessoa) + Camping (R$20 por pessoa)


2º dia: Cachoeira do Saco Bravo.

Acordamos cedo e seguimos para a trilha que exige um pouco de preparo e tem trechos confusos. Tem uma subida inicial um pouco mais exigente e depois alterna subidas e descidas mais leves. Já tínhamos tentado chegar até a Cachoeira alguns anos antes, mas erramos a trilha naquela época e paramos em uma casa abandonada. Não conseguimos encontrar a trilha certa e tínhamos pouco tempo no dia, então voltamos. Dessa vez tínhamos GPS com o trajeto e não teve erro. Não sei que caminho pegamos na época, mas não passamos de novo por essa casa. Chegamos no Saco Bravo em 1h40min. Tem um trecho um pouco complicado nas pedras para chegar no poço, mas tinha duas cordas fixas que ajudam a descer. Não demos muita sorte com o tempo. Assim que chegamos na cachoeira começou a chover um pouquinho, mas o lugar é incrível e vale a pena ser visitado de qualquer jeito. Logo depois de nós, chegaram quatro caras que vieram correndo de Laranjeiras. Ficamos pouco tempo por causa da chuva e voltamos em um ritmo um pouco mais lento. Dormimos mais um dia em Ponta Negra para pegar a trilha mais pesada no dia seguinte. Chegou muita gente nesse dia para pernoitar no camping. Talvez umas 15 pessoas. Ficamos um tempão na fila para tomar banho.

Ponta Negra – Saco Bravo: 3h40 ida e volta

Gastos: Estacionamento (R$20) + PF (R$20 por pessoa) + Camping (R$20 por pessoa)


3º dia: Trilha até Cairucu das Pedras e Martim de Sá,o grande desafio da travessia.

A trilha tem cerca de 12km e começa com uma subida bem íngreme, alcançando 580m de altitude, sem uma reta para descansar. Pouco após o início, encontramos um casal voltando que tinha desistido da trilha pela dificuldade, mas eles contaram que não estavam acostumados a fazer trilhas longas. Conseguimos manter um bom ritmo e alcançamos o topo da trilha com apenas uma breve pausa. Encontramos 3 grupos nesse trecho fazendo a travessia da Juatinga no sentido contrário, todos começando por Martim de Sá. Continuamos e paramos um pouco na Praia de Cairuçu. Foi uma linda descoberta! A praia é super charmosa e tem uma piscina de água doce construída pelos moradores, pertinho do mar. Isso mesmo, uma piscina de água natural e borda infinita de frente para uma praia paradisíaca. Os moradores apenas deixaram uma caixinha e um recado pedindo a contribuição dos visitantes. Depois de renovar as energias, seguimos para Martim por uma trilha bem tranquila. Chegamos ao tão famoso Camping do Seu Maneco e estava bem cheio, mas mesmo assim tinha bastante espaço. Almoçamos dois PFs muito bem servidos e visitamos a praia, mas não ficamos muito tempo por lá. Conversamos um pouco com dois caras do RJ, o Bruno e um amigo. Vimos eles saindo na nossa frente de Ponta Negra, mas eles seguiam em um ritmo mais forte. Chegaram muito depois de nós e descobrimos que eles seguiram por um desvio que nós também pegamos, mas voltamos rapidamente quando vimos o trajeto errado no GPS. Eles insistiram por muito tempo até a trilha fechar totalmente e voltaram. Encontraríamos os dois novamente na Praia Grande. Apesar de tanta gente no camping, a noite foi tranquila.

Ponta-Negra-Cairuçu: 3h30m / Cairuçu-Martim: 1h20m.

Gastos: Estacionamento (R$20) + PF (R$20 por pessoa) + Camping (R$20 por pessoa)

4º dia: Trilha até a Praia Grande da Cajaíba passando por Pouso, Itanema, Calhaus e Itaoca.

A primeira trilha, até o Pouso, é ótima e dá para curtir bem a caminhada. Chegando no topo do morro, após uns 40min de trilha, tem a bifurcação para a Praia da Sumaca. Paramos um pouco em Pouso e tentamos comprar alguma coisa na padaria, mas os preços eram meio absurdos. Devíamos ter comprado em Martim, mais barato. As demais trilhas não são difíceis, mas o sol pode se tornar um problema, pois os trechos são muito abertos. Não desanimamos e fomos devagar com a dificuldade do calor. Após a praia de Pouso, existe uma pequena praia chamada Toca do Carro. A trilha principal não passa por ela, tem que pegar um desvio para a direita. Não visitamos dessa vez, mas vale conhcer.

Somos apaixonados pela Praia Grande da Cajaíba. Adoramos conversar com a Dona Dica, uma das caiçaras mais tradicionais da região, e sua família. A Dona Dica tem 75 anos e possui um bar/restaurante na praia, o segundo quando se chega vindo de Pouso. Como de costume, ficamos no Camping dela que, apesar de ficar a 1,5km da praia, é um lugar com uma energia inigualável. Fomos pela primeira vez de bote pelo rio atrás da praia. O filho da Dona Dica nos deixou na metade da trilha do camping. Nessa primeira noite dividimos o quintal da casa da Dona Dica com mais duas meninas. Ela dorme na praia nos dias em que o bar está com mais movimento. O local é repleto de plantas frutívoras como caju, abacaxi e limão. Pertinho da casa, existe um rio muito limpo, cheio de pitu.

Martim-Pouso: 1h20m / Pouso-Praia Grande: 2h.

Gastos: Estacionamento (R$20) + PF (R$15 por pessoa) + Camping (R$15 por pessoa)


5º dia: Descanso na Praia Grande e visita à Cachoeira (15min ida). Aproveitamos o dia todo para curtir a praia, conversar com a Dona Dica e visitar a cachoeira. Dona Dica nos contou melhor a história do cara que se diz dono da praia. Já tínhamos escutado sobre ele, mas não sabíamos de muitos detalhes. A família dessa pessoa explora os moradores há anos, alegando que comprou todas as terras da região. Vimos uma certidão, emitida em cartório, que afirma que ele é o “proprietário do imóvel Praia Grande da Cajaíba”. Existem vários artigos alegando que essa família fazia os moradores, analfabetos, assinarem um documento de venda de suas casas, quando na verdade pensavam que era um documento atestando que a casa era deles. Muito triste.

Encontramos o Bruno e o amigo. Bruno seguiu para o Mamanguá, a única pessoa que conhecemos no caminho e que também fez a travessia completa. Dormimos sozinhos no quintal da Dona Dica com uma forte ventania de madrugada. Cenário um pouco sinistro rs.

Gastos: Estacionamento (R$20) + PF (R$15 por pessoa) + Camping (R$15 por pessoa)


6º dia: Trilha até a Praia do Cruzeiro no Saco do Mamanguá, passando pela Praia do Engenho e Ponta da Romana.

Fomos acordados pela Lalá, cachorrinha da Dona Dica. Ela subiu sozinha de manhã, depois soubemos que ficou assustada com o vento. Foi engraçado pois estávamos brincando com ela quando o Charlico tropeçou no chinelo e ela saiu correndo chorando. Ele nem encostou nela, coitada. Procuramos em toda parte e Lalá não estava mais lá. Pensamos e confirmamos depois que ela tinha descido para ficar com a Dona Dica na praia. Nos despedimos dessa família maravilhosa que sempre encontramos com muita alegria e partimos para o Saco do Mamanguá.

A primeira trilha, até a Praia do Engenho, é a mais difícil. Tem uma subida de 400m e partes mais fechadas. Na última vez que passamos por aqui tivemos muita dificuldade, mas agora está bem mais fácil, pois levaram energia para a região e tiveram que abrir a trilha para instalar os postes. A “trilha” do Engenho ao Cruzeiro é confusa e boa parte é acimentada. Esse trecho parece até mais longo do que de fato é, por ser uma área mais civilizada. Chegamos na Praia do Engenho, uma das maiores comunidades do Saco do Mamanguá e perguntamos a diária no Camping do Orlando. Estava R$30 e consideramos muito caro. Descobrimos o Camping do Denilson, mais barato. Fica logo atrás ao terreno do Orlando, no quintal de uma casa azul. Não tem muita estrutura, mas conseguimos nos virar. Não nos mostraram onde era o banheiro e acabamos usando o do camping da frente. Encontramos o Bruno novamente e ele também ficou no Denilson, pois estava pagando R$40 a diária no Orlando. Depois descobrimos o Camping do Preá, mais perto da igreja e sem dúvida ficaríamos lá se soubéssemos. Seu Preá é muito simpático e atencioso. Conversamos um pouco com um outro casal do RJ, Alê e Gabriel. Eles estavam fazendo a travessia de Martim de Sá para o Mamanguá. Almoçamos no restaurante Cruzeiro, uma das melhores comidas da região, com farofa de banana e salada variada com manga.

Camping do Denilson (R$20 por pessoa) + PF (R$20 por pessoa)

Praia Grande-Engenho: 2h / Engenho-Cruzeiro: 2h.


7º dia: Acordamos cedo e partimos para a trilha do Pico do Pão de Açúcar (425m). É uma subida bem íngreme, mas bem dermacada. A vista do Pico é surreal. É possível visualizar o Saco do Mamanguá inteirinho. Descemos e fomos direto em direção à Cachoeira do Rio Grande, no fundo do Saco. A trilha é longa, mas tem poucos trechos de subida. Paramos apenas uns minutinhos na Vila do Baixio de Dentro e conhecemos o José, um senhor simpático que faz viagens de barco. Combinamos com ele de nos levar até a Ponta da Foice, local de início da trilha que vai até a Vila do Oratório. Seguimos e a trilha muda bastante, após a última praia do Saco, subindo um pouco e depois descendo por uma parte de mata mais densa. Chegamos então ao Rio Grande, no ponto onde comumente as pessoas chegam de canoa ou caiaque. Atravessamos o rio e continuamos até o Poço da Cachoeira. Esse é o ponto mais visitado, mas vimos que a trilha continuava e decidimos seguir um pouco mais para ver se teria uma cachoeira mais imponente. Não deu outra. Mais 5 minutos de trilha e chegamos numa bela cachoeira. Voltamos, almoçamos no mesmo restaurante do dia anterior, com direito a uma jarra gigantesca de suco de maracujá. :)

Desarmamos acampamento e esperamos o José nos buscar na praia do Cruzeiro. O Bruno foi junto com a gente até o Rio. Em 15 minutos e debaixo de muita chuva, chegamos na Ponta da Foice e terminamos a travessia até a Vila do Oratório. A trilha é muito bonita, fácil e bem plana. Fizemos a trilha toda debaixo de chuva forte.

Terminamos a travessia totalmente realizados. Foi a nossa 4ª visita à região e nunca tínhamos conseguido concluir a travessia por falta de tempo. É possível concluir em até 4 dias, mas com poucas paradas para aproveitar.

Cruzeiro-Pico do Pão de Açúcar (425m - 1h30 ida e volta) + Cruzeiro-Cachoeira do Rio Grande (3h total) + Ponta da Foice-Oratório: 1h15m.

Gastos: PF (R$20 por pessoa) + Barco (R$30 por pessoa) *O estacionamento não foi cobrado neste dia.

Gasto total (Casal): Estacionamento R$120 + Camping R$220 + PF R$220 = R$560,00

OBS:
- LEIA O POST COMPLETO: https://casaldemochilao.com.br/saco-do-mamangua-juatinga-trekking-paraty/
- Outra opção para o trajeto de barco é seguir até a Praia Grande do Mamanguá (mais perto do Cruzeiro) ou Curupira e fazer uma outra trilha mais longa para o fundo do saco que encontra com a trilha da ponta da Foice. O barco até a Praia Grande vai ser um pouco mais barato.
- Existe uma trilha bem fechada da Cachoeira do Rio Grande que também encontra com a trilha da Ponta da Foice, mas recomendam o uso de facão para abrir o mato. Preferimos não arriscar.

Gostou do relato? Acompanhe as nossas aventuras no blog Casal de Mochilão.

Charlico
Charlico

Published on 04/10/2017 16:00

Performed from 02/25/2017 to 03/04/2017

1 Participant

Larissa Chilanti

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Tiely
Tiely 04/10/2017 23:00

Que lugar perfeito!!!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 04/12/2017 11:18

Caraca, não sabia que dava para fazer um circuito! Muito massa esse tracklog! Obrigado por compartilhar!

Charlico
Charlico 05/17/2017 18:03

Essa travessia é iradíssima!! Vale muito a pena se planejar.

Pato Carvalho
Pato Carvalho 01/06/2019 11:49

Que relato daora!

Anna Costa
Anna Costa 02/07/2019 11:39

Você tem o contato do camping da dona Dica? pode me passar? :) Valeu!

Charlico

Charlico

Rio de Janeiro - RJ

Rox
46

Apaixonado por trilhas, criou, junto com sua esposa, o BLOG Casal de Mochilão. A ideia é oferecer dicas de viagens e trekking em aventuras de baixo custo.

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